Dangerous

Daya Engler · Capítulo 9 de 45

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Dangerous

Capítulo 09

 

Fiz a única coisa que poderia fazer naquele momento. Beijei-o. Apertei meus lábios nos seus com urgência súbita, quase o engolindo. Thor me respondeu com a mesma urgência crua, empurrando sua língua dentro da minha boca, chupando minha língua. Logo a urgência e o desejo cresceram latentes, e então, éramos todos dedos um sobre o outro.

Seu pênis engrossou sob mim empurrando contra meu sexo em ponto de bala.

— Está usando?

Quando não respondi, ele segurou um punhado do meu cabelo e puxou, obrigando-me a fitá-lo nos olhos. Nossos rostos ainda próximos de tal maneira, que podíamos sentir na pele o calor das nossas respirações pesadas. A sombra de luxúria escurecia suas feições.

Ele desviou o olhar por um breve momento, tocando o colar em meu pescoço e soltou um suspiro de satisfação enquanto sorria de leve então me fitou nos olhos, novamente.

— Eu adoro a maneira que seus olhos escurecem e suas pupilas dilatam quando você está excitada, neném. Eles não te deixam esconder sua necessidade de mim. Isso é sexy pra caralho.

— Os seus também ficam assim.

Ele sorriu e correu a língua por meus lábios.

— Sim, mas eu não tento esconder meu desejo por você. — Havia uma leve censura em seu tom baixo então ele acrescentou. — Agora me responda. Está usando?

Calor afogueou minhas bochechas. Semanas atrás quando ele disse que traria algo para mim, aliás, para nós, eu não fazia ideia do que era. E com certeza um plug anal era uma hipótese inexistente, até eu, muito animada com o presente, abrir um dos pacotes todo trabalhado.

Quem dá a merda de um plug anal de presente para outra pessoa? E não apenas um, mas um de diferente tamanho a cada semana?

Certamente, um louco desvairado.

Tinha ficado sem palavras, e logo nervosa, querendo socar aquilo na bunda dele. Não tinha nada contra brinquedos sexuais, até tinha alguns, porém aquilo era uma tremenda sacanagem.

O negócio incomodava, sem falar no medo do caralho que tinha daquilo cair quando andasse, porque o cretino não se contentou apenas por usá-lo em mim quando estávamos juntos, ele queria que eu usasse o brinquedo por um bom período durante o dia para, segundo suas palavras, preparar-me para ele. Okay. Eu tinha de dar isso a ele. Não era assim de todo ruim, principalmente, quando ao final aqueles brinquedos seriam substituídos por seu pênis. E, bem, eu meio que queria isso.

O segundo pacote amenizou as coisas quando o abri para descobrir uma caixa da Piaget. Eu tinha que admitir, o ordinário era inteligente. Ele, talvez, tenha previsto que precisaria de algo bom o suficiente para abrandar a minha chateação pelo primeiro pacote.

Afinal, qual garota não gostava de ganhar uma joia?

Eu adorava. Fora só uma fração de segundos para a minha irritação diluir quando me deparei com uma corrente fina em ouro amarelo, com um pingente de dois elos entrelaçados. Um menor circundado por diamantes e o outro liso, também em ouro amarelo. Era simples e linda.

— Antonella, responda-me — disse ele, agravando seu tom autoritário.

Umedeci os lábios, voltando minha atenção para ele.

— Não, — sussurrei com uma exalação pesada. Sua expressão apertou, contrariada. Eu acrescentei rapidamente. — Já usei a semana toda. Quero ficar livre hoje.

— Tudo bem. Mas a noite irá dormir com ele e amanhã trocaremos por um maior. — Fiz uma careta. — Não faça essa cara, neném. Será o último antes de eu comer seu cuzinho, e eu não quero te machucar. Precisa estar pronta para o meu pênis.

Meu sexo fisgou com sua crueza. Eu o beijei novamente. Suas mãos em meu quadril impulsionaram meu corpo com força sobre o dele quando rebolei em seu colo, friccionando nossos sexos. Sua boca rasgou para o lado e abaixo, aplicando beijos quentes e molhados em meu pescoço, que nublaram minha mente e em poucos minutos me fizeram arder de desejo.

— Eu quero você agora, Heithor. — Não reconheci a urgência em minha voz, o desespero para tê-lo fundido a mim era grande. Ele fez menção de se levantar. — Não. Aqui. Rápido e duro.

