Dangerous

Daya Engler · Capítulo 31 de 45

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Dangerous

Capítulo 31

 

Thor se negava a dizer para onde estávamos indo, alegando ser surpresa. O que me fez mais curiosa, mas visto que ele nada diria, eu não insisti e deixei que ele me surpreendesse. Ter saído do hospital direto para o jatinho, ainda com a medicação para dor em meu organismo permitiu que eu dormisse quase a viagem toda. Tinha deixado o hospital, porém ele não tinha me deixado.

— Acorda dorminhoca — Thor murmurou ao pé da minha orelha.

Pisquei, abrindo os olhos de par em par e bocejei.

— Já chegamos?

— Acabamos de pousar.

Ele puxou a manta que estava sobre o meu corpo e tirou meu cinto. Eu levantei, pegando a bolsa que ele me oferecia. Meu casaco estava em seu braço.

— Onde estamos? — perguntei enquanto caminhávamos para a porta de saída, mas ele não precisou responder. Uma vez que desci os degraus da escadinha, com ele na minha frente, o sol se derramou sobre meu rosto e uma brisa fresca envolveu meu cabelo. — Havaí — assoprei surpresa.

— Um passarinho tagarela me confidenciou que você sempre quis vir aqui — gracejou ele, abraçando-me por trás.

Abri um amplo sorriso e olhei para ele.

— Pode apostar nisso — alegrei-me. — Seu passarinho moreno está muito certo. Sempre quis vir, porém nunca achei uma oportunidade e... companhia.

— Gosto disso — sussurrou ele, sorridente, depositando um beijo em meu pescoço, antes de acrescentar num tom possessivo. — Assim sou o primeiro em algo mais.

Um homem de estatura mediana não muito velho, vestindo short e uma camiseta branca, estava junto a um Jeep prata estacionado próximo ao jatinho. Nas mãos, ele levava colares floridos. O estranho era todo dentes quando começou uma peregrinação em nossa direção.

— Aloha, meu amigo! Achei que não te veria tão cedo.

Thor abraçou o tipo de sotaque cantado, dando tapinhas nas costas dele.

— Aloha Keahi! Eu também pensei que não veria sua cara feia tão cedo — brincou Thor.

— Você apenas sente inveja porque sou mais bonito.

— Em outra vida.

— É bom tê-lo aqui, Heithor. Alana ficará feliz.

Eu fechei a cara.

— Alana é mulher dele — Thor cochichou, sorrindo em minha orelha.

Eu me senti uma boba, corando.

O homem colocou um colar em Thor e outro em mim.

— Mahalo. Obrigado — disse Thor. — Keahi Malla esta é Antonella Vicenti.

— Aloha! É um prazer senhorita. Primeira vez aqui?

Aceitei sua mão.

— Aloha! O prazer é meu. E sim, é minha primeira vez.

Ele sorriu largo.

–– Espero que passe um bom momento aqui. Italiana também, eu suponho?

Lembrei que Thor tinha me dito uma vez sobre meu sotaque toscano. Falava inglês perfeitamente bem, mas o sotaque materno me adorava.

— Sim. Florença, Toscana — ofereci minha cidade natal, embora tivesse crescido em Milão.

— Ah, a Itália — suspirou. — É um belo país. Alana e eu passamos nossa lua de mel lá, graças ao meu amigo aqui, que foi muito generoso conosco.

Eu olhei para Thor, surpresa. Ele deu os ombros.

— Alana merecia — ralhou Thor, brincalhão.

— Eu agradeço você, amigo. Não poderia ter realizado o sonho da minha Alana sem você. Vê-la tão feliz foi maravilhoso. Guardamos boas lembranças de lá... Mas venham, vocês devem estar famintos e cansados. E Alana não me perdoará se eu atrasá-los. Ela cozinhou porco Kalua, mas não digam a ela que eu disse. Ela quer fazer uma surpresa. A senhorita vai gostar.

— Tenho certeza que sim.

Ele assentiu ainda sorrindo.

— Eu vou pegar as malas para que possamos ir.

Quando ele saiu, eu inclinei a cabeça para o lado.

— Lua de mel, eh?

— Não foi nada demais. Keahi e Alana me acolheram muito bem nas duas vezes que estive aqui, e me ajudaram na compra da casa. Eles são moradores locais. Ele é corretor de imóveis e também meu caseiro. Alana o ajuda. Ela é uma grande mulher. Vai gostar dela.

— Não conhecia esse seu lado generoso.

— Seja boazinha e conhecerá — piscou.

— Eles foram bonzinhos também?

— De certa forma, sim. Mas, em retrospectos diferentes do que eu espero de você.

Rolei os olhos então estalei.

— Espere..., você tem uma casa aqui?

— Sim — disse simplesmente.

Eu fiquei tentada a perguntar mais, porém o piloto se aproximou de nós e trocou algumas palavras com Thor. E, em seguida, Thor estava me guiando até o carro enquanto me situava.

— Estamos na ilha Oahu, em Honolulu, a capital, mas ficaremos instalados em Kailua na minha casa. — Ele abriu a porta traseira do veículo e eu entrei. Thor tomou o assento do passageiro na frente e olhou para trás para mim, antes de continuar. — Ficaremos em Oahu, porém podemos visitar as outras ilhas. Há uma abundância de lugares estupendos para visitar enquanto estivermos aqui. Eu não vi muito nas vezes que vim, mas Keahi e Alana conhecem tudo por aqui. Vou lhes pedir algumas referências depois.

— Quanto tempo pretende ficar aqui? Porque você sabe, eu tenho a universidade.

— Confie em mim, eu tenho tudo sob controle. — E informou. — Agora vamos para a minha casa e mais tarde se estiver disposta podemos sair para jantar, tudo bem?

— Estou em suas mãos, bambino.

