Dangerous
Capítulo 21
THOR
Ela é diferente.
Com a mão sob minha cabeça, eu reduzi o olhar sobre o rosto relaxado do meu anjo diabólico e não pude ajudar a mim mesmo quando o sorriso repuxou meus lábios a ponto de dor.
Ela tinha a mão espalmada entre a bochecha e o travesseiro. Seu cabelo estava amontoado no alto da cabeça e algumas mechas caiam para o lado, os lábios entreabertos. Pele clara e cremosa.
Fitei-a com atenção, memorizando cada detalhe dela.
Antonella era naturalmente linda e sensual.
Tão bela, que me doía o coração olhá-la.
Eu tinha todo esse orgulho e arrogância expandindo meu peito por tê-la na minha cama. Isso era tão tolo e juvenil. Mas, como disse anteriormente, eu não podia ajudar a mim mesmo. Nem queria.
Somente ela. No meu lugar. Na minha cama. Em meus braços.
Eu tinha sentido tanta a falta dela, mais até do que eu supus ser normal e aceitável para a minha sanidade, e agora, eu simplesmente não podia me sentir menos orgulhoso. Era um sentimento que beirava o primitivo. Louco e incontrolável, mas que me fazia um bem do caralho.
Peguei um punhado daquelas pontas douradas e inspirei isso, enchendo os pulmões com o cheiro inebriante dela. Adorando o aroma de frutas. Meu pau reagiu, porém ignorei. Não queria atrapalhar seu sono, embora soubesse que ela não se negaria a mim. Isso era uma das coisas que me enlouqueciam nela. Sua disposição em me receber, mesmo quando esgotada. Ela era fiel ao nosso desejo.
Exalei fundo em uma reprimenda irônica comigo mesmo.
Tudo nesta garota rebelde me endoidava.
Ella de um jeito ou de outro sempre me atraía a ela.
Verdade seja dita, eu tinha sido ingênuo quando acreditei que ela não poderia mexer com a minha cabeça mais do que já havia feito. Como eu estava enganado! Se com aquele jeitinho nariz-em-pé dela, ela me derrubava, quando a vi de baixa guarda então ferrou de vez.
Ella, doce e entregue, era um TKO na minha defesa. Completamente na lona. Qualquer coisa que ela me pedisse seria dela no outro instante. Talvez o fato de eu me sentir um pouco culpado pelo atentado contra ela tivesse algum peso relevante sobre isso. Entretanto, era mais que isso...
Ella tinha encarado tudo muito bem. E, para ser honesto, eu não sabia bem se ficava feliz por ela parecer não se dar conta do real perigo cercando-a por estar envolvida comigo. Ou bravo.
Mas uma coisa era certa, ninguém poderia ser mais perigoso para mim — mesmo os caras ruins que eu tinha de lidar em meu trabalho — do que essa garota nua dormindo em minha cama.
Perigosa e gostosa pra caralho. Eu gostava disso. Eu gostava da combinação... Dela.
Inclinei-me dando um beijo em sua têmpora e saí da cama indo para o banheiro. Ainda era muito cedo, mas meu dia seria cheio. Tomei meu momento no chuveiro apenas deixando a água gelada soltar meus músculos. Logo que estive fora, escovei os dentes, fiz a barba e penteei o cabelo.
Quando retornei ao quarto, Ella ainda dormia profundamente enquanto o sombreado da manhã se derramava dentro do quarto silencioso. Ela tinha mudado de posição, agarrando o travesseiro e dobrando a perna esquerda. O que deixou seu traseiro encoberto por minha cueca, empinado.
Olhando para sua figura, eu tive de concordar com Norah quando a mesma me disse meses atrás que Ella era diferente das outras que tive. Eu só não sabia exatamente o que a tornava tão especial, porque sim, ela era especial, de alguma maneira que eu ainda não entendia. Talvez fosse por causa da desordem que ela me deixou ou por ela tentar me rejeitar — coisa que nunca antes tinha ocorrido, mulheres não me dispensavam, senão o contrário —, mesmo seu desejo por mim sendo indiscutível.
Cacete, eu estava mais que surpreso por estar fissurado numa menina que mal tinha saído das fraldas e agia como uma inconsequente. Mas aqui estava o fodido negócio, meninas não me atraíam. As mulheres que levei pra cama eram todas acima de 24 anos. Até Ella bater sobre mim.
Era irônico que até mesmo Pietra tivesse me alertado sobre ela antes de eu pousar em Malibu.
Mas, porra, como eu iria adivinhar que sua comparsa-de-crimes pudesse me despertar o interesse?
Uma coisa era vê-la por uma foto, uma menina magricela, onde ela tinha apenas 14 anos, uma imagem congelada sem cheiro, sabor e movimento, que na época não dei importância. Outra era o ao vivo.
Então você vê, aqui estava eu de joelhos por essa garota mimada.
Ella tinha o frescor da juventude. Não que eu pudesse ser considerado um velho aos 30 anos, porém estava bem consciente da nossa diferença de idade. Doze anos. Era uma pancada, que preferi não analisar. Ela já me dava muito para trabalhar e, bem, não era como se eu fosse me casar com ela.
Franzi o cenho e a deixei dormindo quando fui até o armário. Agarrei uma cueca e um jeans. Em seguida, dirigi para a cozinha e deixei a cafeteira preparando o café enquanto fazia algumas ligações.
