Dangerous

Daya Engler · Capítulo 8 de 45

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Dangerous

Capítulo 08

 

Semanas depois

Minha rotina tinha mudado novamente, com a diferença de que desta vez a mudança veio com algumas vantagens, mas a linha que separava o agradável do desagradável era muito tênue.

Thor passou a dormir todas as noites em meu quarto, quero dizer, dormir era a última coisa que fazíamos. Sono era algo que apenas nos lembrávamos quando caíamos esgotados e suarentos. Ele e eu também tínhamos feito os exames na clínica para que pudéssemos foder sem preocupação.

Eu não queria isso. Thor era o meu carrasco, quero dizer, isso fazia da minha atração por ele antinatural, não? Contudo, eu tinha lhe dado a minha palavra de que faria o que ele quisesse naquela manhã seguinte que Pietra atrapalhou nossa foda e eu tive de escondê-lo. E, bem, ele quis a mim.

Eu não estava reclamando, para ser honesta.

Despertar com ele tinha se provado ser algo totalmente novo, estranho e divertido até quando por vezes Pietra quase nos pegou no flagra, e devido a isso Thor conhecia bem o meu closet. O que me trouxe algumas dores de cabeça, pois o maledetto queria jogar fora um monte de roupas minhas e, de fato, até chegou a fazê-lo. Isso rendeu uma briga feia e eu o deixei de castigo por um dia. Foi idiota, porque eu também acabei me punindo. Mas ele não podia chegar e simplesmente jogar minhas coisas fora. No fim,

fizemos as pazes e ele me liberou seu cartão, que eu usei na Rodeo Drive37 sem piedade e sem culpa.

O tipo irritava o inferno dentro de mim; excitava outro.

Thor e eu, na realidade, tínhamos sido tesão à primeira vista.

Ele era sexy, avassalador e sabia disso, pior, era consciente do quanto o seu jeito todo mandão e ordinário de ser me enfeitiçava nas duas extremidades opostas.

Ele e eu não tínhamos uma relação, senão um acordo. Sexo. Um sexo espetacular.

Ele era meu segredo sujo.

Bem, eu poderia estar indo contra todas as minhas regras ao ceder a ele, porém também tinha aprendido a tirar vantagens de nossa atração. Se eu quisesse algo dele, eu só conseguiria na cama enquanto fodíamos. Um bom molejo de quadril podia até mesmo dobrar um homem mandão como Thor. Era uma tática boa. Com isso consegui me livrar do motorista, dos seguranças (em partes) e da vagabunda disfarçada de empregada. Já as saídas seguiam monitoradas, porque o senhor-fodão-pica-das-galáxias se achava no direito de nos controlar. Porém, eu não iria desistir tão fácil, sabia que aquele era um trabalho que deveria ser feito aos poucos, bem lentamente.

Pietra tinha muito a me agradecer. Talvez devesse usar isso a meu favor quando jogasse a merda no ventilador, pensei. Afinal de contas, graças a mim os seus encontros com Nathan fora da mansão se tornaram mais fáceis quando ele cedeu à tentação.

Norah era outra coisa. Ela não estava na mansão todos os dias, mas quando estava, ela se trancava com o puto por horas. O que eles faziam, só Dio sabia, se bem que não era difícil imaginar o jogo que eles jogavam a portas fechadas. Isso não me incomodou de início, porém na terceira vez, comecei a me chatear. Não era ciúmes, não mesmo! Mas eu não estava indo ser trouxa de ninguém. Se ele queria um harém, eu também tinha direito ao meu próprio. Thor logo saberia disso.

Pietra e eu decidimos reinaugurar nossas reuniões sociais na mansão no sábado, com uma festinha simples. Obviamente, o ditador não apreciou a ideia, mas trato era trato.

Martha tinha saído para o mercado com a nova empregada, Lupe, uma senhora minúscula e muito agradável. Pietra tinha dado seu perdido usual com Nathan, com a desculpa de ter de acertar os valores com o fornecedor do champanhe, que seria servido à noite.

Heithor?

Deste ordinário eu não tinha notícias desde que acordei.

Deitada no sofá, eu acomodei os tornozelos sobre o respaldo e abri meu livro, A Divina Comédia38, e comecei a ler o segundo canto de Inferno. Uma inspiração do caralho para o meu próprio canto. Um sorriso diabólico curvou meus lábios com as possibilidades.

— Você é uma diaba provocadora mesmo.

A voz grossa vibrou ao meu redor páginas mais tarde.

Abaixei o livro e plantei meu olhar severo na sua cara de pau.

— Onde você estava?