— Sem preliminares?

— Uhum.

Levei as mãos até seu short, fazendo o meu melhor para abri-lo e quando consegui seu pau saltou livre. Duro e pulsante. Minha boca salivou para tê-lo quando apertei os dedos em torno dele, mas primeiro eu precisava aliviar aquele fogo que me consumia, alagando minha vagina com tesão, do contrário, eu enlouqueceria. Thor infiltrou a mão por debaixo da minha saia, afastando minha calcinha para o lado e, em seguida, deslizou o dedo por minhas dobras.

— Meu Deus — grunhiu. — Sempre tão molhada, neném.

— Só para você, Thor.

Guiei a cabeça brilhante, besuntando-a em minhas dobras úmidas, e então, a encaixei em minha entrada e soltei o quadril ao mesmo tempo em que Thor impulsionava o dele para cima. Nossas bocas se enroscaram, bebendo os gemidos um do outro. Nunca iria me acostumar com a sensação de estar cheia dele, rodeada por todos os lados, dentro e fora. Era incrível e aterrador ao mesmo tempo. Segurando em seus ombros, eu busquei apoio para alavancar os meus movimentos então comecei a montá-lo, num selvagem abandono. Levando-o mais fundo.

— Mmmm... que delícia safado.

— Assim, neném, me fode desse jeito. Lento e suave — disse ele, com luxúria e aprovação em sua voz. — Cacete. Essa apertada que você dá no meu pau é incrível, baby.

Ele deixou uma mão em meu quadril, ajudando-me nos movimentos, e com a outra subiu a bainha da minha blusa, expondo meus seios pesados. Eu agradeci em silêncio por não ter colocado soutien quando sua boca capturou o meu mamilo, chupando e lambendo a ponta rígida.

Ele trabalhou para me enlouquecer. Não havia pensamentos em minha cabeça, apenas a ansiedade de saciar meu desejo. O orgasmo se construindo rapidamente...

— Vem vadio. Eu quero você em cima de mim — pedi num tom manhoso, puxando-o descuidada. — Quero sentir o peso do meu homem sobre mim enquanto me fode bem gostoso.

No instante que ele apertou minha bunda, eu tive certeza que seus dedos ficaram tatuados lá.

— Porra, baby. Tudo que você quiser.

Ele inverteu nossa posição e eu enlacei minhas pernas em sua cintura. Minhas mãos apertavam, arranhando suas costas largas e musculosas sob a camisa. Nossos gemidos aumentaram. Ele metia cada vez mais rápido, mais fundo. Minha mente estava fragmentada, meu corpo quente.

— Mais, Thor. Mais forte. Faça-me gritar.

Ele deu o que eu queria. Sentia seu pau entrar em mim até o talo. Era tão bom. Adorava sua selvageria. Ele gemeu, afundando a cabeça em meu pescoço, sua respiração tão pesada quanto a minha. Estávamos indo para um orgasmo incrível quando uma voz alta ecoou sobre nós.

— ODDIO!

Thor parou, me encarando e eu encarei de volta, ambos sem entender. Nem ele, nem eu tínhamos dito aquilo. Engoli a seco, enrubescendo da cabeça aos pés quando um estalo clareou minha cabeça.

Porra, eu conhecia aquela voz.

Olhamos na direção da voz alarmada...

Tudo que eu não desejava encheu a minha visão. Pietra estava parada na porta, com a mão sobre a boca e olhar arregalado. Sua expressão era uma mescla de choque e raiva.

Eu petrifiquei. Thor idem.

— O que você está fazendo para-da aí? — Nathan entrou se juntando a festa.

Eu não pude ler a expressão dele. Estava congelada no meu próprio constrangimento, afundada na vergonha quando minha mente me lembrava de como Thor e eu estávamos.

Mamma mia.

Eu queria reagir, fazer qualquer coisa, porém não tinha forças.

Puta merda! Não bastava minha amiga nos flagrar, Nathan também tinha que fazer?

Ele a puxou para detrás de seu corpo e então para a porta.

— Vão para um quarto, caralho.

Meu coração estava na boca, todo o meu sangue acumulado na minha cara. Desviei o olhar para Thor, que pareceu sair do transe. Ele deu um risinho, e eu não entendi nada. Então ele recomeçou a mover-se dentro de mim. Meus olhos aumentaram em choque.

