Dangerous
Capitulo 38
Quando cheguei à mansão meu nível de estresse tinha alcançado picos ultraelevados. A fome me deixava de mau humor, e eu estava morta de fome, de sono e mais irritada, se possível.
Ultimamente, eu estava me sentindo muito sensível, quase que no limite mesmo. Isso não era normal. Tinha alguma coisa errada e até tinha pensado em buscar um médico. Mas, então, bateu o medo além do pavor que cultivava de hospitais.
E se eu tivesse uma doença grave? E se fosse morrer logo?
Na boa, eu não queria descobrir. Médico para mim somente mesmo a minha ginecologista e isso porque esta era uma obrigação da qual eu não podia fugir. Além do mais, se eu fosse morrer que fosse de surpresa, pois se descobrisse antes eu acabaria perdendo os últimos dias que me restavam.
Va bene. Eu estava meio neurótica então tratei de me conter — com um mega esforço — e cheguei à conclusão mais óbvia. Esse semestre eu estava sobrecarregada na universidade.
Já havia lido algum artigo, onde especialistas diziam que estresse demais podia desencadear uma reação hormonal maluca. E, bem, o trânsito caótico no fim de tarde adicionado aos meus professores, que em sua maioria eram um chute no traseiro, não me ajudavam.
As cores do entardecer coloriam o interior da mansão. O que me dizia que o jantar iria demorar a sair e eu não estava nem um pouco disposta a esperar, nem meu estômago revoltado roncando alto.
Na cozinha vislumbrei uma atrativa caixa de pizza em cima da ilhota. Minha boca encheu d’água de imediato. Não me fiz de rogada, agarrando a caixa com extrema possessão e, em seguida, agradeci aos Céus por ainda haver quase uma pizza inteira de mussarela.
Peguei uma fatia e fechei os olhos ao morder o primeiro pedaço. Estava fria, mas deliciosa. Tão gostosa, que gemi de deleite e senti meu mau humor se esvair.
Morder. Mastigar. Engolir.
Estava centrada em meu negócio quando braços poderosos me cercaram e um corpo quente cobriu minhas costas enquanto a boca macia pousava um beijo na curva do meu pescoço.
Thor.
Inclinei a cabeça para o lado e olhei para trás em seu rosto. Engoli o bocado em minha boca.
— Oi — murmurei após um instante de deslumbre.
— Oi? Creio que mereço mais que isso, não?
Exalei um bufo, deixando os ombros caírem. Eu não tinha tempo para doces agora quando precisava alimentar a anaconda em minha barriga.
— Thor, agora...
Sua língua estava reclamando a minha boca enquanto sua mão segurava minha cabeça para o seu beijo. Foi suave, mas incendiário. Calafrios percorreram o meu corpo, agitando minha mão direita para trás para o seu cabelo, segurando-o para ter mais dele.
Era sempre assim.
Eu poderia beijá-lo por uma vida e, mesmo assim, não seria suficiente. Adorava o balanço erótico de sua língua, o mover macio de seus lábios firmes enfeitiçando meus sentidos.
Suspirei em sua boca.
Thor finalizou o beijo com uma dentada em meu lábio inferior.
— Senti sua falta, querida — ele murmurou ainda sobre meus lábios.
— Eu também, Thor.
Ele sorriu e deu-me um último beijo, apenas um carinho com os lábios, e então, ele se afastou e eu regressei minha atenção à pizza, dando mais uma boa mordida.
— Você chegou tarde hoje — ele comentou, colocando um copo na minha frente. — Se tivesse me avisado que chegaria tão tarde, eu teria te buscado.
— Grazie — agradeci quando ele encheu o copo com suco de laranja. — Eu bem que queria ter saído mais cedo, mas tive de ficar depois da última aula para fazer uma pesquisa na biblioteca. Além do mais, eu estava com meu carro.
Sorvi um gole de suco então mordi mais um pedaço de pizza. Thor encostou-se ao balcão de maneira displicente. Abriu a garrafa de cerveja que segurava e a levou aos lábios, e bebeu.
— Como foi seu dia?
Reprimi uma careta.
— Uma merda — mofei-me um pouco acalorada. — Tenho muitos trabalhos para entregar no final do mês e ainda há as provas..., enfim, vou ter que me desdobrar em mil.
— Se precisar de ajuda, eu terei o maior prazer em te ajudar — ofereceu cortês e adicionou orgulhoso. — Eu era um dos melhores da minha turma na época de faculdade.
— Percebeu o quanto soou caquético agora? Na minha época — imitei sua fala. — Até parece que foi há milênios. Se bem que às vezes você se comporta como um Neandertal, então...
Os olhos dele se arregalaram com dissimulado horror.
— Isso é porque tenho uma mulher muito difícil. Às vezes, preciso ser um pouco duro para mostrar a ela o que quer e se nega a ter. Ou sentir. Não acha?
— Agradeço sua ajuda, no entanto, já fizemos grupos de estudo, acredito que ainda nesta semana começaremos a nos reunir aqui. Espero que não se importe.
Thor me deu um longo olhar e sacudiu a cabeça.
— De forma alguma. A mansão também é sua.
Sorri agradecida então retornei a atenção à pizza. Ele não disse mais nada, nem eu. Estava mais preocupada em saciar minha fome. Uma vez que terminei com o último pedaço, soltei um suspiro satisfeito e beberiquei um gole de suco. Estava cheia.
— Estávamos com fome hoje, não? Não comeu na universidade?
— Perché? Você queria também?
— Não.
— Então o quê? Estamos fazendo racionamento de comida? Ou não posso comer?
Não entendi sua expressão boquiaberta depois de ele ter sido deselegante comigo.
— Eu não disse isso, amor. Pode comer tanto quanto queira. É só que... — hesitou por um breve momento. — Você se dá conta que comeu cinco fatias de pizza?
— E qual é o problema? Estava com fome. Fiquei praticamente o dia todo sem comer nada e posso exagerar agora.
Era só o que me faltava, ele querer controlar até o quanto posso ou não comer.
— Ei! Calminha aí. Foi somente um comentário. Não estou te condenando por comer, apenas estranhei. Você não costuma comer assim, vive dizendo que precisa seguir sua dieta...
