Dangerous

Daya Engler · Capítulo 15 de 45

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Dangerous

Capítulo 15

 

 

Maldição, esse homem era perigoso da cabeça aos pés, pensei enquanto deslizava meu olhar faminto sobre o corpo dele. E agora, o meu cara mal estava preso e a minha mercê.

Eu gostava de como isso se parecia. Gostava muito.

O tipo era uma bomba sexual. Mesmo relaxado e supostamente vulnerável, ele seguia sendo implacável, um propulsor para alagar as calcinhas. A minha tinha dado perda há algum tempo.

— Vai fazer algo? Ou continuará me comendo com os olhos?

— Não, — murmurei enquanto me desfazia do soutien então fui para os laços da calcinha, sem pressa para soltá-los sob o seu olhar ávido. — Está gostando do quê vê?

Sem timidez, esqueci os laços da calcinha por um rápido momento quando levei as mãos para os meus seios e joguei com eles. Assisti ele tragar duro. Então retornei aos laços.

— Vai me responder? Ou ficar babando sobre mim?

— Vou gostar mais quando trouxer seu traseiro aqui e sentar no meu rosto. Ou quando colocar esses peitinhos suculentos na minha boca enquanto me monta. O que você preferir. Agora, venha aqui neném. Quero colocar minha boca em seus mamilos.

Uma sacudida de calor torceu meu ventre ante suas palavras.

— Tão ambicioso! — Arrastei cada sílaba, sentindo-me brincalhona e sexy enquanto puxava a calcinha fora do meu corpo. — Isso não será possível tolinho. Você me deu o controle para eu fazer o quê beeem entender e eu quero brincar com você. É meu bonequinho sexual, Thor.

— Está brincando com fogo neném. Tenha cuidado. Talvez, você não goste do resultado mais tarde quando eu te pegar. — As palavras explícitas e diabólicas em seu tom barítono, enfraqueceram-me, momentaneamente, porém também acenderam o desejo de que ele fizesse exatamente o que ocultava por detrás daquelas letras. Sim. Louca. Eu estava louca de pedra.

— Então é bom que me queime até que reste apenas cinzas, não?

Eu não tinha muito tempo para jogar com ele e isso era uma pena. Mas seria uma cadela se não fizesse Thor arder, como o próprio inferno, naqueles poucos minutos que tinha.

Regressei a cama, esparramando as pernas ao lado de seus quadris e curvei-me sobre ele, com as mãos dispostas em ambos os lados de sua cabeça, e então, dobrei a cabeça para beijá-lo.

Meus lábios tocaram os dele, alisando sobre eles, antes que eu permitisse à língua passar entre os lábios e amortecer as curvas. Eu respirei com remorso quando senti seu gosto. Picante. Masculino. Poderoso. Tão entorpecente como uma droga pesada. Saboreei sua boca num beijo lento, sensual.

Mordi seu lábio e o estirei, chupando-o brandamente antes de descer, beliscando seu maxilar de leve, o pescoço... Contornei seus mamilos com a ponta da língua e chupei, deixando-os duros na minha boca quando permiti meus dentes rasparem neles. Thor se manteve quieto, mas seus músculos tencionaram em minhas mãos e boca, estremecendo quando eu usava os dentes ou as unhas para jogar com ele. Deixei seus mamilos para explorar mais abaixo, desenhando o contorno de seus gominhos com a ponta da minha língua e desci mais.

Ele tragou, o movimento apertado, duro. Tão apertado e duro quanto os músculos sob a minha mão. Joguei uma olhada para cima e encontrei seu olhar muito atento as minhas apostas, as burcas azeviches estavam escurecendo, profundas.

Sem apartar meu olhar do seu, agarrei as laterais de sua boxer preta.

— Vamos tirar isso do caminho — falei, arrastando a peça fora de seu corpo.

Quando baixei o olhar para o seu quadril, enfrentei seu pênis duro. Tão pronto, que parecia vivo pulsando sobre sua barriga. A cabeça bulbosa estava bem inchada, púrpura e suculenta.

Sorrindo, minhas unhas deslizaram pelo interior das coxas fortes de Thor, e alisei os testículos pesados em meus dedos. Ele gemeu quando os empalei, delicadamente, enquanto jogava uma perna no meio das suas. O que facilitou meus movimentos ao me abaixar. Minha buceta partida se assentou em sua perna, molhando-a com meus sucos ao mesmo tempo em que lambi seu pênis, da base à ponta.

— Jesus! — ele disparou, com o quadril muito tenso quando traguei a cabeça em minha boca e pressionei levemente a pele abaixo de seus testículos.

Rodeei a língua sobre a glande e, em seguida, espalhei leves beijos sobre ela e desci. Minhas unhas arranhando a carne sensível o suficiente para ele estremecer em meus lábios.

— Maldição, neném, me chupe apertado daquele mesmo jeito.

— Não tão rápido ragazzo. É minha vez de brincar com você.

Lambi seus escrotos e os tomei na boca. Uma sucção suave, deixando a língua roçar sobre eles enquanto meus dedos apertavam fraco. Thor chiou. A algema tilintou contra a cabeceira.

— Ella...

— Sim? — murmurei sobre a sua carne, lambendo-o lentamente debaixo para cima, meus olhos sobre os seus, de maneira inocente.

— Não vá por este caminho, neném.

A advertência escura em sua voz ofegante enviou calor através da minha coluna. Meu clitóris palpitou em resposta e desejo líquido besuntou minhas dobras mais um pouco.

— Acaso você não fez o mesmo comigo faz um par de dias?