Uma vez que estive com uma caneca de café nas mãos, eu recordei da nossa conversa na noite anterior e endureci com a lembrança. Era uma boa coisa que Rocco Vicenti estivesse longe, porque a vontade que eu tinha de bater a merda fora dele me contorcia as vísceras.
Ele tinha sido sujo e desumano.
Antonella tinha tentado demonstrar frieza e indiferença, apesar das lágrimas, e, Deus sabe que, me cortou o coração ver cada gota que escorreu pelo seu rosto e sua dor camuflada. Era evidente para mim que o episódio lamentável ainda a atormentava. Mais do que ela tentava demonstrar.
Até que ponto isso interferia em sua vida?
Ela tinha criado em torno de si uma barreira quase impenetrável. Se devido a isso ou não, eu ainda não sabia, mas estava disposto a descobrir o enigma que ela representava para mim.
Seja como for, não era de se estranhar o porquê dela levar uma vida desregrada. Não que isso fosse desculpa suficiente para as loucuras delas, todavia, é como dizem, quem nunca comeu melado quando come se lambuza. E, apesar de tudo, eu não podia negar que fiquei feliz por ela se abrir para mim.
Para ser honesto, eu tinha ficado mais que feliz por ela compartilhar.
Tomei um sorvo do meu café e conferi as horas, fazendo uma careta de desgosto por ter que acordá-la, embora passasse das nove da manhã. Em seguida, comecei a preparar o café para ela.
Queria mantê-la aqui por mais tempo, porém devido à reunião que teria logo mais com os caras e Miller, tinha de enviá-la para a mansão. Não a queria envolvida nas minhas merdas.
Então lá estava ela, encostada ao batente da porta, ainda vestindo minha camisa, com os pés descalços, toda descabelada e rosto inchado pelo sono. Mais linda que qualquer Miss Universo. Tirando o meu fôlego apenas por estar aqui no meu espaço. E eu sabia, embora não gostasse, que sua proximidade a mim a envolvia indiretamente na merda que era a minha vida. Entretanto, eu também sabia que ela não poderia estar mais segura do que comigo. Ela era minha prioridade.
Dirigi-me até ela e beijei sua boca.
— Bom dia neném.
— Bom dia — ela disse, mordendo os lábios e corando levemente.
Uma coisa eu tinha aprendido sobre os gestos dela, e esses dois, em particular, ela só os produzia ao estar nervosa ou excitada. Preferi ficar com o primeiro, uma vez que sabia que ela ainda estava dolorida dos nossos momentos aqui, apesar de não ter porque ela estar nervosa, a não ser que... Não.
— Sente-se que eu já vou te servir.
Eu voltei para o fogão e ela se aproximou sentando numa das banquetas altas.
— Você acordou bem cedo.
— Eu queria preparar o café da manhã antes que você acordasse. — Ela ergueu os olhos para mim com certa confusão. — Você não precisava levantar agora. Ainda são nove e meia, e eu sei que apenas tem aula às duas da tarde. Eu gostaria de ter levado o café para você na cama.
Ela sorriu sem graça e suas bochechas ganharam um rubor mais forte.
Logo servi nós dois nos arranjos que já tinha preparado de antemão. Despejei suco de laranja no seu copo e agarrei um pouco mais de café para mim. Ella regou suas panquecas com mel e começou a comer devagar. Sua postura estava reta e rígida, parecendo desconfortável. Estranhei, mas me mantive quieto e bebi um pouco de café sem tirar os olhos dela, que parecia muito dispersa em si mesma.
— Você está bem?
— Sì — ela respondeu sem me olhar e continuou a comer pequenos bocados.
Eu gostava de silêncio pela manhã, mas esse silêncio não me agradava e estava começando a me aborrecer. Antonella quieta nunca era boa coisa. Especialmente para mim.
Será que eu tinha feito algo errado? Ou ela só estava arrependida por estar aqui comigo?
Decepção invadiu meu sangue. Uma sensação que estava ficando muito familiar para mim desde que a conheci, mas ela estava muito enganada se pensava que poderia me dissuadir de desistir dela depois do que tínhamos compartilhado nesses dias aqui. Isso somente fazia minha determinação de tê-la mais ferrenha. Porque certo como o inferno, eu não estava indo abrir mão dela.
— Qual é o problema?
Ela me olhou de lado e deu de ombros.
— Niente. Perché?
— Depois de tudo que aconteceu aqui entre nós, temos de convir que é no mínimo estranho esse silêncio todo, para não dizer desagradável. Está distante e, obviamente, incomodada com algo.
— Ah! — Ela deu um sorriso sem graça. — Eu gosto de silêncio pela manhã — acrescentou, bebericando um pouco de suco, porém isso não me convenceu.
— Não gosto de mentiras Antonella.
— Eu não estou mentindo, é só que...
— O quê?
— Isso é bem estranho. — Estreitei os olhos. — Nunca fiquei numa situação dessas antes. Assim, de acordar com alguém com quem transei e tomar café juntos, se bem que na maioria das vezes em que dormimos juntos eu acordei sozinha. Quero dizer, nós até já acordamos juntos e tomamos café na mansão, mas não deixa de ser estranho ainda mais por ser você, sabe? Nós ficamos esses dias aqui e... Bem, é só estranho. Nós estamos sozinhos e não brigamos até agora.
— Se você quiser, podemos voltar para cama. Eu te faço dormir e prometo te esperar acordar. Depois podemos brigar e foder como coelhos para nos reconciliar.
Ela soltou uma risada gostosa e tocou meu braço. Um calor se alastrou do ponto que ela tocava até meu ombro. Apenas com o toque dela. Uma coisa tão simples. Eu a olhei deslumbrado.
