Dangerous
Capítulo 03
Minhas pernas estavam moles como gelatinas.
As sensações de prazer, raiva e desejo que esse homem fazia eclodir dentro de mim, deixavam-me extasiada. Eu o queria pelo menos mais uma vez. Mais uma única vez.
Meu corpo inteiro clamava pelo o dele, de maneira vergonhosa.
Era como se seus toques e seu corpo fossem feitos exatamente para mim. Sob medida. O corpo dele também respondia ao meu com o mesmo furor. Eu sabia.
Respirei de maneira superficial abrandando minha afobação. Os sinos de alerta insistiram, fracamente, quando ginguei meus quadris em movimentos sensuais até Heithor, que tinha se apartado de mim. Talvez, me dando a chance de recuar, não sei, mas não ia acontecer.
Ele me queria aqui e aqui eu estava. Iríamos fazer isso.
Levantei nas pontas dos pés e busquei sua boca. Ele respondeu, permitindo-me conduzir o beijo experimental. Puxei seu cabelo, empurrando sua cabeça no ângulo que eu queria quando aprofundei o ato, beijando-o de forma mais selvagem. Suas mãos tocaram a minha bunda, massageando suavemente as bochechas. Suspirei contra seus lábios e rasguei a boca para o pescoço dele. Seu perfume chicoteou meu nariz um pouco mais forte. E, caramba, ele cheirava bem pra cacete.
Infiltrei uma mão entre nossos corpos, até que alcancei a frente de seu jeans e fechei os dedos sobre sua ereção, apertando e esfregando ao mesmo tempo. Ele gemeu áspero. Suas mãos foram para as amarras da parte de cima do meu biquíni, e no outro momento, eu a tive fora do meu corpo.
Heithor me beijou breve e duro então se afastou, e, com um sorriso sacana nos lábios carnudos, deixou seu olhar vagar lentamente de um extremo ao outro sobre mim. E eu, como uma idiota, senti minhas bochechas esquentarem num misto de embaraço e luxúria.
Ele se aproximou e tocou meu rosto.
— Você fica ainda mais gostosa quando corada, baby.
Meu sorriso lento era travesso quando segurei a mão dele, levando seu dedo para os meus lábios, e então, mirando seus olhos quentes com uma inocência que não existia dentro de mim, eu suguei-o dentro da minha boca. Heithor exalou pesado, mas sua expressão se manteve calma, apesar do fogo que enxergava arder em seus orbes azeviches. Soltei o dedo, ainda sustentando o contato visual.
— Sabe Thor, eu estou em desvantagem aqui.
Ele tirou a camiseta pela cabeça, jogando-a para o lado em tempo recorde.
— Não mais.
Dei um curto passo atrás para redescobrir aquela parte de seu corpo.
Inalei fundo e expulsei o ar devagar, afetada pela visão.
O corpo dele era para morrer. Um peitoral abaulado por músculos fortes desenhados artisticamente e um abdômen incrível, muito melhor do que me lembrava. Sem nem um grama de gordura. Duro e definido sob a pele dourada, que causava ânsia em minha língua para lambê-lo. Braços massivos e ombros largos. Os oblíquos sexies declinando sob o jeans surrado se perdurando em seus quadris, envolvendo as poderosas pernas de um jeito tão sensual.
Nas sombras da noite Heithor tinha sido magnífico, porém a luz do dia ele era imbatível.
Muito sexy e... letal.
De fato, eu queria cair de joelhos e lamber cada pedacinho dele.
Usando minhas unhas vermelhas, deslizei-as de leve sobre os contornos de seu abdômen, tomando meu tempo para tocar cada músculo seu e contar os gominhos sarados, e então, desci pelo caminho ralo de pelos escuros nascendo a partir de seu umbigo e se escondendo sob o cós de seu jeans. E voltei. Retive um sorriso vitorioso quando ouvi sua respiração se voltar difícil.
Ergui-me nos pés e escovei beijos molhados passando por sua clavícula, brinquei com seus mamilos escuros, sentindo as pontas incharem na minha língua enquanto enfiava a mão entre nossos corpos, novamente, até fechá-la sobre sua ereção. Ele gemeu áspero e empurrou contra minha mão. Sorri sobre sua pele e continuei a descer os lábios numa linha reta até o cós de seu jeans.
Sentada sobre minhas panturrilhas, mordi o lábio inferior em antecipação e puxei o ar com força quando confrontei meu objeto de desejo escondido embaixo do tecido grosso. Rezei uma prece em silêncio e, em seguida, desabotoei o botão da calça. Então foi a vez do zíper.
Heithor cobriu a minha mão com a sua e eu joguei meu olhar interrogativo para cima.
— Nunca te obrigaria a nada, mas tem de saber que se me tocar aí não haverá mais volta. — Ele pausou, então prosseguiu num tom feroz, porém ainda baixo. — Eu vou te comer duro e difícil, e não haverá nada que você possa fazer para me impedir, compreende?
— Sim — respirei.
A mão dele soltou a minha e sua expressão se intensificou.
Segurei seu olhar, deixando todo o meu desejo transparecer quando baixei o zíper e, sem paciência para descobri-lo aos poucos, empurrei a calça e a cueca para baixo, amontoando-as em suas coxas.
Meu fôlego foi retido em meus pulmões antes mesmo que eu o prendesse lá. Outro rasgo de excitação cortou-me por completo e minha feminilidade estremeceu quando foquei seu membro.