Seu olhar cerrado abriu-se por completo e o que vi neles era mais que uma advertência. Era uma promessa de vingança se perseverasse por esse caminho. Escura. Faminta e insondável.

Me apressei em dizer:

— Mas você foi bom comigo, não? Toda aquela espera infernal fez-me ver toda uma galáxia e derreteu os meus miolos quando me permitiu vir. Acho justo que tenha o mesmo, não crê?

O olhar eloquente dizia não.

— Certo, certo. Somente tenha certeza que pode aguentar o retorno. Não serei suave.

Sua promessa me estremeceu. A excitação se apoderou de minha coluna, sacudindo-me até a medula. Meus mamilos empurraram duros, carentes de seu toque enquanto minha vagina parecia molhar-se mais contra a sua perna. Cacete, supõe-se que eu não deveria me afetar tanto, nem vacilar no que já era certo. Mas fiz e, em seguida, tornei atrás ao ver o desafio em seus olhos arrogantes.

Lambi os lábios e o empalei em minha boca, relaxando ao seu redor para levá-lo mais fundo em minha garganta e, mesmo assim, boa parte dele seguia fora do meu alcance. Thor uivou, suas feições denotando que ele sentia a batalha ganha enquanto eu o chupava, mantendo meu olhar ardente sobre sua face. O tilintar do atrito da algema contra a armação de ferro da cabeceira dizia-me que eu estava no caminho certo. Raspei os dentes em sua carne e seus quadris se moveram.

— Cacete, neném — ofegou ele. — Abra mais. Quero foder essa boquinha. — Eu dei isso a ele, abrindo os lábios um pouco mais. Ele começou a foder minha boca, com lentos e precisos movimentos. — Que delícia, baby. É tão apertada quanto a tua buceta.

Gemi rouca a sua volta. Adorava suas palavras picantes, a forma sensual que ele dizia àquelas palavras sujas era para colocar qualquer mulher piscando. Sua perna se movia junto a cada assalto de seu quadril, esfregando contra meu sexo, e eu movi de volta, deliciando-me com o prazer.

— Abre mais um pouco para eu foder gostoso dentro. — As palavras dele saíram rosnadas, graves e vibrou dentro de mim, atingindo meus pontos sensíveis. — Ah, porra! Tão fodidamente bom, neném. Essa boquinha sexy foi feita para o meu pau.

Thor fodeu minha boca, deixando-me sentir cada centímetro que entrava indo e vindo. Quanto mais eu me esfregava em sua perna, mais voraz eu tomava seu membro, tragando-o de volta para a minha boca quando ele se retirava. Meus dedos nunca abandonando suas bolas. Podia senti-lo inchando em meus lábios, o retraimento de seus músculos, os golpes mais duro de seu quadril avisando que ele estava bem perto. Tanto que já podia ter um gosto de sua essência em minha língua. Quando ele apertou, investindo mais e mais forte, quase que num frenesi, eu soube que era hora de parar, apartando a boca e dedos para longe, deixando-o no limite enlouquecedor que ele me deixou dias atrás. Thor xingou. Um som alto e bravo. O tilintar da algema mais alto.

Eu conhecia aquela frustração, a luxúria tão afiada do prazer interrompido quase tão doloroso como uma ferida aberta sendo cutucada por um espeto. Pulsando. Levando a razão a merda.

Bati meus cílios inocentes para cima. Seu olhar sobre mim era mortal, o maxilar rígido, suas feições muito duras. Seu peito subindo e descendo com brusquidão, acompanhando suas duras respirações. Ele transpirava. A capa invisível de suor brilhando em seu peito e abdômen, mesmo em seu rosto. Os músculos de seus braços estavam flexionados com sua força.

Mesmo bravo, o homem era uma visão do inferno.

— Não jogue comigo, Antonella — grunhiu ele, com fúria.

Não fiz caso de suas palavras e tornei a chupá-lo quando o senti mais controlado. Provoquei com meus lábios, língua e dentes, até que ele esteve no limite outra vez. Parei. Cada vez que ele esteve à borda eu detive minhas apostas, forçando seu clímax recuar. Ora simplesmente me apartando, ora apertando a palma sobre a glande enquanto ele se debatia com tanta força a ponto de eu pensar que ele poderia quebrar a cabeceira. Uma. Duas. Três... Seis vezes. Thor xingava, amaldiçoava, ameaçava a torto e a direita. Tão devasso e brutal. Gotas de suor cobriam seu rosto de feições rudes, seu peito arfante e o abdômen comprimido por sua força. Letal e selvagem era como ele se parecia.

— Filha da puta! Juro a você, Antonella, quando me soltar, porque você terá de fazer isso alguma hora e quando fizer. É bom estar preparada. Eu vou surrar seu traseiro, cadela. Vou te deixar tão quente, que nem o fogo poderá se comparar e depois eu te comerei duro em cada buraco seu. Difícil e ruim o suficiente, que não andará por uma semana.

— Promete?

— Estou falando sério Antonella — rugiu ele diabólico, e todo meu corpo estremeceu. — Você terá o triplo do que está me dando. Juro por Deus que terá.

Eu sentia a veracidade daquelas declarações em meus ossos. Tão implacável, que me colocava mole e sem fôlego. Entretanto, não parei por aí, me colocando a beira das chamas quando sentei em suas coxas e me levantei sobre os joelhos enquanto segurava seu pênis, esfregando minhas dobras contra seu comprimento. Cuidando para que ele não me penetrasse, apesar de seus esforços. O tilintar do aço da algema contra a cabeceira se tornou mais e mais frenético, causando um frisson de adrenalina por meu corpo. Uma mistura de medo e excitação palpitando sob a minha pele.

