Dangerous

Daya Engler · Capítulo 36 de 45

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Dangerous

Capítulo 36

 

A viagem de volta foi mais cansativa que a ida, sobretudo, porque Thor não me deu descanso até pouco antes de embarcarmos de volta para a Califórnia. Ele tinha estado mais fogoso do que de costume nos nossos últimos dias no Havaí e eu, como sempre, o segui de bom grado.

Chegamos à mansão ainda de madrugada, mortos para cair na cama e dormir uma vida. O silêncio teria passado batido quando atravessamos a sala em direção à escada, se não fosse pelo risinho baixo de Pietra. Thor acendeu as luzes e meio que pirou ao se deparar com a irmã e Nathan enrolados no tapete. Nada anormal para um casal de namorados. Mas Thor, bem, era Thor.

Ele passou um sermão nos pompinhos-no-cio e, em seguida, me arrastou para o quarto.

— Acha isso engraçado?

Ele tinha questionado bravo quando não me aguentei e caí na risada.

— Thor vê a ironia da situação? Eles não estavam fazendo nada realmente, pelo menos nada que você e eu não faríamos, a propósito, fizemos aos montes e um pouco mais no Havaí.

— Porra, Antonella! Sério isso? Se sua intenção é me deixar mais puto, continue caralho — ele tinha grunhido no momento seguinte e eu agarrei toda minha força de vontade para não rir. — Eu já falei com eles e não vou me impor nesse namoro, mas ela é a fodida da minha irmã...

— Realmente, ela é fodida. — Foi mais forte do que eu.

Ele xingou, blasfemou, amaldiçoou e eu achei melhor deixá-lo com seu chilique, embora o riso me fosse espontâneo. Nunca tinha visto Thor resmungar tanto quanto nessa noite. Definitivamente, ele ficava muito sexy com ciúmes. Tomamos banho e nos deitamos, e, enfim, ele sossegou.

Na manhã seguinte quando despertei, ele não estava na cama, até pensei que ainda estava bravo pelo que falei na outra noite. Isso até passar os dedos no travesseiro dele e achar um papel.

Forcei as pálpebras sonolentas e esfreguei os olhos, em seguida, li o bilhete.

Bom dia meu amor,

Desculpe por não estar ao seu lado quando acordar, todavia, recebi uma ligação de madrugada e tive de viajar em seguida. Gostaria de ter me despedido, mas você dormia tão tranquilamente que achei um crime te acordar. Então desfaça esse bico lindo e não faça nada que eu desaprovaria.

Volto logo.

Thor

PS: ainda estou aborrecido por sua chacota de ontem.

PS2: eu te amo!

Meu sorriso rasgou a cara enquanto apertava o papel entre os dedos e o trazia junto ao meu peito ao mesmo tempo em que abraçava o travesseiro dele e enfiei meu rosto nele.

Seu perfume, o almíscar gostoso estava impregnado no tecido. Inalei profundo enchendo os pulmões e relaxei envolvida por seu aroma, tornando a fechar os olhos.

— Terra para Antonella. — A voz veio de longe. Uma. Duas. Três vezes. Arrastada, deformada e muito próxima ao meu rosto, agitando minhas pálpebras que tremularam abertas.

A primeira coisa que vi foi um par de olhos negros grandes demais. A segunda coisa que senti foi meu traseiro bater no chão quando pulei assustada, com meu coração escalando a goela.

Pietra riu às gargalhadas.

— PORCA PUTTANA, PIETRA. TI AMMAZZO, STRONZA 70!

Levantei do chão agarrando a borda da cama como apoio enquanto a cadela se acabava de rir em cima da minha cama. Esfreguei meu traseiro dolorido e a assassinei com os olhos.

— Jesus Cristo, Amada! Se fosse fisicamente possível acho que você tinha grudado no tento com unhas e dentes — ela debochou em meio aos risinhos bestas. — Você tinha de ver sua cara. Foi hilária! Eu tinha de ter filmado isso para jogar no YouTube.

— Não estou achando graça nenhuma nisso!

— Isso porque você não tem senso de humor. — E acrescentou fazendo mímica. — Aposto que se fosse Thor, você teria pulado em cima dele e o enchido de beijinhos.

Peguei o travesseiro, que eu tinha levado para o chão comigo, e acertei a cara dela.

— Ai, cazzo! Perché l’hai fatto71?

— Porque eu não tenho senso de humor — devolvi sarcástica. — O que você veio fazer aqui tão cedo? Me assombrando com sua cara feia, eh?

— Cedo? Eu não sei em que fuso você está, mas aqui já passamos da hora do almoço.

Consultei as horas apenas para ter certeza de que ela não estava me sacaneando.

Três da tarde.

Corri os dedos pelo cabelo ainda estupefata por ter dormido tanto.