Eu nunca antes tinha achado um pênis bonito, nem dado mais atenção aquele órgão do que era devida ou havia criado parâmetros de beleza para ele... Até agora.
Saliva encheu minha boca e uma dor gostosa nasceu no interior da minha vagina, se espalhando por minha virilha quando examinei seu comprimento ereto, sobressaindo de uma esponja aparada de pelos escuros. Ele era longo e grosso. Combinava com a grandeza do dono. Veias grossas salientavam sob a pele avermelhada. A cabeça no formato de cogumelo era púrpura e estava inchada, segurando uma pérola do seu tesão. Abaixo, os escrotos pareciam pesados e carentes.
Verdade seja dita, o caralho do homem era todo comestível.
Minha buceta concordou com um espasmo alegre.
Lambi os lábios, imaginando tudo aquilo dentro da minha boca. Se bem que eu duvidava de que sequer coubesse a metade. Mas eu sempre poderia tentar uma e outra vez.
— Admirando-me, neném? — Heithor galhofou num timbre cálido e divertido, porém havia uma sugestão de impaciência também. — Toque-me.
E foi o que eu fiz.
Segurei seu pau, tendo a certeza que não poderia levá-lo todo em minha boca. Meus dedos não se tocavam. Então deslizei a palma sobre sua longitude, testando sua solidez e a textura. Ele estava tão duro, que me ocorreu que deveria ser doloroso para ele. Poderia jurar que pulsava na minha mão.
— Você é quente e está muito duro. É macio também, como seda.
Ele gemeu e murmurou algumas palavras obscenas, contudo, não me preocupei em entender quando estava distraída em descobrir todos os segredos de seu pênis.
Heithor não era apenas um pau grande. Ele sabia usar o que tinha. Não era de se admirar o porquê de eu sentir minha buceta tão dolorida pela manhã e, ainda assim, tê-la pingando por mais.
— Use essa boquinha sexy, neném.
Cerrei o olhar, mirando-o de baixo. Estava aos seus pés, todavia, isso não queria dizer que ele podia mandar em mim e fiz questão de deixar isso claro.
— Não me diga o que fazer. Eu vou te chupar quando eu quiser.
— Antonella não me provoque — ele censurou áspero, embora ainda fosse suave. — Eu estou a ponto de romper e acabar com a sua diversão então sugiro que chupe logo meu fodido pau.
Ordinário.
Eu iria, mas não porque ele estava mandando.
Sujeitei a base de seu membro e joguei meu olhar descarado para cima, confrontando seus olhos atentos aos meus movimentos. Minha língua precipitou fora e deslizou pela glande úmida, numa lambida longa e demorada, saboreando seu pré-sêmen. Heithor gemeu rouco jogando a cabeça para trás. Era tão bonito, tão sexy. Parecendo muito másculo e eficiente. Fiz de novo me sentindo poderosa ao ver seu bonito rosto torcido numa tormenta de necessidade que eu provocara nele.
Vaidosa por mais, lambi da ponta até a base enquanto meus lábios acariciavam seu comprimento no processo e voltei. Minha língua golpeou a cabeça inchada, contornando-a, e, em seguida, chupei e lambi, absorvendo mais de sua excitação. Adorando a textura macia. Meu estômago apertou num espasmo violento com o seu sabor. Seu gosto era bom, suave e salgado. Eu quis mais, sentindo meu corpo se contrair de prazer ao abocanhar seu pau, tragando-o com a intensidade da minha luxúria.
— Foda-se — ele grunhiu. — Agora chupe isso apertado. Isso neném, justo assim.
Seu quadril retesou quando deixei meus dentes rasparem a carne aquecida de leve no processo de retirada. Gemi ao seu redor e o tomei mais profundamente quanto podia. Minha língua acariciando em cima e em baixo, em todo ele quando suguei e movi a palma em torno dele, minha boca encontrando a mão no processo de sucção. Heithor pulsava em minha boca, crescendo mais. Meus gemidos em volta dele e a avidez de minha língua parecia fazê-lo maior e mais duro a cada descida de meus lábios. Muito bom, pensei, levando a outra mão para seus escrotos pesados e os acariciei entre os dedos, fazendo uma leve pressão.
— Puta que pariu! Leve-o todo, my little bitch.
Ele contraiu o quadril novamente e segurou o meu cabelo, mantendo-me lá, quando a ponta de seu pênis começou a buscar minha garganta. Eu não lutei contra, apenas relaxei e o deixei ir tão fundo quanto podia, babando ao seu redor e deliciando-me com o entra-e-sai quando ele passou a foder minha boca alternando a velocidade das investidas.
Seus dedos puxaram meu cabelo mais forte e eu pensei que ele fosse gozar em minha boca, sentia-o bem próximo do ápice e me preparei para receber seu gozo. Porém, Heithor me afastou com delicadeza e ofereceu sua mão. Senti-me um pouco frustrada e não fiz questão de esconder isso quando aceitei seu apoio, colocando-me de pé enquanto lambia os lábios.
Ele me puxou para o seu corpo e me beijou com posse. Eu derreti.
— Sua boca é o céu, neném, mas não vou gozar antes de provar você na minha língua — ele sussurrou contra os meus lábios e, em seguida, me fez olhar em seus olhos. — Depois você pode fazer o que quiser comigo. Agora seja boazinha e deite-se de costas sobre a cama, por favor.