— Que merda está fazendo?

— Fodendo você, gostosa — galhofou, descendo sua boca para o meu pescoço, em seguida.

— V-você...

Minha voz morreu, as palavras de protesto se perdendo em meio ao nevoeiro sexual, que seus movimentos selvagens levantou sobre mim. Ao terminamos, eu respirava com tanta dificuldade, que uma parte de mim já cogitava comprar um balão de oxigênio para as nossas futuras transas.

Caramba! Que merda de pensamento era esse?

Não ia rolar mais. Droga!

Heithor se moveu, retirando-se de mim e se sentou, ajeitando seu short. Enquanto eu ajeitava minhas próprias roupas, observei-o. Ele não parecia afetado pelo flagra.

— Lei mi odia — me ouvi murmurando quando coloquei a cabeça entre as mãos.

Ele colheu uma mecha de cabelo para detrás da minha orelha.

— Ela não te odeia, Ella. No máximo deve estar chateada, mas vai passar — ele disse com tanta convicção, que eu quis acreditar nele e quase fiz, todavia, lembrei que fui uma cadela com ela.

— Você não entende! Eu devia ter contado a ela que já nos conhecíamos quando soube quem você era... — minha voz vacilou no aperto que sentia sufocar minha garganta.

Sua mão veio para o meu rosto.

— Hey, calma. Não é o fim do mundo. Ninguém tem culpa de nada aqui, aliás, se houver algum culpado, sou eu, não você. Pietra irá entender isso, eu prometo.

— Não, — balancei a cabeça e funguei, — eu sou a culpada. Não deveria ter continuado com isso. Merda, nós nunca escondemos nada uma da outra. Eu tinha que ter dito a ela.

Seu polegar limpou uma lágrima solitária que escapou pelo canto do meu olho.

— Não fique assim, neném — disse ele, passando um braço ao redor do meu corpo. — Nós vamos dar um jeito nisso. Ela vai entender. Juro isso a você.

As palavras mal saíram de sua boca quando eu me coloquei de pé, empedernida.

— Nós? Que nós? Não existe isso de nós, cazzo!

Mágoa brilhou em seus olhos, mas não me importei.

— Aonde você vai? — ele perguntou quando me movi para a porta.

Minhas mãos balançaram no ar em frustração.

— Procurar minha amiga ou ex, não sei mais!

— Deixe-a. Nathan está com ela agora. Espere ela se acalmar e depois vocês conversam.

Um pedido, não uma ordem. Somente por isso eu ponderei suas palavras por um efêmero momento e bufei ao perceber que ele tinha razão. Girei sobre meus calcanhares, pronta para sumir de suas vistas e escutei seus passos atrás de mim. Dei a volta, com meu dedo em riste, apontado para o seu peito. Meu semblante estava fechado e gélido.

— Não se atreva a vir atrás de mim. Não me procure mais. Se puder, esqueça que eu existo porque é, exatamente, isso que eu vou fazer. Acabou... Seja lá que merda tínhamos, acabou aqui.

Não esperei sua reação, tomando meu caminho para o quarto. Quando fechei a porta atrás de mim, o primeiro soluço irrompeu através de meus lábios então as lágrimas vieram.

Chorei de raiva daquele imbecil, sobretudo, de mim mesma. Aliás, eu estava possessa de raiva de mim mesma. Eu deveria saber que aquilo não daria certo, que era somente uma questão de tempo até tudo vir à tona e eu me ferrar. A coisa toda se resumia na minha tremenda imbecilidade por colocar em risco a amizade que tanto prezava por uma atração de merda. Agora, tinha de implorar para que Pietra pelo menos me escutasse, porque o perdão, bem, eu não estava certa se iria obter.

Eu me sentia a pior pessoa do mundo.

Pietra e eu nunca tivemos segredos entre nós. Conhecíamo-nos melhor que qualquer outra pessoa, sabíamos tudo uma da outra desde as coisas mais bobas as mais perversas. Éramos melhores amigas, irmãs de coração, cúmplices em tudo. Tínhamos nossa própria linguagem até.

Eu não deveria ter omitido dela, nem continuado a sair com aquele filho da puta. Na verdade, deveria ter dito tudo a ela assim Heithor me fora apresentado e não me enrolado mais, ao invés.

