Dangerous

Daya Engler · Capítulo 2 de 45

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Dangerous

Capítulo 02

 

 

Ele está na minha frente, no meu lugar, e está me olhando.

Meus cílios revoaram céticos enquanto uma sugestão divertida ampliava o sorriso dele e seus olhos enlaçavam-me, com uma invisível força bruta, que senti enraizar-me no lugar.

Oh, Dio Santo, de todos os lugares na Califórnia, por que diabos ele estava justo aqui?

Ele não pode...

Não. Não. E, não. Cacete!

Risinhos e burburinhos baixos ressoando na parte detrás da minha cabeça trouxeram-me de volta à realidade e só então notei que, graças ao meu gritinho escandaloso, eu tinha o ibope de todos.

Respirei fundo e recompus meu exterior, com um sorriso amarelo quando encabecei para trás.

— Puta merda mesmo! E só para constar, eu realmente iria chamar o FBI.

— Você é muito exagerada.

— Nunca neguei. — Ela agarrou meu braço e acrescentou feliz. — Agora vem comigo que eu quero te apresentar para o meu maninho antes que ele saia.

Oddio5...

Aquela seria uma boa hora pra enfartar. Um desmaio, talvez?

Meus joelhos começaram a tremer e eu endureci um pouco, rezando para não despencar no chão quando ela começou a levar-me na direção dele.

Pietra se inclinou para a minha orelha, e eu, vagamente, ouvi suas palavras.

— Relaxe Amada, está tudo bem. — Não está não. — Thor tem essa pose de menino mal, mas garanto que o latido dele é pior que a mordida.

Eu ainda tinha esperanças. Ele, no entanto, derrubou uma a uma quando lentamente levantou-se da cadeira. Eu não soube o que fazer. Nunca tinha estado em situação semelhante.

Paramos na frente dele, e eu morri um pouquinho.

— Antonella, Heithor... Heithor, Antonella.

Eu queria chorar. Minha alma chorava, na realidade.

Merda de mundo pequeno do caralho!

Sobressaltada, olhei para o tipo quando ele fingido engoliu minha mão com a sua, muito maior. Uma ardente sensação percorreu meu braço a toda velocidade, e eu lutei contra a necessidade de puxá-la de volta enquanto ele se inclinava, mantendo seus olhos fixos nos meus. O ar se congelou em meus pulmões por um efêmero instante ao sentir sua boca tocar o dorso da minha mão, numa carícia íntima, fazendo aquela parte formigar. Por um sólido momento me transportando para a noite anterior quando aqueles lábios tocaram outras partes minhas... as mais íntimas.

Respirei fundo ao sentir meu corpo se apertar infinitamente, reagindo a ele.

É o choque. Não estou reagindo a ele, senão a surpresa.

— É um prazer finalmente conhecê-la, Srta. Vicenti. — Sua voz profundamente melodiosa no tom barítono acariciou meus ouvidos fazendo coisas em mim que não deveriam.

— Igualmente Sr. Castellammare.

— Heithor. Me chame de Heithor ou Thor — ofereceu ele, solene.

— Antonella.

Um sorriso lento cruzou seus lábios.

— Esplêndido!

De repente, assim, do nada, seus braços dispararam a minha volta, apertando-me contra a força de seu peito forte. Eu petrifiquei, sendo envolvida pelo cheiro bom da sua loção pós-barba e do perfume gostoso, da sensação dura de seu corpo contra o meu.

Sua boca raspou em minha orelha.

— Escritório. Dez minutos.

O QUÊ?

Ele a sério esperava que eu fosse me encontrar com ele? A sós? Ele e eu? Fechados?

— Estou realmente encantado em conhecê-la — ele disse outra vez, segurando meus ombros enquanto me olhava com atenção. — Minhas garotas falaram maravilhas a seu respeito.

Puxei-me longe de seu contato, como se isso me queimasse.

— Vejo isso.

— Buongiorno cara mia, — tia Martha disse sorridente aparecendo do meu lado, seu braço rodeando a

minha cintura. — Hai già conosciuto il mio bambino6?

De cabo a rabo.

— Pietra acabou de me apresentar.

— Ele ficará conosco por um ou dois meses. Non è fantastico?

— Uh-hum... claro.

Desvencilhei-me dela e dos outros então busquei uma cadeira na mesa mais próxima, que para minha total sorte era a mesma que eles estiveram antes, e, em seguida, deixei meu corpo arriar no assento macio. Tão aliviada, que suspirei. Minhas pernas moles aplaudiram.