— O que está dizendo? Acha que estou gorda, seu idiota? — Meu tom era muito irritado agora. Eu sabia que tinha engordado algumas gramas a mais, ou talvez um quilo, mas gorda?
Sua expressão apertou séria.
— Jesus Cristo, mulher! Eu não disse nada disso. Você é perfeita para mim e sempre vai ser de qualquer forma. — E acrescentou irritado. — Essa TPM sua está demorando a passar. Agora pare de gritar, você está parecendo uma...
Lancei-lhe um olhar mortal enquanto saltava da banqueta.
— Termina essa frase, cretino! Andiamo! Diga que além de esfomeada e gorda, você também me acha louca? Seu vagabundo do caralho!
Não fiz caso de seu olhar exasperado.
— Antonella, não vamos começar com isso — disse ele, em um tom firme em sua voz calma. — Hoje não. Por favor, — acrescentou deixando a garrafa de cerveja sobre o balcão.
Meu dedo estava em riste para ele e minha outra mão pousada em meu quadril.
— Já começamos, aliás, você começou quando soltou seus comentários idiotas, porque até então eu estava bem quieta no meu canto. Não me culpe por suas idiotices.
Ele correu a mão pelo cabelo, nervoso quando a ofendida era eu.
— Antonella, você está exagerando de novo!
— Exagero é esse seu talento para ser um babaca! Ofendeu-me e ainda acha que devo estar de bom humor e rindo? Desculpe se não estou beijando seus pés, oh, grande gênio. E faça um favor para nós dois, guarde seus comentários impertinentes para você mesmo, stronzo!
Dei a volta para sair.
— Aonde vai?
— Para o meu quarto. E para o seu próprio bem, eu sugiro que não ouse me seguir ou dar as caras por lá, pois sou capaz de matá-lo!
Irritada como o inferno eu o deixei para trás.
Esfomeada? Talvez.
Gorda? O rabo dele.
Louca? Ah, isso eu estava.
Louca de raiva dele e de mim mesma por não saber o porquê exato desta tempestade toda. Quero dizer, ele por si só já era motivo suficiente para me balançar fora dos trilhos.
Eu devia estar louca mesmo e a culpa era toda dele, claro!
Desde que Thor tinha entrado na minha vida de supetão eu não era mais eu, tinha mudado e aceitado um montão de coisas que antes para mim eram inaceitáveis. Estava indo contra os meus princípios e isso não era bom. Nunca dava em boa coisa ir contra quem você é.
Um derrame de lágrimas frescas escorreu por minhas bochechas, antes mesmo de chegar ao quarto e mais irritada eu fiquei, xingando Dio e o mundo. Fui para o banheiro escovar os dentes, mas o cheiro da pasta de dente retorceu meu estômago com violência, a bile me subindo tão depressa que quase não pude alcançar o sanitário. Curvada sobre o vaso, eu coloquei para fora tudo que acabara de comer. As ondas de ânsias vieram tão intensas, que me torciam a barriga, fazendo meu ventre doer e meus olhos queimarem.
Maledizione! Isso é praga daquele desgraçado, pensei zangada, quando terminei de despejar minha alma no sanitário. Dei a descarga e, em seguida, entrei no box e liguei a ducha, jatos frios de água bateram diretamente em minha nuca, acalmando-me. Por minutos apenas fiquei lá, parada, respirando fundo, sentindo a água escorrer pelo meu corpo. Lavei o cabelo e me ensaboei. Optei por escovar os dentes lá mesmo. O enjoo retornou mais fraco, porém não tornei a vomitar.
Essa pasta devia estar vencida ou Martha devia estar comprando de uma marca diferente.
Uma vez que terminei o banho, o enjoo e as sensações ruins foram substituídos por uma leve cólica, provavelmente, causada pelas retorcidas que meu estômago tinha provado. Peguei Advil no armário do banheiro e tomei antes de ir para a cama. Somente precisava ficar quieta entre os meus lençóis e dormir por alguns momentos antes do jantar...
Horas mais tarde naquela mesma noite encontrei Pietra na sala, que me lembrou sobre o trabalho de Arte que faríamos juntas logo mais. Thor não estava em qualquer parte.
— Heithor saiu?
— No. Ele está no jardim — disse ela.
— Eu vou lá então e depois te encontro na sala de estudos.
Eu já estava dando a volta quando ela se pronunciou:
— Posso te fazer uma pergunta?
— Atire.
— Não acha estranho ter TPM quando nunca teve? E ela demorar tanto para passar quando no máximo os sintomas duram uma semana? Quero dizer, você está nela há mais tempo que isso, não?
Franzi o cenho, incomodada.
— Talvez seja justamente por isso. Eu nunca tive, e agora, estou recebendo um extra pelos bons tempos — devolvi desinteressada.
— Ou, seja outra coisa. — Ela deixou no ar.
— O quê?
— Estão se cuidando? Digo, você e Thor estão tomando todos os cuidados?
— Sicuramente.
Thor e eu nunca tínhamos usado preservativo. Ambos estávamos limpos. Mas, então, meu controle de natalidade estava em dia. Eu tinha certeza. Nunca iria dar uma bobeira dessas.
— Então, talvez seja o caso de você marcar uma ida a médica — ela sugeriu. — Sua médica poderá fazer uma melhor avaliação e te dar algum remédio. Não sei. Fazer algum exame.
— Besteira — mofei-me. — Não há nada de errado comigo. Eu me sinto muito bem. Além do que, vocês se esquecem de que o final do semestre é sempre a treva. E, ainda tem a viagem para a Itália. É muita coisa para a minha cabeça. Estou sobrecarregada e de saco cheio, mas isso não será permanente. Vai passar quando eu voltar de viagem.
— Se você diz. Va bene. E, quanto à viagem, talvez, eu vá com você. Não é certo, mas...
Animação me envolveu.
— Não brinca?
— Você sabe. Thor precisa de uma informante lá para saber que você não está fazendo nada de errado, já que dispensou a companhia dele. — Mostrei o dedo do meio para ela. — Mas, sério agora, não tem nada certo. Vou falar com Mamma primeiro e depois vemos isso.
