Dangerous
Capítulo 37
THOR
Maio
Um mês. Apenas trinta dias, que pareciam serem anos, era o tempo que levei longe do meu anjo diabólico. O trabalho na Alemanha tinha tomado mais tempo do que eu supus e, bem, eu tinha deveres que não podiam ser adiados por mais que quisesse.
Enquanto Benjamin dirigia para a mansão, eu pensei na reação dela quando me visse.
Sorri de leve me sentindo mais ansioso.
Verdade seja dia, aquela boquinha suja dela me enervava e excitava, e eu estava mais do que preparado para ouvir seus xingamentos somente para depois ter a chance de amansá-la da maneira que ambos gostávamos. Fodendo-a. Tínhamos um mês de abstinência para compensar.
Passava das sete horas quando entrei na mansão e franzi o cenho para o silêncio, estranhando a falta de ação. Elas não perderiam a oportunidade de fazer qualquer festa sem supervisão e era sexta-feira. Embora Nathan estivesse hospedado em casa, ele não era páreo para aquelas duas loucas. Não obstante, aquele molenga sempre fazia tudo que a tempestuosa da minha irmãzinha queria.
Castellammare, Castellammare... Você também não fica muito atrás dele, camarada.
Alarguei o sorriso sabendo que também era um molenga quando se tratava de Ella, que sabia me dobrar como ninguém quando queria algo de mim. Mas eu procurava ser o mais razoável quanto possível, também não podia ceder a tudo, somente aquilo que eu achava que era bom para ela.
Deixá-la pensar que tinha o controle era bom, evitava-me muitas dores de cabeça.
Meu coração pulsou mais forte e eu comecei a me sentir nervoso. Era ridículo ter essa reação por estar a poucos minutos de vê-la. Porém Antonella me fazia sentir assim, de volta a adolescência.
Quando pisei na sala encontrei Nathan e Pietra entrando na mesma, vindo da área externa.
— Thor! Oh, meu Deus! Nem acredito que você está aqui.
Ela correu para mim e pulou em meu pescoço.
— Isso tudo é porque sentiu minha falta?
— Você é o desnaturado não eu — burlou-se.
Com meu braço ainda a sua volta, puxei-a contra mim e dei um beijo em sua cabeça.
— E aí cara?
Soltei Pietra e abracei Nathan, dando tapinhas em suas costas.
— Tudo certo, Nathan. — Eu disse sucinto, sabendo que ele havia entendido.
Ele assentiu num gesto lento.
— Espero que agora com você em casa, você possa dar um jeito na Amada.
Endureci, contraindo o olhar sobre ela.
— Por quê? O que aconteceu?
— Bem, ela anda meio estranha e com um humor pra lá de sinistro.
— O que quer dizer?
— Ah, Thor, você vai ver com seus próprios olhos.
— Certo, certo... Eu vou subir, tomar um banho e depois vou vê-la. Ela está no quarto?
— Onde mais ela estaria? Aquilo lá virou um santuário agora!
Ignorei o comentário dela e subi para o quarto certo de que se algo grave realmente tivesse acontecido isso já seria de meu conhecimento. Elas deveriam ter discutido ou alguma dessas merdas que as garotas gostam de fazer. E, bem, Pietra era o drama em pessoa.
Tomei uma ducha demorada e fiz a barba, e quando vestido fui ao quarto de Antonella.
Preparado para o esculacho dela, eu entrei sem bater e qual foi minha surpresa.
— Thor!
Estupefato, eu a assisti saltar da cama com um sorriso amplo e correr para mim, se jogando em meus braços. Eu a peguei, mas com a mesma rapidez que ela veio, ela se foi com uma careta.
Franzi o cenho e estiquei a mão para ela.
— Ella?
Era bom demais para ser verdade.
— Per Dio, Thor! Fique onde está agora mesmo — ela ralhou quando dei um passo em sua direção. Certo, certo, primeiro os xingamentos. — Sério Heithor? Se você estava com dó de gastar era só me falar que eu mesma comprava uma loção descente pra você. Não precisava usar uma vencida, cazzo!
Ela estava brava?
— O quê? Cacete, não! Martha não compraria nada vencido, nem eu.
— Eu não tenho muita certeza disso — ela resmungou, franzindo o nariz. — Você está fedendo!
Mas que porra era essa? Nós estávamos mesmo discutindo sobre minha loção?