Heithor, Pietra e Martha juntaram-se a mim.

Assisti de rabo de olho, percebendo que o sorrisinho besta ainda estava lá, contraindo os lábios dele de uma maneira revoltante, e eu o quis tirar no tapa.

Nunca mais eu iria sair numa sexta-feira 13. Nunca mesmo.

— Não vai me apresentar a sua amiguinha, cunhada?

A mulher que até então era indiferente para mim atraiu meu olhar. Ela estava sentada ao lado dele. Era uma loura de farmácia, o cabelo na altura do queixo num chanel estiloso. Rosto triangular, nariz reto, lábios finos e grandes olhos verdes, que nem eram tão extraordinários. Eu preferia mais o meu rosto em forma de coração, meu nariz pequeno e arrebitado, meus lábios cheios e olhos marrons derretidos, com longos e volumosos cílios. Sua pele era queimada enquanto a minha era alva, com um leve bronzeado. Embora sentada, pude perceber que ela era curvilínea, com alguns exageros para os padrões americanos; não era gorda.

Bonitinha, mas nada de cair o queixo.

Eu diria que, se comparada a mim, dava para comer em tempos de escassez.

Ela se inclinava sobre ele, tocando sua nuca de uma maneira muito íntima, e foi aí que minha cabeça deu um estalo. Meus olhos rapidamente caíram sobre as mãos deles. Nenhuma aliança. Procurei então por algum outro objeto que fosse um indicativo de uma relação entre eles, todavia, não encontrei nada. Ocorreu-me que eles talvez fossem um desses casais que não se incomodavam em oficializar a relação com um anel ou qualquer outro objeto.

Liberais.

— Ouviu um latido, amada? Porque tenho quase certeza de que ouvi um, — Pietra murmurou com falso horror então olhou para estranha. — Oh, espere... Era apenas você, cadela.

Martha sacudiu a cabeça ligeiramente e suspirou enquanto a loura ficava vermelha de raiva.

— Você, sua...

— Primeiro, a única pessoa para quem eu poderia te apresentar é para o dono da carrocinha; segundo, não sou sua cunhada. E nunca, jamais, vou ser. Antes disso, eu mesma mato Thor. E, terceiro, Ella não é minha amiguinha, há um laço aqui mais forte que sangue, mas você não pode compreender isso, eh? E como poderia quando nem sua própria sombra quer ser amiga de uma...

— Basta! — Heithor rugiu.

— Foi ela quem começou — Pietra apontou, com um bico.

— Não importa. — E acrescentou num tom autoritário e baixo, muito excitante. — Enquanto estiver aqui, eu não quero saber de brigas entre vocês duas, estamos claro?

— Como a água.

— Norah?

— Sim — ela respondeu a contragosto.

Heithor então dirigiu o olhar para mim.

— Antonella permita-me te apresentar, Norah Carter. Norah, esta é Antonella Vicenti.

Eu gostei do som do meu nome em sua língua, porém não gostei da tal Norah.

— Prazer em conhecê-la, Srta. Vicenti.

— Igualmente — murmurei, oferecendo um sorriso tão falso quanto o dela.

Pietra e ela iniciaram uma guerra de olhares hostis.

Um dos empregados aproximou-se com uma garrafa de champanhe e eu a arranquei da mão dele junto com uma taça vazia, em seguida, enchendo-a e, no outro segundo, estava despejando isso para dentro da minha garganta de uma só vez. Eu seriamente precisava de uma bebida.

Tornei a encher minha taça.

— Bem, bem... — Pietra estalou a língua, tentando ocultar um sorriso. — Agora que já conheceu minha Best, sinta-se livre para ir para o seu compromisso importante.

Eu quis beijá-la e bater um high-five7.

— Está tentando se livrar de mim, pequena?

— Nunca, irmãozinho. Mas não era você quem estava em cólicas porque tinha um compromisso super, mega, blaster importante? Eu até tive que te chantagear para esperar por Antonella.

Zia Martha o olhou com os olhos grandes e maternais.

— Vai a uscire figlio8? Achei que teria o dia todo para nós.

Sério tia? Isso lá são horas para ser toda sentimentos?

— Não se preocupe dona Martha. Não estou indo para qualquer parte. — Ele me olhou. — Além do mais, não acho educado de minha parte me retirar quando acabo de conhecer Antonella.

Abanei a mão livre no ar, num gesto banal.

— Não se prenda por mim. Fique á vontade para fazer seus negócios!

Vá para luz Elizabeth9 —, estava engatado na minha garganta.