Vê-lo abandonado no prazer premente me atingiu em cheio. Eu queria tanto me derrubar em cima de sua pesada ereção. Sentir cada polegada sua me estirando ao limite, enchendo-me até que eu pensasse que não pudesse suportar mais. A dor. A pressão. O prazer afiado. O calor incandescente.

Mas, então, que merda de professora seria eu se fizesse isso?

Ele tinha uma lição para aprender, uma muito importante, que não eu poderia abrir mão de lhe dar por mais tentador que desistir parecesse ser. Também não era como se eu tivesse que me privar do prazer. Eu poderia ter meu momento sublime. Não ele.

— Você é muito gostoso, Thor... Todo um banquete erótico. Eu tenho vontade de me esfregar contra você. Te lamber todo — assoprei sedutora enquanto subia por seu corpo.

Pressionei meus lábios sobre os seus. Ele aceitou o beijo, devorando, punindo-me.

— Delicioso — ofeguei, recuando para o seu pescoço. — Você não faz ideia de como minha buceta está doendo, morrendo para sentir seu pau enterrado nela até o talo, gostoso. É tanta vontade que me dói todo o corpo — eu acrescentei sussurrante ao pé da sua orelha.

— Mostre-me.

Não um pedido, senão um comando dito num tom sexualmente áspero, uma voz muito dominadora, que devia me irritar, não fazer os fluídos de excitação se derramarem do meu sexo.

Assistir sua loucura por mim excitou-me mais e fez eu me sentir sapeca.

Era um tipo de comoção diferente que me colocava quente, muito mais atrevida. Sexy. Definitivamente, eu me sentia poderosa quando agarrei a cabeceira com força e icei meu corpo. Bati as pestanas para baixo, pescando seu olhar ansioso então desci ficando a poucos centímetros de seu rosto, minha vagina aberta ao seu olhar faminto. Perto o bastante para sentir seu hálito quente agitado contra minha carne sensível.

Estiquei uma de minhas mãos até meu centro, meus dedos espalhando os lábios, lhe oferecendo uma visão descarada, antes de escorregar um dedo em meu canal.

— Olhe Thor — murmurei num sopro rouco quando retirei o dedo lambuzado. — Veja como eu estou por sua causa. Isso porque você nem me tocou ainda. — Ele começou a amaldiçoar e eu o calei, melando seus lábios com o dedo úmido. — Me prova, safado.

Sua boca recebeu o dedo com uma fome insaciável, sorvendo meu tesão com vontade. A cena foi tão pornográfica que um gemido fluiu além dos meus lábios. Quando puxei o dedo, Thor levantou a cabeça, sua língua tentando me alcançar, porém não dei tempo a ele, erguendo-me de imediato.

— Não, não mocinho, — censurei, numa falsa irritação.

O tilintar crescente do aço crepitou em meus ouvidos.

— Cacete, neném, abaixa — silvou ele. — Agora, Ella, senta na minha cara. Quero chupar a sua buceta. Vamos baby. Eu quero te fazer sentir bem. Você está muito úmida e inchada... Porra, Ella, só senta e esfrega a buceta na minha cara.

Quase tão persuasivo quanto à serpente que enganou Eva. Meu corpo aplaudiu sua intenção, palpitando por todos os lugares, no entanto, meu lado arteiro advertiu e ganhou.

— É uma oferta tentadora, — estalei a língua ––, mas, primeiro você tem de merecer isso e só depois, e, talvez, provar. Ou não. Tudo depende de você. Será um bom ou mau menino?

Seu grunhido baixo incitou meu sorriso quando deixei meu corpo cair ao seu lado, uma perna jogada de forma negligente em cima do peito dele e a outra espalhada no colchão para que ele pudesse ver meu sexo aberto. Apoiei-me em uma mão para manter meu tronco elevado enquanto deslizava a outra, subindo por minha barriga, contornando a curva inferior de meus seios, enchendo a mão com eles. Imaginava o toque dele, suas mãos ásperas apreciando minha pele.

Senti-me perversa, sensual e muito excitada.

Era a situação, aquela atmosfera sexualmente escura e quente. Mas, principalmente, Thor com a boca entre aberta, fitando-me com uma fome lasciva queimando em seu olhar furioso, que me hipnotizava. Insuflando meu desejo de puni-lo, de ser muito má com ele, embora cada célula do meu corpo estivesse gritando pelo toque dele. Meus seios estavam inchados, os mamilos... Dio, meus mamilos estavam ardendo, doendo para serem castigados por sua boca gostosa.

Eu não protelei dando-me um gosto daquilo que necessitava.

Ao primeiro toque de meus dedos em meu clitóris, eu gemi rouca e cavei os dentes no lábio inferior, deixando a cabeça cair para trás. O som áspero que Thor fez balançou minhas pálpebras para cima. Encontrei o olhar dele. Era abrasador e selvagem igual a sua expressão.

Movi-me para o lado, abrindo a primeira gaveta da mesinha de noite e de lá tirei um dos brinquedinhos que eu tinha abandonado desde que meus encontros com Thor se tornaram frequentes e ele usurpou o meu

quarto. Não era que não gostasse dos meus bibelôs da Lelo 47; eu apenas não necessitava deles como antes. Gostava muito mais dos esforços de Thor em me dar prazer e ele também.

— Não faça isso — vaiou ele quando deslizei a ponta do vibrador por minhas dobras úmidas.

Eu parei, minha sobrancelha arqueando.

— Não?

— Se quer tomar algo dentro, senta na porra do meu pau. Ou melhor, me solte que eu vou cuidar de você. — Seu tom era incrivelmente possessivo em sua voz autoritária.