Ele sorriu de lado, com aquela expressão de quem diria algo muito malvado e sujo, porém Keahi entrou no carro, tomando posse do volante então saímos. Ele e Thor engrenaram numa conversa, que não prestei atenção, enquanto eu olhava através da janela, contemplando as belas paisagens contrastando com uma cidade, com tudo que se tem direito. Não era uma completa alienada, sabia que no Havaí havia urbanização e trânsito, contudo, era um choque ver o quanto. Apesar de que, aqui os motoristas pareciam menos estressados e mais educados, simpáticos até.

Deixamos o centro de Honolulu e quase meia hora depois, as paisagens acompanhadas do mar no horizonte, principalmente, a vista da praia Makapu’u voltaram a me impressionar quando seguimos para a costa em direção ao bairro Lanikai em Kailua.

O sol brilhava forte no céu, apesar de Keahi jurar ser inverno. Dentro do carro estava fresco pelo ar condicionado, mesmo assim podia sentir minha pele aquecida pelo sol imponente.

Eu gostava disso, deste clima quente. Malibu tinha uma temperatura parecida, porém mais amena. E, bem, aqui tinha as paisagens naturais impressionantes.

Logo um amontoado de casas exuberantes dividindo espaço com outras mais singelas, mas igualmente luxuosas, se abriram para mim. Foi um momento antes de o veículo parar na frente de uma mini mansão, com ares de chalé chique. Eles desceram e Thor abriu a porta traseira para mim. Desci, levantando o olhar para a casa branca, com amplos painéis de madeira escura e enormes vidraças. Palmeiras e pequenos arbustos adornavam a grama verdinha.

— Por favor, deixe as malas na suíte — Thor disse então pousou a mão em minhas costas, conduzindo-me entre os espelhos d’água em direção a entrada principal. — Vem, vamos entrar.

Dentro, eu olhei ao redor. Diferente de sua cobertura em Los Angeles onde os tons escuros predominavam, aqui reinava os tons claros com detalhes em madeira clara.

A sala era modesta comparada a da mansão, mas igualmente luxuosa, com ares praianos. Um espaço bem dividido entre sala de estar e jantar, com uma mesa redonda de madeira de cerejeira. Os móveis em tons claros (branco e camurça). Enormes painéis de vidro e portas corrediças também de vidro cuidavam para que o espaço obtivesse o máximo de iluminação natural.

Dei uns passos à frente, aproximando-me da janela panorâmica do lado esquerdo da porta corrediça, que dava acesso aos fundos, e olhei através. O alpendre era grande. Ao fundo, na grama, uma rede e um conjunto de espreguiçadeiras e double-chaise.

Mais ao fundo, o mar azul com vista para ilhas Mokuluas era um espetáculo.

— Aloha!

Girei a cabeça em direção a suave voz feminina cantada e me deparei com uma mulher que deveria ter no máximo uns trinta e cinco anos. Era pequena e bonita. Os traços asiáticos muito delicados. A pele cor de mel. Cabelos negros arrumados no alto da cabeça, com uma flor amarela na orelha esquerda. Ela sorria com doce amabilidade quando Thor a cumprimentou com um abraço.

— Aloha, boneca — Thor disse. — Como tem passado?

— Muito bem, Heithor. E você como tem passado?

— Bem. — Eu me aproximei e ela me olhou. Thor fez as apresentações. — Alana esta é Antonella Vicenti. Antonella esta como pode imaginar é Alana Malla, esposa de Keahi.

Ela limpou a mão no guardanapo que levava sobre o ombro e a me entendeu.

— É um prazer senhorita.

Aceitei seu gesto.

— Antonella apenas. E o prazer é meu.

— Desta forma, me chame de Alana. Fizeram boa viagem?

— Sim, obrigada.

Keahi espreitou ao nosso redor, colocando um braço em torno de Alana.

— Que bom! Espero que estejam com fome.

— Muito. O que fez?

— Porco Kalua, arroz, molhos para acompanhar. E também um pouco de lomi-lomi de salmão. Haupia e frutas frescas para a sobremesa.

— Meu Deus, mulher! — Thor chiou, me levando com ele para a cozinha. Um cheiro delicioso me atingiu em cheio quando passamos pelo limiar da porta e meu estômago reclamou. Ele me soltou e foi para a ilhota estudando as panelas. — Você fez um banquete aqui.

Keahi e Alana que estavam bem atrás de mim riram.

— Não exagere. Fiz porções pequenas e cortei um abacaxi.

— Eu vou ajudar minha Alana pôr a mesa e depois vamos deixá-los a sós.

— Não, tudo bem, nós comeremos aqui mesmo — Thor me olhou —, a não ser que Antonella queira comer na sala de jantar. O que diz, querida?

Calor aqueceu minhas bochechas.

— Aqui está bom para mim — respondi, com um sorriso encabulado. — Vocês podem almoçar conosco. Há muita comida aqui e será um prazer.

— Obrigada Antonella. Mas Keahi está certo, devemos ir para lhes dar privacidade. Vocês devem estar cansados e famintos depois da viagem. Além do que, não faltará oportunidade. Podemos marcar um almoço em casa, assim vocês podem conhecer nossa futura pousada.

Alana pegou um bloquinho de papel no balcão, anotou algo e me deu isso.

— Aqui, me ligue se precisar de algo.

— Mahalo — repeti o agradecimento havaiano, que Thor tinha dito mais cedo.

Ela bateu os cílios surpresa e assentiu em aprovação.

Thor e eu os acompanhamos até a porta.

— Eu arrumei a casa ontem. Keahi fez as compras de supermercado hoje de manhã.

— Os armários e geladeira estão abastecidos — Keahi acrescentou. — Mas, se precisarem de qualquer coisa, nos liguem que eu providenciarei.

Thor assentiu.

— Mahalo, meu amigo. Entretanto, agora eu cuido do resto. Você atenha-se a reforma da sua casa e qualquer coisa que precisar, não hesite em me chamar.

— Foi um prazer conhecê-los — murmurei gentil.

— Leve-a para centro de Honolulu amanhã — Alana disse, antes que Thor fechasse a porta.