Ele sorriu largo e era tão condenadamente bonito, que o amaldiçoei em silêncio.

Bebi o resto da bebida em minha taça, afogando meu breve deslumbre, e a voltei encher.

— Passou-se muito tempo desde a última vez que estive com minha família por mais de um par de dias e não é sempre que sou capaz de fazer isso, como pode imaginar. Meu trabalho acaba ocupando muito do meu tempo para que eu possa desfrutar de algum momento bom com elas. Agora, quero aproveitar ao máximo esse tempo, incluso para conhecer a pessoa que convive diariamente com as minhas garotas, no caso você, Antonella. Eu estava curioso a seu respeito.

— Uh-uh... E no que trabalha mesmo?

— Sou agente comercial. Os caras e Norah trabalham comigo — respondeu ele, lacônico.

Ele devia ganhar estupendamente bem, meditei enquanto bebericava meu champanhe.

A mansão luxuosa a beira mar, num dos bairros mais caros em Malibu, com direito a vizinhos ilustres e o padrão de vida opulento que a família Castellammare levava não eram para qualquer um. E eu não acreditava que um agente comercial ganhasse para tanto. Talvez, eu estivesse equivocada. Mas, pelo sim e pelo não, me contive com aquela resposta.

Martha saiu logo que um dos empregados se aproximou.

Eu evitei olhar para Heithor, embora pudesse sentir seus olhos fixos em mim, observando-me com recriminação enquanto eu tratava de esvaziar a garrafa de champanhe para abrandar meus nervos e o desconforto...

Mamma mia, o que estava acontecendo comigo?

Eu nunca tinha sido tímida, sequer me deixado intimidar por quem quer que fosse, e agora, na frente dele, eu estava parecendo um animalzinho acuado. Não, isso não era certo.

Quem esse homem pensava que era para me deixar assim?

Eu não podia permitir isso.

— Então seu compromisso não era tão importante assim, afinal?

— Se insistir nisso Pietra, vou pensar que não me quer aqui — ele articulou, com uma leve pontada de repreensão. — E sim, meu compromisso é importante, mas pode esperar.

— É, deve ter sido uma vadia qualquer.

— Do que está falando?

— Não se faça de desentendido. Pensa que eu não sei que você estava doido para sair por causa de uma puttana que você, provavelmente, encontrou ontem em algum lugar muito suspeito? É, eu sei que você, seu desalmado, chegou ontem, não hoje como fez parecer.

Eu quis estrangulá-la tão devagar quanto possível e depois bater a merda fora dela. Como ela se atrevia a me chamar de puta? Com coisa que ela era a encarnação da Calcutá!

— Não gosto do seu linguajar, Pietra, — ele repreendeu. — Sinto não tê-la avisado, entretanto, as

coisas são como são. Você sabe bem disso, não? E piccola10, meus negócios são meus negócios, não se esqueça. Além do que, não sou eu quem tem de dar qualquer mínima explicação aqui, certo?

Nota mental: agradecê-lo depois e dar uma surra em Pietra por me chamar de vagabunda.

— Seja como for, a noite não deve ter sido tão boa, do contrário, você não estaria mais aqui. O que já não posso dizer da amada, eh?

Todo champanhe que eu tinha acabado de colocar na boca desceu rasgando por minha garganta, e eu tossi como uma louca, esforçando-me para não afogar em meu próprio desespero.

Jesus Cristo, eu vou matá-la. Juro que vou.

Ela se voltou totalmente para mim, com os olhinhos brilhando de curiosidade, daquele jeito que dizia eu-só-te-deixo-em-paz-depois-de-me-contar-tudo. Eu supliquei de volta. Ela sorriu.

Ai, Dio mio, ela não vai fazer isso, não vai... Ela fez.

— E então, Ella? O cara era incrível, eh?

— Já tive melhores — desdenhei, querendo ao mesmo tempo finalizar aquele tema e destruir o sorrisinho sacana que vi pelos cantos dos olhos torcer os lábios dele.

— E aquela história de ele ser oh-Dio-mio?

Poooooorra!

Eu já disse que vou matar essa linguaruda? Eu iria matá-la da pior maneira possível!

Perché? Por que no inferno ela tinha de trazer isso agora?

Eu até podia dizer a verdade sem dar nome aos bois, mas não ia dar esse gostinho a ele. Se antes eu estava com a intenção de abrir uma exceção, agora não mais. Sobretudo, quando ele me fitava com um divertido e arrogante sorrisinho nos lábios, esperando triunfante por minha resposta.

Ai, que ódio!