— Não penso assim.

— Porra, não faça!

Dei-lhe um sorriso sacana enquanto afundava o objeto vibrando em meu sexo. Exalei um suspiro languido, deixando meu tronco escorregar sobre o colchão.

— Mmm... Tão bom, Thor — gemi, movendo-o no meu canal. — Seu pau é muito melhor, mas isso... oh... isso dá para o gasto. Ah, Deus, me sinto tão molhada e com tanto tesão... Mmmm...

— Eu vou te castigar por isso, vadia — ele disse, baixo e ameaçador.

Estremeci, imaginando meu castigo e, em seguida, concentrei no meu prazer.

Aumentei a vibração do vibrador e uma onda de calor beijou a minha coluna, descendo, torcendo meu ventre enquanto esfregava meu clitóris com a outra mão. Eu ofeguei na sensação. Sabia que não iria demorar a vir. Virtualmente, ouvia os resmungos de Thor e o tilintar ininterrupto das algemas, mas nada importava nesse momento, exceto meu prazer.

Subi a mão e acariciei meus seios, até que a vontade de gozar se intensificou. Puxei o vibrador fora, pousando a ponta tremente sobre meu clitóris e voltei a aumentar a intensidade vibração.

Sentia o olhar de Thor em mim, numa mistura de raiva e desejo. O que fez minha excitação rodar num redemoinho de fogo dentro de mim e trouxe meu clímax mais perto. Mais e mais. Faíscas de excitação atingiram meu ventre, a sensação crescendo, crescendo...

Um alto gemido rasgou através dos meus lábios numa uma voz rouca e irreconhecível quando meu corpo inteiro se apertou, abalou, e então, tremeu. Minhas costas arquearam e minha cabeça se lançou para trás, expondo minha garganta enquanto o orgasmo golpeava o meu corpo.

Por alguns instantes permaneci lá, jogada, absorta no relaxamento momentâneo. Meu coração frenético e a respiração alta. Tinha sido rápido e gostoso, porém longe de ser suficiente. Somente uma coisa me faria sentir o prazer pleno e foi para ela que olhei ao mover a cabeça para o lado. O pênis de Thor estava mais duro, se possível. As veias marcando sob a carne macia. Latejando muito vívido em cima da sua barriga. A ponta molhada com seu pré-gozo.

— Me solta neném — pediu, num tom desesperado, inflando meu ego. — Eu preciso me enterrar em você agora enquanto te toco. Droga, garota, faça isso logo.

Esta foi a primeira vez que ele me pediu algo sem que seu tom viesse sem um pingo de arrogância e isso me desconcertou um pouco, logo me cobriu de vaidade.

E, por isso, ele merecia um agrado, pensei.

Sentei-me escarranchada sobre suas coxas então segurei seu pau, elevei o quadril e guie a ponta entre minhas dobras. Má ideia. A vontade de tê-lo dentro crescendo muito rapidamente, que me deixou zonza e levou cada fibra do meu ser para não encaixá-lo em minha entrada e cair sobre ele até que sentisse seu gosto em minha boca.

— Cristo, Thor, sinto a cabeça do seu pau queimar o meu grelinho.

— Caralho, gostosa! Senta na minha rola, Ella, — rosnou ele em seu usual tom mandão. Fechei a cara e saí da cama. Ele me fitou em desespero. — O quê...? Volta aqui neném!

— Por que eu faria isso, Castellammare? Por que eu permitiria a você à honra de me comer? — Seu olhar estreitou. — Andiamo, dimmi. Por que eu te daria o privilégio de me possuir?

— Ella deixa dessa brincadeira. Volte aqui e me solte.

— Me convença.

Heithor fechou os olhos, e eu aproveitei para me aproximar. Subi em seu corpo, deixando uma das minhas pernas no meio das suas e segurei seu pênis. Ora apertando, ora acariciando seu eixo num vai-e-vem lento enquanto mordiscava seu abdômen. A respiração de Thor estava alta, pesada.

— Você é um menino muito desobediente, Castellammare. Um garoto mau e cheio de si. — Usei meu tom irritado e saí de cima dele, ficando em pé ao lado da cama e coloquei as mãos na cintura, erguendo meu queixo quando informei. — Por isso não ganhará meu doce.

— Antonella, eu quero que me solte agora. — Ele fez uma pausa, aspirando fundo. — Você já brincou, me torturou, fez tudo que quis. É suficiente. Solte-me agora mesmo.

— Se eu fizer isso, você irá me castigar e eu não quero ser castigada.

Curiosamente, observei sua expressão raivosa ser substituída por uma suavidade enganadora.

— Juro por Deus, que não vou, neném. Eu somente vou te dar prazer. Fazer você sentir bem. Prometo isso. Agora me solte. Isso foi o que combinamos.

A garantia verossímil entoando em sua voz e a aparente sinceridade em seus olhos fez-me hesitar enquanto meu coração pulava alegre. Por um instante eu realmente quis ficar, até aquela voz endiabrada soar no fundo da minha cabeça, trazendo em cores vívidas tudo o quê ele me fez passar.

Sem olhá-lo, eu fiz meu caminho para o banheiro sob seus gritos e ameaças.

Não é que ele blefava?

Debaixo do jato forte de água fria, enfim, pude relaxar com uma exalação longa.

Cazzo, eu tinha resistido à tentação Castellammare!

Tinha levado cada fibra do meu corpo e ainda o desejava, era certo, mas eu tinha conseguido e só por isso merecia um prêmio, que eu me daria logo mais.