A sobrancelha dele disparou para cima, espanto e diversão brincando em sua cara por meu tom irritado então ele se aproximou e, em seguida, se sentou, puxando meus pés para o seu colo.

— Bem aqui — respondeu tranquilo.

Eu tentei inutilmente deter meu risinho irritado.

— Qual a piada?

— Você acha que eu sou idiota? Você estava com aquela vadia oxigenada, imbecil!

Ele não se alterou ante minha explosão e começou a massagear meus pés. Um sorriso leve curvava as esquinas de seus lábios. Lentamente, eu respirei profundo, controlando a onda súbita de raiva chiando dentro de mim. O sentimento de injustiça dificultou meu trabalho, no entanto.

— Ciumenta?

— Em seus sonhos.

— Então, por que está estressada?

— Eu não estou estressada. Só não gosto de ser feita de idiota.

— E eu estou fazendo isso com você?

— O que você acha, oh, grande gênio? É óbvio que sim! Se eu tenho que ficar presa a você, porque você acha que deve controlar o mundo...

— Eu não a obrigo a ficar presa a mim, Ella. Talvez eu esteja sendo um pouco protetor com você, mas não disse que você não pode sair. Você sabe as regras.

— Opressor, você quer dizer?

Ele deu os ombros.

— É uma maneira de ver as coisas. Mas não pode me culpar por cuidar de você, além do quê, é como eu disse. Você não é proibida de sair, temos regras, e desde que cumpra a sua parte, você é livre para ir aonde queira. Obviamente, não aos lugares que te colocam em risco.

— Você é um cretino, sabe disso, não?

Seu sorriso alargou.

— Como poderia quando você se mostra tão determinada a não me deixar esquecer esses apelidinhos carinhosos que me dá?

— Da mesma forma que você se mostra tão digno de recebê-los, não é assim?

Ele ficou em silêncio por um longo tempo, sua expressão era severa enquanto me olhava.

— Por que estamos discutindo?

— Quer que comece a listar? Pode levar a tarde toda, se não o dia inteiro e ainda assim eu não terei terminado. — Pausei, tragando uma lufada de ar e acrescentei direta. — Não acho justo que eu tenha de ficar presa aqui... Presa, sim. Porque você sempre dá um jeito para eu não dar um passo sem que você esteja por perto enquanto você desfila por aí com a puttana oxigenada.

— Neném, você tem uma imaginação incrível — disse risonho, mas ficou sério quando percebeu que eu não estava achando graça alguma. — Eu realmente não sei por que você está tão irritada comigo. Estive aqui o tempo todo, na sala de estudos. Sozinho. Então tire essa ideia boba de eu estar com Norah e, por favor, não fale assim dela.

— Está defendendo ela?

— Só estou dizendo que ela não merece ser tratada desta maneira depreciativa.

— Realmente. Ela não deve, mas você sim. Ela é uma porca troia por ficar farejando em torno de você feito uma cadela no cio, e você é um babaca garanhão que não pode manter suas calças fechadas. Ou seja, são farinha do mesmo saco.

— Isso tudo porque você acha que estou mentindo para você e estava com Norah?

— Isso é porque você está fodendo ela — corrigi ácida.

— Eu não estou comendo ela.

— Quer saber? Non m’importa. Você pode comer ela e quantas mais você quiser. — Algo em mim, muito distante e fraco, protestou. Levantei-me e fixei o olhar irado em seu rosto. — E sabe o quê mais? Esta é uma via de mão dupla. Preste bem atenção, Heithor, eu não gosto de ser usada e gosto menos ainda de ser feita de estúpida. Tenha isso em mente.

Aprumei meus ombros com todo orgulho que possuía e avancei pronta para fazer minha saída triunfal, e deixá-lo lá, com a sua cara de azedume. Entretanto, o homem gostava de me irritar, pegando-me quando passei por ele. Suas mãos eram como aço em meu quadril. Ele me virou e puxou com um movimento firme. Eu caí em seu colo, sentada de frente para ele.

— Me solta, seu babaca! — grunhi com a voz elevada, debatendo-me contra ele.

— Você não vai a lugar algum, Antonella.

— O diabo que não vou!

— Basta de birra — ele ordenou, agressivamente.

Uma fração de segundo depois meu punho esquerdo fez contato com a sua testa.

— Mas que droga! — Thor segurou ambos os meus pulsos e me subjugou com a sua força, prendendo meus braços atrás das minhas costas. — Se parar de dar esses golpes violentos na minha cabeça acho que poderemos esclarecer essa baboseira toda!

— Me solta.