— O que tem no centro amanhã?

— É sexta-feira e a última do mês.

— E?

— Toda sexta-feira acontece o Aloha Friday. É um show de fogos de artifícios para indicar o início do fim de semana. Na última, o Museu de Arte de Honolulu promove o que podemos chamar de exploração das artes ou algo assim. Cada mês com um tema específico.

— Uau! É quase uma Vegas, não?

Ele riu breve.

— Com um aspecto melhor, eu diria.

— E em qual vamos?

— Em qual quiser ir.

— Bem, eu gosto dos fogos.

— Um evento não interfere no outro, neném. Se quiser, vamos aos dois.

— Legal! As garotas iriam gostar disso, quero dizer, elas vão quando voltarmos aqui juntas.

— E eu achando que era especial — ele burlou-se.

— Bem, você é — murmurei baixo. — Contudo, isso não impede de eu vir para cá com elas.

— Não sei se gosto disso — resmungou.

— Não sei por quê.

— Quer conhecer o resto da casa agora ou mais tarde?

— Mais tarde. Agora somente posso pensar em tomar um banho, comer e dormir.

Eu estava cheia de curiosidade quando Thor me levou escada acima e, posteriormente, ao quarto. Pietra nunca tinha me falado sobre eles possuírem uma casa no Havaí, pois certamente teríamos vindo para cá na primeira oportunidade que tivéssemos quando Thor ainda estava longe.

— Uma casa no Havaí, eh? Pensava em fazer festinhas aqui? — perguntei, num dissimulado desinteresse quando entramos juntos no box.

Ele riu alto atrás de mim e ligou a ducha. Eu me coloquei debaixo dela, tomando cuidado para não molhar meu cabelo então me afastei para me ensaboar, dando espaço para Thor também.

— Não sou fã de festas, neném.

— Sério? E o que fazia no clube aquele dia? Confundiu com uma igreja?

— Não tolinha. — Ele salpicou água em mim.

— Thor! Meu cabelo, droga!

Ele riu mais alto e enfiou a cabeça debaixo do jato, fechando os olhos.

Deslizei meu olhar para seu corpo, observando com entorpecimento como a água caia bem contra sua pele correndo para baixo. A manta aparada de pelos escuros e seu pau a meio mastro.

Tanto tempo...

Senti meu útero contrair, uma dor funda nascendo lá nas profundezas. Engoli com força e desviei o olhar, antes que ele abrisse os olhos e começasse a se lavar enquanto me falava.

— Muitas pessoas acumuladas num só lugar geram um fodido barulho e me deixam agitado. Eu prefiro lugares assim, tranquilos, onde posso conversar sem aumentar meu tom e ser ouvido. Ou um bom restaurante. Um tempo para uma bebida com os caras.

— Isso parece conversa de velho.

Seu cenho franziu. Um momento depois, seus braços me puxaram, moldando-se a minha volta, deixando nossos corpos unidos, meu subconsciente não me deixava ignorar a sensação dura do pênis de Thor contra minha barriga, aumentando a dor entre as minhas pernas. Calor fluiu por meus membros. Um gemido tentou escalar fora, mas eu o segurei. Respirei devagar e olhei para ele.

Thor tinha a expressão séria.

— Está dizendo que é muito jovem para mim?

— Não. Mas já que você disse.

— Então talvez você deva começar a me chamar de papai? — sugeriu. Suas mãos desceram distraídas pela parte baixa da minha coluna e acariciou minha bunda, minhas unhas se apertaram um pouco sobre a pele de seu peito — Eu gosto de como isso soa. Diga. Papai — ele acrescentou, com um sorriso cafajeste, a entonação sexual de seu tom, despertando meu corpo para o sexo.

— Em seus sonhos.

Ele sorriu descendo sua boca sobre a minha, beijando-me devagar. Minhas mãos se fecharam em seus braços. Estava sentida pela falta que ele me fazia, pelo tempo em que passei sem sua dose diária. Queria experimentá-lo sem pressa, apenas sentindo o seu gosto na minha língua, sua respiração quente sobre o meu rosto. Ele recuou, mordiscando meus lábios.

— Ainda não me respondeu.

— O que quer saber? — Seu olhar dobrou o meu. — Não sou fã de agitos, embora não negue que vou uma vez e outra a algum clube. Não é minha preferência, no entanto. Porém, não vejo problemas em ir e ficar por alguns minutos, como naquele dia. Estava estressado. Os caras me chamaram e eu fui. E, foi à melhor coisa que fiz. Se bem que eu te comeria de qualquer forma.

— Idiota.

Terminamos o banho entre carinhos inocentes e brincadeiras bobas. Thor não tinha tentado ir além, embora o desejo estivesse entre nós, de maneira quase palpável. Ele saiu antes de mim.

Isso era novo, estranho e bom. Estar com ele sem qualquer barreira entre nós após aqueles dias de afastamento tornava a situação inusitada. Havia uma tensão sexual, mas também havia um sentimento de bem-estar, de basta. Um desfrutar prazenteiro de sua presença sem a necessidade alavancar para uma situação mais carnal. E, isso era muito louco e desconcertante. Eu não sabia qual era a etiqueta adequada para seguir em casos assim. Eu teria de estar mais ligada do que nunca se não quisesse agir como uma retardada. O que de antemão eu sabia ser quase impossível, aquele lugar tinha uma atmosfera poderosa. Um fascínio que nos impelia a nos deixar levar.

Thor retornou ao banheiro quando deixei a ducha. Ele vestia camiseta e short. Logo que deixou minha nécessaire sobre o balcão de mármore, ele me deixou sozinha, novamente.

Penteei o cabelo e escovei os dentes então voltei para o quarto. Sobre a cama king size com um bonito

dossel de madeira, peguei uma camisa sua dos Red65 que ele tinha deixado sobre a cama e vesti. Logo fui para a cozinha me encontrar com ele e comemos em silêncio. Uma vez que terminamos, Thor disse que iria cuidar da louça, eu agradeci e subi para o quarto.