Minutos mais tarde ao retornar ao quarto, já maquiada e de cabelos arrumados, flagrei Thor tentando se livrar das algemas. Tolo. Ele somente teria êxito, se eu fosse muito idiota para deixar as chaves da algema perto dele ou ele fosse dotado de uma super força, e nem uma das duas coisas estava acontecendo. Quando me viu, seu olhar era malvado e um punhado de ameaças bateu sobre mim. Se ele soubesse que aquilo unicamente fazia alimentar minha sede por vingança, na certa manteria a boca fechada. Ou melhor, começaria a rogar o meu perdão.

Ri comigo mesma enquanto passava hidrante em minha pele, ignorando-o, deliberadamente. Em seguida, encaminhei-me até o closet vesti uma lingerie branca e peguei a roupa, que me aguardava graças a Pietra que tinha pego-a para mim quando foi comprar a sua.

A pergunta dele foi instantânea quando retornei, pondo a roupa numa poltrona ao lado da cama.

— Pra quê isso Ella?

— Para vestir. Ou você acha que eu vou sair pelada? Se bem que seria uma visão do céu, não? Infelizmente, não sou tão caridosa. Minha filantropia somente se restringe a você.

Coloquei o vestido curto de renda na cor branca.

— Você quer sair agora? — Assenti. — Por que porra não me disse quando eu te perguntei?

— Creio que houve um equivoco de interpretação da sua parte, caro mio. Primeiro, — comecei enquanto vestia o trench coach pink curto, com babados brancos nas mangas, — eu disse que não, porque eu não queria e não quero sair com você. Segundo, eu não tenho de pedir sua permissão pra sair, porque hoje é sábado e pelas suas regrinhas idiotas, aos fins de semana eu tenho livre arbítrio.

Fui até o espelho de corpo inteiro para terminar de arrumar a peça. Uma fita dourada transpassada na frente por três fechos cuidavam para mantê-lo fechado. Toda a bainha era adornada por dourado e havia alguns detalhes sutis da mesma cor no próprio casaco. Um luxo sexy.

Regressei para vestir as meias.

— Antonella não faça isso. Essa brincadeira já foi longe demais e você não vai gostar do resultado dela, se persistir com isso. Não brinque comigo desta forma...

Empertiguei os ombros e o encarei desafiadora.

— Ou o quê?

— O quê ganha fazendo isso?

— Isso, — gesticulei sobre ele. — Então você não sabe? Vê-lo com o rabo entre as pernas, caro mio, não tem preço. Todo esse poço de arrogância e a pose de senhor-eu-posso-tudo reduzido a nada é melhor que qualquer prêmio da loteria.

O olhar dele foi de arrepiar. Eu dei os ombros, com indiferença e deslizei por minha perna a primeira meia. Era uma 5/8 de cor branca, com um laçinho rosa no topo. Logo deslizei a outra.

— Eu te proíbo de sair.

— E eu te proíbo de me dar ordens. Vê? Nenhuma das duas coisas está acontecendo.

— Por que você está agindo assim, Ella? Nós dois estávamos bem...

— Ah, por favor, cale a boca imbecil! Não existe essa merda de nós. Eu já não te disse isso umas mil vezes, não? Dio, como você é chato!

Seu olhar entristeceu, a mandíbula apertada, porém eu não me abalei.

— Você quer mesmo saber por que estou agindo assim? Eu vou te dar isso já que, aparentemente, sua mente está lenta. Aquelas suas regrinhas idiotas que você me obrigou a aceitar a base de uma chantagem suja ainda estão entaladas aqui — agitei a mão no meu pescoço, — assim como aquele gorila que você me fez pagar na festa do Baby.

— Se você não levasse uma vida promíscua e de risco, eu não seria obrigado a forçá-la a aceitar as minhas regras, que foram impostas para o seu próprio bem. Aliás, se você tivesse o mínimo de responsabilidade e respeito por si, e pela mulher que se responsabilizou a cuidar de você para que você pudesse desfrutar de uma boa experiência vivendo fora de seu casulo familiar, eu nem mesmo teria colocado qualquer fodida regra. Você pediu por isso Antonella. Aja como a mulher que quer ser tratada. Quando fizer isso ninguém irá te forçar a aceitar qualquer porra.

Eu o olhei horrorizada, logo, muito zangada.

Como ele ousava?

Ele prosseguiu:

— O seu problema é que você quer fazer o que bem entende, mas não quer aceitar as fodidas consequências dos seus atos. Eu te avisei, Antonella. Disse para não mentir para mim, que eu não suportava isso. Se tivesse sido honesta comigo, não teria pagado nenhuma merda. Mas, como agora, você preferiu agir como uma cadela. Não tem respeito algum por mim, nem por você mesma.

— Você, definitivamente, não bate bem da cabeça ou não está se ouvindo. Eu não sou nada sua, Castellammare. NADA. Não te devo qualquer coisa. Respeito se conquista. E, cretino, você não tem o meu. Aliás, nunca terá, se pensa que agindo como um imbecil conseguirá algo de mim. Dio, você é tão, mas tão estúpido que eu não sei se rio ou choro de pena. E sabe do que mais? Só para que fique bem claro, visto que você não parece enxergar bem, ou não faz caso, enfim.

Coloquei-me de pé, meus olhos semicerrados quando me aproximei, inclinando-me até alguns poucos centímetros de seu rosto. Toda diversão em minha face sendo substituída por uma expressão de escárnio quando eu lhe falei, pausadamente, da maneira mais fria e debochada que consegui.

— Não fique se achando o fodão. Você não é minha única fonte de prazer. — Estiquei a mão para seu pênis ereto, ainda aguardando uma libertação que não viria, e agarrei-o, massageando com suaves movimentos. — Um pênis bom e gostoso, onde posso me divertir por algumas horinhas. É isso que você é para mim, filho da puta. Nada mais, nada menos. Apenas mais um.