— Será bom ter você comigo. Talvez, possamos falar com Josie também e fazer a viagem das garotas, eh?Talvez até dar uma esticada para Londres e Paris? — sugeri mais animada do que eu supunha ficar com aquela viagem.
— D’accordo. Vamos esvaziar a adega do seu nonno.
— Combinado. Eu vou falar com Thor e já te encontro.
Encontrei Heithor sentado no gazebo, sozinho. Ele demorou a perceber a minha presença, o que era estranho. Em geral, ele sempre estava muito atento, porém nesta noite parecia imerso em seus próprios pensamentos. Quando nossos olhares se cruzaram, sua expressão se tornou cautelosa, quase como se ele estivesse com receio. Mordi o lábio e sorri, me sentindo envergonhada por meu chilique de horas antes. Minhas bochechas estavam quentes e eu agradeci em silêncio pela iluminação do jardim enquanto me aproximava, e então, sentei em seu colo de frente para ele.
Logo estava inclinando a cabeça para baixo e encostando nossos lábios. Ele não recusou, beijando-me de volta e pousou as mãos em meus quadris de maneira indolente.
— Desculpe por hoje... Eu estava muito cansada e estressada, porém sei que não deveria ter descontado em você — murmurei sobre seus lábios. Ele pendeu a cabeça para trás, apoiando-a no respaldo do sofá e fixou o olhar no meu rosto, esperando. Eu lhe dei isso. — Tem todos esses trabalhos e provas, mais a viagem, e por falar nela, Pietra acabou de me dizer que é quase certo de que ela vá comigo. Ela vai falar com Martha, mas eu sei que ela vai. Não é o máximo? Amanhã, vamos falar com Josie também, assim podemos fazer uma viagem das garotas.
— Bom.
— Senti, eu realmente sinto...
— Está tudo bem. Apenas, tente se controlar, certo? Eu posso ser paciente com seu momento, mas não gosto de cenas, nem que destorça minhas palavras, tampouco.
— Não vai acontecer mais.
— Eu acredito.
Abri meu sorriso de alguns watts.
Ele colheu para detrás da minha orelha os fios de cabelo, que o vento tinha levado para o meu rosto, então me puxou para o seu peito. Apoiei a cabeça em seu ombro. Ele cheirou meu cabelo e plantou um beijo no meu pescoço, e, em seguida, buscou minha boca.
O beijo veio gentil... e cresceu ateando uma vibração aquecida na minha barriga.
Uma mão dele se infiltrou no meu cabelo e segurou firme enquanto a outra agarrava com maior força o meu quadril, pressionando-me contra ele ao mesmo tempo em que seu quadril contraia para cima. Eu ofeguei e fui toda dedos sobre ele, me envolvendo na comoção que ele me provocava.
Era difícil manter a situação num nível inocente quando estávamos assim, entrosados por nossos lábios, nossas línguas... nossos corpos.
— Thor...
— Você já me privou muito, neném. — E acrescentou de maneira sedutora, entre beijos e mordidinhas em minha boca. — Preciso sentir seu cheiro... seu gosto... Você.
Arrepiei-me toda e uma dor gostosa apertou minha virilha.
— Então, o que posso fazer por você, senhor Castellammare?
Seu sorriso surgiu lento e extremamente sensual.
— Eu posso pensar em um montão de coisas, senhorita Vicenti.
— Ah, sì?
Uma quebra de onda de calor aflorou minha luxúria e eu me deixei levar. Meus dedos se enroscaram em seu cabelo quando voltamos a nos beijar, desta vez com maior fome. Abaixo, sentia minha intimidade umedecer ao sentir seu pênis engrossar mais enquanto a fricção deliciosa intensificava. Suguei seu lábio inferior com inigualável prazer. Thor me beijou mais forte e até um pouco violento.
Meu baixo ventre esquentou tão rápido quanto uma chama pode surgir ao riscar um fósforo.
Doía por um contado mais íntimo... Profundo... Meus mamilos contraíram contra o tecido da minha blusa. De repente, sentia meus seios pesados demais. Louca para ter sua boca neles.
Fazia dias que não tínhamos um momento como esse, e a falta ameaçou vir de uma só vez. Uma explosão de 4 de Julho. Mas, então, eu queria fazer aquilo direito, com horas suficientes para nos curtirmos. Uma rapidinha seria pouco. Porém, eu podia ter um gosto apenas...
Movi o quadril rebolando em cima de Thor. Ele gemeu rouco, o som excitante batendo dentro de mim, disparando sensações por minhas veias, tocando as pontas dos meus nervos.
Um momento mais tarde, eu gemi surpresa, cavando os dentes no lábio inferior pega pelo prazer afiado quando senti o calor de sua boca rodear meu mamilo. Eu não tinha ideia de como ele havia chegado lá tão rápido e sem que eu percebesse, mas estava extremamente agradecida.
Sua língua brincou em volta, jogando com o pequeno broto. Deixando-o impossivelmente mais duro e chupou para dentro, suave e molhado, nublando meus sentidos e se moveu para o outro. Eu me curvava, empurrando mais dos meus peitos em sua boca enquanto segurava sua cabeça forçosamente. Era tão bom. Muito gostoso. A sensação quase entorpecente.
— Vamos subir — ele pediu com a voz enrouquecida, hipnótica.
— Não, — arfei.
Ele mordeu de leve minha clavícula e subiu beijos por meu pescoço.
— Não? Tudo bem, eu quero uma loucura hoje.
— Não é isso... Eu tenho um trabalho pra fazer.
— Depois.
— Não dá. Tenho de entregar amanhã — expliquei com um muxoxo, puxando seu cabelo com força até que ele me soltou e em represaria uma palma ardida encontrou minha bunda. Eu xinguei e acrescentei. — Pietra está me esperando, a propósito, eu já deveria estar lá.
— Deixe que ela faça.
— Não seria justo... Depois, va bene?
— Tem outro jeito?
Eu ri da sua carranca. Arrumei a blusa no lugar então segurei seu queixo para o meu beijo. Um beijo quente com a promessa erótica de que mais tarde teríamos um inferno. Tudo que quiséssemos e mais um pouco. Seu olhar estava mais escuro, alagado na sensualidade do beijo quando fixei os meus olhos nele. As suas mãos ainda estavam apertadas firmes no meu quadril.