Eu deitei, suspirando com a maciez e suavidade abaixo de mim. Já estava quase cochilando quando o ouvi entrar no quarto e, em seguida, fechou as cortinas e sentou na beirada da cama.

— Descanse, sim?

— E você?

— Eu preciso ligar para casa e avisar que chegamos bem. — Ele se inclinou para baixo e beijou minha fronte. — Logo venho te fazer companhia.

Estava quase dormindo quando Thor retornou. Escutei o farfalhar de roupas e, em seguida, o colchão se moveu quando ele se deitou ao meu lado, puxando-me contra o seu corpo.

 

— Eu já te disse o quanto está adorável esta noite? — Thor sussurrou ao pé da minha orelha, de maneira eloquente. Seu tom barítono, enviando calafrios através da minha espinha.

Soltei um suspiro afetado e o olhei de lado.

— Acredito que esta é a quinta vez.

Estávamos em um luau num restaurante/bar a beira da praia, que era dividido em dois espaços. Um fechado e outro aberto, com a visão privilegiada da praia ao fundo, onde escolhemos ficar. O ambiente era bem descontraído ao estilo pé-na-areia, com tochas polinésias iluminando a noite de inverno quente. Não era tão quente, mas também não era frio. Eu adorava isso.

Thor tinha me presenteado com a roupa da noite. O que me surpreendeu bastante. Era um vestido D&G, com uma bonita estampa florida. Um chique casual um pouco modesto para o meu gosto. Três dedos acima do meu joelho e um decote muito sutil. E, segundo Thor, perfeito para realçar minha beleza e sensualidade sem ser vulgar. Nos pés, um par de rasteirinha de pedrarias.

Meu cabelo estava solto, como ele gostava. E para equilibrar fiz um make mais discreto.

Logo que nos sentamos, ele tinha agarrado uma flor do pequeno arranjo da mesa e a colocou detrás da minha orelha esquerda. Percebi certo brilho de satisfação em seu olhar quando ele fez isso, todavia, deixei passar ao sentir sua boca sobre a minha.

— Eu nunca vou me cansar de te elogiar — disse ele. — A cada dia que passa você fica impossivelmente mais linda. Eu sou um homem de muita sorte.

— Por que eu sou absurdamente bonita?

Ele balançou a cabeça, sorrindo. Não era qualquer sorriso, era um genuíno, daquele tipo manso que os olhos acompanham e cativa até a alma. A minha, por exemplo, estava suspirando.

— Neném, essa beleza externa acaba, mas a que eu vejo em você não. Há uma vontade de viver, uma beleza que você não permite aos outros verem, porém quando baixa sua guarda eu posso enxergá-la claramente... aí, escondida em seu olhar por uma razão que eu ainda desconheço. Mas quer saber? Não importa o quanto tente se esconder de mim, eu sempre te enxergarei como é realmente. E não pense você que é o detetive falando. Sou apenas eu, Heithor, seu homem dizendo isso. Eu te amo com todos os seus defeitos, neném. Você é perfeita para mim. E é minha. Eu não poderia ter feito melhor escolha, embora você me tire do sério de vez em sempre. Eu tenho sorte.

Cara, na boa, se ele estava tentando chegar a minha calcinha no final de noite, com aquelas palavras ele tinha conseguido um passe livre até a morte.

Um bater de asas agitou o meu estômago e minha pulsação acelerou. Thor tinha de parar de me dizer aquelas coisas ridiculamente bonitas e voltar ao modo on neanderthal, que irritava o inferno fora de mim. Bem, merda, seja como for, ele me derretia de qualquer maneira.

O vento assoprou bagunçando o meu cabelo. Tirei a flor detrás da orelha e usei a outra mão para escovar os fios para trás, e então, fiz menção de colocar a flor.

— Não.

— O que foi?

Ele pegou a flor da minha mão.

— Fica melhor nesta — disse ele, voltando à flor para detrás da minha orelha esquerda.

— Certo. Está querendo me dizer alguma coisa?

Sua cabeça balançou em negação, a expressão era ilegível.

— Nop.

Questionar Alana sobre isso, anotei em mente.

— Vai começar — ele avisou, apontando para o palco a duas mesas a nossa frente.

Recostei-me na cadeira e joguei o olhar a frente. Um instante mais tarde eu peguei meu queixo no chão quando a apresentação de Hula começou. Era um grupo misto de dançarinos, com quadris enlouquecidos. A dança era incrível e muito contagiante. E eu fiquei bem animadinha quando um dos dançarinos deixou o palco e se aproximou da nossa mesa, requebrando o quadril feito um louco desvairado. Babei. Boquiaberta, eu me mexi na cadeira, doida para levantar e dançar com ele.

No entanto, o aperto firme da mão de Thor sobre o meu ombro, puxando-me para ele quebrou o fascínio da dança e incitou outro tipo de tensão. Ele estava rígido, a expressão apertada em linhas duras. Seus olhos fixos sobre o pobre dançarino. Mordi o lábio, deliciando-me com seu ciúme então agarrei seu rosto, prensando minha boca na sua. Ele respondeu ao beijo, possuindo a minha boca num beijo lascivo e arrasador, que fez uma agitação morna formigar minha barriga. Quando abrandamos o beijo, o dançarino do capeta estava exibindo seu talento em outra mesa.

— Não faça isso — Thor demandou sobre meus lábios, num tom grave.

Eu lancei uma surpreendida gargalhada.

— Você é tão bobo.

O olhar azeviche permaneceu sério, mas podia jurar que havia um tipo de fogo perverso subjacente em toda aquela seriedade furiosa. Eu não sei se isso era bom ou ruim para mim.

— Não sou obrigado a gostar de ver minha mulher babar por outro cara bem na minha frente.

— Eu não estava babando por outro cara, senão pela dança — elucidei.