Movi-me para cama e deitei no centro dela, contente pelo conforto e maciez dos lençóis sob as minhas costas. O observei se despir da calça e da cueca sem apartar seus famintos olhos de mim.
Heithor sorriu. Presunçoso e bonito. Arrogante, mas tão lindo que me enfraqueceu. Meu coração saltou à garganta quando ele parou ao lado da cama, sua presença poderosa e exigente.
Um arrepio atravessou o meu corpo. A ansiedade se acumulando na boca do meu estômago quando o colchão se moveu com o peso dele. Ele se sentou sobre as minhas coxas e inclinou-se para frente, sustentando o peso em seus braços estabelecidos ao lado da minha cabeça.
— Você é maravilhosa Antonella — suavemente, ele disse, com seus olhos fixos nos meus, persuadindo a minha alma. — Muito mais bonita do que eu me recordava.
Sua boca baixou sobre a minha num beijo apaixonado, e então, desceu rasgando os lábios por meu pescoço, colo. Sua mão apertou meu peito, e ele lambeu o mamilo, contornando-o com a ponta da língua. Eu resfoleguei e mordi meu lábio com força. Ele fez outra vez e logo sugou a ponta densa para dentro de sua boca com maior força. Arqueei as costas tentando ter mais ao mesmo tempo em que agarrei a cabeça dele para sustentá-lo lá. Seus dentes me testaram, roçando no cume inchado.
Heithor levantou a cabeça e me olhou atentamente enquanto beliscava as pontas sensíveis.
Eu engasguei.
Com um sorriso pecaminoso, ele balançou o olhar e observou meus mamilos tensos, antes de tornar a tomá-los. Heithor se amamentou de mim, levando-me para outro nível de excitação.
Gemidos de prazer escalaram minha garganta e eu mordi o lábio para trancafiá-los.
Meu sexo latejava, pulsando com as batidas do meu coração, clamando atenção até que a dor se voltou mais intensa, fazendo-me torcer o cabelo dele em meus dedos e minhas unhas cravaram em seu couro cabeludo. Ele grunhiu contra minha pele sensível e mordeu o mamilo em represália, estirando-o a ponto de dor. Um gemido sôfrego me escapou e foi como se as comportas de uma represa fossem abertas. Outros gemidos seguiram desenfreados e não havia nada que eu pudesse fazer a respeito.
O joelho dele empurrou entre minhas pernas, e eu as espalhei. Então, inclinei a cabeça para trás e retesei o quadril ao sentir o dedo dele tocar meu clitóris, esfregando, colocando a pressão certa sobre ele. Meu corpo se apertou em necessidade e eu senti vontade de chorar.
Aquilo não era suficiente. Eu queria mais. Precisava de sua boca lá, dos seus dedos dentro de mim, fazendo-me vir. Mas não queria pedir por isso, não podia. Seus lábios desceram por minha barriga tecendo beijos molhados em minha pele, e eu suspirei de alívio para noutro momento bufar frustrada por ele se deter em meu umbigo, puxando o piercing que eu tinha ali.
— Eu gosto desse — ele sussurrou.
Era uma joia delicada, com um pingente de fogueira cravejado de pequenos brilhantes. Pietra tinha me dado ele quando fomos a LA fazer minha tatuagem na nuca.
Heithor tornou a puxá-lo na boca. Estremeci e me curvei na sensação.
Ele estava brincando comigo, torturando-me por prazer.
Filho da puta!
Enrolei os dedos nos lençóis, meu corpo tenso quando abri a boca para proferir um montão de maldições e ordená-lo a me satisfazer como eu queria, entretanto, ele voltou a deslizar abaixo. Eu relaxei, sentindo seus dedos segurarem as laterais da calcinha. Sua língua brincou em minha pele, fazendo cócegas e provocando-me arrepios. Mas ele não estava lá, onde eu queria.
Levantei meu tronco apoiada em meus cotovelos.
— Que merda...?
As palavras deslizaram de volta por minha garganta ao perceber que ele observava minha virilha.
Seu olhar se levantou para mim.
— Acho que fui um pouco rude ontem — ele murmurou rouco, com uma sugestão sutil de culpa em seu tom, embora seus olhos expressassem satisfação por sua obra de merda.
— Não faça isso de novo.
A sobrancelha negra curvou.
— Não?
— Você foi um filho da puta me marcando assim.
O cretino teve o descaramento de sorrir.
— Talvez. Mas não pode me culpar, não é assim? Esteve muito exigente na outra noite... por mais que eu gostasse de vê-la implorar, não poderia deixar de te dar o que me pedia.
Eu não pude refutar isso, sua boca se sentia como o céu entre as minhas coxas.
Mas, porra, ele tinha marcado minha buceta!
Engoli saliva e meus lábios entreabriram ao ver a ponta de seu dedo contornar algumas pequenas manchas em minha virilha e em meu monte de Venus. Seu toque foi suave, quase tão delicado, que eu senti um pouco do meu aborrecimento se desvanecer.
Ele continuou:
— Tem a pele clara e muito delicada, por isso fica marcada tão facilmente. Eu gosto.
— Eu não, — ralhei.
— Vou tentar ser mais cuidadoso, mas não posso prometer que não vou fazê-lo mais, — seus lábios escovaram beijos molhados por onde os dedos correram, e eu exalei pesado deixando minha cabeça pousar no travesseiro, novamente. — Volta-me louco, Antonella.
