Dangerous
Capítulo 24
Quatro dias depois
Mamma estava uma fera por eu não ter ido passar o natal na Itália, e agora, me cobrava para ir no ano novo. O que não iria acontecer. Ela sabia disso e Rocco também.
Tinha sido meu primeiro natal longe deles e me senti nostálgica. Porém, não me arrependi. Além do quê, eu não seria a primeira, nem a última pessoa a passar a data longe da família.
Não saí para qualquer lugar, apenas fiquei em casa com Thor e os demais. Trocamos presentes. Comemos. Bebemos e passamos um bom tempo juntos. Em essência, não foi de todo ruim.
Thor estava se recuperando muito bem, ainda assim devia evitar esforços desnecessários, incluso a escada. Por isso, eu praticamente me mudei para o quarto em que ele estava. Na verdade, depois do dia que dormi lá eu não ia mais ao meu quarto, salvo para pegar algo que só encontraria nele. Boa parte do meu tempo eu passava com Thor e foi para lá que rumei quando voltei do shopping.
O médico tinha marcado uma visita para hoje e eu queria estar presente.
Bati na porta antes de entrar e vi o doutor guardar a parafernália médica numa bolsa de couro.
Thor estava sentado na cama e abriu o sorriso largo que eu gostava quando o olhei.
— Olá... Atrapalho?
— Claro que não, neném. Se aproxime.
Caminhei até ele e dei um beijo rápido em seus lábios então me sentei na cama ao seu lado.
Smith nos estudou com um olhar atento.
— Vejo que se amarrou, meu camarada. Quem diria, não? Formam um belo par. — Elogiou com um sorriso amplo. — Olá... Srta. Vicenti, não é?
Anui com a cabeça e abri a boca querendo dizer a ele que não era nada daquilo que ele estava pensando, mas Thor não permitiu, tomando a frente.
— Então deve imaginar como eu me sinto impotente nesta cama, Smith. — Eu o olhei sem entender, mas de soslaio vi o médico dar um sorriso malandro. — Quando eu vou poder fazer sexo?
Oddio...
Eu fiquei roxa de vergonha. Se pudesse teria cavado um buraco. Bem ali. Enfiando-me nele e não sairia tão cedo. Movi desconfortável, e a mão de Thor em minha coxa se firmou.
— Imagino que sim, meu camarada.
O médico me deu uma olhada descarada de cima abaixo, estudando-me. Safado! A mão de Thor se tornou mais possessiva. O aperto quase doloroso.
— Não olhe assim para a minha mulher — ele rangeu.
Smith adotou a máscara de sua profissão.
— Bom, meu amigo, eu compreendo seu desespero. Aconselharia a esperar umas duas semanas, mas como eu tenho certeza que você não vai me ouvir, então uma semana já está bom. — Thor praguejou baixinho. — Veja bem, Heithor, mesmo a sua situação não sendo de risco, você não pode se esquecer de que foi baleado. E para que tenha uma recuperação rápida, você precisa se cuidar seguindo os conselhos do seu médico, que no caso, sou eu. Ou seja, nada de esforços durante uma semana e depois aos poucos você vai voltando a sua rotina habitual. E, isso serve para o sexo também.
— Gabe, você me conhece cara. Sabe que eu não tenho tempo para essas baboseiras de médico.
— Thor a sua saúde não é nenhuma baboseira. Faça o que digo, sim?
— Certo. Mais alguma coisa?
— Não. Apenas continue tomando os remédios e seguindo minhas recomendações. E claro, vão com calma — o safado disse olhando diretamente para mim.
Até que ele não era mal. Tinha o cabelo e olhos claros, porte atlético, um rosto bonito. Mas me senti incomodada com aqueles olhares. Não era como se ele estivesse querendo passar a perna em Thor, senão que estava especulando. Não gostei disso. Não gostei da implicação, de nada mesmo.
— Obrigado Gabriel — Thor disse quase num rosnado.
— É sempre um desprazer. — Smith me olhou. — Até mais senhorita.
Sorri gentilmente e me limitei a um aceno.
Quando ele saiu, eu inclinei a cabeça em direção a Thor, minha expressão era carrancuda.
— O quê?