— Desta maneira, eu posso babar, se uma dançarina vier balançar o quadril na minha frente? Claro, pela dança. — Eu cerrei o olhar para ele, indignada, enquanto o mesmo tomava um sorvo de uísque e, em seguida, ele me mirou ao acrescentar. — Não queira que eu aprove algo do qual você não aprovaria, se fosse com você, Antonella. Quer direitos iguais? Comece por este princípio.

Rolei os olhos em um gesto de tédio e voltei à atenção para o final da apresentação.

— Eu vou pegar mais um uísque no bar — ele disse um momento mais tarde. — Você quer algo? Outro coquetel de frutas?

— Pode ser.

Thor selou nossos lábios num beijo breve.

— Comporte-se. Eu já volto.

Fiquei observando até sua silhueta sumir então voltei meu olhar para frente, rindo de mim mesma, da minha própria loucura. Mal tínhamos pisado na ilha, e eu sentia que ele e eu estávamos diferentes. Ou talvez fosse apenas eu. De fato, era eu. Minha descabida paixão por ele ainda não me agradava e eu não estava disposta a me declarar, todavia, sentia a gritante necessidade de tratá-lo bem... de ser carinhosa.

Isso era uma grande merda!

Mas o que eu podia fazer?

Eu não o queria longe de mim e nem morta iria dar a Norah a chance de ficar com ele.

Beberiquei o último gole do meu coquetel enquanto enterrava minhas divagações.

Joguei meu olhar para onde Thor tinha saído e nem sinal dele. Esperei mais um bocado e nada então decidi procurá-lo, afinal de contas, o bar não era tão longe de onde estávamos. Algo tinha de ter acontecido para ele demorar tanto. E aconteceu!

Ele estava de perfil ao lado do bar, papeando aos risos com uma sujeitinha esdrúxula, metida num vestido vulgar, com um decote profundo a se perder de vista. Esfregando os peitos falsos na cara dele cada maldita vez que ela se inclinava para ele, tocando o braço dele enquanto se falavam.

Numa batida de coração, eu tinha meu sangue fervendo por ver que Thor não fazia nada para se livrar dos toques dela e se lembrar de que eu estava esperando por ele na mesa.

Cansada de assistir aquela palhaçada, respirei fundo, abrandando minha expressão furiosa e caminhei na direção deles, imaginando formas e mais formas de me vingar dele.

A puttana foi a primeira a se dar conta da minha aproximação, antes de ele girar a cabeça e pousar os olhos sobre mim. Sua expressão inocente somente me fez mais enervada. Ele abriu um sorriso amável e me estendeu a mão. Eu sorri de volta em uma dissimulada candura.

— Desculpe a demora — sussurrou no meu ouvido quando me puxou pela cintura. — Deixe-me te apresentar. Esta é Beatriz Rios, uma colega de profissão e grande amiga. — Tradução: cadela. A vadia sorriu falsamente, mostrando todos os dentes, mas eu tinha pegado antes o seu olhar incomodado sobre mim. — Essa é Antonella Vicenti, minha...

—... Amiga — completei, rapidamente.

Eu não iria pagar de trouxa quando ele tinha me esquecido na mesa por causa de outra mulher. Ele me fitou com os olhos semicerrados e fez uma careta de desagrado, que fingi não ver.

— Muito prazer senhorita Vicenti.

Anui em cumprimento, ignorando propositalmente sua mão estendida enquanto mantinha minha pose inabalável, com um curvar suave de lábios. Meu olhar era esnobe.

— Igualmente.

Embaraçada, ela colheu a mão.

— Estava dizendo a Thor que você é uma garota de sorte. Desde que o conheço, essa é a primeira vez que o vejo com os olhos brilhando quando fala de uma garota — ela disse a última parte, me dando uma discreta olhada de cima abaixo. A palavra era quase um xingamento em sua voz. — Você conseguiu o que muitas se mataram para ter. Isso é surpreendente.

Ela não precisava me lembrar de quantas vagabundas tinham passado na cama dele.

— Em geral, é isso que acontece quando se tem amor próprio.

Ela se fixou em Thor.

— Sua garota tem um gênio e tanto, não? É ela quem usa as cuecas?

Thor pareceu comprar sua tentativa ridícula de fazer piada.

— Apenas quando ele rasga minhas calcinhas — confidenciei dissimulada, antes que as palavras que ele estava indo dizer se formassem.

— Aposto que ele faz — ela piscou.

Pensando bem, umas bofetadas não eram suficientes.

O ordinário soltou um risinho enquanto apertava o braço em torno da minha cintura. Eles continuaram conversando. Ela me ignorando. Não era como se eu fizesse questão de entrar na conversa, até porque eu não entendia o cacarejar dela. Galinhez não era um idioma que conhecesse.

Eu somente queria sair de lá. Porém, não queria fazer o papel de fraca ante a puttana, me provocando abertamente. Aguentei firme até que me cansei de ver aquela insossa se jogar para cima dele e ele, bem, o cretino dava uma de João-Sem-Braço.

— Eu quero ir embora — eu grunhi baixo somente para ele.

— Tem certeza?

— Estou indo — avisei num tom enérgico, dando a volta para sair.

Minha saída triunfal foi interrompida por sua odiosa mão ligeira.

— Nós vamos juntos — ele disse firme e se voltou para a cadela. — Foi um prazer revê-la, Beatriz.

— O prazer é sempre meu, Thor.

Ele teve o descaramento de corar e eu quis deixar a cor mais viva com a minha mão.

Ela o puxou, plantando um beijo no rosto dele, perigosamente próximo ao canto de sua boca. Eu fechei a cara assim como minhas mãos em punhos, que coçavam doidas para acertar a cara dos dois.

Sabe aquele passe livre que ele tinha ganho para as minhas calcinhas?

Bem, ele queimou no fogo da minha fúria.

Não a olhei, puxando Thor e deixando-a no vácuo quando a mesma fez a menção de continuar seu teatro comigo.