Ele se ergueu, ficando de joelhos entre as minhas pernas abertas quando deslizou minha calcinha abaixo. Levantei o quadril para ajudá-lo e, em seguida, fechei as pernas, elevando-as na frente de seu corpo quando ele a passou pelas minhas coxas. Mas, então, se deteve em meus joelhos e, em seguida, os forçou próximos ao meu abdômen. Exposta a ele de uma maneira peculiar e muito íntima, que me deixou mais quente. Ouvi-o soltar uma exalação brusca.
— Você é muito pequena. Estreita e delicada, — ele murmurou num tom escuro, e eu me senti molhar mais. — Gostaria que você pudesse se olhar agora. Está babando por mim. Toda rosa e brilhante. Me dá água na boca. Tenho o pau tão duro, que me dói... Está dolorida? Ontem as coisas saíram um pouco de controle — ele lembrou, com um ar safado, porém eu pesquei a sugestão preocupada em seu olhar. — Você está inchada. Eu não quero te machucar.
Engoli um fôlego, muito consciente da trepada animal que tínhamos dado ontem.
— Estou bem — sussurrei.
Ele assentiu e a sombra de alívio envolveu sua expressão.
Suas mãos nos meus joelhos mantiveram minhas pernas fechadas, e eu cruzei os tornozelos no alto. Um segundo mais tarde, engasguei com meu fôlego e gemi alto, fechando os dedos no lençol ao primeiro contato inesperado de sua língua em meu sexo. Seu aperto em meus joelhos se fez mais firme ao impulso do meu corpo de abrir minhas pernas e me mover contra a sua boca.
— Oh, merda!
Ele me lambeu a sua maneira. A respiração morna chicoteando minha carne molhada, enviando-me disparos de sensações quando sua língua subiu e a ponta golpeou o clitóris.
Minha barriga tremeu e eu solucei ofega na emoção.
Meus dedos se agarram nas minhas coxas, as unhas machucando minha própria pele, porém a dor e possíveis marcas lá eram irrelevantes quando eu tinha a boca de Heithor sobre mim. Seus lábios escovando aquela parte tão sensível do meu corpo enquanto sua língua lasciva abria caminho por entre minhas dobras sentia-se como o céu e o inferno junto. Eu somente queria isso. Somente isso me importava.
Minha cabeça deu voltas e mais voltas, entorpecida pelo anseio de tê-lo.
Se havia uma coisa que eu não podia negar era que meu corpo já amava os seus toques. Eu estava completamente entregue a ele. E isso era uma merda! Eu ainda queria gritar, ainda havia uma parte pequena querendo mandá-lo para o inferno; meu corpo safado induzido pelo diabo descarado em meu ombro não. O infeliz queria ficar aqui e apreciar cada toque, cada movimento, cada beijo.
Heithor cessou a tortura e se desfez de vez da minha calcinha, e então, espalhou minhas pernas expondo minha buceta aberta ao seu ávido olhar.
— Tem uma bucetinha preciosa, neném. Lisa e delicada. Muito responsiva ao meu toque. — E acrescentou. — Foi feita para a minha boca, para o meu pau. Definitivamente, para mim.
Sua mão cobriu minha intimidade e um dedo correu pela fenda untada. Meu corpo convulsionou, impulsionando em sua direção, mas o maledetto afastou a mão.
Eu protestei, com um resmungo irritado.
Ele sorriu perverso mirando meus olhos.
— Não Antonella, agora é a minha vez. Mas não há pressa, — ele pausou então seguiu arrogante. — Tenho o dia todo para compensar a noite péssima que dei a você e te mostrar que sou muito melhor que qualquer outro com quem já esteve. Não foi isso que disse há pouco?
Ponderei se seria muita humilhação desmentir minhas palavras, porque a verdade é que se ele fosse só um pouquinho melhor do que tinha sido ontem, eu morreria. Contudo, perdi o fio da meada quando ele inclinou a cabeça para baixo. Eu gemi alto. Sua língua rodou ao redor do meu clitóris, mergulhou em minhas dobras e separou os inchados lábios de meu sexo. Então ele dedicou uma lambida lenta e áspera desde a entrada chorosa da minha buceta até meu grelinho, o sugou sem cuidado, estirando, e desceu. E, toda e qualquer prudência que ainda poderia haver em mim sumiu.
— Ah, merda, sim! Faça assim, seu puto safado...
Eu não soube discernir se ele trabalhava para me dar prazer ou me enlouquecer quando senti a língua endurecida sondar minha entrada, jogando com ela antes de enfiá-la lá, indo o mais fundo que conseguia logo me fodendo. Meu orgasmo começou a edificar. Os braços de Heithor firmados em torno das minhas coxas impediam-me de mexer como eu queria. Aquilo era tortura. Deliciosa, ainda assim uma tortura, quebrando e refazendo-me somente para quebrar-me, novamente.
Minhas mãos se tornaram uma confusão de movimentos, correndo por meus seios pesados e puxando os mamilos tensos. Desci uma cavando no cabelo dele, torcendo os fios em meus dedos.
Gemidos baixos e minha respiração irregular disputaram espaço por entre meus lábios quando a sensação se intensificou e a vontade de me encolher no prazer beliscando minha pele foi irresistível.
Sua língua subiu para o meu clitóris, brincando, provocando-o quando a ponta do seu dedo incitou a minha entrada, e deslizou para dentro sem cerimônia. Escorregando fácil e fundo. Logo outro dedo seguiu bombeando meu canal. Eu ofeguei. Meu peito subindo e descendo com brusquidão quando movi meu olhar para ele, observando-o me torturar devagar, retardando meu clímax de propósito. Eu quis bater na cabeça dele e não omiti isso quando seu olhar chamou o meu.