Pietra teria entendido e mesmo não gostando, ela não poderia me culpar, porque até aquele momento eu não fazia ideia de quem ele era. Inferno sangrento. Eu nem mesmo poderia culpar o cretino, pois, muito embora estivesse odiosa por ele pelo risco de perder minha amiga, era eu quem tinha sido estúpida. Mas, eu somente tinha agido como uma imbecil por causa dele. Aquele homem não me fazia bem. Ele tinha mexido com a minha cabeça e com meu corpo desde o primeiro momento em que o vi naquele clube, e eu não estava acostumada a não ter o controle das minhas reações. Ele me endoidava das mais diferentes maneiras.

Limpei as lágrimas com gestos bruscos de minhas mãos e me coloquei de pé. Não adiantava ficar chorando quando a merda já estava feita.

Fez merda. Concerte.

Era isso que eu fazia quando algo estava errado e agora não seria diferente.

Entrei no banheiro e dei um jeito na minha bagunça física. Na emocional eu pretendia arrumar assim que falasse com Pietra. Ao menos tentaria. Minutos depois desci para o térreo e, posteriormente, para a área externa dos fundos da mansão, onde rolava a festa. Havia uma quantidade considerável de convidados lá. Alguns conhecidos, outros amigos mais chegados.

Se ela não cancelou a festa é sinal de que, talvez, não esteja tão brava, pensei.

Varri o olhar pelo espaço a procura de Pietra, e não a enxerguei em qualquer canto, mas em compensação, avistei Heithor e sua corja, incluso Norah, num canto mais afastado dos convidados alegres. Ele se colocou de pé e fez menção de caminhar para mim quando nossos olhares se cruzaram, mas o detive com um balanço de cabeça e fui até ele.

— Viu Pietra?

— Olá Antonella. Como vai? — a versão mais nova de Pamela Anderson cumprimentou-me, com aquela vozinha irritante de puttana.

Ignorei-a, focando minha atenção em Heithor.

— Então, você a viu ou não?

— Ela estava aqui até agora, — calmamente, ele disse.

Respirei fundo, em seguida, pegando uma bebida da bandeja do garçom, que passou ao meu lado. Sentei-me com a corja, porém ignorei a todos. Virei à bebida em meu copo de uma vez, descobrindo ser uísque quando senti minha garganta queimar. Perfeito. Eu precisava da bebida assim, a seco. Avistei uma garrafa na mesinha de centro e me apossei dela.

— Você deveria maneirar um pouquinho, querida. Dessa maneira não chegará ao final da festa, e ela somente está começando. — Norah disse ao meu lado.

Inclinei a cabeça para o lado e sorvi a bebida em meu copo até não restar uma gota, em seguida, dei-lhe um sorriso sem dentes, tão falso quanto aquele cabelo de farmácia dela.

Tornei meu olhar à frente.

Suspirei e me servi de outra dose, ciente do olhar recriminador do cretino ordinário.

— Basta Antonella! Sem mais bebida para você — ele disse ríspido, tirando a garrafa do meu alcance.

Pelo canto dos olhos, observei ele fazer um gesto e um dos empregados que estavam servindo os convidados se aproximou, logo assentiu e saiu, em seguida. Não pude ouvir o que ele disse, mas tive certeza dele ter se referido a mim. Certificando-se de que eu não bebesse mais.

Stronzo.

Levantei o olhar e avistei Pietra conversando com Josie em um canto. Deixei meu copo intocado sobre a mesinha e me desloquei na direção delas. Quando elas perceberam minha aproximação a conversa parou e Pietra se retraiu. Eu bufei, balançando a cabeça para os lados.

— Antonella!

Retribui o abraço rápido.

— Oi J.

Tentei um sorriso, mas deveria ter saído uma careta quando foquei em Pietra. Ela não fez questão de ser discreta ao me ignorar. Suspirei odiando o clima pesado entre nós.

— A festa está incrível — Josie exaltou.

— Sei... Pietra, nós podemos conversar?

— Adoro essa música! — ela disse quando uma música pop qualquer começou a tocar e, em seguida, agarrou o braço de Josie. — Vem. Vamos dançar.

Boquiaberta a vi arrastar Josie para a pista de dança improvisada no jardim sem sequer olhar na minha direção. Respirei fundo, domando meu temperamento, que ameaçava vir à borda.