Eu respirei fundo, controlando a fúria luxuriosa, ameaçando me domar.
— Depois eu te compenso. Prometo — dei uma piscada safada.
Saí de seu colo e comecei a me distanciar.
— Eu vou esperar por isso. — Sua voz soou atrás de mim e eu sorri sem frear meus passos.
Eu também.
Juntei-me a Pietra no escritório e nos envolvemos no trabalho de cabeça, tédio e muita paciência. Precisava de uma boa nota se quisesse acumular créditos. Isso significava fritar os miolos.
Muito mais tarde eu subi para o quarto, morrendo de sono.
Depois de uma ducha rápida somente me restava forças para secar-me, escovar os dentes e arrastar a bunda para a cama. Enfiei-me debaixo dos lençóis e suspirei de alívio, fechando os olhos, em seguida. Thor enlaçou minha cintura, puxando-me contra seu corpo e seus lábios começaram a brincar em meu ombro nu. Sua mão desceu por minha barriga até o meio das minhas pernas.
— Que delícia amor.
Seus dedos circulavam meu clitóris, estimulando meus nervos sensíveis com uma paciência treinada. Calafrios ardentes correram por minha coluna. Muito bom..., mas não era uma boa hora.
— Thor agora não, — protestei segurando sua mão.
— Já faz mais de uma semana amor. Estou a ponto de explodir, não sente? — Seu quadril alavancou contra meu quadril, seu pau endurecendo em minha bunda. — Preciso de você.
Uma rajada de excitação me fez vacilar por um instante e ele aproveitou, escorregando o dedo por minhas dobras começando a molhar. Seus lábios escovaram beijos em meu pescoço e mordeu.
— Porra neném, eu preciso disso... Não me rejeite mais.
— Não estou te rejeitando Thor. Apenas estou cansada demais para trepar agora — expliquei em tom baixo enquanto bocejava. — Amanhã eu sou toda sua. Prometo. Agora, ti prego, vamos dormir.
Ele bufou e xingou, se afastando. Meu corpo reclamou pela falta de calor. Senti a cama se mover e me virei, pousando o olhar em suas costas quando ele se sentou.
— Aonde vai?
— Dormir no meu quarto — respondeu, levantando-se sem me olhar.
— Não, por favor, fique. Não vou conseguir dormir sem o calor do seu corpo.
Ele me olhou. Sua expressão um pouco indignada.
— Que porra é essa? Quer dizer que quando eu estou perto você sente sono e quando não, você não consegue dormir?
— Não é nada disso.
— E o que é então?
— Pare de fazer drama e deite logo. Não vai morrer porque não fodemos hoje.
Ele me olhou por longos segundos enquanto eu esperava seu chilique passar.
— Você poderia ao menos pôr uma roupa — sugeriu zangado, voltando à cama.
— Estou bem assim. Agora, apague a luz do seu lado, per favore.
Quando ele fez, eu me aconcheguei sobre seu peito até que estive enrolada nele. Thor puxou o lençol sobre nós e seus braços me envolveram. Seu corpo se sentia teso sob o meu.
— Se eu te comer enquanto dorme não reclame.
— Apesar desse seu jeito ogro, eu sei que você também é um cavalheiro — retruquei de olhos fechados. Me estiquei para cima. — Comporte-se — beijei sua boca. — Buonanotte Thor.
— Buonanotte Antonella.
Em poucos segundos me entreguei à escuridão e ao abrir os olhos novamente já era de manhã. Tinha sido tão rápido que tive a impressão que pisquei e pronto. Amanheceu. Mas meu corpo descansado dizia-me o contrário. E, bem, eu não acharia nada mal em tirar proveito de Thor.
Estiquei a mão as cega, porém não o encontrei.
Ergui as pálpebras de par em par e mirei o despertador. Sete e dez da manhã. Esfreguei os olhos e me sentei, olhando em volta. Silêncio era tudo que eu tinha, salvo pelo distante barulho das ondas.
Ele não costumava a deixar a cama sem dar-me um beijo de bom dia.
Joguei as pernas para fora do colchão, afastando o indício de desconfiança querendo se alojar na minha cabeça e caminhei em direção ao banheiro. Quando saí da ducha me sequei e envolvi meu corpo num penhoar estampado que havia por ali. Depois de escovar os dentes, retornei ao quarto levando o vidro de hidratante corporal comigo. Sentei na cama e comecei a passá-lo nas pernas.
Um minuto depois a porta do quarto foi aberta e Thor passou por ela.
— Aonde você foi tão cedo?
Ele não me olhou.
— No escritório.
— Algum problema?
— Nenhum.
Meu sobrecenho franziu. Ele não somente estava sendo limitado e seco, como também o sentia distante e irritado. Você sabe. Thor era um cara da manhã.
— TPM? Achei que esta fosse uma disfunção hormonal exclusiva das mulheres — brinquei enquanto passava creme nas mãos.
Seu olhar cruzou com o meu, era frio e inquisidor.
— E eu achei que isso durasse apenas alguns dias, mas, como sempre, com você tudo é diferente.
Eu deveria ficar zangada com ele, porém aconteceu justo o contrário.
— E não é justamente por isso que você gosta de mim?
— O que está acontecendo?
— Niente.
— Nada? Então faz de propósito?
— Do que está falando?
— De você, Antonella. Uma hora você está assim, — suas mãos se alardearam para mim —, na outra você se torna insuportável ou me ignora. Quando não é um é outro. Desculpa se não acredito, mas alguma coisa tem de estar acontecendo. E se tem um pingo de respeito por mim, não diga que é bobagem. Não sou tolo. Você está diferente. Eu só quero saber o porquê disso.
— Isso tudo porque não transamos ontem? Sério? Você é tão absurdo, — eu disse com humor, abanando a mão no ar. E acrescentei, com casualidade. — Sabe, Thor, às vezes, nós seres humanos ficamos cansados. Sexo é bom e, confesso que eu adoro. E adoraria que a vida se resumisse a somente isso, entretanto, não é assim que funciona... Infelizmente.
Apesar da minha tentativa, ele não parecia menos bravo.