— O prazer é sempre meu — fiz uma imitação raivosa dela ao passo que caminhávamos para o carro.

Ele soltou um risinho baixo enquanto seu braço me puxava para ele.

— Você não precisa ficar com ciúmes. Sabe que eu só tenho olhos para você.

— E quem disse que eu estou com ciúmes, cacete?

— E por que essa cena toda?

— Bem, vejamos... Você me deixou plantada enquanto flertava com uma troia qualquer. Isso depois de me dar aquela singela aula de princípios quando isso, obviamente, não funciona nas duas mãos. Ah, eu também estou cansada e quero ir para casa. Mas, como eu disse, se quiser ficar não se acanhe. Apenas me dê o endereço da casa que eu pego um táxi.

— Eu quero ficar com você. Só você — pausadamente, ele disse, segurando meu rosto. — Sinto muito por tê-la feito esperar, não tive a intenção.

Ele abriu a porta do carro e eu entrei. O caminho até a casa foi silencioso e desagradável. Estava me corroendo de raiva. Havia um turbilhão revolto em meu interior e, pela primeira vez, eu não sabia como administrar isso. Eu só queria quebrar a cara dele!

Uma vez que ele parou o carro, eu desci sem esperá-lo abrir a porta para mim e segui para a porta principal da casa, esperando com os braços cruzados ele abrir à maldita, e quando fez eu pisei duro rumo à escada.

— Ella? — chamou ele, vindo atrás de mim e segurou meu braço quando não parei. — Não há motivos para ceninhas. E, a propósito, eu as odeio. Você sabe disso.

Girei sobre os calcanhares para enfrentá-lo.

— E io ti odio — grunhi.

Sua expressão apertou com seriedade.

— Você sabe que eu te amo e que jamais seria infiel a você.

— Sei? Sei do quê? A única coisa que sei é que me deixou enraizada na mesa enquanto flertava com sua grande amiga! E se não quer “ceninha”, caro mio, não seja tão puto. Ou melhore suas companhias. Porque vamos convir, você tem um dedo para arrumar amiguinhas-vagabundas-doidas-para-dar-para-você que é impressionante — bradei, jogando os braços para o ar.

— Ela é só uma amiga, porra! Eu a conheço há anos — disse ele exasperado, passando as mãos pelos cabelos. — Não fale o que não sabe. Beatriz é uma boa pessoa e eu não gosto que fale mal dos meus amigos. De nenhum deles. Entende isso?

— Você já foi para cama com ela?

— Que importância tem isso?

— Me responde. Foi ou não?

Ele suspirou, pousando as mãos nos quadris. Seu olhar rente ao meu.

— Eu não sei aonde você quer chegar com isso.

— È una domanda semplice Heithor66.

— Que não tem sentido — vaiou ele. — Está tentando achar um motivo para brigarmos quando nada aconteceu. Certo, certo. Demorei dez minutos, no entanto, não tive a intenção de fazê-la esperar e não iria deixá-la lá... Perdoe-me. Não irá acontecer novamente.

— Nisso você pode apostar!

— Pare com isso, neném. Está fazendo uma tempestade num copo d’água. Não me lembro de ter feito este escândalo todo quando esteve babando sobre a porra do dançarino.

— Talvez, porque eu não estava flertando ele, senão admirando a dança?

— Bem, foda-se! Eu estava cumprimentando uma velha amiga. — Seus braços cruzaram frente ao peito. — E então? Vamos brigar por isso?

Plantei as mãos na cintura e inclinei a cabeça, olhando para cima para ele. Desafiando-o. Um pensamento passou em minha cabeça e meu olhar cerrou cético.

— Você me deixou criando raízes para me dar uma lição por causa do dançarino?

— Jesus Cristo, Antonella — grunhiu ele. — Que parte do “eu estava cumprimentando uma amiga” você não entendeu? Cacete, eu não estava te dando lição nenhuma. Pelo amor de Deus, isso nem passou pela minha cabeça. Nós conversamos e tudo ficou bem.

Ele soava sincero e eu acreditei. Contudo, ainda estava furiosa.

— Vai me responder agora?

Thor esfregou o rosto, em seguida, plantou as mãos no quadril, novamente.

— Responder o quê?

— Transou ou não com ela?

— Uma vez há muito tempo — confessou, enfim, após um longo silêncio.

Uma quebra de onda violenta de ciúmes bateu sobre mim, retesando meus músculos. Apertei os dentes, controlando-me a um fio de estapear ele.

— Pelo jeito ela queria repetir a dose e você não acharia ruim, afinal, estava lá entretido com a vadia enquanto eu te esperava. E, ainda estaria se não tivesse saído para te procurar.

— Você está vendo coisas e sendo injusta comigo, Antonella.

Cruzei os braços sobre o peito, olhando-o enfurecida.

— Eu quero ir embora.

— Não seja infantil. Pare com isso agora mesmo. Odeio quando se comporta como uma cadela mimada — disse devagar, sua voz cansada, como se ele estivesse a um fio de perder a paciência.

— Injusta. Infantil. Quer saber? Vaffanculo, suo puttano di merda! Quero voltar para Malibu. E amanhã farei justamente isso. — Uma ideia repentina cruzou minha mente. — Aliás, não vou voltar porra nenhuma! Estou indo para um hotel hoje mesmo e amanhã vou ligar para as garotas virem então vamos nos divertir. Senza te! E com a porra do dançarino!

Ele suspirou e deu um passo a frente. Eu recuei. Estava brava e queria permanecer assim. Assisti sua expressão tensa suavizar curiosamente de um minuto para o outro.

— Beatriz estava jogando com você, neném. Ela é assim mesmo. Não dê atenção, okay?

— O problema não é ela, senão o seu jeito vagabundo de ser. Ela só faltou tirar a roupa e abrir as pernas para você. E quer saber? Eu não gosto de joguinhos. E digo mais, não duvido nada que se tivesse demorado mais um pouquinho, eu teria flagrado vocês dois trepando naquele bar.