Sua expressão era pura determinação quando disse:
— Antes do fim do dia você estará coberta com meu sêmen, meu cheiro, meu suor, até que você esqueça qualquer outro que já tenha tido. Você é minha, Antonella. Minha putinha. E eu não divido nada que é meu, nem mesmo em pensamento. Não perca seu tempo tentando usar os meus amigos para me provocar, porque isso só vai me irritar e será você quem perderá com isso.
Meu corpo se sentiu louvado com suas palavras possessivas, e eu me deixei levar não dando importância a elas quando Heithor fez minha descida para o inferno. Ele me devorou, chupando meu ponto sensível e batendo os dedos dentro de mim, até que eu não sabia se fugia dele ou o prendia entre as minhas pernas. Sentia meu corpo suado, meu coração pulsando na pele. Uma tempestade de sensações prazerosas formou um redemoinho de fogo dentro de mim e cresceu.
— Me fode gostoso, seu vadio. Mais! Ah, Dio, sim, assim!
Minha cabeça oscilou para os lados e o quadril trabalhou sozinho, balançando contra os lábios dele, recebendo as investidas de seus dedos e de sua boca quando agarrei os cabelos dele sem qualquer cuidado, desejando fundi-lo a mim. Eu não tinha qualquer domínio sobre meus movimentos. Meus gemidos ecoavam a minha volta e ouvir o som molhado de sua boca sobre mim somente impulsionou-me a beira do precipício que me aguardava.
— Merda! Me chupe mais forte. Me foda. Qualquer coisa... Eu vou... — choraminguei desconexa, minha voz crepitando quando as sensações se intensificaram e meu quadril ficou tenso, o orgasmo começando a estalar sobre mim. Torcendo o meu ventre.
— Assim, Antonella... Você está tão quente. Muito doce. Deliciosa, neném.
Ele intensificou suas carícias íntimas, empurrando-me e eu caí.
O mundo se desfez a minha volta. Tudo se tornou um borrão de cores e sensações quando ondas de prazer absoluto, ondulou-me de dentro para fora, arrepiando cada centímetro da minha pele e colorindo as minhas bochechas. Impulsionando meu coração. Seu nome deixou meus lábios enquanto eu convulsionava em sua boca, num êxtase que jamais tinha acreditado ser possível.
Eu chorei tentando me afastar de sua língua pecaminosa, mas ele me segurou e continuou lambendo, prolongando o orgasmo. Alimentando a fome que ele tinha despertado. Apertei os dedos nos lençóis e esperei que as ondas diminuíssem enquanto ouvia meu coração bater nas orelhas. Minha respiração estava tão ofegante quanto à de um maratonista poderia estar.
— Você é muito gostosa, — escutei ele murmurar em alguma parte da minha mente desfeita enquanto eu ainda inerte no prazer buscava algum controle. — Sua bucetinha é doce..., é um pecado não te chupar toda, Antonella. Vai ser meu café da manhã enquanto eu estiver aqui, neném.
Sua boca buscou a minha quando ele se deitou em cima de mim, beijando-me com calma. Provei o meu próprio gozo em sua língua. Aquilo era tão sujo, tão perverso, mas excitante.
Sua dura, firme e pulsante, ereção cutucou minha coxa. O vazio dentro de mim, de repente, muito opressor. Eu girei meu quadril, procurando a penetração.
Heithor parou o beijo e se ergueu, encarando-me. Seu olhar era intenso e mais escuro.
— Vira vagabunda. Quero ver meu pau te arrombando de quatro — ele demandou enérgico.
Gemi com suas palavras.
Sem delongas, me movi ficando de joelhos, em seguida, desci pousando a cabeça no travesseiro, ao invés. Uma posição que deixou minha bunda totalmente exposta a ele, como um presente pecaminoso. Ele amaldiçoou e me deu um tapa forte na bunda. Exasperei e ofeguei com a sensação de ardor que se espalhou daquele ponto. Uma picada sexual, enrodilhando-me por dentro.
— Vadia. Está gostando de me provocar, uh?
Ele se colocou entre as minhas pernas, espalhando minhas coxas mais abertas e pincelou minhas dobras com a ponta de seu pênis, dando-me um gosto de meu próprio veneno.
Queimando.
Era assim que eu me sentia. Meu baixo ventre contraiu e soltou, doeu. Eu joguei meu quadril para trás buscando a penetração que desejava, porém ele me segurou. Eu xinguei.
Heithor soltou uma risada prazenteira.
— Calma, gostosa. No meu tempo.
Ele estava louco, só pode!
Como eu poderia ter calma quando ele me provocava dessa maneira?
— Menina safada. Está pingando na cabeça da minha pica. — Ele apertou a cabeça quente contra o meu clitóris, e eu quase morri de vontade. — Como pode dizer que não gostou de ser comida por meu pau quando está derretendo contra ele? Por ele?
— Cazzo16! Me come, filho da puta. Mete logo essa po...
Ele meteu sem misericórdia, batendo todo seu comprimento dentro de mim até as bolas, que se não fosse por suas mãos estarem me segurando, eu teria batido a cabeça contra a cabeceira da cama. As palavras tropeçaram dando lugar a uma maldição em meus lábios. Eu me fechei em volta dele quando a sensação dolorosamente apertada me espremeu.