O clima de tensão se dissipou e acabamos de tomar o café em clima de descontração.
— Eu não vou lavar a louça — ela disse momentos depois, torcendo o nariz para o balcão.
Eu ri entre dentes.
— Seria o justo, uma vez que cozinhei.
— Não te disseram? Sou injusta.
— Preguiçosa! Agora você vai tomar banho. — Peguei-a no colo antes que ela protestasse e fiz o caminho para o banheiro. — Não demore — acrescentei quando a coloquei no chão.
— Você não quer tomar banho comigo?
— A proposta é tentadora, neném, mas é melhor que vá sozinha. — Toquei seu rosto quando fiz um acréscimo. — Eu tenho uma reunião importante daqui a pouco. Não posso adiar. Se entrar aí com você não sairemos tão cedo. E você ainda está dolorida então não vamos abusar.
— E eu?
— Ben te levará para a mansão...
— Você está me tocando? É isso?
— É claro que não, Ella! Santo Deus, não comece a dizer asneiras. — Ela franziu o cenho, apertando os lábios para mim. — Eu gostaria muito de passar mais tempo com você. Só nós dois. Mas essa reunião é inadiável e eu não quero te envolver mais nisso. Então, por favor, seja boazinha. Eu prometo que à noite eu vou para a mansão, ou se você quiser podemos voltar para cá.
— Faça o que quiser! E não perca seu tempo me prometendo nada, pois a mim não interessa suas promessas. Você é só mais uma transa e nada mais.
Ela me deu as costas enquanto suas palavras me chicoteavam. Isso me enfureceu de tal maneira que eu segurei seu braço, puxando-a para mim com uma força desnecessária e, em seguida, a imprensei contra a parede usando o meu corpo.
— Ai, seu grosso!
— Grosso? Sim, eu sou. Você já comprovou isso várias vezes e gostou muito — sibilei com a voz baixa e fria, que qualquer outro com cérebro teria tomado a advertência, não ela. — Eu fico me perguntando por que você insiste em se comportar como uma vadia sem coração? Pra que isso? Para me enfurecer? Shhh... Calada! Agora entra nesse banheiro e tome seu banho. Suas roupas estarão em cima da cama para quando sair. Se vista e me encontre na sala sem fazer birrinhas. Entende isso?
— Sì, signore, figlio di puttana!
Antes que ela proferisse mais umas das suas gentis palavras, beijei-a forte. Ella não retribuiu e tentou me empurrar. Ela não estava indo ceder então afastei suas pernas com meu joelhos e, em seguida, infiltrei a mão na cueca que ela usava e comecei a esfregar seu sexo. Ela partiu os lábios gemendo e eu aproveitei para introduzir minha língua em sua boca, dando-lhe um beijo punitivo até que ela esteve me devolvendo isso. Mole e entregue. Recuei ofegante, com meu pau duro.
Queria debruçá-la sobre o vaso e me afundar nela, mas tinha que ter vergonha na cara. Não podia dar a ela nenhum prazer quando ela me feria dessa maneira.
Soltei-a e me afastei, mantendo meu olhar duro em seu rosto.
— Tome seu banho e me encontre na sala — ditei sem margens para a recusa.
— S-sabe que ti odio, no?
— Eu percebi — zombei, com uma piscada malvada.
Deixei-a no banheiro e peguei suas roupas no armário, colocando-as em cima da cama. Segui para o outro banheiro e tomei uma ducha rápida, tendo de me aliviar lá mesmo.
Logo que estive vestido, liguei para Benjamin.
— Venha pegar Antonella e a leve direto para a mansão.
— Estarei aí em dez minutos.
Momentos depois encontrei Ella sentada no sofá com uma cara emburrada.
— Desde quando eu tenho roupas aqui, Castellammare? Porque essas daqui não são as mesmas roupas que eu cheguei aqui há três dias.
Sentei-me ao lado dela.
— Eu pedi a Pietra que separasse duas ou três peças para você e me mandasse.
— E por que você não me disse?
— Porque gosto da sua bunda.
— Acha que eu tenho que andar pelada só porque você gosta da minha bunda?
— Isso e porque eu sou seu homem. — Puxei-a em meu colo e a segurei lá. — Vamos parar com isso, por favor, nós dois gostamos de ficar aqui independentemente de roupas, certo? Eu gostaria muito de passar o dia inteiro com você, contudo, não posso adiar essa reunião por mais que eu queira. Então desfaça esse bico e para com essa birra. À noite eu sou todo seu.
— Eu não estou fazendo birra — ralhou, e eu sorri concordando. — E hoje eu tenho que estudar até tarde para ter tempo para você — acrescentou, mirando as mãos.
Rocei os lábios em seu rosto e coloquei uma mecha úmida de cabelo detrás da sua orelha. Ela pendeu a cabeça para o lado e segurou em meu braço, apertando-o na medida em que eu beijava seu pescoço.
Meu celular tocou e eu me afastei para atender, ainda com ela em meu colo.
— Castellammare... Certo. Aguarde um momento. Nós já estamos descendo. — Guardei o aparelho no bolso e tirei Antonella do meu colo, em seguida, me levantei. — Vamos? Ben já está abaixo te esperando. Eu vou te acompanhar e fazer as apresentações.
— Se me pegar no colo outra vez, eu te arrebento.
— Eu não vou fazer isso neném, a não ser que você queira.
— Grazie, mas eu sei andar.