Se ele pudesse me matar nesse exato momento, não haveria nem minhas cinzas para contar história. Seus olhos eram mordazes, cheios de uma fúria assassina silenciosa.

Perigo. Perigo. Perigo.

Eu rezei uma rápida Ave Maria em mente pela minha cabeceira e algema serem tão boas quando ele puxou as mãos, o tilintar cortando o ar com uma faca afiada.

Arrumei a postura ereta, queixo erguido.

— Não fique bravo, querido. Você tem mais é que se sentir muito privilegiado por ter provado desse meu corpinho gostoso mais de uma vez. Saiba que não costumo repetir o cardápio então sinta-se infinitamente honrado — sugeri, arrogantemente.

Creio que minhas palavras deixaram Thor em choque, talvez, porque ele não estava acostumado com garotas diretas. Seja como for, não importava. Ele estava mudo, seu olhar mais malvado, se possível. E eu precisava me apressar se quisesse aproveitar cada minuto da festa, que me aguardava.

— Sabe Thor, eu devo admitir, você é um amante sem igual e me satisfaz como ninguém jamais conseguiu fazer. O que é uma merda, porque eu não posso me negar a você. Eu tento, mas meu corpo é safado e está viciado em você. Isso chega a ser inquietante — comentei distraída sem dar muita importância enquanto calçava meus saltos sensacionais, também brancos para complementar o visual. Coloquei-me de pé novamente, meu olhar em sua cara quando completei. — Se você não fosse tão mandão e filho da puta, eu até poderia tentar ser boazinha. Mas, então, você é um babaca arrogante, e caras assim como você, não merecem qualquer bondade minha.

Fui até o espelho para checar meu visual e sorri largamente, aprovando o que via. A fantasia de pirata sexy tinha caído como uma luva, beijando a minha pele e adicionando um quê a mais em minha sensualidade natural. O cabelo estava solto e esvoaçante, com cachos nas pontas louras. E como eu gostava de pisar em brasa, regressei para junto de Thor e dei uma volta lenta.

— O que acha? Estou gostosa pra caralho, não?

— Não se atreva a sair assim — grunhiu ele, vibrando.

Soltei uma risada alta e dissimulei um tremor.

— Uh, que medinho! E vem cá, Castellammare. Quem vai me impedir? Você?

— Antonella pare com isso. Escute o que eu digo, garota, você não me quer ver irritado com você. Não a sério... Não percebe que não ganhará nada com isso? Solte-me. Te dou a minha palavra de que não farei nada e, se quer realmente ir a essa festa, eu a levarei. Não haverá retaliações. Se não me quiser junto, você pode ir sozinha. Tem minha palavra. Agora, pare com isso e solte-me.

Sua voz era calma, muito bem controlada. Aquele tom apaziguador levou calafrios gélidos por minha coluna, e eu tive medo. Não medo de ele não cumprir sua palavra, mas da ameaça oculta por detrás de seu aviso caso eu levasse minha vingança adiante. Infelizmente para ele, o medo comigo sempre tinha funcionado como um propulsor, não um inibidor.

— Nop.

O baque do aço batendo contra a cabeceira quando ele puxou as algemas quase me fez saltar.

— Por que você tem que ser tão vadia?

— Por que você quer tanto essa vadia? Temos de convir, Castellammare, ou você é muito estúpido ou você está... — me interrompi. Será? — Você está apaixonado por mim. — Assim que as palavras deixaram os meus lábios, deu-me um ataque histérico de riso vindo do nada. — Oh, Minha Nossa! Não me diga que fez essa estupidez, Castellammare? Se bem que não me amar é algo difícil. Eu sou um doce de garota, não sou? — manguei, ainda sorrindo e batendo os cílios. Respirei, controlando-me e o fitei em expectativa. — Então? Você está Castellammare?

Thor ergueu a sobrancelha, zombando.

— Não permita que sua prepotência te cegue, garota. Eu teria de ser louco antes de me permitir apaixonar por uma puta mimada e tão vadia como você — cuspiu ele, com frieza.

Eu prendi a respiração. As palavras me afetando de uma forma perturbadora.

Ele continuou, sua voz tão fria quanto seu rosto:

— Não se ama uma vadia, Antonella, come-se ela. Se for boa o suficiente, repete. Então não se engane. Você é boa, mas não é a melhor. Lá fora há muitas vadiazinhas como você e muitas delas já estiveram em minha cama. Se a mantive não foi por afeto, senão porque é mais fácil mantê-la cativa para quando eu quiser aliviar o estresse. Afinal, se há uma buceta quente disposta pra molhar meu pau a qualquer hora que eu queira, por que recusar? E antes que diga qualquer asneira, sabe que nunca te obriguei a trepar comigo. Todas as vezes que veio pra mim, você fez por livre e espontânea vontade, faminta por meu pau, implorando e clamando por mais como todas as outras que tive.

Suas palavras moldadas num escárnio pesado entraram em meus ouvidos, como lâminas afiadas banhadas em ácido, machucando, ferindo-me por dentro de uma maneira inconcebível.

Minhas pálpebras bateram para baixo enquanto eu tragava uma lufada de ar e, em seguida, o mirei nos olhos. Ódio imperou em meu olhar. Forte e abrasivo.

Ele me encarava insondável, ostentando um sorriso cínico leve.

Retrai minha fúria súbita e amenizei a expressão, sorrindo.