— Nós não ficamos juntos há uma semana Antonella. E não estou me referindo somente ao sexo, sabe disso, então não me venha com essa conversa. Tem me ignorado há mais tempo. Não sei se por uma fodida TPM que não passa nunca, ou que inferno é. Eu só vou te dizer uma coisa, Antonella. Acho bom começar a pensar no que você realmente quer. Eu te amo, mas tudo na vida tem limites e o meu já está chegando ao fim. Depois não diga que eu não te avisei.
Uma sensação estranha nasceu em meu peito, como um agouro de que algo ruim estava prestes a acontecer, se eu não fizesse algo a respeito enquanto o assistia entrar no banheiro.
O que diabos ele queria dizer com isso?
Entrei no banheiro, vendo-o debaixo da ducha. Ele estava de costas para mim, com uma mão apoiada no azulejo, os ombros curvados e a cabeça baixa.
A água percorria o seu corpo, acariciando os músculos fortes de suas costas, o bumbum durinho, que eu amava apertar enquanto ele me fodia, causando inveja em mim. Todo aquele fogo que somente ele despertava em mim, e que nos últimos dias esteve cochilando veio à tona.
Thor era meu.
Nenhuma vadiazinha iria me roubar ele.
Abri a porta do box devagar e entrei, e, em seguida, envolvi os braços em torno da sua cintura. Ele endureceu contra mim, como se somente desse conta da minha presença naquele momento. Novamente, estava distraído e aflição em meu peito aumentou.
— Antonella...
— Scusa, scusa — murmurei apelativa. — Eu sinto muito. Não sei o que está acontecendo comigo nestes últimos dias, quero dizer, eu sei, mas... Eu vou me comportar, va bene?
— Tudo bem Antonella. — Suas mãos seguraram as minhas para me afastar. — Agora, me deixe tomar banho. Depois nós conversamos.
A vontade de mandá-lo a merda por sua rejeição sutil duelou com o meu desejo de estarmos juntos de novo. Esta última ganhou. Ignorei sua intenção de me afastar e os pensamentos distorcidos em minha mente enquanto beijava suas costas molhadas. Os músculos se esticaram ao meu toque, contudo, Thor não me afastou, nem se moveu. Sorrindo sobre sua pele, apertei meus dentes em sua carne numa mordida fraca. Ele ofegou, porém manteve minhas mãos seguras dentro das suas quando tentei descê-las por seu abdômen, mas, novamente, não me afastou.
— Thor, eu quero você, — forcei sua mão atrás, ciente que ele a deixou ir, e então, a coloquei entre as minhas pernas —, aqui Thor, daquele jeito que só você sabe fazer. Forte e fundo... Não sente essa necessidade? Não sente falta de nós dois juntos? Eu estou doendo... per te.
— Porra — ele rosnou, imprensando meu corpo contra a parede, num movimento fluído, e quando nossos olhos se encontraram, os seus estavam cheios com tormento, desejo furioso e nocivo. — Cacete, Antonella, nós não podemos resolver nossos problemas assim.
Uma de suas pernas se enfiou entre as minhas, seu joelho afastando minhas coxas, e então, seu dedo escorregou dentro do meu canal, bombeando dentro muito gostoso.
Mordi o lábio e fechei os olhos, embriagada na sensação boa.
— Mmmm... Eu gosto de resolver as coisas assim.
Ele mergulhou dentro de mim, arrancando gemidos graves de nós dois.
— Puta que pariu! Eu devia te deixar de castigo como você fez comigo — ralhou bravo, com seu negro olhar fixo no meu enquanto retrocedia e mergulhava dentro de novo.
— Mas não pode — tachei, sorrindo pretensiosa.
— Admite que estava me punindo?
Encarei seu olhar enérgico, sondando-me raivoso, porém também havia um montão de tesão ali.
— Não estou admitindo nada... Inferno, só me come!
Thor foi duro. Impiedoso. Arremetendo em meu canal com golpes fortes tantas e tantas vezes, que eu pensei que fosse morrer de prazer, a sensação era deliciosa, vertiginosa.
— Assim, neném?
— Dio, sim, Heithor. Me fode sem sentido, seu puto.
— Você é gostosa demais, neném. Senti tanta vontade de comer essa buceta. Mmm... Essa apertada que você dá... Caralho! Faz de novo, baby.
— Mmm... Delícia de pau. É tão bom... Você mete muito gostoso, Thor...
Suas mãos fixaram em meu traseiro, ajudando eu mover de encontro a suas apunhaladas revigorantes. O deslizar liso e restrito acendendo meu corpo em um fogo perverso.
Não sentia nada, nem mesmo a água banhando nosso corpo. Só Thor.
— Você gosta desse jeito, neném? Gosta de sentir meu pau entrando gostoso? Porra, eu amo a sensação quente e úmida da sua boceta me rodeando. Você me faz arder, neném.
Ele rebolou seu pênis dentro de mim, o atrito apertado atingindo todos os pontos sensíveis em meu interior ao mesmo tempo em que sua pélvis massageava meu clitóris.
A sensação foi tão, mas tão maravilhosamente apertada, que eu me senti abandonada e acolhida ao mesmo tempo. Não fazia ideia de como isso era possível. Eu quis mais.
— Oh, sì! Io adoro! Dê-me mais, Thor...
Beijamo-nos com urgente demanda enquanto nossos quadris se chocavam quase com violência.
— O quão perto está?
— Muito!
— Ótimo. Se agarre em mim. Vou gozar e não posso esperar mais.
Agarrei-me a ele com maior firmeza, recebendo suas investidas duras. Ele se voltou mais intenso e eu fui com ele, enlouquecendo em seus braços. Nossos sons de prazer se misturaram e, em seguida, nos impulsionaram num prazer duro, que nublou meus olhos e pulverizou minha mente. Minha buceta se contraiu em torno de seu pau, o clímax enrodilhando meu útero, estilhaçando sobre mim um deleite doloroso quando eu vim forte contra ele. Thor continuava metendo forte enquanto gozava com um urro, jatos e mais jatos abundantes enchendo-me a cada dura investida.
— Eu nunca vou me cansar de você, mas isso não muda o fato de que temos de conversar — ele disse um momento mais tarde quando se retirou de mim. Seu sêmen escorreu pelas minhas coxas.