Peguei em sua mão e caminhamos para o elevador, mas ela parou antes que chegássemos até ele.
— Esqueci minha bolsa no quarto. Me dê um minuto.
Ela mal saiu e o elevador se abriu. Eu dei a volta, porém antes de completá-la fui pego de surpresa, ou melhor, agarrado. Norah pulou no meu pescoço e atacou minha boca antes que eu pudesse fazer qualquer coisa. Recomposto do choque, eu interrompi o beijo.
— Eu senti tanto a sua falta amor. Passar uns dias com mamãe é bom, mas ficar longe de você não é nada bom — ela disse sorrindo, com os braços em torno do meu pescoço e me beijou, novamente.
— Norah, eu... — murmurei sobre seus lábios e, em seguida, escutei um pigarro.
Tirei meus lábios dos seus e olhei para o lado e para cima.
Puta que pariu!
Ella tinha o semblante frio e me olhava raivosa.
— Você aqui querida? — Norah cutucou.
— Não querida. Eu não estou aqui, isso é uma miragem! — Ella respondeu sarcástica mirando abaixo, e só então me dei conta de que ainda mantinha minhas mãos na cintura de Norah.
— Ella...
— Boa diversão para vocês — ela disse, passando por nós, como um furacão.
Soltei-me de Norah e corri atrás dela. Precisava explicar o que tinha acontecido antes que ela pensasse merda, quero dizer, isso ela já estava pensando. Mas que porra!
Por que Norah tinha que aparecer justo agora?
— Ella espera — pedi, segurando seu braço e a virando de frente para mim no limiar do elevador. — Não é nada disso do que você está pensando. Eu posso explicar...
— Mi faresti un piacere, Castellammare? Muori, suo stronzo55! — gritou se soltando do meu aperto e, em seguida, correu para dentro do elevador. As portas se fecharam.
Corri as mãos pelo cabelo e as plantei no quadril enquanto exalava com força, sacudindo a cabeça muito puto, sobretudo, pelo inferno que eu tinha trazido sobre mim.
Mulheres do caralho.
— O que ela fazia aqui Thor? — Norah perguntou atrás de mim. Respirei fundo tentando me acalmar e fui até o bar me servir de uma dose de uísque. Bebi isso de uma vez. — Eu te fiz uma pergunta Thor. O que aquela garota estava fazendo aqui?
— Eu não te devo satisfação da minha vida Norah! Não se esqueça disso. Mas se quer saber, ela estava aqui porque eu quis assim. Satisfeita?
Ela me fitou com os olhos marejados e encolheu os ombros. Eu quis me chutar.
— Me desculpe, eu me excedi...
— Tudo bem Norah... Desculpe-me, querida, eu também não deveria descontar minha raiva em você — eu disse me aproximando e dei um beijo em sua testa, e então, deixei meu corpo arriar no sofá. — Os caras logo estarão aqui. Miller também está vindo. Conseguiu o que eu te pedi?
— Demorei um pouco mais porque esses documentos são quase extintos, mas consegui.
Ela se recompôs e se sentou do meu lado me passando os documentos.
A reunião terminou por volta das onze da noite. Com o ataque a Antonella, os caras e eu tínhamos que nos reorganizar para estudar as novas estratégias de como iríamos conduzir nossas ações de agora em diante. Era uma burocracia necessária, porém uma fodida dor no traseiro. Eu apenas queria matar o filho da puta por ter ido atrás da minha mulher, meus instintos gritavam por ação, mas não podia agir por impulso e ferrar toda uma investigação. Não podíamos errar. As garotas estavam seguras, todavia, isso não impedia que elas fossem alvos e os fodidos obtivessem sucesso numa nova tentativa, se por uma infelicidade nós acabássemos trocando os pés pelas mãos. Isso não estava acontecendo.
— Eric contate o Nerd para que ele decodifique os códigos do arquivo e me mande isso o mais rápido possível — eu disse quando me levantei. — No mais, estamos finalizados aqui.
— Não sei se dá para fazer muita coisa com aquele HD.
— Se existe uma mínima possibilidade, Nerd é o cara para o serviço. Com o incentivo certo, antes que o sol se ponha amanhã, ele terá os arquivos abertos e nós uma vantagem sobre os ratos.
— Certo — Eric assentiu. — Eu tenho isso.
— Se não há mais nada para falar, eu vou me retirar. Tenham uma boa noite e fiquem á vontade, vocês conhecem a saída.
Girei sobre meus calcanhares e comecei a caminhar em direção ao corredor.
— Castellammare?
Pausei fitando Miller sobre os ombros.
— Algum outro problema?
Ele se aproximou e eu dei a volta para encará-lo.
— Eu sinto muito pelo o que aconteceu com a sua garota na sexta.
Minhas feições se afundaram numa carranca severa.
— Seu departamento está corrompido.
— Sei. E estou apurando isso e já tenho um suspeito em vista. Ele já foi isolado só para que saiba e logo que tenhamos as provas, ele pagará por isso. — E acrescentou. — O delator não ficará impune.
— Ele ferrou parte da investigação e colocou os meus em risco — apontei com a voz embainhada em aço. — Isso não será tolerado. Não estou mais na agencia para ser complacente com esses tipos de merdas. Lembre-se disso. Precisa renovar seu pessoal, antes que continuemos com isso.
— Estamos cuidando disso. Não haverá mais nenhum erro.
— Estou confiando em você, mas precisa saber que se houver um novo atentado aos meus, eu não vou esperar o sistema aplicar sua justiça, compreende?