— Porra! Está muito quente. Apertada demais. Tão molhadinha. Não posso ir com muita calma agora — ele disse num tom tenso. — Estou louco para te comer desde que te deixei naquela cama hoje de manhã.
Virei à cabeça para fitá-lo sobre o ombro, assistindo seus traços enrijecerem numa expressão desesperada, como se ele brigasse por controle e estivesse a um fio de perdê-la.
— Não importa, só me coma, — eu sussurrei de volta num fiapo de voz.
Seu comprimento começou a deslizar dentro de mim, entrando e saindo, com uma lentidão infernal. Experimentando. Provando. Acariciando. Meus músculos internos pulsavam a sua volta, tentando segurá-lo dentro a cada retirada e tragá-lo profundamente a cada volta.
Heithor me estirou devagar, tomando seu tempo para me enlouquecer.
Meus olhos entraram em órbita.
— Dio... Continue me fodendo assim... Mmmm... Seu pau é tão gostoso...
— Sente meu pau te arrombar toda? — ele grunhiu, enquanto martelava. Dentro e fora. Ininterruptamente. — Você é uma delícia, Antonella. Gostosa pra caralho. Gosta assim, baby?
— Sim! Não pare... Oh, Dio!
Tudo em que eu podia me concentrar era no deslizar molhado do seu pau dentro do meu canal. Era tão intenso, tão bom. Sentia cada polegada dele, cada pulsar e estremecimento dos meus músculos quando se fechavam em torno dele. Engolindo suas investidas com fome.
Heithor mergulhou mais fundo, despedaçando minha mente devagar. Ateando combustível em minha necessidade. Construindo suave e lentamente até que se tornou insuportável.
— Mais, maledetto! Mais forte! Me foda mais forte!
Ele parou e eu o amaldiçoei, escutando sua risada baixa. Um som profundo que reverberou em meus ossos e espalhou um calor selvagem por cada centímetro meu. Estava ardendo, meu corpo todo piscando para ele. Suas mãos acariciaram minha bunda numa tortura premeditada.
— Você é tão estreita que eu tenho medo de te romper com minha fome por você. Mas você não vai, verdade? Gosta da dureza que posso te dar. E, baby, não duvide nem por um segundo sequer, somente eu posso lhe dar isso quantas vezes puder aguentar.
Heithor desceu sobre mim, seus lábios beijando suavemente a parte baixa das minhas costas e reiniciou suas estocadas cuidadosas, seu pau crescendo a cada empurrão, com rasos movimentos ascendentes que me fizeram ofegar e chorar a cada impulso enquanto moía meus dedos nos lençóis.
A sensação daquele pau todo recheando a minha buceta era extraordinária.
— Mete tudo, filho da puta. Isso... Mmm, que gostoso...
Eu fui ficando mais molhada ao redor dele e Heithor se moveu com mais facilidade, empurrando para dentro até que eu engasgasse com o seu comprimento. Meu orgasmo cresceu devagar e profundamente quando ele se ergueu. Eu joguei meu quadril para trás, rebolando contra Heithor, recebendo cada investida, o atrito criando um frisson gostoso. A necessidade do prazer final se levantou dentro de mim, ganhando formas mais sólidas, mais intensas. Eu enlouqueci na busca, dando tudo de mim.
— Que delícia, minha putinha. Rebola gostoso no pau do seu homem... Diga, Antonella. Diga que sou seu homem, que sou o único que vai ter isso aqui.
Virei à cabeça o suficiente para olhá-lo atrás de mim quando ele diminuiu o ritmo, aguardando minha resposta. Meu olhar nebuloso na paixão era determinado.
— Não.
Seus olhos brilharam e sua mandíbula se apertou.
— Não? Acho que posso te fazer mudar de ideia.
Ele retirou, arrastando seu comprimento para fora, e então, retrocedeu de maneira que somente a ponta resvalasse na minha abertura. E enfiou tudo. Rápido, forte, quente. Eu engasguei e todo meu corpo teve um forte espasmo. Sua mão serpenteou abaixo, e quando os dedos encontraram meu clitóris ele o massageou, alternando a pressão de suas gemas, controlando o meu prazer.
Eu quase saltei fora da minha pele. Meu corpo doeu e retesou em necessidade. Estava suada até a raiz dos cabelos. Ele não abrandou seus movimentos, metendo fundo e lento enquanto os dedos em meu grelinho traziam o alívio mais e mais perto, porém afrouxando quando estava na borda.
— Maledetto, figlio di puttana! — Xinguei, com a voz estrangulada quando senti seus dedos se apartarem do meu ponto de prazer. — Pare de brincar comigo e me dê isso.
— Sexy pra cacete — ele gemeu. — E minha. Minha, caralho! Você pertence a mim. Só a mim. Ninguém nunca vai ter isso exceto eu. E somente eu posso te dar o que quer my little bitch. Só eu.
Meu corpo se contraiu dolorosamente, ma, per Dio, que eu não diria.
— Heithor...
Ele rosnou.
— Se eu sequer ver você flertando com outro, como fez mais cedo, Antonella, eu juro por Deus que vou deixar essa sua bunda deliciosa vermelha na minha mão.
Eu amaldiçoei. Ele regulou o ritmo, batendo forte. Cada terminação nervosa minha estava em curto-circuito. Minha pele hipersensível. Meu clitóris doía tanto, que latejava na alma. Bastava um toque. Tudo o que ele tinha a fazer era tocar-me lá, novamente.