— Wow! O cara deve ter sido bom mesmo, eh? Te deixou até sem fala — ela riu.

Eu a odeio. Odeio pra caralho!

— Eu menti. Você sabe. Estava atrasada e precisava de uma boa desculpa.

— Você não parecia estar mentido. Na verdade, parecia estar bem impressionada mesmo.

— E o que é você? Cal Lightman 11?

— Ah, qual é Ella? Não vai dizer que você está com medo que eu queira o cara? Você sabe que eu

jamais faria isso, amada. Andiamo 12. Me conte tudo!

— Não há nada para contar.

— Tutto bene. — Eu quase desfaleci de alívio, porque Pietra, bem, digamos que quando ela realmente

queria algo, ela era como jacaré em carne fresca. — Mudando de assunto. Amada, guarda 13! — Seu olhar caiu para piscina e o meu seguiu, onde Adam e o tatuado estavam. Pietra suspirou afetada. — Onde você cavou esses amigos, Thor? Porque, Dio mio, eu quero comê-los de colher. Não é mesmo, Amada?

Observei de soslaio os traços dele se apertarem.

— Eu não quero saber de nenhuma de vocês duas perto de um deles.

Ela bufou, olhando-o com tédio.

— Não banque o irmão mais velho, Thor. Eu não tenho doze anos mais.

— Nem sessenta.

— Amém a isso, fratellino14! Qual é o problema, Thor? Eles não são desconhecidos. E eu realmente não vejo nenhum mal em fazer um passeio naqueles abs.

Eu totalmente concordava. Seria um grande e suado passeio.

— Eles não gostam de adolescentes — ele declarou, sua voz era como aço.

— Boa coisa que a gente não seja uma então — pisquei.

Eu podia jurar que uma veia em seu pescoço pulsou.

— E eles merecem nossa atenção — minha amiga completou.

— Não me faça ter de repetir isso, Pietra. — Seu olhar duro viajou dela para mim, prendendo-se ao meu por um sólido momento então retornou a Pietra, como se nunca tivesse me olhado, quando ele acrescentou num grunhido sexy. — Eu estou falando muito sério. Fiquem fodidamente longe deles, e que Deus as ajude, se me desobedecerem.

Mas quem esse ser estava pensando que era?

— Não seja um estraga-prazer. Eu não tenho compromisso com ninguém, nem a Amada.

Subi em meus pés, meu olhar dissimulado sobre ele quando o mirei de cima.

— Escuta, Thor, nós somos jovens, lindas e desimpedidas graças ao bom Deus então não seja um empata-foda. Va bene? — Pensei ter visto um lampejo de fúria perigosa sombrear seu rosto, e meu sorriso se fez mais largo, brilhando com uma dissimulada inocência. — Ah, só mais uma coisinha — gesticulei com o indicador. — Em mim ninguém manda, incluso você.

Apreciei com muitíssimo deleite o aperto de sua mandíbula.

Beija minha bunda!

— Thor, querido, deixe as garotas se divertirem — Norah nos lembrou de sua presença.

Pelo menos disse algo que presta.

— Isso mesmo, querido, deixe a gente se divertir — debochei manhosa, batendo os cílios.

— E aí garotas? Vão entrar ou não? — indagou Adam de dentro da piscina ladeado por Mila e Karen, que sorriam abobalhadas.

Dei uma boa medida nele, cheia de intenções que poria o Diabo envergonhado.

— Só se for agora — estalei de volta.

Pietra não bobeou enquanto eu tomava todo o tempo do mundo para me desfizer da roupa, revelando meu biquíni brasileiro, de maneira lenta e sensual, mas com uma fingida naturalidade de quem não quer nada. Eu era boa nisso e não era boba. Sabia que tinha um corpo de matar de inveja muitas mulheres e, na outra mão, encher os olhos e a cueca de um homem com desejo furioso.

Graças aos exercícios físicos e as aulas semanais de Kickboxing, eu tinha conseguido uma forma tonificada, porém sem deixar de ser feminina, com curvas suaves. Meus seios eram médios e alegres, barriga plana e cintura acentuada, bumbum redondo, firme e empinado, e coxas grossas ao invés de gravetos.

Uma leve silhueta de violão construída em 1,60 de altura.

Podia sentir os olhares masculinos sobre mim, mas os únicos que eu realmente prestei atenção foram os daquele ser gostoso. Heithor tinha os olhos negros repletos de cobiça, queimando cada centímetro meu por onde eles passavam. Isso não passou despercebido pela ridícula ao seu lado.