Nossos olhares se enfrentaram. O meu furioso. O dele analítico. Em seguida, seus lábios franziram. Eu apostava todos os meus dentes que ele se controlava para não rir.

— Talvez... Mas exibicionismo não é minha praia, neném.

Arregalei os olhos atordoada, logo irada por seu atrevimento.

Trancando os xingamentos entre os dentes, eu lhe dei as costas indo para a escada. Eu daria o fora de lá. Não era obrigada a escutar aquilo e permanecer na mesma casa que o maledetto.

Ele me pegou antes que eu subisse o primeiro degrau. Seus braços me rodearam com firmeza pressionando-me contra o seu corpo, mostrando sua força superior a minha enquanto eu me debatia sem sucesso para escapar. Xinguei e amaldiçoei. Uma de suas mãos subiu, pegando um punhado do meu cabelo e puxou para trás, sua boca pousou em minha orelha.

— Ella, amor, eu estava brincando. A única que desejo é você.

Seu quadril impulsionou ao mesmo tempo em que seu braço me puxava mais apertado, fazendo-me muito consciente da ereção contra a parte baixa das minhas costas. Então rebolou.

Minha respiração afobada acelerou.

De repente, o ar estava mais quente, mais espesso.

Ele continuou:

— Sua buceta me fisgou, de uma maneira irreversível, neném. Não sinto vontade de me enfiar em mais ninguém além de você. Não enxerga isso? Não sente?

— Seu ordinário! Você é muito descarado — mordi fora, tentando manter minha raiva no lugar sem muito êxito. — Tá pensando que eu sou o quê?

— Minha vadia. Minha amante. Meu amor. Minha mulher, — pausadamente, ele disse enquanto mordiscava meu pescoço. A sensação eletrizante amolecendo minha raiva. — Eu posso continuar listando a noite toda o que você é para mim, mas acredito que seja mais eficiente se eu te mostrar.

Meu corpo ovacionou suas palavras, impulsionando cada célula minha a reagir ao seu toque. Era como se em questão de segundos eu tivesse recebido uma descarga elétrica.

Meus pelos da nuca estavam eriçados. Minhas terminações nervosas eletrizadas. Calor se desprendeu da minha barriga, subindo, inchando meus seios e meus mamilos em casulos apertados, raspando contra o tecido do vestido. Então desceu até o meio das minhas pernas acordando aquela dor funda. O gemido nasceu no fundo da minha garganta, eu mordi o lábio, trancafiando-o.

Meu corpo vagabundo estava se rebelando sob suas investidas.

Eu parei de me debater, um pouco bêbada na sensação de seus lábios molhados, sua respiração pesada em minha pele, do cume duro se esfregando na minha bunda quando ele flexionou as pernas. Tão bom. Muito tentada a devolver o movimento.

— Sono ancora arrabbiata con te67 — avisei num fiapo de voz.

— Sei. Mas aposto que essa bonita buceta já esta toda melada, não é assim?

— Não, — menti.

Ele riu baixinho sobre minha pele e com o punho enrolado numa massa de fios, ele puxou para trás novamente, obrigando-me a inclinar a cabeça e olhá-lo.

— Então terei de me esforçar bem mais do que eu pensei. O que acha?

Mal tive tempo para abrir a boca para respondê-lo. Seus lábios tomaram os meus. A boca devorando a minha com selvagem paixão enquanto seu quadril continuava a surrar meu traseiro. Mais forte. Mais duro. Muito persuasivo sobre minha libido. A sensação incandescente fez o prazer correr como cera quente por minhas veias e se converter em um lago no fundo da minha calcinha.

Minha raiva desvaneceu com a mesma rapidez de uma foto instantânea.

Com um gemido languido e rouco, eu me rendi às investidas dele, emulando aos lentos e sinuosos movimentos de sua língua contra a minha. Levantei uma das minhas mãos e segurei seu cabelo com força enquanto a outra se apertava em seu braço. Ele separou nossas bocas e puxou meus cabelos de novo, forçando-me a pender a cabeça de lado enquanto atacava meu pescoço.

Lábios, língua e dentes me roubando gemidos e fôlegos sôfregos.

— Gostosa pra caralho. Tem ideia do quanto eu senti falta disso? De você? Eu deveria te punir por ter me privado de ter o que é meu — ele grunhiu na minha orelha, antes de morder o lóbulo e enfiar sua língua ali, arrepiando meus pêlos e deixando minhas pernas moles. Impulsionei o quadril para trás, precisando mais daquele atrito gostoso. — Gosta de me provocar, não é, safada?

Mordi os lábios, porém os gemidos insistiam em fugir do meu domínio, meu corpo trabalhava contra mim se rebelando sob meu controle. Minhas pálpebras pesaram sob a nuvem de excitação pairando em minha cabeça. Um tesão primitivo me engolfou gradativamente.

Thor me beijou, novamente. Ele foi cruel, punitivo. Cada célula do meu corpo vibrou com a intensidade da sua boca sobre a minha. Firme e suave. Quente e áspera. Eu me desmanchei.

Moí meu traseiro contra o quadril dele, rebolando quase em desespero.

Ele xingou, separando nossos lábios e rosnou em minha orelha.

— Não faz assim neném, do contrário, serei obrigado a te dar uma surra de pau até que não possa andar por uma semana. Estou maluco para te comer toda, cada buraco seu, mas hoje nós vamos devagar. Você acabou de sair do hospital então me ajude.

Como é? E minha surra, cazzo?

— Deveria ter me avisado que não tem mais fôlego para me acompanhar — provoquei, sentindo seu sorriso em minha orelha. — Vamos com muita calma, porque ai de mim te causar um ataque cardíaco por causa da idade avançada. Talvez eu deva procurar alguém mais novo, eh?