— Baby, pare com isso. Não está nada vencido, nem fedendo. Você gosta dessa loção... Deixa de besteira e vem aqui neném. Estou morrendo para te beijar.
— De jeito nenhum!
— O que está acontecendo? Pietra disse que você estava estranha. O que foi? Sabe que pode falar qualquer coisa comigo, certo? Tem alguma coisa acontecendo?
Ela empertigou os ombros.
— Niente. Perché?
Eu dei mais um passo à frente e ela retrocedeu outro.
— Como por quê? Você me abraça e depois se afasta dizendo que minha loção está vencida, e ainda pergunta por quê? Escuta, eu estou maluco de saudades e não era esse tratamento que eu esperava receber quando chegasse em casa, — tirando os xingamentos que ainda não vieram.
— Scusa. Mas essa sua loção está vencida.
— Eu vou tomar outro banho — murmurei, sacudindo a cabeça, cético de que isso estava realmente acontecendo.
— E não passe loção — a escutei dizer antes que eu fechasse a porta do quarto.
Entrei no meu quarto sem saber o que pensar sobre a atitude dela e resolvi não pensar em nada, embora checasse minha loção apenas para ter certeza que ela não estava vencida. E não estava.
Ella deve estar naqueles períodos loucos que as mulheres tinham.
Tomei outro banho e desta vez não passei nada exceto desodorante.
Logo em seguida retornei ao quarto. Mal tinha entrado e ela novamente pulou sobre mim, com as pernas trancadas a minha volta. Eu a peguei, cercando-a com meus braços.
Ela me beijou e beijou sem aviso prévio.
Grunhi sobre seus lábios tomando-a com a mesma demanda exigente.
A ausência, o desejo, meu amor por ela... tudo ao mesmo tempo num entrelaçar de línguas, que me voltou duro num instante e maluco para me enterrar fundo na sua buceta.
Seu doce sabor era como uma droga altamente perigosa em meu sistema, em meu controle.
Doce, quente e selvagem.
Toda minha.
Caminhei com ela em meu colo até a cama, porém antes que eu a colocasse contra os lençóis, Ella separou nossos lábios e me fitou com as sobrancelhas juntas. Pensativa.
Endureci o cenho imaginando o que vinha a seguir.
— Não se atreva a dizer que minha loção está vencida, pois eu não a pa...
Ela interrompeu-me colocando um dedo em minha boca enquanto seus olhos marrons me observavam com uma excitação cautelosa e suas bochechas ganhavam um rubor lindo.
— Eu senti a sua falta — ela sussurrou baixinho, abrandando o meu coração com felicidade.
Um malicioso e orgulhoso sorriso brincou em meus lábios. Mordi de leve a ponta de seu dedo delicado e deixei nossos corpos caírem na cama tomando cuidado para que ela não sentisse todo o meu peso.
— Só você? — perguntei rouco, esfregando minha ereção dolorida no meio das suas pernas.
Ela arfou gemendo meu nome de maneira arrastada. E, foda, se isso não me derreteu. Seus dedos se enrolaram em meus cabelos deslizando as unhas em meu couro cabeludo. Eu adorava.
Quando ela continuou me olhando em silêncio, eu insisti:
— Tem certeza que não tem mais ninguém sentindo a minha falta, my little bitch? Porque eu conheço alguém mais que sentiu muito a sua falta, além de mim é claro.
— Ela também sentiu sua falta, — Ella murmurou numa mistura de timidez e safadeza, que somente ela poderia ser capaz de fazer, enquanto mexia o quadril criando um atrito gostoso com o roçar dos nossos sexos. Travei o maxilar e fechei os olhos tentando manter o controle quando minha fome expandiu, deixando-me pronto para consumi-la. Não satisfeita, ela puxou minha cabeça até seus lábios estarem em minha orelha e acrescentou com uma voz fodidamente sexy. — Na verdade, neste exato momento ela está chorando desesperadamente por você.
— Foda-se! Vamos ver o quanto ela está chorando por mim.
* * *
Pietra tinha razão. Antonella estava estranha e eu não sabia bem como agir ante isso.
Os xingamentos previsíveis não vieram e eu ainda estava esperando por eles. Não me levem a mal, não era como se eu não gostasse de não tê-los ouvido, mas isso não era de seu feitio.