Com um aceno de entendimento, eu o deixei e fui para a suíte, e, posteriormente, ao banheiro.
Estava estressado e cansado. Uma dor de cabeça ameaçava a vir. Tudo em que eu podia pensar era em um banho e em como seria bom se tivesse meu anjo diabólico comigo.
Não tinha me decidido se voltaria à mansão ainda hoje. Antonella estava nervosa e eu queria dar tempo a ela para se acalmar, antes de conversarmos. Mas, então, ela tinha tido metade de um dia para isso.
Entrei debaixo do jato de água e a deixei soltar meus músculos. Outra briga tão cedo não me parecia animador. Isso porque eu nunca sabia o que esperar dela, digo, a birra era previsível, mas o que ela resultaria não. Ella podia ir de um extremo ao outro e virar do avesso em questão de segundos. Essa sua habilidade me enlouquecia, porém me estimulava também.
Provavelmente, eu estava enlouquecendo.
Aquele anjo diabólico era a minha perdição, e a merda, se eu não queria isso.
Sorri feito um bobo, lembrando-me das suas palavras de mais cedo. Apesar das más criações eu tinha de dar isso a ela, porque eu mesmo não podia sequer suportar o pensamento de outro homem tocando-a. Mesmo a insinuação do pensamento me deixava puto.
Ela era minha. Ponto final.
Certificar-me-ia que nossas declarações se valessem além do calor do sexo. Não seria algo fácil, mas eu iria cuidar para que ela estivesse tão interessada por mim como eu estava por ela.
Ella não era como as outras mulheres que se encantavam com o meu charme e logo queriam mais do que eu estava disposto a dar. Eu sabia. Aquela garota surrava meu ego. Ainda assim ela me desejava e não podia me negar, e eu poderia ser canalha o bastante para usar isso a meu favor.
Minha mente desviou e imagens do seu corpo macio tão disposto contra o meu preencheram minha cabeça, fazendo meu pau subir em alerta, engrossando com as lembranças.
Minhas bolas apertaram somente com a memória dela.
Fechei os olhos e gemi duro, espalmando uma mão contra a parede quando apertei a base do meu pênis, tentando frear a luxúria que disparou em minhas veias, mas foi inútil.
Ella estava sobre mim, dentro de mim.
Essa garota safada tinha me infectado de uma maneira visceral e incurável, e foda-se, eu queria morrer dessa doença, se isso significava ter uma dose diária dela.
Sua disposição em me levar, mesmo quando eu perdia o controle e me tornava um homem das cavernas, me enlouquecia. Nunca antes uma mulher tinha sido assim tão faminta. Na verdade, as outras antes dela me chateavam. Eram sempre frescas e fracas demais, com as fodidas aparências.
Ella não. Ela era voluntariosa, responsiva, sensível e muito feminina.
Uma gulosa.
Movi a mão, quase vindo no primeiro deslize ao invocar a lembrança de seus lábios me chupando e lambendo, sua fome em me beber enquanto eu gozava. Ela tomou tudo. Cada fodida gota com o prazer de quem bebia a melhor das bebidas. Maldita seja. Ela tinha me queimado vivo.
Pendi a cabeça para trás embargado na excitação e meus lábios se partiram quando a visualizei de joelhos na minha frente, o calor de sua boca na cabeça do meu pau enquanto os lábios chupavam forte e a língua sensual deslizava, testando o meu controle. Eu queria rosnar na sensação.
Meu pau ficou mais duro, minha mão mais insistente ao imaginá-la me tocando.
Cacete. Eu amava suas mãos sobre mim. De qualquer forma.
Ela estava aqui comigo, pungindo-me a vir duro em seus lábios. Eu precisava disso. Ela me fazia necessitado de derramar minha porra no fundo da sua garganta, em cada parte do seu corpo perfeito.
Fogo disparou por minha coluna e desceu se concentrando em minhas bolas, apertando-as contra a base do meu pênis. Meu gozo mais próximo. E eu me masturbei mais rápido...
Uma mão conhecida cobriu a minha de repente, o corpo nu atrás de mim se apertou contra o meu, obrigando meus olhos abertos e em alerta. A luxúria recuou e escoou para os lados.
— Mmm... Senti tanta falta desse pau — Norah ronronou. — Não sabe o quanto você fica excitante se tocando assim. Deixe-me fazer isso para você, querido.
Eu não sabia se devia me preocupar por ela ter entrado no box sem eu perceber. Provavelmente sim. Isso queria dizer que eu estava menos alerta e para alguém na minha posição esse era um erro fatal.
Apartei a mão dela com gentileza e girei para olhá-la.
— O que está fazendo aqui Norah?
Ela fez beicinho.
— Falando assim até parece que não gostou de me ver.
— Não é isso, querida — eu disse, tentando não soar indelicado. — Eu pensei que tivesse ido com os outros e eu estava sozinho.
— Eu sinto a sua falta, Thor. E, bem, achei que talvez você quisesse tirar o estresse depois da reunião. Sei que sempre fica muito tenso depois desses trabalhos em mesa. — Seu olhar caiu abaixo para meu pênis, e ela lambeu os lábios sem disfarçar seu desejo. — E não errei.
Em outro momento, aquilo teria me excitado e eu não perderia tempo, colocando-a de joelhos e empurrando meu pau no fundo da sua garganta. Mas agora...
— É melhor você ir. Já está tarde.
— Eu não quero ir. — Segurei seu pulso, antes que sua mão descendo em meu peito chegasse ao meu pênis. — Não sente a minha falta? Eu estou morrendo por você em cada parte do meu corpo.