Pulei para o lado quando saí do short e me abaixei para pegá-lo para deixar sobre a cadeira, muito autoconsciente do meu traseiro a mostra no fio dental curvado na direção deles.

Norah me assassinou com o olhar; Heithor me comeu com raiva.

Estava me acabando de rir por dentro, ainda assim mantive minha expressão neutra quando estiquei os braços para prender meu cabelo num coque alto, o movimento empurrando meus seios para frente e minha bunda para trás, dando o melhor da minha forma para quem quisesse olhar.

Juntei-me ao pessoal na piscina e me diverti a beça. Pietra apresentou-me Nathan Evans, outro amigo de seu irmão, tão bonito e quente quanto os outros. Ele tinha olhos extremamente expressivos. Eles dois estavam entrosados, porém longe de chegarem aos limites que minha amiga parecia desejar. Adam e eu nos demos bem, e quase o beijei. Isso porque meus olhos me traíram quando escolheram aquele justo momento para balançar na direção da mesa, onde aquele filho da puta estava aos beijos com a loura aguada. Quero dizer, aquilo era tudo, uma foda de línguas, uma fecundação de salivas, tudo com a etiqueta indecente, mas nunca um beijo.

Meu estômago deu um nó e meu humor morreu.

De súbito, eu tinha essa vontade de estrangular algo... de estrangular aquela mulherzinha.

Separei-me de Adam e saí da piscina sem me preocupar em explicar qualquer coisa.

Pietra veio em meu calcanhar.

— O que aconteceu Amada? Por que saiu assim? Está passando mal? Foi o champanhe, não foi?

— Eu sei. Minha cabeça está começando a latejar.

— Me dê um segundo, que eu vou avisar Thor então podemos subir.

Dei a volta, pronta para detê-la da ideia, todavia, ela já tinha se distanciado.

— Eu não o achei — ela resmungou cinco minutos depois.

É claro que não! Do jeito que eles estavam se agarrando agora devem estar se comendo.

— Va bene Pietra. Fique e aproveite por nós duas, sim? Vou tomar um Advil e me deitar. De qualquer forma, não vai adiantar nada você me acompanhar. Eu preciso de silêncio e descanso.

— Tem certeza?

— Absoluta.

— Ti amo A. Melhoras.

— Ti amo, também.

Ela fez um estalo exagerado de beijo com os lábios quando rumei para o interior da mansão, pisando duro em direção ao meu quarto. Não podia acreditar como aquele homem conseguia me deixar tão puta em apenas um dia. E o pior, eu não conseguia tirá-lo da cabeça. Primeiro, ele tinha sido todo macho dominante, com aqueles olhares e mensagens subliminares, sem contar seu pedido idiota para encontrá-lo no escritório, e agora, ele estava atracado com a oxigenada.

Não obstante, eu ainda tinha de pensar num jeito de contar a Pietra sobre ele e eu.

Minha mão nervosa agarrou a maçaneta da porta do meu quarto e girou. Contudo, não tive oportunidade de abri-la quando um braço opressor envolveu meu estômago, firmemente, seguido de uma mão grande cobrindo meus lábios. Evitando meu grito de pavor cortar o ar. Em seguida, meu captor arrastou-me para trás com ele e uma porta bateu fechada.

Meu coração crepitou numa corrida selvagem enquanto eu me debatia.

— Calma, baby, eu não vou te machucar — o sussurro veio baixo e firme ao pé da minha orelha, e eu parei de me mexer, incrédula ao reconhecer a voz. — Eu vou te soltar agora. Não grite. Nós não queremos que os empregados ou até mesmo o pessoal lá em baixo venha conferir o porquê de seus gritos, verdade? Quero dizer, eu realmente não me importo que grite desde que eu tenha meu pau enterrado no fundo da sua pequena buceta, mas enquanto não chegamos lá, comporte-se.

Ele me soltou. Eu me afastei tropeçando em meus próprios pés enquanto puxava o ar, rapidamente. Minhas mãos correram pela bagunça em meu cabelo.

Encarei-o com frieza.

— Você perdeu o seu maldito juízo, cretino?

— Por que não foi ao escritório como eu instruí? Nós temos de conversar.

— Eu não falo com estranhos.

— Não. — Ele sorriu malicioso. — Você só fode com eles.

— E às vezes faço caridade também, como ontem à noite.

— Esplendido! Temos mais uma coisa em comum, além do sexo gostoso.

Meus olhos cerraram mais frios.

— Eu exijo que me deixe ir agora!