— O quê? Você me mata de vergonha!
Ele riu alto e segurou meu rosto com uma das mãos, puxando-me para seu beijo. Fiquei imóvel, mostrando que eu não enxergava graça nenhuma nessa situação.
— Não seja boba. Eu não disse nada demais.
— Claro que não! Expor-nos para um estranho não é nada demais.
Ele afastou meu rosto, mas só o suficiente para ficarmos face a face. Seus olhos investigaram meu rosto por um breve instante, e então, ficou sério. Contudo, eu tinha certeza que ele estava achando graça dessa situação toda e estava segurando o riso. Maledetto!
— Você está falando sério — constatou o óbvio. Eu bufei ante sua genialidade. — Okay. Desculpe-me por ter te constrangido. Eu não vejo nada demais nisso, além do mais, tenho certeza que você também estava louca para saber quando poderia abusar de mim. Ou não? — Rolei os olhos, sentindo meu rosto corar, mas meu bico perseverou. — Se soubesse que você fosse ficar tão envergonhada, eu teria perguntado a ele longe de você.
Um riso entre dentes me escapou.
— Cretino.
— Gostosa.
Com a mão direita ele ergueu meu queixo e seus lábios roçaram minha garganta, depositando beijos lá. Minha respiração falhou e um arrepio quente percorreu minha espinha, eriçando meus pelos da nuca quando sua boca se aproximou da minha orelha.
— Eu não vejo à hora de me enterrar fundo em você, neném. — Sua voz aveludada com erotismo e sensualidade, aquele tom cálido entoou dentro de mim, apertando minha vagina. E eu comecei a me excitar. Ele continuou. — Sentir o seu corpo quente me acolhendo por completo e me apertando com fome enquanto eu meto gostoso dentro de você...
Minha respiração ficou pesada e um gemido subiu pela minha garganta.
— Thor. — Eu não sabia se era uma repreensão ou um rogo.
— Sinta neném... — Sua mão arrebatou a minha, colocando-a sobre o monte duro em sua pélvis e segurou-a lá. — Fico assim toda vez que olho para você. Viciou meu pau, my little bitch.
Exalei com força. O desejo enrolando-se ao meu redor. Eu não resisti a apertar seu pau duro. Thor gemeu, e eu apertei de novo, recebendo o peso da falta de senti-lo dentro de mim.
O mirei por debaixo das minhas pálpebras preguiçosas.
— Você está pronta para mim, Antonella? — ele indagou, com o olhar em chamas, sua respiração batendo pesada contra meu rosto. — Me diz Ella? Você está pronta para o seu homem?
Eu quase tropecei em mim mesma com a intensidade da sua voz. Somente pude assentir enquanto sentia minha vagina umedecer, saudosa por ele e seus talentos. Os olhos de Thor brilharam intensamente, antes dos lábios se esmagarem contra os meus. Arruinando-me. Ateando fogo a nossa necessidade quando sua língua exigiu a minha numa demanda furiosa. Seus dedos afundaram em minha cintura enquanto nossas bocas duelam ávidas, cheias de desejo, num beijo que me fez esquecer por alguns segundos quem eu era. Mas uma batida forte e insistente na porta começou espanar a névoa...
— Thor, querido, sou eu, Norah. — Imediatamente me afastei dele quando a voz estridente daquela taquara rachada chegou aos meus ouvidos sensíveis. — Posso entrar?
Travei o maxilar e fechei as mãos em punhos.
O que essa porca troia estava fazendo aqui? E que negócio era esse de querido?
— Mas que porra! — Thor resmungou e depois me olhou.
— Tá esperando o quê? Andiamo! Deixe-a entrar, antes que ela derrube a porta.
Ele nem bem abriu a porta, e a oxigenada se agarrou nele, toda abraços e choramingos.
— Oh, meu Deus, Thor! Eu tentei vir antes, mas foi impossível. Mamãe teve uma recaída, eu... Me diga. Como você está? Está com dor? Foi grave? Eu juro por Deus que aquele filho da puta vai pagar caro por isso... — ela tagarelava, emendando uma frase na outra enquanto fitava aquele cachorro de cabo a rabo, como se estivesse procurando algum dano.