— Me toque, seu maldito desgraçado!
— Não seja teimosa, neném. Diga, e eu lhe dou o que quer.
— Nunca — ofeguei.
Ele grunhiu e eu suspirei de frustração.
Ele martelou dentro de mim, me comendo até que estive soluçando e jogando o quadril para trás com gestos urgentes, descuidados e irregulares, buscando qualquer tipo de alívio. Estava tão no limite que minha pele parecia viva, pulsando por todas as partes, tentando me virar do avesso.
Dio, eu queria matá-lo!
Lágrimas se acumularam no fundo dos meus olhos, e eu grunhi frustrada quando meu corpo começou a tremer descontrolado, mais necessitado do que algum dia esteve.
Minhas pernas subitamente ficaram fracas e incapazes de aguentar o meu peso. Comecei a escorregar e Heithor me segurou. As mãos grandes agarraram minha bunda, numa pegada deliciosamente possessiva. Eu ficaria com contusões mais tarde e não me importei, não naquele momento quando tudo que eu precisava era do seu pau me comendo com força e dos seus dedos treinados me fazendo vir. O que não aconteceu.
A primeira lágrima saltou, escorrendo pelo canto do meu olho.
A mão dele viajou abaixou e se embrenhou em meu cabelo, enrolando uma massa de fios em seu punho e puxou-me para trás em direção a seu peito com aspereza. Minha cabeça caiu para trás em seu ombro. Seu braço direito prendeu os meus contra meu corpo e o esquerdo passou sobre o meu estômago na transversal quando sua mão envolveu meu pescoço, segurando-me num aperto firme, porém ainda gentil. Estava subjugada pela sua força e por sua vontade.
— Diga, porra — ele ordenou bruscamente no pé da minha orelha.
Sua boca tomou a minha num beijo que entorpeceu minha alma então ele rasgou os lábios para a minha nuca em cima da minha tattoo, aplicando um beijo punitivo com a picada doce de seus dentes e, em seguida, desceu para o meu pescoço a sua maneira.
Minha mente estava em parafuso sobre o quê fazer. Eu não queria dizer. Recusava-me a dizer aquelas palavras estúpidas, mas elas estavam lá. O desejo insano se rebelando contra mim, empurrando-as na ponta da minha língua. Eu travei meus dentes, me negando.
Eram apenas palavras, merda. Palavras do calor do momento. Inúteis, mas eu não podia.
Que merda de situação!
— Oh, foda! — ele gemeu e acrescentou num tom áspero. — Não vou durar muito tempo. Eu estou no meu limite aqui, vou te comer com força e vou gozar. Você não terá alívio. Então me diga baby. Diga que é minha, que me pertence, e eu vou te dar o melhor orgasmo da sua vida.
Não!
Meu corpo todo protestou. Não queria gozar sem ele, não seria suficiente alcançar minha libertação por meus dedos, sem ele lá, dentro de mim. Eu queria com ele.
E desisti de lutar.
— Sì. — A palavra foi apenas um sussurro baixo sob minha respiração alta.
Eu odiei. Odiei pra caralho!
— Sim o quê, my little bitch? — ele provocou.
Eu amaldiçoei até sua quinquagésima geração em mente.
— Cacete, sim, eu sou sua, filho da puta! Pertenço a você! Agora me coma, faça-me gozar, por favor... Per favore, Heithor, não posso suportar mais. Vai me matar.
Eu quase não podia acreditar em minhas próprias palavras. Eu que nunca me rendi na cama sequer implorei a um homem para foder-me, estava rogando em alto e bom som.
Heithor fez um som de satisfação e deixou meu corpo cair na cama, novamente. Suas mãos seguraram meu quadril no alto quando ele penetrou-me fundo, chocando-me com sua força e velocidade. Ele começou a se mover mais rápido, mais forte. Era como se as palavras o tivessem enlouquecido. Seu controle foi embora e eu me deliciei com a ferocidade da sua posse.
— Ti prego, Heithor. Por favor, continue me fodendo assim, maledetto... Eu estou tão perto.
Eu solucei ao sentir seus dedos viajarem abaixo e tornarem a provocar meu clitóris no ritmo de suas apunhaladas. Ele meteu mais forte. Rápido. Estocando profundo, a fricção tão gostosa e intensa que o quarto começou a rodar. Eu fechei os olhos. Todo meu corpo balançando com a força de seu domínio. A pressão era insuportável. O fogo selvagem partiu debaixo de meu ventre, vindo para o meu coração, se intensificando perversamente, batendo como um chicote, espalhando-se como um incêndio incontrolável por cada centímetro do meu corpo.
— Merda! — Heithor grunhiu. — Foda-se, eu vou gozar.
Justo quando o meu orgasmo começou a lampejar, uma fagulha que rapidamente virou uma explosão completa partindo do meu clitóris. Eu gritei, mas o som foi prontamente abafado pelo travesseiro. Meus dedos se fecharam em punhos apertados contra a fronha.
Eu chorei. Morri e ressuscitei.
Meu corpo todo tremia, convulsionando enquanto ouvia Heithor xingar obscenidades. As mãos dele apertando minha bunda com maior força, deixando mais marcas. Mais rápido, molhado, os sons escorregadios do pau dele mergulhando em minha buceta marcavam o silêncio. Então ele ficou rígido contra a minha bunda, enterrando fundo e segurando-se enquanto seu corpo tinha espasmos e seu sêmen quente me enchia até transbordar. Ele saiu e mergulhou de novo e de novo. Seu corpo caiu sobre o meu, agasalhando minhas costas com o seu calor suado.