— Quieta. — Ele teve a audácia de ordenar. — E tenha a certeza que a única pessoa que dá as ordens aqui sou eu — acrescentou mandão antes de me dar as costas.

Como é que é?

— Você é louco!

— Não, mas você está me deixando maluco, garota — ele respondeu, olhando-me sobre os ombros então seu olhar afunilou perigoso quando correu pelo meu corpo. — Você quer me aborrecer mesmo, não é?

— O quê?

Ele deu a volta me encarando de frente. Parecia... zangado?

— Você andou pela mansão assim? — exigiu, gesticulando sobre mim. — Nunca mais ouse a sair andando pela mansão vestida desta maneira. E este biquíni que mal cobre sua buceta. Esqueça. Você nunca mais vai vestir essas peças, a não ser que esteja somente comigo. Entende isso?

Meus cílios revoaram enquanto ele tornava a girar para a porta.

Abri a boca, pronta para mandar ele e sua loucura para o diabo, porém minhas palavras mudaram no último segundo quando o vi passar a chave na porta.

— O que pensa que está fazendo?

O calhorda me encarou sério, com as mãos plantadas no quadril.

— Você sabia quem eu era?

Meu semblante se fechou numa expressão de desprazer.

— Confie em mim, se eu soubesse quem era não teria acontecido.

— Não? — Sua cabeça inclinou para o lado. — Tem certeza disso, Antonella?

O lento sorriso dele era apenas arrogante demais, bonito demais. Eu odiava.

Mudei o peso para minha perna direita e cruzei os braços lhe desprezando com o olhar.

— Sicuramente.

Houve um cumprido silêncio enquanto nos encarávamos medindo, estudando um ao outro, num desafio explícito até que ele cruzou os braços em cima do peito. O movimento fazendo seus músculos peitorais ondularem sob a camiseta e ele pareceu ligeiramente maior, se possível.

Com meus saltos, eu facilmente tinha alcançado seu peito na outra noite; agora em meus chinelos, eu vagamente chegava lá. A sensação de fragilidade regressou e fez-me mais diminuta ante sua grandeza intimidante. Principalmente, por estar exposta naquele biquíni na frente dele.

De repente, meu calor corporal subiu e o ar naquele cômodo se fez muito quente, e eu pensei se havia algum problema com o sistema de ar condicionado da mansão. Um formigamento eclodiu nas minhas profundezas e rapidamente fez uma incursão por meus membros. Suor brotou em minha testa, entre meus seios e umidade nasceu entre as minhas pernas.

A tentação se fechando sobre as bordas do meu raciocínio, lentamente.

Engoli a saliva e foquei-me na minha irritação para acalmar minhas reações, e fali.

— Qual o sabor da mentira em sua língua, Antonella?

— Só porque você quer que seja mentira não quer dizer que é. E você não deveria estar tão relaxado quando... Espere aí, você sabia quem eu era? Por isso está tão calmo, verdade?

Sua expressão intensificou.

— Não está quente por mim?

Eu pisquei atordoada, novamente, abrindo e fechando os lábios sem saber o que dizer.

Mas que diabos...?

— Não tem seu corpo ardendo pelo meu toque outra vez, Antonella? Minha língua lambendo essa bucetinha doce até que goze uma e outra vez, e então, me rogue para parar porque o prazer que eu te dou é demais? Meu pau indo tão fundo que ver Deus apenas soa um eufemismo? — Seu olhar me varreu pecaminoso, demorado, quando ele lambeu os lábios. — Porque eu não posso pensar em outra coisa que não seja em quão úmida você ficou por mim ontem à noite. No gosto do seu tesão em minha língua, o aperto quente da sua buceta lisa em meu pau. É gostosa pra caralho, neném.

Sacudi a cabeça, molhando os lábios, como uma tonta.

— Eu não...

— Não? Então se eu tocar seus seios não vou encontrar seus bonitos mamilos duros? Ou talvez, se eu descer, tocando esse precioso clitóris não vou achá-lo sensível para mim, Antonella?

Como se para provar seu ponto meus mamilos traidores empurraram rijos contra o tecido fino do biquíni e tesão líquido empoçou minha calcinha quando meu clitóris começou a pulsar.

Eu respirei fundo e tentei ignorar as reações do meu corpo, uma vez que não podia detê-las.

— Senti15 Heithor, esqueça o que aconteceu e pare com isso. Vamos apenas esquecer...