— Não sei por quê... É sério! — garanti. — Você está vendo pelo em ovo. Estou sobrecarregada com a universidade e a viagem, já te disse isso.
Seu olhar me sondou.
— Tem certeza que é só isso?
— Absoluta.
A ruga em sua testa suavizou.
— Tudo bem. Eu fico mais tranquilo então.
— Estava pensando que eu tinha outro?
Seu olhar se voltou para mim, cuidadoso. Muito sério.
— Não... Você não faria isso, verdade?
— E eu tenho tempo? Mesmo se eu tivesse, você me gasta demais, Thor.
Ele depositou um beijo em minha cabeça.
— Eu te amo, Ella.
— Não me diga essas coisas.
— Não tem de ficar assim. Eu sinto amor por você e nada vai mudar isso. Não se envergonhe ou se sinta obrigada a dizer o mesmo... Porém, não nego que gostaria que a recíproca fosse verdadeira e me fizesse saber disso. No entanto, quero que faça quando realmente sentir e disser por que quer dizer. Nunca por uma obrigação, baby. Eu sou paciente, e eu vou esperar ansioso, mas irei esperar...
Ele deixou as palavras no ar quando me beijou. Então recuou, dando um beijo na ponta do meu nariz. Não dissemos mais nada depois disso. Era melhor assim. Terminamos o banho e nos trocamos. Minha vontade era ficar o dia inteiro com ele, infelizmente, não podia.
— Pegou tudo?
Balancei a cabeça, olhando dentro da minha bolsa enquanto caminhava na direção dele, segurando a porta aberta, então parei.
— Droga! Meu celular.
— Sabe onde deixou?
— Claro, — encolhi os ombros. — Aqui no quarto.
— Eu o vi sobre a escrivaninha.
Peguei o aparelho e o enfiei na bolsa então me dirigi para a porta do quarto, onde Thor me esperava. Estava passando por ele quando minha mente rodou. Uma leve vertigem me atingindo. Agarrei-me ao peito dele, deixando a bolsa cair no chão no processo. Senti suas mãos a minha volta, mantendo-me enquanto eu fechava os olhos, respirando fundo, antes de abri-los.
A tontura passou tão rápido quanto chegou e eu sorri fraco. Não queria que ele se preocupasse a toa. Mas, visto pelo seu semblante tenso, eu não tive sucesso. Sua mão subiu tocando minha testa.
— Tudo bem? O que você está sentindo?
— Niente. Sto bene. Davvero.
Os olhos negros semicerraram descrentes.
— Não. Definitivamente, você não está bem — assinalou categórico. — Essa já é a quinta vez que isso acontece desde que voltamos de viagem. Não é normal, querida. — E completou quando rolei os olhos com tédio. — Não estou dizendo que é algo grave, mas é algo e precisamos saber o que é. Eu vou marcar uma consulta para você hoje mesmo.
— Não há necessidade disso...
— Assunto encerrado.
A determinação tanto em sua voz quanto em sua expressão não dava margens para a recusa. Mesmo assim, eu tentei. Não estava disposta a ir a nenhum médico.
— Thor é sério, eu estou bem. Foi só uma vertigem boba. Deve ser porque eu não comi nada ainda. Estarei melhor quando comer. Eu não preciso de médico, mas de comida. — Ele fez uma careta de desagrado. — Eu prometo que se acontecer novamente eu vou ao médico, porém não hoje.
Ele suspirou derrotado e acariciou meu rosto, contudo, não parecia tão convencido.
— Certo, certo. Entretanto, se voltar acontecer, eu vou te levar ao médico nem que seja amarrada. Ou que fique brava comigo. Aconteceu e nós vamos. E tem de me prometer que vai me fazer saber disso, uma vez que ocorra. — Concordei com a cabeça, esboçando um sorriso. — Eu falo sério, Antonella. Prometa-me que irá me informar assim que acontecer novamente. Ou vou colocar alguém em seu pé quando eu não estiver por perto. Não quero saber se isso é por falta de comida, o que duvido... E não, não estou dizendo que está gorda então desfaça essa careta. Não se brinca com a saúde, querida.
— Ou com a vida, certo?
— Antonella. — A censura em seu tom me fez suspirar.
— Va bene. Eu prometo papà.
— Engraçadinha. — Sua palma bateu na minha bunda e eu sorri. Ele acrescentou, o alerta claro em seu tom de voz. — Não quebre minha confiança em você.
— Certo.
— Acho melhor você ficar em casa hoje.
— De jeito nenhum! Hoje eu tenho aula do Sr. McGraw, além do trabalho de Artes que ontem queimei meus neurônios para fazer. Hoje é o prazo final da entrega.
— Pietra pode entregar para você.
— Eu disse que se tiver isso de novo, vou te deixar saber. Até prometi e eu não quebro minhas promessas — alfinetei, me irritando. — Caramba! Tenho de fazer o que para você acreditar? Um pacto de sangue? Assinar um documento? O quê?
— Certo, certo. Não vou insistir. Se você diz que vai me avisar, eu acredito. Agora vamos tomar café e depois eu te levo a UCLA. — Rolei os olhos e bufei. — Não adianta fazer essa carinha. É isso ou você vai ficar em casa. E então?
Depois desse ultimato tive de concordar com a carona, se quisesse ir à aula. Passamos na cozinha e peguei uma maçã para comer no meio do caminho. Thor não gostou, porém deixou passar.
Maçã era a única fruta que meu estômago segurava pela manhã e na última semana ela tinha se tornado a minha fissura. Em uma semana comi um pomar inteiro. O que era muito estranho e fazia aquele sentimento inquietante aparecer, deixando meus cabelos em pé.
Quase uma hora depois, Thor estacionou o carro na frente da universidade e desceu, circulando o veículo e abriu a porta para mim.
— Eu vou fazer de tudo para vir te buscar hoje, mas se eu não vier, Benjamin estará aqui — ele informou quando desci do carro.
— Por quê?
— Smith vai à mansão hoje...
— Você prometeu — acusei, com um bico enorme e cruzei os braços sobre o peito.