Heithor me deu um beijo tenro no ombro. Foi... bom. Um toque gentil.
— Tão linda — ele sussurrou contra a minha orelha e mordeu a ponta de brincadeira. — Minha. Você é minha, Antonella. Você pertence a mim. Apenas a mim.
Eu não iria discutir. Estava mole por todas as partes, além do que, não tinha motivo para contestar palavras estúpidas como essas, mesmo que ele falasse sério. Tinha certeza que logo ele iria descobrir que elas não passavam disso: palavras tolas.
Ele se retirou de mim, deslizando seu pau com cuidado e caiu ao meu lado.
Liberto do seu aperto, meu corpo todo afrouxou deslizando sobre a cama num baque surdo. Minha cara ainda enterrada no travesseiro. Minhas coxas estavam molhadas pelos rastros de nosso gozo. O silêncio dominou o cômodo, apenas sendo quebrado pelas nossas respirações afobadas.
Eu estava destruída, aniquilada. Não havia forças dentro de mim, mas era bom.
— Isso é o que os franceses chamam de Le petit mort17.
Levantei o olhar para ele, atraída pelo som divertido de sua voz rouca sob sua respiração ainda pesada. Seu sorriso lento era íntimo. E eu me achei devolvendo o sorriso para ele, que se inclinou estalando um beijo na ponta do meu nariz. Eu dei um tapa leve em seu peito e ele soltou um risinho baixo, relaxando a cabeça sobre o travesseiro e fechou os olhos, em seguida.
Enruguei o cenho por um momento.
Quando o pós-sexo tinha sido divertido para mim?
Esta brincadeira divertida e provocações bobas? Esta... conexão?
Espremi os olhos. Não havia conexão. Era apenas minha mente ainda perturbada pelo orgasmo, que estava vendo coisas onde não existiam. E, bem, o dia não estava sendo fácil...
Silenciei meus devaneios quando analisei a face relaxada de Heithor.
Seu rosto era incrivelmente bonito. Até mesmo seu cabelo agora bagunçado e o suor brilhando em sua pele dourada trabalhavam a seu favor, fazendo-o irresistível aos olhos. Baixei o olhar para os seus lábios, aquela boca tinha de ser desenhada à mão. Era perfeita, viciosa como ele todo.
Meu coração vacilou ao perceber que ele tinha aberto os olhos e também me fitava com um estranho brilho caloroso no olhar, e por um efêmero momento, me vi perdida nele.
Nenhum de nós pronunciou qualquer palavra.
Meu olhar oscilou entre a boca e os olhos dele quando por um impulso incontrolável, levei meus dedos até seus lábios inchados pelos beijos selvagens que tínhamos trocado. Desenhei os contornos de sua boca com as pontas dos meus dedos e seus lábios partiram. Eles eram tenros e quentes, e firmes. E, estavam vermelhos. Deliciosos. Levei meu rosto mais próximo ao seu, o movimento me colocando parcialmente em cima dele quando apoiei meu antebraço em seu peito largo.
Sua mão espalmou em minhas costas e seus dedos fizeram círculos na linha da minha coluna.
Á centímetros de sua boca, minha respiração se voltou pesada e meu coração ameaçou se desestabilizar, e percebi que sua respiração também ficou mais densa.
Umedeci os lábios, de repente, ressecados e engoli às secas.
Eu me sentia estranha. Nunca tinha ficado assim com ninguém, nem desejado tal entrosamento pós-sexo. Não com esta intimidade, quero dizer, claro que havia intimidade, afinal de contas, eu não tirava a roupa para rezar um terço. Entretanto, esta cumplicidade que sentia nos embalar nunca existira com ninguém, aliás, alguns até mesmo tentaram, porém eu nunca permiti... Até agora.
Sexo sempre tinha sido somente isso, sexo.
No entanto, lá estava eu, ainda partilhando a cama com aquele filho da puta, que se achava no direito de atormentar meus pensamentos e, pior, eu o queria por perto.
Continuei o trajeto por seus lábios, letárgica na sensação de seu hálito morno batendo contra o meu rosto. Sua mão livre tocou minha face e o polegar acariciou minha bochecha rubra. Não resisti em fechar meus olhos me deliciando com seu gesto, numa atitude involuntária.
— Você é maravilhosa, neném. — E acrescentou. — E é minha. Toda minha.
A possessão em seu tom profundo fez minhas pálpebras baterem abertas em alerta. Sua língua parou meu protesto quando ele espremeu os lábios contra os meus num beijo resoluto.
Me derreti toda.
— Depois neném... depois discutimos, agora fique quieta para que possamos descansar por alguns momentos. — Ele me aninhou junto ao seu peito, e então, eu me vi tensa pelo embaraço daquela situação. — Eu disse quieta, não dura. Agora relaxe... Sabe que quase me secou, não?
Meu corpo relaxou e eu não achei tão ruim permanecer lá por mais alguns minutos. Também não era como se eu estivesse em condições de levantar um dedo quanto mais mover as pernas. Estava cansada, dolorida e sonolenta. E saciada, como nunca antes estive.
Depois, depois minha vida voltaria ao normal, pensei, antes do sono me levar.