Ela pegou minha mão livre e a enfiou no meio de suas pernas, deixando-me ciente de quão molhada ela estava enquanto se aproximava de mim, de forma sedutora.
— Norah, me deixe tomar banho...
— Eu tenho uma ideia melhor — ela me cortou, beijando-me, em seguida.
Retribuí o beijo e não nego, até a amassei contra o azulejo sujeitando seu corpo menor contra o meu quase penetrando-a. Norah tinha sido o tipo exato de mulher que eu gostava até Antonella aparecer...
Quebrei o beijo, e afastei Norah, me sentindo frio de repente.
— O que foi?
— Saia, por favor.
Descrença congelou sua expressão.
— O q-quê? Por quê?
Fiz uma careta, sentindo-me desconfortável com a situação.
— Desculpe. Não está acontecendo.
— Por que não? Eu quero e você também quer. Não adianta negar. — Ela segurou minha ereção para enfatizar suas palavras. — Por favor, Thor. Eu estou doendo por você.
Suspirei pesado.
Porra, como eu iria explicar que eu estava duro por Antonella e não por ela?
— Não — afastei sua mão e acrescentei num tom firme, pensando que eu tinha perdido a mente de vez. — Não vai rolar. Saia, por favor. Preciso terminar o banho e ir para a mansão.
Com uma careta zangada, ela saiu. Eu xinguei baixinho. Entretanto, não quis analisar o que tinha acabado de acontecer, assim terminei o banho, deixando de lado meu pau agora encolhido.
Eu não estava sendo um canalha por agir assim. Norah e eu tínhamos um acordo que, embora pudesse parecer machista, funcionava muito bem para nós dois.
Ela sabia que eu não poderia lhe dar qualquer coisa próxima ao romance ou fidelidade, mas se ela quisesse ficar comigo, eu exigiria exclusividade.
Ela aceitou.
Norah era apenas minha para tocar e foder. E, confie em mim, eu a fazia rezar agradecida por cada fodido minuto do nosso acordo. Mas já não funcionava mais. Eu tinha de acabar com isso.
Eu saí minutos depois com uma toalha enrolada no quadril, encontrando Norah sentada na minha cama, com uma expressão muito séria no rosto. Estranhei, todavia, não disse nada. Passei por ela indo ao armário, onde agarrei uma cueca e jeans.
— Por que está agindo assim? — ela perguntou quando retornei ao quarto, puxando uma camiseta sobre a cabeça. — Você nunca foi de negar fogo. Não posso me recordar de um só momento que negou fazer sexo comigo. Eu não entendo. Fiz alguma coisa errada?
— Você não fez nada Norah — tranquilizei. — Sou eu.
— Thor, por favor. Essa historinha comigo não rola.
— Sério, querida. Você é linda. Muito gostosa. E nos damos bem na cama, mas eu não posso mais. — Ela estreitou os olhos, porém permaneceu quieta, esperando-me concluir. Eu exalei cansado e acrescentei, tentando ser o mais gentil quanto possível. — Escuta, eu não posso enganá-la, você não merece isso depois do tempo que me deu. É linda. Uma mulher realmente incrível e merece um homem que saiba zelar por você na mesma medida. E esse não sou eu. Eu gosto de você, porém não é suficiente. Apreciei cada minuto nosso, contudo, não podemos mais continuar com isso.
Houve um longo silêncio.
— É ela, não é? É por aquela garota mimada que está me dispensando?
Contraí os olhos sobre ela.
— Não tem ninguém. Eu apenas acho que você merece mais. Não é justo que fique presa a mim, esperando por algo que nunca vai acontecer.
Ela levantou, com as feições irritadas.
— Você está tomando a decisão por mim! Eu já sou bem grandinha para tomar as minhas próprias decisões e lidar com as consequências dela, Heithor.
— Acha que não sei disso? Isso funcionou para nós por um longo tempo e eu realmente apreciei sua companhia. Não mais. Não a quero dessa forma. Nosso acordo termina aqui e espero mesmo que isso não interfira no nosso trabalho. Se não puder lidar com isso, me diga agora.
— Você não pode estar falando sério...
— Eu estou. Agora, isso será um problema entre nós?
Seus punhos apertaram, antes de ela relaxar.
— Eu sabia das consequências quando nos envolvemos, então não, não será um problema. Mesmo porque eu sei que vai voltar atrás. Nós somos bons juntos, Thor. Não pode negar isso.
— Não estou negando nada, apenas dizendo que nós dois não fodemos mais — grunhi, irritando-me por ela estar dificultando algo tão simples. Corri a mão pelo cabelo. — Desculpe falar desse jeito, porém não conheço outra maneira de dizer isso. Não quero te machucar, mas nós dois terminamos aqui. Episódios como os de agora a pouco e de mais cedo não devem se repetir.
Ela riu num misto de deboche e aborrecimento, que não entendi e não gostei.
— Ela te mudou mesmo, não é?
— Não é por causa dela, caralho!
— Não? E por que ainda estamos aqui Thor? Pode me responder isso?
Eu a olhei com o semblante sério.
— A reunião de há pouco não te disse nada?
— Sim. Um caso que não estamos levando nada. Nem um único centavo!
— Favores fazem parte do nosso trabalho.