E, bem, seu humor estava consideravelmente oscilante. O que pensei ainda ser um efeito da sua TPM. Qualquer homem com o mínimo de amor as bolas sabia que o melhor para a sua sanidade era se manter longe das mulheres e não zangá-las quando elas estavam nesse período. Elas ficavam loucas e descontroladas. E se eu não tomasse cuidado, Antonella iria me enlouquecer junto.
Querendo que ela relaxasse um pouco e que nós passássemos um tempo agradável como um casal, mesmo ela não admitindo ainda que éramos um, eu decidi levá-la para jantar fora.
Eu tinha aposentado meus ternos desde que saí da agencia, não gostava em tudo em usar aquelas roupas formais sufocantes. Preferia um vestuário mais despojado e informal. Porém iria levar Ella em um bom restaurante e a ocasião pedia um vestuário mais elegante.
Coloquei o relógio no pulso e peguei o paletó, e, em seguida, fui para o quarto dela.
— Ella?
— No banheiro.
— A reserva é para as oito, querida — lembrei-a enquanto deixava o paletó sobre o récamier. — E já são sete e meia — acrescentei em advertência.
Caminhei em direção ao banheiro e estaquei na soleira da porta quando meu olhar caiu sobre o contorno sensual de seu corpo de costas para mim. Corri os olhos embasbacados sobre ela.
— Eu já estou terminando. Mais cinco minutinhos e podemos ir — ela ralhou, chamando minha atenção para os seus olhos fitando-me através do espelho.
Maneei a cabeça e encostei o ombro no batente da porta enquanto a observava terminar de se pintar. E, para ser franco, eu não sabia por que ela usava essas baboseiras todas. Antonella era deslumbrante por natureza e eu gostava assim, embora não pudesse negar que apreciava que ela estivesse sendo cuidadosa para sair comigo... para mim.
Ela era tão linda e graciosa, que me roubava o fôlego.
Um vestido preto de alças grossas, com um decote sutil na frente, apenas dando uma insinuação de seus peitos inchados, envolvia seu delicioso corpo até metade das coxas. Saltos vermelhos foda-me brincavam com a minha imaginação, deixando suas incríveis pernas mais esbeltas e femininas, e faziam sua bunda mais arrebitada. Oh, sim, definitivamente, eu a comerei com esses saltos. O cabelo estava solto, como eu gostava, caindo até o meio de suas costas em cascatas volumosas.
Sexy e quente como o inferno.
Apostava que a calcinha era um pedacinho de nada...
Minha boca encheu d'água e meu pau começou a reagir ante a visão pecaminosa.
— Tem certeza que você ainda quer sair para jantar? — Olhei para os seus olhos através do espelho, saindo do meu estado de torpor e por alguns segundos até cogitei a ideia enquanto ela fazia um acréscimo sugestivo. — Nós poderíamos ficar aqui e pedir algo. Acredito que hoje é o dia que Martha sai para jantar com as amigas... Nathan saiu com Pietra. Você sabe. A mansão está vazia.
Sangue correu para a minha virilha com sua insinuação.
Para baixo menino!
Ajeitei meu pau meio duro buscando algum conforto e aprumei minha postura.
— Não me tente — censurei-a em tom sério e me aproximei enquanto ela se virava de frente para mim. — Você está linda. Adorei o vestido e os saltos. Vou comê-la com eles.
Ela enlaçou meu pescoço e ergueu o queixo, com uma dissimulada expressão séria.
— Bem... isso é muito bom, pois se você não tivesse gostado do vestido e dos saltos que escolhi a dedo para sair com você, eu seria obrigada a te dar umas bofetadas por sua deselegância.
Ri entre dentes apertando os braços a sua volta e, em seguida, inclinei a cabeça para baixo roçando o nariz em seu pescoço. Aspirei fundo amando seu perfume, e então, movi a boca para a sua orelha, sabendo que ela iria se arrepiar toda e gemer para mim, enquanto lhe sussurrava.
— Gosto da ideia de ter suas mãos sobre meu corpo, mesmo que seja para me dar tapas de amor e, apesar da ideia me parecer boa pra caralho, nós temos de ir.
Cobri seus lábios com os meus lhe dando um beijo lento e demorado. Quando recuei, ela estava ofegante e eu dando tudo de mim para manter o controle sobre mim mesmo.
Ela inclinou a cabeça para trás e me mirou com aqueles grandes olhos marrons.
— Você está lindo e muito sexy de gravata, se quer saber.
Ofereci-lhe um sorriso indolente.