— Eu não posso e duvido muito que você consiga. — E acrescentou, soando sincero, muito suavemente. — Eu não sabia quem era até que Pietra nos apresentou. Foi uma deliciosa surpresa e eu pretendo fazer um bom uso dela, espero que você, também. Estive com a cabeça em você desde que deixei aquele quarto. Se não estivesse aqui agora, eu teria ido ao seu encontro e, se não estivesse lá me esperando como eu pedi no recado que deixei, eu teria te buscado em cada canto de LA. Mas, baby, você não iria fugir de mim.

Meu coração palpitou, e eu dei um passo atrás quando ele começou a avançar para mim.

— Não vai rolar. Não mesmo... Aquilo não significou nada para mim, se quer saber. Você só foi mais um. Uma noite qualquer e seguirá sendo apenas isso — mofei-me inquieta com sua aproximação predatória. — E, faça o favor de não se aproximar de mim e me deixe sair.

— Está com medo de não se segurar e se jogar em meus braços, implorando por mais como na noite passada? Porque eu estou morrendo para te comer bem gostoso. É uma delícia, Antonella. Um bombom gostoso que eu quero desembrulhar e comer bem devagar. Ou talvez, bem duro. Sim, definitivamente, duro. Você gosta assim, verdade? Suplicou por isso ontem.

— Và all’inferno!

— Eu já estou nele, neném, eu diria até que você é uma diaba.

— Escute aqui, seu imprestável, eu disse e repito já que você parece ser surdo. Não vai acontecer, e eu não faço caridade sempre. Meu momento de demência filantrópica passou e não vai se repetir, desculpe. E você nem foi tão bom assim para que eu abra uma exceção agora. Então sugiro que se poupe desse papel ridículo e me poupe da sua presença intragável.

Eu estava mentindo, todavia, não ia deixá-lo me tratar como bem entendia.

Então tudo aconteceu muito rápido, quando eu percebi já estava sendo pressionada entre seu corpo sólido e a parede fria. Seu cheiro provocou meus sentidos. Uma sugestão de especiarias sem ser forte demais. A colônia cara combinava bem e complementou seu cheiro natural, dando um toque másculo tentador, picante e de sofisticação. Ele cheirava a pecado, quente e cru.

Heithor inclinou a cabeça para baixo até que seus lábios roçassem em minha orelha.

— Já teve melhores, verdade? — ele perguntou num tom raivoso, que fez a pressão entre as minhas pernas aumentar. Mordi o lábio forte. Ele acrescentou controlando o tom, embora ainda soasse duro. — Isso me lembra de que tenho o dever de me esforçar um pouco mais desta vez. Ai de mim, que digam por aí que não cuido das necessidades da minha menina safada.

Senti seu sorriso na curva do meu pescoço quando estremeci pelo contato. Traguei saliva. Minha respiração saindo do eixo enquanto eu buscava mantê-la regulada.

— Eu não sou uma menina e, certamente, não sou sua menina.

Heithor rosnou na minha orelha, apertando o quadril contra a parte baixa da minha barriga, deixando-me sentir o pacote espesso através do zíper de seu jeans. Minha buceta queimou de desejo por ele. Um pulso sexual dolorido surgindo das profundezas, enrodilhando. A ânsia de apertar minhas coxas juntas foi quase tão insuportável como era estar na presença dele sem nada fazer.

Ele ergueu a cabeça e me fitou nos olhos com tanta intensidade que minhas pernas ficaram bambas, e eu rapidamente me segurei em seus ombros, com medo de cair. Ele sorriu pecaminoso.

— Enquanto estiver aqui você será minha putinha e eu vou desfrutar muito de toda essa fome que tem dentro de si. Você vai gostar de cada segundo disso, eu garanto. Vai ter tanto prazer que no fim me agradecerá de joelhos. — Neguei com gestos falhos da cabeça. Não podia falar, a luxúria tinha pesado minha língua, endossando minhas vontades e desejos secretos. — Não lute contra. Sabe que quer isso tanto quanto eu... Isso, esse desejo louco, esse tesão que faz meu pau doer, doido para se enfiar em você até que não possamos respirar mais. Você também sente, não sente?

Mamma mia...

Adorava essa maneira crua, suja e picante, de falar na hora do sexo. Não havia nada mais erótico para mim do que um homem expressivo. Na voz de Heithor então tudo era mil vezes mais excitante.

— Responda-me — exigiu mandão.

— E-eu acho que você deve me soltar agora — empurrei através da nevoa do meu desejo, não reconhecendo minha própria voz. Rouca, sensual, revestida em necessidade.