Ela estava tão preocupada, com os olhos cravados naquele filho da puta que nem me viu!
— Norah? — Ela não deu atenção a ele e continuou sua inspeção sem parar de chiar. Ele então segurou o rosto dela entre as mãos. — Ei, Norah! Acalme-se, mulher. Eu estou bem, okay? Está tudo bem. Smith cuidou de mim. E quanto ao Javier, ele já teve o que merece.
Ela o abraçou e o idiota retribuiu.
— Deus, Thor, eu fiquei tão preocupada quando soube!
— Você já deveria estar acostumada a isso, Norah. — Meu olhar seguiu o caminho da mão dele, afagando as costas dela. — Até parece que nunca passamos por isso antes. Se acalme, sim?
Ela fungou.
— Eu sei Thor. Mas eu nunca vou me acostumar a ver você ferido.
Ah, per amore di Dio! Meu estômago já estava revirando com tanta melação!
Bufei irritada, batendo o pé para chamar a atenção daqueles dois dementes, que até então ignoravam a minha presença. Che odio!
— Ah! Olá Antonella — ela disse, com dissimulada amizade, se afastando dele.
— Com licença. Vou deixá-los a sós.
— Antonella? — O figlio di puttana me chamou vindo em minha direção, mas eu desviei dele e passei reto indo para a porta e a segurei aberta antes de sair.
— Fique com sua... er... amiga. Eu tenho mais o que fazer!
Deitei-me na cama, apesar de não sentir um pingo de sono. Eu estava louca para ir até ele, porém estava com muita raiva para fazer isso. Ele que ficasse com aquela coisinha mandada!
Movi entre os lençóis e olhei para o despertador, marcando dez horas da noite em ponto.
Bufei de tédio e irritação ao mesmo tempo.
Eu quis levantar, mas obriguei meu corpo a permanecer na cama e desliguei a luz do abajur, fechando os olhos, em seguida.
Esperei, esperei e esperei... E nada do maldito sono vir!
Preparei-me para levantar quando a porta do quarto abriu. Eu não precisava ver para saber quem era o invasor, os estremecimentos do meu corpo e a alegria boba diziam tudo.
Fiquei imóvel com os olhos fechados e fingi dormir.
Logo senti o colchão se afundar ao meu lado e a mão grande pousar em minha cintura.
— Me desculpe por Norah hoje à tarde. Ela estava com alguns documentos importantes que eu precisava analisar e veio me trazer. E, você sabe, ela não quis te afrontar.
Não pude fingir mais.
— Você anda pedindo desculpas demais ultimamente.
Sua mão rodeou minha cintura e me virou para ele. Nossos olhos se encontraram nas sombras do quarto e ficamos algum tempo apenas nos olhando em silêncio.
— Estamos finalizando a investigação. É por isso que ela estava aqui.
— È lo stesso62.
Thor suspirou e se deitou de costas, dobrando um braço sobre a testa. Meus olhos percorreram seu abdômen nu e chegaram a seu rosto. Ele parecia cansado.
— O que você veio fazer aqui? — perguntei, me apoiando no cotovelo.
— Eu não estava conseguindo dormir sem você.
Nem eu sem você.
— Você sabe que não pode subir escada — admoestei.
Ele tirou o braço de cima da testa e sibilou.
— Uma merda que não posso. O que eu não posso é dormir sem você do meu lado.
Mordi os lábios numa tentativa inútil de controlar meu sorriso bobo enquanto seus olhos me sondavam. Eu estremeci com a intensidade daquele olhar. Profundo. Com profusa possessão e algo mais, que eu fiquei toda mole por dentro. Minha barriga gelou.
Sua mão esquerda esticou e segurou meu queixo com cuidado requintado. O dedo indicador contornou meus lábios, que se partiu com o seu toque.
Hipnotizada, eu o assisti lamber os lábios, pungindo-me a desejá-los sobre os meus.
Deixei de pensar, colocando minhas convicções e reservas de lado, e me permiti ser guiada por meus desejos. Inclinei a cabeça para baixo e beijei seus lábios levemente. Minha boca provou a sua, experimentando a textura sedosa, roçando, enquanto sugava seu lábio superior de leve e depois o inferior. Eu o degustei tomando meu tempo.