— Eu sei. Eu sou gostoso, baby.
— E muito modesto. — Ela fez uma careta estranha.
— O que foi?
— Nada. Só uma cólica chata. Eu vou tomar um Advil, e então, podemos ir.
Uma vez que chegamos ao The Little Door, fomos encaminhados até nossa mesa. Pedi a carta de vinhos e, em seguida, o sommelier veio nos atender. Escolhi o vinho, e então, fomos deixados a sós.
— Gosto deste restaurante — Ella comentou distraída, olhando em volta.
— O restaurante é bom, mas é a companhia que realmente me importa — pisquei.
Um rubor sutil cobriu suas bochechas e as covinhas lindas apareceram quando ela sorriu tímida.
— Eu gosto de estar aqui com você — ela murmurou relutante após alguns segundos.
Fiz menção de respondê-la, todavia, me calei ao ver o garçom se aproximar da mesa, ele derramou o vinho nas nossas taças e deixou a garrafa na mesa antes de sair.
Busquei sua mão através da mesa e uni nossos dedos. Meu olhar perpetuado nela.
— Eu gosto que goste de estar aqui comigo, Antonella. Nada me faz mais feliz do que saber que aprecia minha companhia tanto quanto eu faço com você. — Ela me fitou em silêncio, mordendo os lábios em embaraço, e eu acrescentei. — Depois daqui eu quero levá-la a um lugar.
— Um lugar?
Assenti, bebendo um sorvo da minha taça.
— Muito especial, ao menos para mim. Espero que seja para você também.
Curiosidade pintou suas feições.
— Que lugar?
— Depois — informei, pegando o menu.
— Surpresa, eh? Não sei se gosto das suas surpresas.
— Não?
— Você me algemou.
Minha sobrancelha disparou em zombaria.
— E você não gostou?
Ela bebeu um gole de vinho e desceu a taça para a mesa enquanto seus olhos me sondavam.
— Bem, não nego que gostei do resultado, contudo, não gostei de ser algemada.
— Tenho isso anotado — assinalei, sorrindo. — Mas vê? Apesar das algemas, que você mereceu, minhas surpresas não foram ruins. Tenho de ter um ponto sobre isso.
Ela fez uma careta contrariada, porém seus olhos não mentiam, divertidos e concordantes, antes de ela baixar sua atenção para o menu. Eu fiz o mesmo.
Quando nós estivemos prontos o garçom se aproximou.
— Os senhores desejam fazer o pedido agora?
Esperei Antonella escolher enquanto ela mirava o menu lambendo os lábios e parecendo muito indecisa sobre o que pedir, e quando fez, eu quase não pude mascarar meu espanto.
Não me entendam mal, eu gostava de vê-la comer bem e não me importava se comesse muito, no entanto, ela tinha feito um pedido para um batalhão de soldados. Ella não comia assim.
Quando ela terminou com um suspiro muito satisfeito, eu fiz meu pedido.
— Tem certeza que vai aguentar comer tudo isso? — indaguei preocupado após o garçom sair.
Ela iria passar mal se comesse metade de seu pedido, além do que, não gostava de desperdiçar comida quando havia tanta gente passando fome. Antonella parecia não concordar comigo.
Ela sorveu um pouco de água e, em seguida, me fitou franzindo o cenho.
— Não se preocupe. Eu tenho dinheiro e posso pagar o que pedi.
Estiquei-me na cadeira, com a expressão apertada.
— Dinheiro não é a questão, amor. Não ponha palavras em minha boca. Aliás, não quero que pague nada quando estiver comigo — calmamente, eu assinalei em um tom suave e fiz um adendo explicativo. — A minha única preocupação aqui é com você.
— Não sei por que — ela resmungou com indiferença. Estreitei os olhos esperando uma explicação e ela suspirou. — Oras, Thor! Você me trás a um restaurante e espera que eu coma salada? De jeito nenhum! E outra, eu estou com fome e a comida daqui é deliciosa.
Exalei forte e balancei a cabeça, resolvido a deixar isso para lá. Não iria discutir com ela aqui, nem em qualquer lugar. Não hoje. Mudei de assunto e a conversa fluiu dissipando a leve tensão.
Pratos e pratos foram servidos a ela sob minha estupefação camuflada enquanto os olhos dela brilhavam ao olhar para cada uma das refeições. Isso não podia dar certo, pensei.
