Dangerous

Daya Engler · Capítulo 14 de 45

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Dangerous

Capítulo 14

 

 

Senti Thor em cada parte minha quando a manhã me chamou acordada.

Seu comportamento da noite anterior havia me deixado louca de raiva, de excitação. Meu sangue tinha fervido com a combinação perigosa. E o resultado foi devastadoramente delicioso.

Meu corpo doía nos lugares certos. Se brincasse até minha alma estava desfalecida e largada em algum lugar do meu corpo. Nada tão sério. Era uma dor funda, agradável até.

Bati os olhos abertos, pescando um vislumbre das costas de Thor sentado quieto na beirada da cama, com a cabeça entre as mãos. Esfreguei os olhos. Seus músculos pareciam tensos. Isso chamou minha audiência, empurrando de vez as nuances de sono do meu cérebro.

Não consegui conter o gemido quando me sentei.

— Me perdoe.

Franzi o cenho para o tom baixo de sua voz.

— Per? — Quis saber quando me coloquei atrás dele de joelhos, minhas mãos pousadas em seus ombros. Sentia-o realmente tenso sob meus dedos.

Ele exalou de forma condensada.

— Eu fui um animal ontem. — Ele pausou exalando forte, e então, continuou num tom afetado, como se algo o atormentasse. — Eu não deveria tê-la tratado daquela maneira. Poderia ter te machucado, e eu sabia disso, mas não pude me controlar.

— Você tem que estar brincando comigo! Eu amei seu lado animal, se quer saber. E você não me machucou... — Ele virou o rosto para mim, parecia cético, seu olhar me censurando. Lambi os lábios e acrescentei, calmamente. — Va bene. Talvez, eu esteja um pouquinho dolorida e tenha que ficar de molho por alguns poucos dias. Entretanto, eu não me incomodaria se trouxesse seu animal para cama vez ou outra. Ele é muito bem-vindo — pisquei.

Thor se levantou. Sua expressão mudando, de repente. Uma que eu nunca tinha visto. Poderosa e ao mesmo tempo atormentada, os ângulos firmes de seu rosto apertados numa fúria contida.

— Você é louca? Não devia estar me dizendo isso! Deveria estar me xingando, socando, qualquer porra! — Ele respirou fundo e quando falou novamente, sua voz era de uma falsa calma, como se estivesse clareando minha mente. — Eu poderia tê-la machucado seriamente.

Ele estava fazendo drama por termos feito um sexo-louco-selvagem?

— Mas não fez — contra ataquei, erguendo-me sobre os meus joelhos.

— E por que estremeceu quando se levantou?

— Porque acabei de acordar e meus músculos estão retraídos ainda? Estou um pouco dolorida, sim. Isso, no entanto, é natural e esperado. Não sei se reparou, mas não somos iguais em tamanho. Enfim, o que eu quero dizer é que eu estou bem. Dolorida, mas muito bem.

Ele apertou os lábios, seus punhos fechados ao lado do corpo enquanto me fitava como se mirasse uma louca. Muito diferente do tipo dominador, arrogante e possessivo, que ele se mostrou ser na noite passada, se bem que a arrogância ainda estava lá. Afinal, essa era sua segunda pele.

Quando ele persistiu lá, parado, como uma pedra e não disse nada, eu rolei os olhos.

— Oh, por favor! — mofei-me, balançando a mão no ar. — Não banque o maricas agora. Não combina com você, va bene? Tivemos uma foda do cacete, e eu estou muito bem com isso, mas agora estou começando a me chatear e ficarei muito zangada, se você insistir neste drama ridículo.

Um sorriso preguiçoso apareceu em sua face quando ele pareceu relaxar. Dando um passo a frente, sua mão esticou tocando o meu rosto. Eu sorri e suspirei com o afago suave de seu polegar.

— É muito atrevida, neném. Eu gosto, porém não abuse como fez na noite passada — sua voz era funda e rica como um veludo negro. — Sou paciente e posso ser muito tolerante. Mas devo alertá-la que quando se trata de você, eu não sou o cara mais razoável do planeta. Então, não me teste novamente.

Girei a cabeça, beijando sua mão então o fitei.

— Com ciúme, Heithor?

— Não estou com ciúmes — ele assegurou, firmemente. — Você não deixaria outro homem te tocar, não é, Ella? Você sabe a quem pertence. Não irá provocar seu homem outra vez.

Aí estava ele. Uma salva de palmas para o cretino Castellammare!

— Obviamente — fiz uma pausa meditativa, meu sorriso se abrindo lento. — Pertenço a mim.