Energia irrompeu no fundo da minha barriga e se espalhou de maneira gradativa energizando a minha pele. Não havia propósito sexual. Era diferente. Irreconhecível para mim. Minha respiração engatou começando a pesar. E percebi que a de Thor também tinha aumentado.
Uma mão se embrenhou em meus cabelos, agarrando os fios quando eu fiz o mesmo com ele enquanto enfiava a língua na sua boca sem pressa, beijando-o com maior paixão, ainda assim calmamente. Sua cabeça inclinou para um melhor ângulo e ele me beijou brandamente.
Pousei a mão em seu peito arranhando devagar enquanto minha necessidade por ele aflorava para vida. Os sons molhados do beijo salpicaram sobre o meu desejo, convertendo meus mamilos em diamantes. Eu gemi sobre sua boca e puxei seu cabelo com maior força. Thor agarrou minha cintura, apertando-a, puxando-me sobre seu corpo. Resisti bravamente ao impulso enquanto me sentia suar entre as pernas. Ele me apertou mais. Sua boca me punindo quando me recusei ir.
Se continuasse nesse ritmo logo eu estaria nua e em cima dele, montando-o.
Gemi frustrada, antes de agarrar meu restolho de força para interromper o beijo antes que este elevasse a minha urgência de Thor a um ponto sem volta. Porém, Thor não tirou seus lábios de mim, ele apenas os mudou de lugar beijando meu pescoço exposto. Sua mão ainda tentava me puxar para cima dele.
— Para Thor — choraminguei, minha mão em seu peito não sabendo se o afastava ou apertava.
— Por que neném? Está tão bom — ele sussurrou rouco e chupou meu pescoço. — Sua pele é tão macia. Eu nunca senti nada parecido antes. E você cheira tão fodidamente bem, que não quero afastar minha boca de você. Mas sabe quando você cheira melhor? Quando eu fodo você. Sexo, você e minha porra, é uma combinação do caralho. É toda perfeita, Ella. Toda minha.
Respirei fundo, tentando clarear minha mente bêbada.
— Não podemos, você sabe disso.
— Esquece isso, neném —, seus dentes se fecharam em minha pele e um açoite quente estalou no meu ventre, fazendo-me doer. — Eu te quero e você me quer. Isso basta.
— Não, — fui firme, me afastando.
— Você está proibida de estar presente quando Smith estiver aqui.
Deitei de lado e ri ofega, ignorando minha própria frustração.
— Rá! Essa é muito boa! Quando eu tento ser responsável você reclama e quando não sou, reclama também. Assim fica difícil.
— O problema é que você é responsável quando não há necessidade.
— Vamos dormir tarado.
— Você acha que é fácil para eu ficar esses dias todos sem sexo? Sem você? Cacete, neném, eu tenho necessidades, que precisam ser atendidas por você.
— Se é fácil, eu não sei. Mas não se esqueça de que eu estou na mesma situação.
— Então vamos resolver isso? — ele sugeriu malicioso, levantando o tronco, mas eu o parei.
— Não.
— Se eu morrer a causa vai ser “pau duro” e a culpa vai ser toda sua.
Ri alto com o drama dele então fiquei seria. Minha sobrancelha disparou para cima.
— E o que acontece com a sua mão?
— Está cheia de calos — murmurou risonho e, em seguida, girou a cabeça, me olhando. — No entanto, você sabe, quero fazer calos em você.
— Eu quero que você faça calos em mim. Aqueles brinquedos são uma merda.
Sua expressão se voltou brava.
— Você está usando-os?
— Comprei-os por um motivo então nada mais natural do que eu dar um bom uso a eles, não acha? — Pela sua carranca, ele não achava não. Lambi os lábios, batendo os cílios com inocência quando acrescentei. — Não é a mesma coisa. Seu pau é muito, muito melhor. Eu quero ele... Mas, vamos ter de esperar. Agora vamos dormir, va bene?
— Cacete! Como posso dormir agora com as imagens que plantou na minha cabeça?
— Feche os olhos e permaneça assim — sugeri, sorrindo em segredo.
— Bruxa.
— Buonanotte Thor.
— Buonanotte Ella.