Atentei-me a minha própria comida e jantamos entre uma conversa e outra.
— O senhor deseja pedir a sobremesa? — a garçonete que tinha nos trazido a comida perguntou solicita quando terminamos de comer.
Procurei pela atenção de Antonella, que tinha a sua sobre a garota, com os olhos apertados.
— Baby, você vai querer sobremesa? — indaguei, duvidando coubesse algo mais em seu corpo.
— Sim. Eu quero uma fatia de Opera — ela disse sem desviar os olhos da garota.
Desviei o olhar dela para a garçonete.
— Vamos querer uma fatia desta, aliás, traga duas e um café puro, por favor.
Ela assentiu sorrindo e saiu enquanto Ella lhe dava uma olhada feia e, em seguida, ela dirigiu esse mesmo olhar para mim. Enruguei o cenho e inclinei a cabeça para o lado.
— O quê?
— Niente.
— Diga — ordenei.
— Eu já disse.
Relevei sua mal criação mais uma vez e retornamos a mais uns minutos de paz, que durou até que a garota retornou após a sobremesa, querendo saber se desejávamos algo mais.
E foi então que a merda começou.
— Creio que em seu contrato não havia nenhuma clausura exigindo que você desse em cima dos clientes. Ou estou enganada? — Ella inquiriu com frieza e desprezo de repente, atraindo a atenção da garota, que a fitou com os olhos esbugalhados e a face lívida. E a minha, que a olhei surpreso.
— Antonella...
— Eu sou rica, querida, e com as influências que tenho posso fazer com que você seja despedida em poucos minutos, antes até que respire o mesmo ar que eu. Precisa desse emprego e do mísero salário que ganha aqui, certo? Pela cara deve ser uma pobretona esfomeada. Tem certeza que quer perder a miséria que ganha por não saber em cima de quem você dá? Mas, felizmente, para você eu vou te mandar para o único lugar a qual você pertence, a rua, que é da onde você nunca deveria ter saído. Acho que com essa sua cara você pode conseguir... O quê? Uns 30 dólares a hora? Ou talvez menos? Definitivamente, menos. Não creio que seu rabo valha muito mais que cinco dólares. Assim você pode dar em cima de quem quiser e ainda ganhar uns trocadinhos.
Dizer que eu estava puto da vida era um eufemismo. A garota tinha os olhos cheios d'água e o lábio tremendo, imóvel e calada, enquanto Antonella a fitava daquele jeito esnobe que eu odiava.
— Algum problema? — um homem perguntou se aproximando ao lado da pobre garota. O crachá discreto em seu paletó dizia que ele era o gerente.
Antonella abriu a boca, porém eu a cortei antes que ela falasse mais merda.
— Está tudo bem...
— Não está nada bem — Antonella grunhiu, apesar do meu olhar de advertência para que ela se calasse. — Essa desclassificada que o senhor admitiu não passa de uma puta, que não sabe o seu lugar e confunde um ambiente familiar com as esquinas que ela está acostumada a lidar. O senhor deveria escolher melhor seus funcionários. Um restaurante com uma boa reputação como o seu, não deveria contratar vadias. Espero que seja sensato e despeça essa mulherzinha, antes que a reputação desse maravilhoso restaurante caia na sarjeta, porque para ser honesta eu não tenho certeza se quero voltar aqui, nem que meus amigos irão querer enquanto mantiver esse tipo de funcionário. A propósito, tenho certeza que os fieis clientes do seu restaurante não ficarão nem um pouco satisfeitos, principalmente, em saber que o ambiente familiar se tornou um bordel barato, onde somos servidos por vadias desqualificadas e obrigados a lidar com elas.
Porra, eu queria pegá-la pelos cabelos e lhe dar uma boa surra até que ela aprendesse a ser gente.
— Minhas sinceras desculpas senhorita, em meu nome e do restaurante. Este problema será resolvido imediatamente — o gerente disse, gesticulando com a cabeça para que a garota saísse quase em prantos. — Minhas mais honestas desculpas. Isto não irá se repetir. Senhor... Senhorita.
— Espere um momento...
— Ryan, John Ryan — ele ofereceu.
— Certo... Senhor Ryan. Primeiro, sou eu quem lhe pede desculpas pela indelicadeza e falta de educação da minha adorável acompanhante. — Mirei Antonella com um olhar severo e ela me fuzilou em resposta. — Aguarde-me lá fora. Agora — sibilei baixo em tom plano para não chamar atenção indevida das mesas ao lado. Antonella se levantou e saiu a passos duros. Olhei para o homem. — Sente-se, por favor, senhor Ryan.