— E eu mantenho a minha palavra. Ele vai à mansão para me apresentar sua noiva. — Ele me puxou. — Vem cá, — ele me beijou e sussurrou. — Amo você. Tenha um bom dia.
Entrei na mansão, dando de cara com os amigos de Thor espalhados na sala de estar, o que não era de se estranhar já que viviam aqui, como se não tivessem mais nada que fazer da vida. E Norah também, é claro. Isso sim era de se estranhar. A cara de pau dessa mulher era incomum e me enojava. Sobretudo, depois do que ela aprontou. Porca troia.
Não era de se admirar porque Thor a cozinhou por tanto tempo. Um homem como ele não levava a sério mulheres como ela.
Fraca. Suja. Covarde. Incapaz.
Eu poderia ter contado a ele sobre a cachorrada dela, afinal de contas, ele mais do que ninguém merecia saber que de santa aquela lá não tinha nada. Mas, então, pensei que se o fizesse, eu estaria me igualando a ela. E, bem, minha conta com a Srta. Píton desbotada era particular e sem partilha.
Eu cobraria a divida quando achasse conveniente. Ademais, não acreditava que ela oferecia risco a ele. E, bem, Thor era um menino grande que sabia se cuidar. Ela até poderia ser boa nas encenações, porém ninguém conseguia fingir perfeitamente bem vinte e quatro horas por dia.
Desviei minha atenção dela para Heithor quando ele se aproximou, abraçando-me e me deu um beijo rápido nos lábios. Sua expressão um pouco severa.
— Depois nós vamos conversar. Sério — ele sussurrou áspero e duro no meu ouvido, antes de pegar a minha mão, guiando-me para junto dos presentes.
Levei meu olhar entrecerrado para a Pietra e ela colheu os ombros ao lado de Nathan.
Ela tinha me prometido não contar a ele sobre o episodio de mais cedo quando ainda estávamos na UCLA. Mas, como de costume, sua língua fofoqueira foi mais forte.
Não tinha sido nada demais, realmente. Eu apenas não me dei bem com seu perfume fedorento, que ela jurou ser francês. Provavelmente, tinham engarrafado o xixi de um gambá francês num bonito vidro e etiquetado como perfume. Ou algo do tipo. Porque, de fato, ela tinha estado fedendo a podridão. E o meu dia que começara bem, desandou. Fiquei com o estômago ruim e vazio, o que não me permitiu concentrar nas aulas. Ao término, estava de mau humor devido à fome. Porém, uma passada no Nobu antes de retornar a mansão e o problema foi resolvido.
Thor se sentou no sofá e eu me sentei ao seu lado.
— Deixe-me te apresentar, — Thor começou, gesticulando para até então única desconhecida na sala, sentada ao lado de Smith. — Antonella, essa é a Marcela Fernandes, noiva de Gabe.
Ela sorriu afável e eu a imitei.
— É um prazer senhorita Fernandes. E parabéns pelo noivado.
— Obrigada. E o prazer é meu. Mas me chame só de Marcela, sim?
— Antonella — ofereci, em contrapartida.
Ela assentiu.
Thor continuou:
— Gabe, você já conhece.
— Olá, Dr. Smith. Como vai?
— Nada de doutor Smith, por favor. Gabe apenas ou Gabriel, como preferir. E respondendo a sua pergunta, eu estou um pouco melhor do que bem — ele disse, encarando a mulher ao seu lado, com olhos apaixonados. Então voltou a me olhar. — E a senhorita como vai? Espero que não esteja se aventurando mais sobre as duas rodas. Thor já não tem mais idade para fortes emoções.
Risos se espalharam pelo ambiente enquanto eu me sentia corar. Marcela cutucou o noivo, com uma expressão fechada, mas o sorriso insistente no canto de sua boca a entregava.
— Me foda — grunhiu Thor.
— Passo.
— Marcela está cuidando do seu coração? — devolvi sem poder me conter.
A risada foi geral. Ele se encolheu.
— Bem feito — disse Marcela.
Thor me apertou contra ele, rindo, e então, depositou um beijo em minha têmpora.
— Obrigado.
— Ela é rápida, não? — sondou Gabe.
Thor sorriu largo e respondeu:
— Você mereceu, idiota.
— Sei — murmurou ele, rindo. — E senhorita, me desculpe, sim? Meu coração está muito bem. Um pouco mais forte agora que encontrei a mulher da minha vida.
— Por favor, me chame de Antonella... Fico feliz por você... pelo os dois. Eu estou bem e mantendo a moto parada por enquanto. Na verdade, ainda não tive tempo para me aventurar.
— E por mim não terá nunca — resmungou Thor.
Ignorei-o, colocando minha atenção nos noivos.
— Vocês já marcaram a data?
Martha se juntou a nós e trouxe champanhe para brindarmos aos noivos.
Brindes mais tarde, Gabe e Marcela se levantaram e se despediram. Thor até convidou-os para ficar para o jantar, no entanto, eles já tinham planos com a mãe de Marcela.
— Marcaremos outro dia então — Martha disse. — Gabriel ligue para Heithor avisando o dia, e eu mando preparar um jantar delicioso para nós.
— É muito gentil de sua parte, Martha — disse Marcela, sorrindo. — Assim que tivermos um espaço na agenda, eu peço pra Gabe avisar. Mas já adianto para não se incomodar. Somos muito simples. E nem ele, nem eu temos problemas com comida.
— Que isso, cara mia! Não será nenhum incomodo. Deixe-nos saber e o resto é por minha conta.
— Obrigado Martha — disse Gabriel. — Esteja certa que faremos isso.
Levantei-me, imitando os demais e foi quando a vertigem de mais cedo retornou com maior força, deixando meu corpo mole. Minha mente rodou e tudo a minha volta ficou escuro...
Não sei por quanto tempo fiquei desacordada, apenas que voltei à realidade quando um cheiro forte queimou meu nariz e forçou minhas pálpebras abertas. Estava deitada sobre o sofá com Thor e os noivos ao meu redor. Sentia-me um pouco mole e desnorteada, ainda assim tentei me levantar.
— Não se levante querida — orientou Marcela. — Permaneça deitada por alguns instantes, sim?
Sacudi a cabeça e levei o olhar para Thor. Ele parecia tenso.