— Resposta errada neném. Hoje eu vou te dar o melhor dia de sua vida, das nossas vidas. — Seu olhar desceu para minha boca quando seu polegar correu o contorno de meus lábios. — Quero dizer, você vai me dar e eu vou comer da pior forma possível.

— O que você vai fazer?

— O que eu estava louco para fazer desde que te deixei naquela cama hoje de manhã.

Minhas mãos se fecharam nos fortes braços dele, minhas unhas marcando a pele nua. Ele era louco de pedra. A mansão estava cheia e Pietra podia querer vir ver como eu estava.

— Isso é errado...

— Não há nada de errado aqui, Antonella, exceto por nossas roupas — ele persuadiu, sua voz mais grossa. — Tem de estar tão louca quanto eu estou para te comer mais uma vez.

Estava tanto que cheguei a ofegar em expectativa para estar com ele novamente.

Não pensei mais, cobrindo seus lábios com os meus.

É como dizem, se não pode com o inimigo junte-se a ele.

Heithor me respondeu com um beijo forte, quente e exigente. Ele me devorou, possuindo-me somente com aquele mover de lábios. Sua língua empurrou entre a comissura e, balançou dentro da minha boca com erotismo e sensualidade, entrelaçando-a com a minha, acariciando-a gostosamente.

Curvei uma mão em sua nuca e o puxei mais perto, aprofundando o beijo. Cobiçando mais do sabor açucarado de sua língua, bebendo dele a cada sugar mais violento de nossas línguas. Amei sua aspereza, sua forma lasciva de fazer os nossos corpos participarem do ato quando ele içou-me em seu corpo. Minhas pernas abraçaram apertadas ao seu redor e meus tornozelos travaram sobre seu traseiro. Ele nivelou sua pélvis então começou a esfregar sua ereção contra a minha buceta. A fricção fez surgir um novo pulso sexual nas profundezas do meu sexo, trazendo o atormentado sentimento de vazio, o desejo dolorido de ser preenchida por seu pau.

A sensação do seu beijo e do atrito duro de nossos sexos era tão boa, que eu suspirei contra a boca dele, me liquefazendo em seus braços. Odiando e amando ao mesmo tempo.

Ele me apertou mais firme contra o corpo dele, como se também estivesse desesperado por mais, fazendo um calor infernal se propagar por cada centímetro de minha pele.

Eu estava completa e irrevogavelmente entregue ao seu beijo.

Era como se meu corpo estivesse entrado em combustão espontânea. Ambicionei mais de seus lábios, de seu toque, de seu calor... Dele todo. Mais e mais até que eu não pudesse sequer respirar.

Heithor apertou minha cintura e fez seu caminho entre nossos corpos febris, até alcançar meu seio esquerdo. Envolvendo-o em sua mão e puxou o tecido para o lado então inclinou a cabeça, fechando a boca sobre meu sensível mamilo. Eu gemi presa na sensação, curvando as costas enquanto o segurava lá, arquejando. Ele chupou mais e mais forte, beliscando-o com os dentes.

Tudo era tão insano, mas tão bom... tão gostoso...

Sua boca tentadora, como o pecado original, tornou a cobrir a minha num beijo abrasador então ele abrandou. Heithor arrastou seus dentes sobre os meus lábios, mordiscando-os de leve, apenas para provar que era ele quem estava no comando, como na outra noite. Aquilo me irritou, porém indo na contramão do que era natural, a raiva funcionou como um aditivo potente em minha excitação. Ele quebrou o beijo e, sobre nossas respirações altas e desiguais, eu pude ouvir as batidas do meu coração em meus ouvidos. Prazer zumbia através do meu corpo.

— Ah, my little bitch, viu como você me pertence? Seu corpo é meu. Você é minha, — sua língua deslizou com sensualidade pelos meus lábios. — Somente minha.

Eu quis negar aos gritos sua afirmação, bater nele e fugir de lá o mais rápido que meus pés pudessem correr. Todavia, eu não tinha forças para tal proeza e não queria ter mesmo.

Ele me colocou no chão e distribuiu beijos breves em meu rosto, garganta, orelha e a linha de minha mandíbula. Sua boca enviando faíscas sob a minha pele quando me beliscava a pele com os dentes. Olhou-me dentro dos olhos, com um sorriso vitorioso brilhando em seu olhar arrogante.

O desejo tinha ganhado.

Ele sabia.

Eu sabia.

E a merda com isso!

— Sei que a farei gritar e arrisco até em dizer que Malibu inteira a ouvirá berrar meu nome quando te fizer vir na minha boca e em meu pau. Não ouse se reprimir. Quero tudo.