Esperei ele se sentar então falei:
— Peço-lhe que não despeça a pobre moça. Minha acompanhante ainda é muito jovem e às vezes não sabe o que diz, nem mede as palavras.
— Entendo senhor...
— Castellammare.
— Senhor Castellammare, eu realmente aprecio sua atenção, mas não posso permitir que algo assim volte a acontecer, sendo ela certa ou não. Nosso restaurante tem um nome a zelar.
— Garanto-lhe que o nome do seu restaurante assim como sua reputação se manterá intacta. A garota se comportou muito bem e não fez nada de errado. Tenho certeza que o senhor será sensato e manterá o emprego dela — passei-lhe discretamente um chumaço de notas, que carregava comigo no caso de emergência, só não esperava usar isso pelas merdas de Antonella.
— Não é necessário Senhor...
— Sim, é. Isso é pela chateação desnecessária que minha acompanhante causou.
Ele pegou o dinheiro mal escondendo a felicidade.
— Eu manterei o emprego dela... Não, por favor, é por conta da casa — ele se alarmou quando me levantei colocando algumas notas de cem sobre a mesa.
Dei-lhe um aceno de cabeça.
— Boa noite senhor Ryan.
Deixei as notas lá e saí, encontrando Antonella na calçada ao lado da cabine do valet, com os braços cruzados sobre o peito e a cara amarrada. Ela não disse uma só palavra quando me aproximei, e eu agradeci que ela não o fizesse, pois estava puto demais com ela. Entreguei o cartão para que o manobrista pegasse o carro e em silêncio ao seu lado esperei que o carro viesse.
A noite tinha acabado e não havia mais clima para que eu tentasse salvar qualquer merda, não quando Antonella insistia em agir como uma fodida patricinha sem coração.
O silêncio se perdurou todo o caminho até a mansão enquanto ela encenava a princesa de gelo injustiçada. O que apenas me fez mais irritadiço. Logo que chegamos, ela desceu do carro sem ao menos olhar na minha cara e subiu para o quarto. Isso me enfureceu de tal maneira, que não pude conter o impulso de ir atrás dela e exigir uma explicação sua.
— O que está acontecendo com você? — indaguei assim que entrei no seu quarto, recebendo um olhar enervado dela, que em seguida deu-me as costas e me ignorou, tirando os saltos. Parei ao seu lado de imediato e a virei de frente para mim, obrigando-a me encarar. — Não vire as costas para mim, porra! O que deu em você garota? Por que tem que tratar as pessoas daquela maneira?
— Por que você não pergunta para aquela putinha que estava esfregando os peitos na sua cara?
— Você tem de estar brincando comigo, Antonella! Como pode ser tão absurda? Ferrou nossa noite a troco de nada. A garota não fez nada além do seu trabalho. Você não deveria tê-la insultado daquela maneira. Nem a ela, nem a ninguém. É baixo e sujo.
— Claro que é! Mas sabe o que é mais engraçado nessa merda toda? — Seu dedo magro cutucou meu peito. — É que se fosse eu no seu lugar, você estaria comendo o meu fígado.
— Não diga sandice. A garota não mereceu que você a tratasse como lixo, ela só estava fazendo o trabalho dela, mas você parece ter a necessidade de humilhar alguém para se sentir a tal. Isso faz parte de você. Sabe que é errado e mesmo assim faz. Nem um cachorro merecia o tratamento que você deu aquela garota, sabe disso. Ela não é como você, uma merda de patricinha cheia da grana, que não tem que se preocupar com a porra de dinheiro. Ela pode ter uma família que depende dela e poderia ter perdido o emprego por uma futilidade tua.
— Bem feito para ela! Porque, como eu disse, ela está no emprego errado, deveria estar em um bordel ou algumas dessas esquinas ao invés de um restaurante de classe.
— Deus! Como eu fui me apaixonar por você?
— Eu não pedi a porra do seu amor, Castellammare! — ela rosnou com escárnio e acrescentou friamente. — E se está tão preocupado com a vadia, volte lá e a console.
— Você está descontrolada — mordi, recuando enquanto gesticulava com as mãos. — Eu não tenho paciência para isso. Quando decidir se comportar como gente, nós conversaremos.