Eu tinha errado, mas porra, eu queria me redimir.

Isso deveria valer de algo, não?

Eu não me dei por vencida somente porque ela estava se achando a rainha de Sabá.

— Pietra, per favore, — pedi suplicante quando me coloquei na sua frente, novamente. Ela continuou dançando, como se eu não estivesse lá. Tentei outra vez. — Realmente sinto por não ter te contado antes. Perdonami. Somente me deixe explicar...

— Eu vou pegar uma bebida já que não posso dançar sem ser incomodada por gentinha traiçoeira de duas caras. Cuidado amiga, porque cadelas trapaceiras são o que mais tem por aí.

Minha paciência se esvaiu e eu trinquei os dentes com raiva enquanto a observava se apartar de mim. Josie acompanhou-a. Doeu e me revoltou. Fechei minha boca, recompondo-me, e olhei ao meu redor. As pessoas me olhavam curiosas pelo pequeno show que presenciaram.

— O que foi? Nunca me viram, não? Cuidem das suas vidas ou sumam daqui, seus merdas!

Parei um dos empregados servindo as bebidas ao meu redor.

— Senhorita, o senhor... — O patife começou quando peguei uma taça de champanhe.

— Cale a boca e faça a merda do seu trabalho, idiota.

Ele saiu apressado enquanto eu virava a taça, cheia de raiva, e no instante seguinte, Heithor se materializou do meu lado, puxando-me para um canto mais afastado.

— Eu já disse que sem mais bebidas para você, Antonella, — ele disse, tomando a taça vazia da minha mão. — Encher a cara não irá resolver nada.

— Você falar comigo também não.

Heithor deixou a taça sobre uma base ao lado.

— Se comportar assim é o que não ajuda — apontou, com mansidão. — Não force a barra. Deixe-a se acalmar antes, então ela falará com você. Eu já conversei com ela.

— Ela falou com você? — Ele acenou. — E então?

— Ela entendeu.

Seu tom era tranquilo em sua voz. Vasculhei seus olhos, procurando por qualquer vestígio de mentira, porém apenas encontrei sinceridade. Mas, merda, ele era o irmão.

Heithor suspirou e correu as mãos pelo cabelo antes de acrescentar:

— Eu sinto muito. Foi culpa minha ela ter descoberto daquela maneira..., eu deveria ter sido mais cauteloso. Não sei o que acontece, mas quando estou com você, eu sou tudo exceto ajuizado.

— Realmente a culpa é toda sua por ficar me cercando como um cão sarnento do qual eu não posso me desfazer mesmo que te chute o rabo tantas e tantas vezes.

Dei-lhe as costas, caminhando a largas passadas até seus amigos e me sentei com eles. Ele chegou logo depois, todavia, não me olhou. Estava zangado. Mas, então, eu também estava.

A festa continuou e eu permaneci alheia ao que acontecia a minha volta. Pietra e Josie se juntaram á nós, fazendo a irritação fumegar em minha pele. Ela conversava com todos exceto comigo, até mesmo com a oxigenada, que nessa altura estava toda risonha e praticamente no colo daquele desgraçado. Aguentei ser ignorada até que a frustração me comeu viva e a humilhação queimou meus olhos. Certo como o inferno, eu não tinha nascido para ser desprezada, nem para mendigar pela atenção seja de quem fosse. Eu daria a porra do tempo dela.

Levantei-me sem olhar para ninguém e, em seguida, caminhei em direção ao interior da mansão.

Não podia acreditar que estava passando por essa situação, e pior, que ela fosse gerada por minha incompetência em manter-me longe do bastardo. A raiva permeou minha pele quando percebi que não dava para ficar trancada em meu quarto enquanto estivesse rolando uma festa abaixo. Sentindo-me sufocada e inquieta, eu peguei a chave do meu carro e uma jaqueta então saí.

O sol estava começando a sair no horizonte quando encostei na garagem. Eu tinha zanzado boa parte da noite, bebido outra. Agora, somente podia pensar na minha cama.

Uma vez que entrei na sala, dei de cara com Heithor, Martha, Nathan e Pietra. Estranhei, ainda era cedo para todos já estarem de pé, principalmente, depois de uma festa. Eu poderia jurar que os vi suspirarem de alívio quando me viram. Olhei para Pietra, e ela virou a cara.