— Por favor, Thor! Pare de enganar a si mesmo. — Ela começou a andar de um lado para o outro rindo alto. Eu a olhei preocupado. — Nós íamos ficar aqui o quê? Um mês? No máximo um mês e meio. E há quanto tempo estamos aqui? Quase três meses! Você pegou um trabalho pequeno logo que chegamos porque nem você, nem os caras queriam estender as botas como qualquer outra pessoa normal no mundo faria. Eu entendo isso, sério. Sei que são viciados em adrenalina e odeiam ficar parados, mas, então, você pegou outro fazendo um favor a um amigo e os caras foram juntos. Nathan e Eric, eu até posso entender. Eles estão a sério com as garotas, mas você?
— Está perdendo a mente, Norah — adverti quando me sentei para colocar as botinas.
Ela bufou.
— Estou? Eu não acho que estou perdendo qualquer coisa, quero dizer, no final das contas eu perdi, não é? Você recusou um trabalho grande, que em outro momento teria aceito sem pestanejar para ficar aqui perto dela. E antes que diga de novo que eu estou perdendo a mente, lembre-se de que eu sou seu manipulador. Ou será que isso também mudou?
Apertei a ponte do meu nariz aborrecido com essa merda sem sentido.
— Me diz, Norah. Você quer continuar comigo sobre as mesmas condições, apesar de saber que eu nunca vou te amar? Que nunca vou oferecer a você o que realmente quer? Veja bem Norah, eu gosto de você, sinto um fodido tesão, tenho carinho por você e te respeito pra caralho. Mas eu não te amo.
— É muito engraçado, Thor. Porque isso nunca te incomodou antes, não é?
— Por Deus mulher! Eu só não quero mais, custa aceitar? Eu não quero te machucar e prendê-la a mim por mais tempo, sabendo que nunca vou poder retribuir seus sentimentos.
— Realmente. Você nunca vai poder me retribuir, Thor. E sabe por quê? — Franzi o cenho esperando ela concluir. — Porque você ama aquela garota.
Exalei forte correndo a mão sobre o cabelo crente que ela havia perdido a razão.
— Está dizendo tolices.
— Sabe do que mais? Você pode dizer que é bobagem e até acreditar nisso, mas quando eu vi aquela garota e a maneira que vocês se olhavam, eu tive certeza que havia alguma coisa ali. Sua cama bagunçada e o cheiro de sexo em seu quarto quando fui procurá-lo naquele dia não me deixam mentir, certo? Você mudou muito desde que chegamos. Há muito tempo que você não me procura mais. Está disperso e mais irritado que o normal. — Maneei a cabeça, me negando a ouvir tantas baboseiras. — E não diz que não é por ela, se você tem algum respeito por mim.
Firmei o olhar sobre ela, muito sério.
— Você não sabe o que diz, Norah. Sério, querida. Está perdendo a mente.
— Eu sei e você também sabe que tudo o que falei até agora é verdade. — Eu me mantive calado, incapaz de negar. — Você é o tipo de homem que ama apenas uma vez na vida e quando isso acontece é definitivo. Não há espaço para outra pessoa. Tudo em você é intenso Thor, desde as suas atitudes e, principalmente, com relação a seus sentimentos, por isso não pode mais manter nosso acordo. Você a ama! Eu é que fui idiota. Não queria acreditar que uma pirralha conseguiu em poucos meses o que eu tentei por anos. Mas sabe o que é mais hilário nessa história toda? Ela nunca vai te amar como eu te amo Heithor. E você vai sofrer, porque ela não quer nada com nada. Ela é jovem e imatura, e pior, é durona igualzinha a você. A diferença é que você tem a seu favor a maturidade, aceita abrir mão de algumas coisas. Com custo, mas aceita. No entanto, não podemos dizer o mesmo dela, verdade? É uma pena. Por que você seria mais feliz comigo.
— Norah...
Suas mãos e cabeça sacudiram.
— Não diga nada. Eu espero que vocês sejam felizes. Que você seja feliz. E não se preocupe, eu vou deixar o caminho livre. Nada vai mudar. Eu sou profissional e sei separar as coisas.
— Me perdoe querida.
— Não há nada para perdoar Thor. Eu sabia onde estava me metendo, conhecia os riscos e mesmo assim aceitei. Essas coisas não têm como a gente prever ou como escolher, simplesmente acontece.
— Eu realmente gostaria que as coisas fossem diferentes, Norah. — Me vi dizendo em tom baixo, ainda perplexo no monte que tinha aos meus pés.
— Eu sei. Eu também queria, mas eu deveria ter previsto que um homem como você gosta de coisas impossíveis. Pena que vi isso tarde demais. — Sorriu breve e sacudiu a cabeça. — Tenha uma boa noite e não se preocupe em me acompanhar, eu sei o caminho da porta.
Ela saiu, me deixando sem palavras e sem ancora.
Amor?
Cacete, eu sabia que gostava de Antonella, que tinha um carinho mais forte por ela, mas amar... Isso era forte demais. Permanente. Era... Porra! Isso não podia ser real, todavia, mesmo quando me negava a crer, a verdade era irrefutável. Estava nítida e enraizada dentro de mim.
Que outra explicação teria para como eu me sentia em relação a ela?
Todo aquele sentimento, uma mistura de proteção e possessividade, fúria e preocupação. Ela estava chegando a mim e eu não tinha nenhuma ideia de como parar isto.
Ela tinha chegado a mim.
Tudo que se referia a Antonella era do meu interesse, qualquer mínima fodida coisa.