— Eu estou bem — garanti a ele num tom baixo.
Sua expressão se apertou.
— Bem? Não Ella, você não está bem desde que voltei de viagem.
— Thor...
— Não Antonella — negou balançando a cabeça. — Não podemos adiar mais, eu não posso. Hoje mesmo te levarei ao médico e não adianta você se negar.
— O que está havendo? — Gabe indagou.
— Não é nada de...
— Esta é a segunda vez que ela perde os sentidos hoje e a sexta desde que eu cheguei de viagem.
Caramba! E eu achando que ele não tinha sacado das outras vezes. Bufei. Heithor continuou seu relato fantasioso, exagerando no drama enquanto eu me sentava, fulminando-o com o olhar.
Marcela disse algo para Gabe que saiu apressado.
— Ele é a rainha do drama — resmunguei.
— Eu não penso assim — Pietra interferiu, ignorando meu olhar de não-se-intrometa. — Hoje ela passou mal na universidade. Colocou até as tripas para fora e quase me grunhiu para ficar longe dela, alegando que meu perfume fedia a gambá. Quero dizer, ela realmente fez.
Thor estreitou seu olhar para mim mais irritado.
— Fedia mesmo — queixei-me.
Antes que Pietra respondesse, Gabe retornou, com uma maleta nas mãos e deu-a para Marcela.
— Eu vou medir a sua pressão, tudo bem para você?
Estreitei os olhos, mas concordei.
Quando Marcela terminou o procedimento, ela disse:
— Sua pressão está um pouquinho baixa, Antonella. O que você tem sentido?
Relatei de má fé a médica tudo que eu vinha sentido nos últimos dias, até dos meus seios um pouco inchados e doloridos. Esta parte eu murmurei baixinho, sentindo meu rosto pegar fogo.
Uma vez que acabei, tia Martha tinha um sorriso de orelha a orelha.
— Desde quando você está sentindo esses sintomas?
Ruminei por um instante.
— Bem, desde pouco depois que retornamos do Havaí, há um mês e meio, se não estou enganada.
— Você está no controle de natalidade?
Franzi o cenho, uma tensão espessa nascendo a minha volta, e eu não gostei.
— Eu não estou te acompanhando. O que isso tem a ver?
— Responda — Thor sibilou.
— Eu tomo injeção a cada três meses. A próxima tomarei essa semana ainda.
— Você não pode tomar a injeção, querida. Não mais.
Meus olhos se fizeram em pratos.
— O quê? Por que não posso? — A pergunta saiu num fiapo de voz.
Ela se levantou, ficando ao lado de Gabe, que passou o braço sobre seus ombros, eles sorriram. Thor alternava seu olhar crescido entre ela e eu. O resto da paciência que eu tinha foi para o ralo.
— Então?
— Bem, você não quer prejudicar o quê tem aí dentro, não é?
Meus nervos estalaram tão rápido, que até eu me surpreendi.
— Santo Dio, mulher! Diga logo e, per favore, numa língua que eu entenda! — Exigi, levando-me de súbito. Ela suspirou e o desespero me comeu viva. — Eu vou morrer, não é? — Voltei-me para Thor sem dar tempo dela responder, eu estava grunhindo para ele. — Questo è colpa tua, suo cretino! Eu sabia que não devia procurar um médico, a gente sempre acaba achando mais que o desejado, ma tu non... Você tinha que dar uma de salvador da pátria! Ti odio!
— Ella...
— Ella o caralho! Eu não precisava e nem queria saber que vou morrer tão cedo. Ai, Dio, sono troppo
giovane 72. Isso é tão injusto! Tanta gente velha pra morrer e tem de ser eu a escolhida quando nem vivi direito? Não está certo! — Eu balbuciava feito uma louca, sem me importar com as pessoas que estavam presenciando meu desespero pré-morte.
— Céus! Fique calma, querida. Você não vai morrer — Marcela disse.
Eu parei, focando nela, minhas mãos pregadas no quadril.
— Não? Se não vou morrer que merda eu tenho então?
— Eu sou ginecologista e obstetra, Antonella. Já vi centenas de casos como o seu. Então não se preocupe, sim? Te garanto que em nove meses, você estará de volta ao normal, bem, no seu caso creio que em sete ou sete e meio. Temos de fazer o exame para confirmar.
— Eu gostaria muito que você, por gentileza, começasse a falar a minha língua e de preferência sem código Morse no meio. Isso é possível?
— Perdoe-a, Marcela. Como pode ver, Antonella não anda muito bem.
— Muito pelo contrário, Heithor, ela está muito bem. É comum ela ter esse tipo de comportamento. As mulheres tendem a ser um pouco temperamental quando estão na situação dela.
Podia sentir meu sangue gelando aos poucos, a apreensão atando meu estômago enquanto todos os olhos pareciam estar sobre mim, incluso os de Thor, que permaneceu fitando-me por longos minutos. Várias emoções lampejando em seus olhos. Descrença. Perplexidade. Conhecimento logo felicidade e outras mais que não pude decodificar. Um sorriso iluminou seu rosto. Não um sorriso qualquer, mas aquele que me ofuscava a mente e me fazia sorrir em resposta, mesmo quando brava.
— Está falando sério, Marcela? Como?
Gabe riu.
— Vai me dizer que você, logo você, Thor, não sabe?
— É claro que eu sei, idiota. Mas como isso é possível?
— Ela precisou tomar algum medicamento forte enquanto vocês estavam de viagem?
— Ela pegou uma virose na viagem e o médico receitou antibióticos... — ele continuou relatando enquanto eu batia o pé impaciente, tentando alcançar uma calma que eu não tinha.
— A maioria dos antibióticos por serem muito fortes pode diminuir ou cortar a eficácia do contraceptivo, e pelo jeito fora isso que se ocorreu com ela. — Marcela me olhou e eu congelei estacada no lugar. — Você está grávida, Antonella. Parabéns!
— Come?
— Não posso te falar com cem porcento de certeza agora, porque não fizemos o exame, contudo, com meus anos de experiência eu aposto 99,9 porcento das minhas fichas na gravidez e o outro 0,1 tiramos a limpo amanhã cedo fazendo um exame de sangue.