Seus dedos escorregaram para trás, enfiando em meu cabelo então ele se inclinou, beijando-me. Não era um beijo cheio de línguas, apenas um roçar delicado de lábios. Thor recuou para o lado, sua boca sobre a minha orelha. Seus dentes beliscaram a ponta, enviando tremores pelo meu corpo.

— Lembre-me de bater no seu traseiro quando estiver menos dolorida.

— Se eu não bater no seu primeiro.

O olhar negro estreitou ao mirar minha face. Eu sorri docemente.

— Nós vamos discutir sobre esse seu mau hábito mais tarde. Agora precisamos tomar banho, comer e depois você pode descansar um pouco mais. Eu tenho uma reunião daqui a pouco.

— Uh-hum... Merda — ofeguei quando coloquei os pés para fora da cama.

— Desculpa, eu...

— Pare de me pedir desculpas, cacete.

— Eu pararia se você não estivesse toda dolorida — ele retrucou, pegando-me no colo. Eu bufei rolando os olhos por isso. Não adiantava brigar com ele, e eu gostava de estar sendo carregada em seus braços. — Tenho Advil no armário. Você vai se sentir melhor logo que faça efeito.

— Vai me dar banho também?

— Um homem tem de manter sua honra. Não posso permitir que pensem que eu não cuido dos cuidados básicos do meu neném. Então, sim. Darei banho e a vestirei. E você não lutará por isso.

Fiz uma careta. Ele mordeu a ponta do meu nariz e riu alto.

Momentos mais tarde, Thor e eu descemos para a cozinha, encontrando a corja toda e minhas amigas na mesa, onde a empregada servia o brunch. Todos nos encararam, principalmente, a loura oxigenada. Na verdade, os olhos estavam incrustados na mão de Thor entrelaçada com a minha.

— Bom dia — Thor disse.

— Bom dia — exclamei risonha, olhando diretamente para a loura vadia.

Ouvi os cumprimentos de volta, pescando pelo canto dos olhos Eric se debruçar sobre Josie que tossia engasgada. Nathan imitou o gesto em Pietra, mas essa desprezou sua mão.

Thor espalmou a mão em minhas costas, guiando-me até a cadeira então a puxou para mim. Eu me sentei. Ele me imitou, sentando-se ao meu lado e bem longe da outra.

— Stai bene? — Pietra perguntou quase em tom acusatório.

Enquanto colocava o guardanapo em meu colo, eu respondi num tom tranquilo:

— Sì. Perché?

— Nada não.

Sua cara de confusão era impagável e eu me concentrei para não rir. Josie ainda estava boquiaberta, talvez, mais desconcertada que Pietra. Ignorei isso, e então, puxei conversa com ela enquanto me servia. Estava determinada a acabar com o clima estranho. Não foi bem uma conversa, estava mais para um monólogo chato. Adam veio a minha salvação e em poucos minutos descobri que por debaixo da couraça dura, ele era uma cara muito engraçado. O clima em torno da mesa se voltou mais agradável, apesar de as minhas amigas insistissem em me olhar como quem estivesse enxergando uma alma penada. Mas não deixei que isso me afetasse.

— Vamos caminhar um pouco na praia, Amada?

— Claro.

Thor se levantou, puxando a cadeira para mim enquanto falava para seus amigos:

— Encontro-me com vocês na sala de estudos dentro de um minuto.

— Não demore. Todos têm outros compromissos — disse Norah.

— Um minuto, Norah. — A voz dele vibrou poderosa.

Um sorriso soberbo cruzou minha face quando observei a cadela endurecer. Ela não disse nada, saindo com Adam, em seguida. Thor envolveu sua mão em meu braço de uma maneira possessiva e segurou meu rosto com a outra, chamando minha atenção para ele.

— Eu preciso ir, neném. Tenho negócios a tratar com os caras e creio que vá demorar mais que o desejado — ele avisou, com uma carranca bonita. — Está se sentindo melhor? Ótimo. Tente descansar após a caminhada e se comporte. Estarei no escritório, mas terei um olho em você.

Bati os cílios, inocentemente.

— Não quer colocar um GPS na minha bunda?

— Quero colocar outra coisa em sua bunda, mas vamos ter de esperar até que esteja bem o suficiente para isso. Até lá, comporte-se e eu serei bom para você. — Eu torci os lábios antes de serem capturados pelos dele. — Tenha um bom dia.

Assenti um pouco torpe, assistindo-o deixar a cozinha. Lentamente, traguei uma lufada de ar e olhei para as minhas amigas, que estavam com os queixos e os olhos no chão.

— Cuspa! — Pietra ordenou, freando meus passos na areia ao se colocar na minha frente.

— O quê?

— Não se faça de desentendida comigo. Thor pode até comprar seu ar de menina doce, mas eu te conheço Antonella. Sei que está aprontando pelo o que aconteceu ontem.