Meu coração disparava quando a via. Eu ficava bobo perto dela. O ciúme doentio. A dor por estar longe. O desespero infinito por saber que ela corria perigo. Ela havia me transformado num fodido adolescente e eu não dava a merda para isso. Se isso não era amor, eu não sabia o que era.
Tudo começou por um capricho teu
Eu não confiava... era só sexo
Mas o sexo é uma atitude
Geralmente como a arte
E talvez eu tenha entendido e aqui estou.
Esfreguei as mãos no rosto e as corri pelo cabelo.
Como eu fui me enfiar nessa merda?
As palavras de Pietra encheram minha mente e eu quis me chutar. Tinha subestimado o sentimento crescente dentro de mim, pois não acreditava ser possível amar Ella.
Não me levem a mal, contudo, amar uma garota mimada não estava nos meus planos. Mas Pietra tinha razão. Agora eu podia ver com clareza o quadro que ela me pintou na tarde que conversamos após o flagra. Ella e eu éramos iguais. E, embora suas rebeldias me voltassem loucos, elas também me atraiam. Mesmo naquele momento eu não podia me afastar dela. Eu acreditei ser porque não havia chances de me apaixonar por ela quando, na verdade, eu já estava apaixonado.
Eu a amava e isso me desesperava porque a conhecia.
Por mais que ela gostasse de ficar comigo, ela não me amava.
E desculpa se te amo e se nos conhecemos
Há dois meses ou pouco mais
Desculpa se não falo baixo
Mas se não grito morro
Não sei se sabes que te amo...
E desculpe se rio, me entrego ao embaraço.
Comecei a me sentir angustiado, sufocado pelo sentimento expandido meu peito, queimando embaixo da minha pele. À distância se impondo duramente e me fazendo ansiar estar do lado dela.
Enquanto terminava de calçar minhas botinas eu pensei que aceitaria o que ela estivesse disposta a me dar, mesmo que fossem somente migalhas. Era preferível ter uma mínima porção dela a nada. A única coisa que eu não aceitaria era ficar longe dela. Sem ela.
A falta dela dominou meu peito, e então, eu fiz o que meu coração me dizia sem interrupções.
Peguei meu carro e segui para a mansão como um louco.
Eu precisava dela. Precisava olhá-la. Necessitava sentir o seu cheiro.
Cheguei à mansão depois do pensei ser os minutos mais longos da minha vida e o medo me dominou. Ella tinha esse poder sobre mim. Com ela, eu me sentia fraco e forte ao mesmo tempo.
Subi a escada rapidamente. Em frente a sua porta, eu hesitei por um breve momento, porém meu corpo tomou as rédeas. Eu entrei tentando fazer o mínimo de barulho quanto possível quando me aproximei da sua cama, ciente que ela dormia profundamente.
Meu olhar venerado correu sobre o amontoado de lençóis em suas pernas até seu rosto.
Olho pra ti fixamente e tremo.
À ideia de te ter do meu lado.
E me sentir somente teu.
E estou aqui e falo emocionado.
E sou um atrapalhado! E sou um atrapalhado!
Ella era bela, como um anjo dormindo. Tão graciosa... Nem de longe lembrava a garota forte e destemida que ela era. Ela parecia muito frágil e inocente, mas a verdade é que ela era um anjo diabólico. Meu anjo diabólico. Meu coração pulava no peito inchado demais.
Nunca me senti tão feliz, tão completo e estarrecido na minha vida.
Sentei-me na beirada da cama e com cuidado afastei do seu rosto algumas mechas de seu cabelo. Eu não queria, mas quando dei por mim, as pontas de meus dedos afagavam sua bochecha.
Ela tinha a mão sob a face, como de costume, e um sorriso angelical nos lábios que eu tanto amava. Minha vontade de prová-los se fez presente e eu lambi meus próprios lábios, resistindo.
Levantei com cuidado não querendo acordá-la e, em seguida, caminhei até a porta. Parei com a mão agarrada na maçaneta e joguei uma última olhada sobre meu ombro para ela.
Deus... Eu realmente amava essa garota.
O que eu iria fazer?
Eu não tinha a porra de uma mínima ideia.
Sacudi a cabeça e me voltei para frente pronto para sair do quarto.
— Thor?
Minha mão congelou na maçaneta.
— Sim, sou eu. — Olhei para cama, encontrando-a de lado com o tronco elevado enquanto coçava os olhos com uma mão. — Me desculpe querida. Eu não quis te acordar. Volte a dormir. Eu já estou saindo.
— Não vai não... Dorme aqui comigo.
Meu peito inflou enquanto meu coração faltava estourar.
— Tem certeza? — perguntei mal podendo esconder minha felicidade.
— Se ficar fazendo doce, eu vou até aí te buscar pelos cabelos.
Ri baixinho, soltando a maçaneta, mais feliz do que algum dia estive. Ella voltou a se deitar e eu fui ao banheiro. Tomei um banho gelado, tentando controlar minha ansiedade e quando retornei seus olhos já estavam fechados. Peguei uma cueca minha que tinha no armário dela e vesti.
Logo me deitei ao seu lado, puxando o lençol sobre nós e a abracei apertado contra mim.
— Buonanotte Thor.
— Buonanotte Ella.
Fechei os olhos e pela primeira vez enquanto inalava o cheiro dela e a tinha envolvida em meus braços, me senti em casa. Estava completo. Enfim, eu tinha algo de bom... Alguém que me fazia sentir vivo. Alguém por quem lutar e querer ser melhor por ela... para ela.
As três palavras deslizaram fácil por minha língua, antes que o sono me levasse.
— Eu te amo.