A retaliação veio sem demora e com tal rapidez, que eu ofeguei quando ele manuseou o meu corpo, dobrando-me em cima do respaldo baixo do sofá. Suas mãos foram hábeis em meu vestido, enrolando-o acima do meu traseiro. Thor não tirou minha calcinha, nem a rasgou para o meu desgosto. Ele só colocou-a de lado, e no segundo seguinte, eu gemi alto, sentindo meu corpo todo se apertar ao ter dois de seus dedos dentro de mim, batendo duas vezes e parou, mantendo-os lá.

— Ah, Antonella, você deve ter perdido a mente para me provocar dessa maneira. — Algo em seu tom barítono, candente e potente, golpeou um ponto desconhecido dentro de mim. Calafrios me tomaram, ondulando embaixo da minha coluna. — Sabe que quem mexe com fogo acaba se queimando, my bitch.

— Talvez eu goste de me queimar. A dúvida é: você tem fogo para isso, Thor?

Olhei para trás por cima do ombro. Ele me lançou um obstinado sorriso malvado. Os olhos mais negros do que já estiveram alguma vez. A luxúria flamejava neles, como uma chama acesa. Ardente e consumista. Cheia de fome primitiva. Meu corpo respondeu contraindo forte ao redor dos dedos. Era tão ridículo e insano perceber o quanto qualquer mínima coisa relacionada a ele fazia-me reagir.

Eu odiava e adorava.

Thor se debruçou sobre minhas costas, seu peso me cravando no lugar enquanto recomeçava a mover os dedos em meu canal, indo fundo e voltando, somando minhas sensações prazerosas.

— Você é um anjo diabólico que adora me afrontar apenas para se divertir, não é assim? Te excita me provocar, verdade? — Gemi em resposta. — Sim, você gosta. Porque você é uma atrevida. Uma garota muito petulante que precisa de lições diárias para aprender a se comportar bem. Você sabe, garotas malvadas como você tendem a resistir mais duro antes de obedecer. Mas eu sou um professor paciente. Muito. E vou desfrutar em demasia de cada aula que eu der a você.

Cada palavra dele bateu em meu interior como um chicote de fogo, amolecendo até minha alma e meu corpo vagabundo por excelência jogou a toalha de vez, se abrindo como um tolo.

Thor roçou o nariz em meu pescoço, sua respiração ofegante pontilhando minha pele. Minha cabeça estava pesada e meus membros se contraindo com profuso prazer a partir do ponto que os dedos dele me tocavam. Merda! Eram apenas dedos... Os dedos mais hábeis e gostosos que já me tocaram.

Ele se ergueu e eu abri os olhos pescando sua figura em pé atrás de mim.

— Abra mais as pernas e empine a bunda — ele ordenou, num timbre de máxima autoridade envolta de aço, que não deixou margens para negação ou qualquer tipo de resistência.

Tremendo, eu obedeci. A mão livre dele espalmou na lateral do meu quadril e, em seguida, seus dedos começaram a moer dentro com obstinada destreza. Foi um choque, um pulso sexual vindo lá do fundo e se espalhou. Minhas paredes internas flexionaram e puxaram, tragando-os profundamente. Eu estremeci e empurrei para trás.

— Você gosta assim?

— Dio, Thor, sì! Io adoro!

Levantei-me nas pontas dos pés, querendo mais. Precisando de mais.

— O que você mais gosta?

— Eu... eu gosto d-disso.

— Isso eu já sei. Quero saber o que você mais gosta?

— Da sua boca me chupando — entreguei num fôlego falho.

— Aqui? — Ele diminuiu o ritmo.

— Sì!

— Só isso?

— N-não... Ti prego, Thor — choraminguei e, em seguida, apertei os dedos no estofado quando os seus bateram dentro de mim num ritmo mais rápido e outro jogou com meu clitóris. — Eu gosto quando faz isso... me toque lá de novo, no meu clitóris.

— Sim?

Ele não fez.

— Thor...

— Diga querida.

Ele abrandou os movimentos e esperou.

Maledetto.

Entre jorros irregulares da minha respiração, eu cavei minha morte.

— Eu... eu g-gosto quando está por cima me fodendo, p-porque eu posso... eu posso te beijar e ver seus músculos se mover. É sexy. E gosto quando me come de quatro e puxa o meu cabelo, dizendo essas coisas safadas. Mas gosto mais quando perde o controle e me fode como um animal.

Ele fez um som rude satisfeito e eu quase morri de felicidade.

— Quer mais?

— Ti prego — respirei.

Mais e mais ele me deu, até que estive chorando.

Meu centro latejou, flexionou e puxou, engolindo seus dedos mágicos.

Meu corpo começou a tremer levemente. Meu quadril enlouqueceu encontrando suas investidas enquanto meu útero se contraía. O clitóris pegando fogo sob a gema de seu dedo. O coração parecendo que iria quebrar minhas costelas a qualquer momento, de tão forte que batia. Os gemidos saltaram fora sem controle. Eu estava levitando, subindo e subindo, mais e mais alto...

Os músculos das minhas pernas tencionaram ao mesmo tempo em que as paredes fizeram quando a beira do orgasmo premente, Thor puxou os dedos fora e se afastou.

Bati as pálpebras para cima em choque, muito atordoada pela interrupção dolorosa. Inclinei a cabeça de lado mirando atrás a tempo de vê-lo levar os dedos melados até a boca e sugá-los com vontade. Traguei duro sob minha respiração pesada.

— Muito doce. Eu nunca experimentei nada tão delicioso como o creme da sua buceta. Adoraria ter o prazer de provar diretamente da fonte — ele sussurrou, lambendo os lábios. Eu lambi os meus no reflexo. — Pena que tenho uma idade avançada para aguentar uma garotinha, não é?

Pisquei repetidas vezes tentando religar meu cérebro.

— O quê? V-você não... não pode... fazer isso comigo.

Ele me fitou impassível.

— Será melhor você cuidar disso sozinha. — Levantou as mãos em defesa e acrescentou dissimulado. — Ai de mim te irritar por não conseguir acompanhar seu ritmo. Boa noite.