— Eu só não vim antes porque imaginei que você estivesse muito cansada da viagem, porém como demorou a despertar do seu sono da beleza, eu achei melhor vim te acordar... — Arqueei a sobrancelha. — Va bene! Admito. Não foi só por isso. Estou quase enfartando de curiosidade para saber o que você trouxe pra mim. E eu espero que seja muuuuita coisa!

— Interesseira.

— Eu quero meus presentes, também — disse Josie se juntando a nós.

Alternei meu olhar entre as duas pilantras me dando conta do lei que ambas levavam no pescoço.

— Um deles vocês já pegaram, não?

— Estava lá dando bobeira — as duas disseram em uníssono.

— Dá pra acreditar que essa cadela foi ao Havaí? Olhe só para a cor dela!

Abri um sorriso de orelha a orelha para Josie.

— Pior foi aquele traidor do meu irmão não me contar que tínhamos casa lá, do contrário, nós três já teríamos zarpado para o Havaí há muito tempo.

Sentei na cama com as pernas cruzadas e gesticulei para Pietra.

— Foi o que pensei. Nós temos de ir para lá garotas! Vocês não têm noção de como aquele lugar é lindo. Não, espera... Lindo não faz justiça ao lugar. É perfeito de doer os olhos!

Pietra assentiu.

— D’accordo!

— Okay, okay... — Josie alardeou as mãos — Chega dessa conversinha! Queremos presentes, queremos as fotos e queremos a fofoca!

— Nesta mesma ordem — assinalou Pietra.

Saí da cama e ergui as mãos em rendição.

— Eu vou tomar banho primeiro e depois seguimos a cartilha. Que tal?

Elas balançaram as cabeças frenéticas em concordância, feito duas garotinhas esperando ansiosas por um pedaço do bolo de chocolate. Ri entre dentes caminhando para o banheiro.

— Mas vá rápido. Minha curiosidade está me virando do avesso — Pietra avisou.

Coloquei os olhos em branco sabendo que teria de incorporar o The Flash se não quisesse que ela assaltasse minhas malas. Paciência e Pietra eram inimigos íntimos.

— Sabe que Thor resmungou até tarde ontem? Achei que ele teria um ataque do coração.

Pietra riu descarada.

— Se sei. Agora vaza! Xô, xô, xô!

Mostrei a língua para ela e entrei no banheiro, mas meu estômago roncando obrigou-me a voltar e eu empurrei a cabeça pela fresta da porta ainda aberta.

— Podem pedir algo para eu comer enquanto isso? Per favore?

— ANTONELLA!

Mostrei o dedo para elas e entrei no banheiro me acabando de rir. Não me demorei na ducha, também estava eufórica para botar a fofoca em dia. Escovei os dentes e penteei o cabelo.

Quando sai flagrei Pietra indo abrir uma das malas estocada do lado da cômoda.

— Se isso fosse crime, você estaria sendo presa agora mesmo. — Ela se sobressaltou, me olhando com um beicinho ensaiado. Josie estava na cama, mas os olhinhos verdes pidões muito vulneráveis. Suspirei rendida e sacudi as mãos. — Vão em frente!

Josie saltou indo até a Srta. Apressadinha e bateram as mãos juntas com um gritinho histérico.

— Você etiquetou? — Pietra especulou sem me olhar enquanto abria a mala.

— Sim. Eu vou me trocar e... — parei de falar quando percebi que elas sequer me ouviam.

Logo estávamos empoleiradas em minha cama enquanto eu me dividia entre comer meu lanche reforçado e as colocar a par da viagem. Ocultei algumas coisas, eu admito.

Descobri que os caras também tinham viajado com Thor, contudo, nem uma das meninas conhecia o motivo da viagem. O que não era de se estranhar.

Passei um bom momento com as minhas garotas apenas jogando conversa fora e apresentando a elas o verdadeiro Maitai, que Alana tinha me passado a receita.

Muito mais tarde, em meu quarto, falei com mamma pelo Skype por uns bons minutos e troquei duas palavras com meu pai. Thor me ligou, também. O que me agradou muitíssimo.

Não tinha como negar que eu sentia a ausência dele. Todas minhas células gritavam por Thor e só se acalmavam quando ele estava por perto. Eu mesma já tinha me acostumado com sua presença constante, com o som da sua voz e até do seu olhar sobre mim eu sentia falta.

Não era só o sexo com ele que me satisfazia. Eu sentia prazer apenas por estar do lado dele e isso era apavorante para mim. Recusava-me a ficar dependente de outra pessoa que não fosse eu mesma.

Gostava dele, porém não queria alimentar falsas ilusões em relação ao que ele e eu tínhamos.

Estava bom da maneira que estávamos e isso bastava para mim.