Ela me olhou com ódio e, em seguida, fez uma careta estranha antes de correr para o banheiro com a mão em cima da boca. Minha própria cólera diminuiu cedendo lugar para a preocupação quando a segui, encontrando-a agachada no chão abraçando o vaso sanitário enquanto vomitava com violência. Rapidamente me coloquei ao seu lado.
— Saí daqui — ela disse quase que num grunhido quando segurei seu cabelo no alto. — Eu... eu disse pra você sair — acrescentou, antes de voltar a regurgitar.
— Não vou a lugar nenhum — declarei enérgico.
Ella continuou vindo com o corpo todo tenso e minha preocupação aumentou.
— Eu disse para você não comer tanto, baby.
Ela tirou a minha mão do seu cabelo e se levantou, fechando a tampa do vaso e deu descarga. Em seguida, se sentou sobre a tampa fechada e colocou o rosto entre as mãos.
Esperei-a se recompor puxando profundas respirações.
— O que está se passando?
Ella endureceu e se afastou do meu toque quando coloquei a mão em seu ombro.
— Nada que seja da sua conta. E, se me der licença, eu quero tomar banho e dormir.
Não queria deixá-la, mas ocorreu-me que não adiantava insistir enquanto ela estivesse zangada e, cacete, ouvi-la falar comigo com tanta secura e indiferença reanimou minha própria cólera.
Deixei-a e segui para o meu quarto. Tirei o paletó e afrouxei a gravata enquanto tentava achar uma explicação plausível para o seu comportamento. E sabe o quê? Não achei qualquer uma.
O ciúme dela para mim era claro e, apesar do meu coração estar alegre, eu não podia permitir que Ella humilhasse quem ela bem entendesse. Antonella precisava crescer. Mas aí está, havia coisas que somente o tempo ensinaria a ela. E o que eu podia ensinar, bem, ela não era minha melhor ouvinte.
Entrei no banheiro e usei o vaso antes de ir para o chuveiro.
Quando retornei ao quarto, meu olhar pousou na porta. A tentação de ir atrás dela quase grande demais, todavia, recusei a me rebaixar. Ela me devia desculpas, não o contrário.
Decidido a não dar corda para aquela parte mole minha, que sempre cedia aos caprichos dela, eu vesti uma cueca e me deitei. Mesmo cansado e querendo dormir, eu não tinha sono. Sabia em parte que isso se devia a ausência dela do meu lado. Tinha me acostumado com seu corpo menor junto ao meu, ela era meu sonífero, mas não iria ceder. Desta vez, ela teria de vir se quisesse estar comigo.
Eu não estava fugindo. Antonella sabia onde me encontrar.
Sonha Castellammare!
Apaguei a luz do abajur e obriguei-me a permanecer na cama até que estive quase cochilando, e foi quando ouvi a porta se fechar logo um corpo quente entrar sob os lençóis, mãos delicadas me tocaram. Meu corpo se esticou, os músculos endurecendo debaixo da minha pele enquanto meu coração corria mais forte, como um fodido adolescente. O perfume dela me relaxou, no entanto, eu não me movi. Ela se dobrou sobre mim, com a boca próxima ao meu ouvido.
— Perdonami, Thor. Eu... eu não deveria ter dito aquelas coisas... Eu sinto muito.
— Por que pede desculpas se sempre volta a fazer a mesma merda na primeira oportunidade que tem? Temos de convir, baby, a gente só pede desculpas por aquilo do qual nos arrependemos de fazer e não temos a intenção verdadeira de repetir o erro, mas você não. Você pede e torna a repetir o mesmo erro. Outra e outra vez. É como se apenas estivesse seguindo uma regra de etiqueta, porém não pratica o sentido real por detrás do pedido. Não pode ser assim, Antonella.
— Mas ela estava dando em cima de você e você não fez nada.
Evitei sorrir, porque, embora me sentisse satisfeito por seus ciúmes, ela estava errada.
— E você queria que eu fizesse o quê? Que enchesse a mulher de porrada? E outra Ella, eu não fiz nada. Estava jantando com você, não com ela, e mesmo se ela estivesse esfregando os peitos na minha cara, como você diz e não aconteceu, em momento algum eu sequer olhei para ela. Você sabe que eu odeio essas ceninhas, mas parece não se importar com o que eu gosto ou não.
Ela se moveu, sustentando a cabeça na mão e seus dedos brincaram em meu peito.