— Eu não sei do que está falando.

— Corta essa!

— Eu estou com Pietra. Ela já me deixou a par da última — Josie interferiu. — Sabe que pensei que estava na mansão errada quando entrou com ele na cozinha, esbanjando felicidade e de mãos dadas. E, o que foi aquilo de minutos atrás? Bateu a cabeça quando saiu da cama?

Encolhi os ombros.

— Não é você quem vive dizendo que tenho de ser mais amorosa?

— Não assim. Isso é meio assustador.

— Está nos enrolando, Ella — disse Pietra, impaciente.

Meus ombros caíram e o tédio pintou minha face.

— Estou puta! Louca da vida — confessei, deixando minha raiva transparecer. — Ele teve a audácia de me jogar sobre o ombro, como se eu fosse um saco de batata de merda. No meio de todo o mundo! Dá pra imaginar o mico que paguei? Isso vai ficar gravado na mente de todos os presentes mesmo depois da minha morte. Juro a vocês, eu nunca senti tanta vergonha como eu senti ontem. Humpf! Ainda estou morta de vergonha.

— Eu sabia! Você não podia estar tão calma depois de Thor aparecer, e eu sei que ele foi te buscar também. Nathan me disse quando me tirou de lá, quase pelos cabelos.

— Eu fico impressionada com a dissimulação de vocês. — Tão bobinha. — Se bem que de Pietra, eu já esperava. Ela não disfarçou em nem um momento.

— E por que faria? Não vou me fazer de feliz quando quero arrancar as bolas dele.

— Mas eu estou feliz também, — protestei me sentando na areia. Elas me seguiram. — Apesar de ele ter se comportado como um neanderthal e feito eu pagar o mico do ano na frente de muitos conhecidos, a noite se fechou com chave de ouro. Foi bom pra caralho!

— Eu não tenho do que reclamar neste quesito. Nathan deu o melhor de si, mesmo assim estou num ódio daquele moicano safado. Eu juro pra vocês, pensei que ele fosse tirar um porrete do bolso e dar com ele na minha cabeça, bem ao estilo homem das cavernas, sabe?

— Acho bom alguém avisar a ele que suas bolas correm perigo — Josie zombou.

— Oh, acredite em mim, ele sabe que não estou feliz. Mas quem diz que ele se importa? Pra ele o importante é que me deixou saber o que eu vou perder se aprontar outra. Stronzo. Se eu soubesse que ele era tão mandão assim, não tinha nem olhado nas fuças dele.

Josie e eu olhamos para ela com descrença. Ela bufou.

— Va bene, eu teria. Inferno! Eu só quero dar umas porradas nele.

— Pior é que até agora não sei como eles souberam que nós estávamos lá.

— Então ele não te disse?

— Eu meio que estava ocupada, sabe?

— Karen. — Franzi o cenho. — Você esqueceu o celular. Ela mandou uma mensagem e Thor pegou. O resto pode imaginar, não?

Merda. Eu nem podia culpá-la por minha estupidez.

— Esses dois infelizes tiveram aulas de como se tratar uma garota na escola do terror — resmunguei após um momento. — Mas Thor não perde por esperar. O troco virá a galope.

— Posso saber como? Para incluir Nathan, também.

Eu dei uma risada maléfica.

— Sicuramente.

— Vocês são desvairadas! — expressou Josie, indignada.

— Devassas e vingativas — corrigi, com um meio sorriso, batendo meu ombro no dela. — Mas, mesmo assim, você nos ama de montão que eu sei.

— Deus disse que temos de amar até as cadelas.

— Diga-me com quem andas que eu te direi quem tu és?

— Algo assim.

Pietra bufou.

— Tá, tá, tá... Chega de rasgar seda, cacete. Quero saber o quê vamos fazer.

Alguns dias depois

— Conseguiu?

Estávamos do outro lado da rua da farmácia do pai de Josie, onde ela trabalhava como caixa. Ela devotou um olhar receoso para Pietra e eu assim que entrou no meu carro pela porta traseira.

— Vocês ainda vão me colocar numa enrascada. Mas, sim. Eu consegui. — Ela tirou do bolso do moletom azul um saco de papel pequeno e o entregou a Pietra. — Espero que meu pai não dê por falta. E, pelo amor de Deus, garotas, usem isso com muito, muito cuidado, okay?

— Cautela é nosso sobrenome — galhofou Pietra, com um riso na voz.

— É sério garotas. Isso não é brincadeira — advertiu, novamente. — Se não usado adequadamente pode causar vários danos, até morte. Eu não quero ir para cadeia.

— Não queremos matá-los. Apenas dar uma lição.