Sacudi a cabeça então continuei o meu caminho.

— Onde você estava? — Thor perguntou furioso.

Eu sequer lhe destinei um olhar nas fuças enquanto subia a escada, deixando-o falar sozinho. Passos duros avisaram-me que ele estava em meu calcanhar.

Dio, ele não entendia a merda de uma simples dica?

Entrei no meu quarto, seguida por ele, que não parava de falar.

— Não vire as costas para mim quando eu falar com você — rosnou ele, duramente. — Eu te fiz a porra de uma pergunta, Antonella. Quero uma resposta. Tem ideia de como fiquei preocupado?

Em outra ocasião quando não estivesse me sentindo vulnerável e com os olhos queimando, eu chutaria o traseiro dele até a morte por estar exigindo coisas que não lhes dizia respeito. No momento, eu estava cansada demais para falar, quem dirá discutir. Eu somente queria que ele se fosse e me deixasse em paz. Isso era pedir muito?

Quando não obedeci o seu comando, suas mãos plantaram em meus ombros e me viraram de maneira brusca. Eu mantive o olhar para baixo. Cansada. Farta mesmo.

Eu não me importava se ele ou os outros estavam preocupados com o meu sumiço. Eles pediram por isso, não eu. Se eles cuidassem da própria vida, não teriam de se preocuparem comigo.

— Que porra você pensou que estava fazendo? Sabe que horas são? Preocupou a todos. Ninguém dormiu até agora, porque você não teve a cortesia de sequer atender o fodido celular quando sabe que é para manter a porra ligada e ao alcance. É por atitudes assim que tive de obrigá-las a aceitarem as minhas regras, porque ao que parece... O que eu estou dizendo? Não parece, é! Você só se importa com o que você quer e o resto que se foda, não é assim? É uma mimada egoísta que age de maneira inconsequente e ainda quer ser tratada como uma adulta. Não vê que isso não te leva a nada, caralho?

As lágrimas se acumularam detrás de meus olhos, e eu respirei fundo, freando-as, perguntando-me quando ele me deixaria em paz. Não precisava de porra de sermão nenhum.

— Vai embora — empurrei, com a garganta doendo.

— Por que fez isso? Pelo lance com Pietra? Que caralho foi? Eu disse a você, não disse? Dê tempo a ela, deixa-a digerir a situação que quando ela se sentir pronta, ela irá falar com você. Cacete, me responda, garota! Eu só quero te ajudar, entender porque você faz essas merdas, e não falando comigo, não estamos indo a lugar nenhum.

Não pude segurar, as comportas se abriram em meus olhos. Um soluço subiu e conseguiu atravessar por entre meus lábios. No instante seguinte, senti as mãos dele em meu rosto, seus polegares limpando a irritável trilha molhada. Eu não fugi, nem tinha vontade de fazer mesmo.

— Shhhh... Não chora — suavemente, ele disse, puxando-me para o seu peito. — Desculpe, eu não quis gritar com você, neném. Mas me deixou louco de preocupação. Não pode fazer essas coisas. Essas merdas têm de parar, antes que se machuque de verdade. Eu coloquei os seguranças sobre vocês por um motivo. Tem de confiar em mim, okay? Caralho... só não faça isso mais.

Ele tomou meu rosto em suas mãos, obrigando-me a fitá-lo.

— Não fique assim, querida. — Sua voz desceu uma nota, baixa e macia. — Eu não estive aqui por muito tempo, porém sei que a amizade de vocês é verdadeira e, neném, amizades assim não terminam por qualquer merda. Ouvi-me, Ella? Tudo irá se resolver mais cedo do quê você imagina. Juro isso a você. Sei que é difícil, mas tenha paciência. Dê um tempo a ela e a você, então se acertem. E não duvide disso, vocês irão voltar a me deixar louco muito antes do que eu gostaria.

As palavras dele me acalmaram. Ele tinha razão, contudo, isso não fez minha garganta afrouxar o aperto. Poderia parecer exagero meu, mas Pietra e eu nunca tínhamos nos desentendido, e a incerteza se nós ficaríamos bem novamente somente servia para espremer o meu coração.

Minha cabeça se afundou no peito dele e, de alguma maneira, eu me senti segura em seus braços e foi bom quando deixei de lado a raiva, e qualquer sentimento de rejeição que sentia por ele.

Eu adormeci.