— Nem pensar. Temos de conversar, e acho que vamos fazer isso com mais facilidade se meu cérebro permanecer intacto. — Sua voz abaixou para um tom de censura leve. Sua cabeça sacudiu ligeiramente e seu olhar cerrou sobre o meu, espantado e com um quê de diversão. — Para uma garota, você tem a porra de um bom soco, neném. Aonde aprendeu a socar assim?

— Eu faço Kickboxing. E se não me soltar vai ver que não é somente meu soco que é bom.

Eu me contorci novamente, mas ele não cedeu. Bufei e fiquei imóvel ao perceber que eu não sairia de lá até que ele permitisse. Por uma fração de um segundo eu pensei que estava sendo histérica sem razão, mas em outra fração percebi que eu tinha toda a razão de estar irritada com ele.

— Por que não para com essa birrinha e se comporta?

— Me comportar? Me comportar! Quer dizer que além de tentar ser conivente a sua manipulação, eu também devo ser conivente a ser usada? E não diga que eu estou pirando. Aquela puttana não estaria cercando o homem de outra se você não desse motivo a ela, cacete!

— Hum... Então eu tenho dona? E quem seria ela?

Eu travei no mesmo instante, dando-me conta do equivoco das minhas palavras. O calor da raiva enrubescendo meu rosto foi substituído pelo embaraço.

— Eu não quis dizer isso.

Ele suspirou.

— Escute, eu não posso permitir que você continue se arriscando por pura irresponsabilidade e com isso Martha levar a culpa. Sua família não se importará se você é a rebelde, senão que você estava sob os cuidados dela, se algo de ruim acontecer a você. Acha que é justo ela ser julgada por uma merda sua? — Eu não respondi. Ele assentiu e prosseguiu. — Não sei como chegou à conclusão de que estou te usando, mas isso não está acontecendo. Nós dois apreciamos nosso tempo junto, temos uma química do caralho, amo estar dentro do seu corpo, e você gosta também. Nunca te forcei e, por Deus, que nunca precisei forçar mulher alguma a me aceitar em sua cama. Persuadir você? Sim, eu fiz. Mas não é crime lutar por uma garota que eu desejo e me deseja por igual.

— Solte meus pulsos. Está me machucando.

— Vai tentar me bater de novo?

— Eu não tentei, bati. Mas não, não vou bater em sua grande cabeça. — E acrescentei. — É provável que piore ao invés de melhorar então não precisa ter medo.

— Se tentar me bater de novo, vou te colocar sobre os meus joelhos e deixar esse seu traseiro bonito num tom de vermelho de dar inveja ao tomate.

— Você não acabou de ameaçar me bater, não é?

— Sim, eu fiz.

Um arrepio atravessou a minha coluna. Não medo; excitação. Eu tinha aprendido que o cretino honrava sua palavra e sabia também que ele não me machucaria. Suas picadas sempre me causavam prazer. Ele afrouxou, mas não soltou meus pulsos de imediato, massageando-os.

— Eu não estou comendo Norah, juro a você.

O protesto brilhou em meus olhos, porém antes que chegasse aos meus lábios sua boca se apertou contra a minha. Eu apertei as mãos contra seus ombros, tentando afastá-lo, porém ele não cedeu, beijando-me com maior fervor. Sua língua deslizava sobre a comissura de meus lábios, empurrando, persuadindo-me a abrir a boca. Gemendo contra seus lábios, eu cedi respondendo ao beijo com entusiasmo. E minhas mãos que antes tentava inutilmente afastá-lo, agora, eram desesperadas sobre ele. Essa era nossa química, forte e irrecusável.

— E se interessa saber, eu não me importaria nenhum pouco se você fosse a minha dona, Antonella, — disse ele, com a voz enrouquecida ao pé da minha orelha quando parou o beijo.

Meu coração saltou, e eu levantei a cabeça mirando a sua face num misto de confusão e espanto. Ele piscou para mim, com aquele sorriso bobo que me hipnotizava.

— Eu preciso resolver algo — murmurei quase sussurrando.

Joguei o olhar para longe do seu rosto e tentei sair do seu colo. Ele não me permitiu ir. Seus dedos tocaram meu queixo, obrigando-me a fitá-lo. Não havia mais vestígios de diversão em sua face, ele estava sério assim como os seus olhos. E eu muito encabulada.

— Eu realmente gosto de você, Ella. E seria muito bom se você sentisse o mesmo.

Pisquei várias vezes.

— Io... io...

As palavras sumiram da minha mente. Afinal, o que eu falaria?

— Não precisa dizer nada, querida. — Ele suavizou para mim. — E não se preocupe com qualquer outra mulher. Não sei como faz o que faz, mas arruinou-me para as outras.