Aos poucos eu retomei a minha rotina e Pietra me ajudou com meus trabalhos extras devido as minhas férias antecipadas. Quase todos os dias Thor me ligava e passávamos horas conversando.

Mio papà também estava me pressionando com seu ultimato para ir à Itália.

Os dias foram se arrastando, diminuindo a marcha e meu ânimo. Não sei se pelos muitos trabalhos do curso, pela pressão do meu pai ou pela falta que sentia de Thor, notei que meu nível de estresse subiu e comecei a ter insônia. Estava trocando o dia pela noite e as consequências disso era sentida no meu dia a dia. O que me rendeu algumas broncas por dormir na sala de aula.

Eu não tinha culpa se havia um montão em minha cabeça. Minha vida não era fácil.

No final da terceira semana eu estava mais ansiosa do que o normal e não era para menos, Thor iria chegar. Meu humor foi nas alturas quando vi pela janela do meu quarto a SUV preta entrar pelos portões. Entretanto, para minha decepção apenas Nathan retornou.

Por mais que eu tentasse perguntar a ele sobre aquele salafrário, Nathan não me dava nenhuma informação que prestasse. Até Eric havia voltado dois dias após a chegada de Nathan, mas nada daquele figlio di puttana aparecer, nem me ligar mais ele ligava. Cretino!

Se ele tinha voltado para o Tennessee de vez, por que não me avisou?

— AMADA!

Fuzilei Pietra com meu olhar assassino.

— Pietra, se você gritar comigo novamente, eu juro por Dio que te quebro a cara!

Ela, ultimamente, estava com essa mania feia de ficar gritando no pé do meu ouvido.

Estávamos na sala conversando, quero dizer, ela, Josie e os namoradinhos delas eram quem estavam tagarelando, pois minha cabeça estava em outro planeta.

— Ui, perigosa — ela zombou, e sentou-se no colo de Nathan, provavelmente, já se certificando de que ele a defenderia de um possível ataque meu.

Tratei de respirar fundo, ignorando a piadinha dela e os risinhos baixos daqueles palhaços. Levantei pronta para sair dali antes que minha paciência fosse para o ralo de vez.

— Ei! Eu estou brincando — ela disse, segurando meu braço quando passei por ela.

— Okay — murmurei seca com um olhar nada amistoso.

— Senti, nós vamos sair hoje, — ela gesticulou para Eric e Josie. — Vamos ver o show do Ed Sheeran e depois vamos dar uma esticadinha até um clube de um amigo dos caras...

— No, grazie — neguei me soltando dela.

— Ah, qual é Ella? Vai dizer que você não gosta dele e que não está doida para sair?

— Eu gosto. O que eu não gosto é de sobrar. Ser vela não é o meu forte, sabe?

Dei-lhe as costas e comecei a me dirigir para a escada.

— Ele vai voltar — ela disse baixinho andando atrás de mim. Suspirei cansada freando meus passos e me voltei para ela. — Você sabe. Thor não iria sem te dizer adeus.

— E quem te disse que eu estou dando à mínima se ele vai voltar ou não?

— Antonella... Qual é? Sou eu, Pietra! Não precisa mentir para mim.

— Prazer, Antonella.

— Não banque a idiota.

— Escuta Pietra, eu não estou a fim de papo agora, va bene? Eu só quero ir para o meu quarto e ficar sozinha sem ninguém me perturbando. Será que é tão difícil entender isso? Eu não estou pedindo nada demais. Ou estou? — Minha garganta fechou e os olhos pinicaram, porém me controlei, irritando-me mais. — Se seu irmão vai voltar ou não é problema dele. Eu não tenho nada com ele, portanto, ele pode fazer o que quiser da vida dele. Eu realmente não me importo se ele retornou para a puta que pariu ou se ele foi morar no quinto dos infernos.

— Thor deve ter uma boa explicação...

— Urgh! — grunhi, jogando os braços para cima e lhe dei as costas, novamente.

Bati a porta do meu quarto e a fechei com chave apenas no caso de Pietra não ter entendido a mensagem de me deixar em paz e vir me encher a paciência que eu não tinha.

Caí na cama e com gestos bruscos das minhas mãos limpei as lágrimas idiotas, que insistiam em sair dos meus olhos, todavia, não adiantou muito e eu desatei a chorar em silêncio.

Quem disse que eu me importo se o maledetto vai voltar ou não?

Ele que fique aonde quer que esteja e com quem esteja.

Forcei as malditas lágrimas para longe, com certo esforço devo acrescentar, mordida de raiva.

Aquele cretino de merda iria se ver comigo se ele se atrevesse a dar as caras por aqui.

Eu iria parti-lo ao meio, ou melhor, iria picar ele em pedacinhos e só deixaria inteiro o pau dele, e o empalharia depois, pelo menos essa parte serviria para alguma coisa.

Seria uma morte cruel e bem dolorosa de preferência.