— Fico feliz que pense assim, Castellammare. É sinal de que estamos nos entendendo, afinal. Pensamos da mesma forma. Até tirou as palavras de minha boca, devo dizer.

Ele franziu o cenho. Por um instante pensei ter visto um lampejo de surpresa cruzar seus olhos por meu tom incrivelmente calmo e gélido, até mesmo eu estava surpresa.

Bati minhas mãos juntas.

— Bem. Adoraria ficar e continuar nosso papo agradável, no entanto, há uma festa badalada me esperando. Lembra-se da última?

— Você não pode me deixar preso aqui, Antonella — ralhou ele enquanto eu pegava o chapéu, um adorno a mais da fantasia.

Olhei-o sobre o ombro.

— Me processe.

— Volte aqui Antonella! Não faça isso, porra! — Fingi não ouvi-lo e me dirigi até a porta, doida para, enfim, seguir para a festa. — Não se atreva a sair por essa porta!

Olhei-o sobre o ombro, novamente.

— Não faça escândalos! Martha está dormindo, seu mal educado. Oh, per favore! Não me olhe desse jeito como se eu fosse um monstro sem coração. Isso é para o seu próprio bem.

Ri alto, lembrando-me que ele havia usado essas mesmas palavras comigo quando decidiu que eu era sua escrava. Tudo que vai volta. Recomecei a caminhar.

— Volta aqui vadia!

Girei os calcanhares, antes que sua histeria acordasse todos na mansão, ou pior, trouxesse tia Martha ou algum segurança. Não olhei para o seu rosto ao buscar um lenço na cômoda.

Thor arregalou os olhos quando entendeu minha intenção. Sua cara foi tão cômica, que eu teria rido dele, se não estivesse tão obstinada a calar sua boquinha gostosa.

— Não ouse fazer isso, Antonella.

Sorri em resposta. Não foi a tarefa mais fácil da minha vida amordaçá-lo. Ele se mexeu pra caralho, xingando e ameaçando, porém consegui. Logo segurei seu queixo e o beijei na boca por cima do tecido. Somente uma pressão de lábios punitiva e, em seguida, fitei seu lindo olhar raivoso.

— Perfeito! — exclamei baixo, acariciando seu rosto deformado pela ira. — Você fica ainda mais gostoso com a boquinha fechada, Castellammare. Seus lábios foram feitos para me beijar e chupar. Dar prazer a mim. Não para proferir palavras depreciativas ao meu respeito, menino mau.

Bati o olhar para baixo, seu pênis ainda se mantinha a ponto de bala em cima da sua barriga, a glande ostentando uma lubrificação atrativa. Eu não resisti, segurando-o e, logo após, chupei isso.

Thor ainda tentou, mas seu quadril bateu para cima.

— Delícia — gemi, dando uma última chupada brusca na cabeça inchada. Thor resmungava algo. Com o olhar preso em seu pênis pulsante, eu disse. — Desculpe gostoso, mas hoje você não pode brincar com a minha menina. Seu dono merece uma lição.

Dei um último beijo na glande, e então, me afastei pegando o chapéu e a bolsa.

Parei, de repente.

Meu sorriso foi maquiavélico ao retirar o celular da bolsa, passei para o modo câmera e apertei o botão, registrando aquele momento numa foto linda e excitante. Guardei-o e fui para a porta. Meus olhos caíram sobre Thor pela derradeira vez.

— Eu te disse que não iria aceitar suas babaquices calada, não disse? Que não iria te perdoar pela palhaçada que me fez passar e que eu iria me vingar por cada uma daquelas coisas que me fez, não disse? Da próxima vez leve a sério o que eu digo, paspalho. Agora, aproveite seu tempo livre e, por favor, não saía daqui. Eu não demoro caro mio.

Lancei-lhe um beijo estalado e deixei o quarto ainda rindo.

Não queria aceitar, mas as palavras dele me incomodaram de uma forma perturbadora. Eu não era uma garota qualquer. Resolvida e honesta com a minha sexualidade, com toda a certeza.

Mas vadia? Nunca.

Ele somente estava tendo o que merecia. Cretino.

E, como Deus estava no céu e o Diabo no inferno, eu faria Thor Castellammare engolir uma a uma daquelas palavras. Ele comeria na minha mão ou eu não me chamaria Antonella Vicenti.

Encontrei Pietra rindo sozinha na sala, vestindo sua fantasia de marinheiro. O cabelo solto ondulando até a cintura. Olhos com bastante máscara de cílios e a boca preenchida com vermelho sangue. Ela estava muito sexy. Entreolhamo-nos e caímos na risada então saímos.

Lá no fundo, mas bem lá no fundo, eu estava temerosa sobre o amanhã. Eu tinha certeza que o castigo viria, assim que Thor estivesse livre, pelo o que fiz e disse.

Mas quem se importa? Ele não era nada para mim. E eu teria um montão de prazer. Ele me faria trabalhar para isso para reafirmar seu papel de macho alfa, porém eu não dava à mínima, porque eu sabia que ao final tudo que eu teria dele era prazer.

Expulsei-o da minha mente e me concentrei na estrada para Santa Monica.

Baby estava dando sua anual festa à fantasia, que de antemão sabia ser uma das mais aguardadas no ano. Seria nossa primeira festa a fantasia aqui e também a primeira de minha vida. E eu pretendia apreciá-la do começo ao fim, sem qualquer interrupção. E assim foi.

Toda e qualquer festa deve ser aproveitada como se fosse a última de sua vida. Esta era a nossa regra de vida. Nesta noite não foi diferente. Dançamos, bebemos, flertamos e beijamos. Este último menos que os três primeiros. O que diferiu aquela das demais festas que já frequentamos.