— Isso não é verdade.
— É, e você sabe bem disso. Já pensou se eu fosse dar show toda hora que um cara olha para você te comendo com os olhos? Não iria sobrar um vivo, Antonella. Não nego que fico feliz por saber que você sente ciúmes de mim, contudo...
— E quem disse que eu estava com ciúmes?
Passei a mão no rosto correndo-a para o cabelo e a mirei sério.
— Certo, certo. Se não estava, aquilo foi o quê?
— O q-quê? Eu não sei... Quero dizer, eu não gosto de ser feita de trouxa.
— Tudo bem — murmurei quando ela pareceu querer tagarelar sobre isso e eu sabia que, se ela fizesse, uma coisa era certa, nós iríamos brigar. — Eu não quero mais falar sobre isso.
— Você não vai me desculpar, não é?
— Eu sempre desculpo por mais errada que você esteja.
— E porque você veio pra cá?
— Porque este é meu quarto, além do que, você me expulsou do seu, recorda-se?
Sem prévio aviso ela esmagou sua boca na minha e me beijou insistente, demandando e tomando, provocando meu corpo a reagir enquanto ela montava em mim. A princípio, eu não me mexi surpreso com sua ação, mas um momento depois eu respondi, beijando-a com igual fome.
Minhas mãos agarraram seu quadril, apertando-a sobre mim ao mesmo tempo em que pressionava meu quadril para cima, sentindo meu pênis engrossar contra a buceta dela.
— Não fica bravo... Eu não gosto de ficar assim com você — ela arfou sussurrante em cima dos meus lábios quando parou de me beijar.
— Você ainda vai me deixar louco, garota — constatei zangado.
Senti seu sorriso na minha boca e dei tudo de mim para não sorrir de volta.
— E questo è buono?
— Não. Isso é péssimo — resmunguei, jogando-a na cama e cobrindo seu corpo com o meu, beijei sua boca até que nossos pulmões implorassem por ar. Então a deixei pousando as costas contra o colchão, odiando a minha vulnerabilidade a ela.
— V-você não...
— Vamos dormir.
— Ma...
— Mas nada — grunhi áspero enquanto ajeitava meu pau muito duro sob a cueca. — Isso é para você deixar de ser tão prepotente e egoísta.
— Você não está falando sério — ela refutou, correndo a mão por minha barriga até alcançar meu pau. Eu travei o maxilar e respirei fundo. — Você quer e eu também quero.
— Vamos dormir.
Ela se ergueu.
— Está negando fogo? Eu não acredito nisso. Tomou aulas com mulherzinhas, foi? Porque você tá parecendo uma fazendo doce, sabia? E sabe do que mais? Pau preguiçoso não merece buceta dedicada.
Não pude deter minha risada alta.
— Pau preguiçoso, uh? Neném, se meu pau ficar mais preguiçoso, acredito que seremos o primeiro casal no mundo a morrer por fazer sexo — murmurei divertido e, em seguida, segurei sua mão enquanto fazia um adendo. — Isso é castigo por você ser malcriada.
— Não brinca! Você está me castigando? — E acrescentou maliciosa, com o sorriso safado contornando sua voz. — Você pode me castigar com ele. Me dar umas pauladas?
— Você não merece ser fodida depois do que fez.
— E você vai ficar muito tempo sem merecer isso — sua mão puxou a minha até o centro de suas pernas. Nua, lisa e molhada —, se continuar com o doce.
Um grunhido animalesco nasceu em meu peito e, no outro instante, eu me livrei da cueca e montei seu corpo, a ponta do meu pau acertou sua entrada úmida e eu empurrei dentro, entrando um pouco. Ela gemeu, flexionando ao meu redor. Eu apertei os dentes lutando contra o impulso de enfiar mais.
— Bruxa! Você é uma garota má. Sabe o que garotas más como você merecem?
— N-não.
— Uma foda dura sem sentido e umas boas palmadas no traseiro para aprender a se comportar direitinho e obedecer a seu macho quando ele fala — eu disse num tom diabólico, tendo o prazer de vê-la suspirar pesadamente enquanto sentia suas pernas me rodear.
— Oh, sì! Eu fui má, Thor, muito má... Faça-o Thor... Pode me açoitar que eu mereço. Mas primeiro, me foda sem sentido.
— Eu farei, diaba, e não terei nenhuma compaixão.