Em essência, os homens lá, embora bonitos e atraentes aos olhos, deixaram de nos entreter em uma determinada hora. Isso porque uma parte danificada minha mente começou a fazer comparações e nenhum dos caras presentes podia ser comparado a Thor.

Tudo com o maledetto parecia-me ser melhor.

Estava ali, mas, na realidade, eu estava mesmo ansiosa para voltar à mansão e receber o castigo que me aguardava. Eu já tinha me vingado e mal podia esperar pela vingança de Thor. No entanto, não deixei isso corromper minha noite de folga e apreciei-a até o último segundo, literalmente.

Uma vez que Pietra e eu retornamos a mansão cerca das onze da manhã do dia seguinte, eu estava extremamente cansada. Respirei fundo, me armando de coragem.

Estava um pouco receosa, afinal de contas, eu teria de soltá-lo. Girei a maçaneta, abrindo a porta num rompante, meu sorriso era largo e confiante...

Merda! Merda! Merda!

O choque me petrificou na porta, e então, o gelo se apossou da minha coluna e o medo queimou em minhas veias quando meu olhar se desviou da cama vazia e feita, em seguida, cobrindo todo espaço do quarto que estava ao alcance dos meus olhos.

Onde inferno aquele cretino estava? E como diabo ele tinha se soltado? A algema era forte, não?

Um pé após o outro, eu entrei no quarto e fechei a porta atrás de mim bem devagar, tão cautelosa quanto uma mocinha nos filmes de terror e era bem assim que me sentia.

Meus ouvidos estavam atentos ao mínimo barulho, até meu coração parecia estar compadecendo do meu temor, diminuindo as batidas para maior eficácia da minha audição. O sentimento de apreensão amorteceu minhas vísceras quando busquei por Thor em cada canto do meu quarto, closet e banheiro, com uma cautela de dar inveja a qualquer atriz hollywoodiana.

Por que merda eu estava tão apreensiva?

Não era como se ele fosse aparecer do nada com uma faca na mão e tentar me matar.

Um chicote, talvez?

Soltei um risinho histérico. Era o mais provável. Infelizmente, meu corpo não entendia isso, pois eu tinha a ligeira sensação que ao estar cara a cara com Thor, eu estaria em maus lençóis. Bem, se o tivesse encontrado da maneira que o deixei (o que devia ter sido), eu também estaria. Entretanto, eu daria um jeito de adoçar a fera antes de tê-la a solta. E agora, eu não sabia o quê pensar.

— Scusami!

— Caraaaaaaalho! — gritei sobressaltada, quase saltando fora da minha pele quando a cadela da minha amiga entrou no quarto de supetão.

Meu coração batia no cérebro, minha respiração descontrolada tão rapidamente, que foi um milagre não ter tido uma taquicardia. Puxei lufadas de ar, acalmando-me.

— Mas que diabo foi isso mulher?

— Nunca. Nunca mais se atreva a fazer isso, capisti Pietra?

Ela colheu os ombros.

— Scusa, eu queria falar com você. Ele ficou muito bravo?

— Não, merda!

— Então por que está assim? Isso é uma coisa boa, não?

— Não, Pietra. Ele simplesmente não estava aqui. Capisce? Não estava. — Plantei as mãos na cintura, meu cenho franzido em tensão. — Como diabo ele saiu?

— Você deixou algo perto para que ele pudesse abrir a algema, não foi?

— Juro que não. Niente. Nadinha. Juro! Ele não quebrou a algema. Não tinha como acontecer, além do mais, ela está intacta.

Pietra foi até a cama, inclinou-se pegando algo.

— E isso aqui? — Balançou as chaves na frente do rosto e meu queixo despencou. — Me parece a chave das algemas, não?

— Pietra, eu juro... — Pausei, indo até ela. — Essa chave maldita não estava aí ontem.

— Ela andou até aqui?

— É claro que não! Senti, eu lembro muito bem, ontem eu as deixei dentro da gaveta da cômoda junto com as algemas. Não as tirei de lá em nem um momento.

— Bem, alguém tirou. E eu já até imagino quem.

— Quem?

Que não seja tia Martha.

— Nathan. Ele não está no meu quarto, nem no dele e em nem um lugar da mansão. Eu já falei com a Mamma, mas ela disse que não sabe dele também e que nenhum deles desceu para o café.

Deixei minha bunda cansada pousar na cama.

— Isso é estranho, não acha?

— Estranho, eu não sei, porém de uma coisa tenho certeza, não é nada bom. De qualquer maneira, não há nada que possamos fazer então o jeito é tomar um banho e descansar antes que eles deem as caras, e nós tenhamos de enfrentar as feras. E não duvide disso. Se foi mesmo Nathan quem libertou Thor, você tem um inferno particular para enfrentar e entrevejo que eu terei o meu, também. É melhor que estejamos descansadas.

Naquele mesmo dia à noite, Thor ainda não tinha dado sinal de vida. Logo fui à caça de Pietra, encontrando-a na sala de entretenimento, com o celular em mãos.

— E aí? Eles já deram as caras?

— Não. Eu já liguei inúmeras vezes. Nem Thor, nem Nathan respondem. A propósito, só dá caixa postal em ambos os números. E mamma jura não saber de nada.

De repente, um pensamento me ocorreu.

— Pietra, você acha que ele foi embora?

Era uma possibilidade válida, afinal de contas, Thor estava apenas de passagem.

— Thor não iria sem falar comigo e com mamma. E ele não fez nem um, nem outro. Além do que, Nathan para todos os efeitos ainda é meu namorado, ele não pode ter ido sem me dizer nada.