— Acha que a gente colocaria você em maus lençóis? — Ela hesitou, porém sacudiu a cabeça em negação. — Então deixe de ser tão medrosa. Ninguém vai saber que foi você quem nos deu. Aliás, a intenção é justamente ao contrário. Eles nem mesmo saberão o que passou por eles.

— O problema, Ella, é que eu vou saber, se a caso algo der errado. E vocês sabem que eu não gosto de fazer nada escondido, como se eu fosse uma criminosa. Isso é muito errado.

— Então você não sabe o que é bom — Pietra brincou maliciosa.

— Não quer ir com a gente?

— Obrigada, mas já tenho compromisso. Eric e eu vamos jantar. — Seu olhar brilhou sonhador, dissolvendo um pouco de sua preocupação. — Eu tenho de ir agora. E, cuidado.

Sábado, 10h15min a.m

— Você tem certeza de que não quer ir à festa hoje? — Thor perguntou. — Nathan disse que acompanhará Pietra. Acredito que até foram a LA comprar as fantasias.

Nós estávamos em uma namoradeira no deck. O sol estava bem fraquinho, hora e outra sendo encoberto por algumas nuvens acinzentadas. Eu estava sentada entre as pernas de Thor, com minhas costas inclinadas sobre seu peito. Os braços dele envoltos do meu corpo.

Quando eu somente neguei com a cabeça, ele continuou:

— Eu sei que você não gostou daquele último episodio. No entanto, você sabe que eu não vejo problema de você ir hoje. Desde que eu vá com você ou vá com o motorista. Não me entenda mal, neném. Não estou querendo te controlar, apenas quero cuidar para que você vá e volte com segurança, e se divirta sem qualquer problema. Vou estar mais seguro sabendo que não irá dirigir embriagada ou que algum idiota quis se aproveitar de você por causa de seu estado.

— Pelo jeito que fala até parece que eu devo procurar o AA o mais rápido possível.

Ele riu.

— Não. Entretanto, você sabe melhor do que eu que não se contentará apenas com uma taça de champanhe, muito menos tomará suco, não é mesmo?

— Eu não gostei da forma que me tirou daquela última festa — disse sincera. — Mas hoje eu não quero ir a nenhuma balada, embora me atraia a ideia de ver você fantasiado. A propósito, Baby também pareceu muito animado com a ideia, sabia? Até me deu dicas de fantasias para você.

Thor bufou e eu dei uma risadinha.

— Podemos ir jantar — sugeriu enquanto seus dedos faziam círculos na minha barriga exposta.

— Não. Eu estou preguiçosa. A semana não foi fácil, e eu só posso pensar em ficar esparramada hoje. Então, sem festas — sussurrei concentrada no carinho que estava recebendo.

— Uh, acho que estou exigindo muito de você — zombou convencido, mordiscando a ponta da minha orelha. Eu me arrepiei toda e dei um tapa em seu braço. — Ei!

— Não seja tão convencido, Castellammare!

Ele beijou meus cabelos e deu aquela risada gostosa.

— Eu não sou convencido.

— Pode até não ser, porém agora está.

— Certo. Eu estou, mas não sou.

— Não, você não é. — Minha voz decaiu uma nota, dengosa e sensual quando girei o rosto para olhá-lo, e adicionei. — Você é muito gostoso e quente. Bom para comer de colher.

— Eu gosto do som disso, garota.

Minha boca alcançou a sua, beijando-o devagar. Tentei me virar, porém não tive sucesso até Thor me ajudar, movendo-me com uma precisão magistral. De frente para ele, meus dedos se enfiaram em seu cabelo sedoso, bagunçando os fios alinhados quando puxei sua cabeça para trás e inclinei a minha então começamos a nos beijar novamente, profundo e forte. Suas mãos estavam pousadas em minha bunda, apertando-a sobre o meu pant short.

Suspirei contra a sua boca. Mordisquei.

Me acendi, querendo me esfregar nele. Na verdade, eu sempre tinha ganas de esfregar-me nele quando estávamos no mesmo ambiente. Queria minha boca nele e a dele em mim.

— Pessoas decentes na área!

Thor riu sobre meus lábios quando eu resmunguei baixinho.

— Aonde? — ralhei depois de uma exalação, virando a cabeça para olhar para minha amada e detestável melhor amiga. Nathan estava ao seu lado, sorrindo com diversão. Minhas bochechas tostaram,

e eu afundei o rosto na curva do pescoço de Thor. — La odio. Odio veramente 46.

Ele riu de novo, plantando um beijo na minha nuca.

— Bem aqui, fofa! Agora, levante esse traseiro preguiçoso e venha ver o que eu comprei.

— É melhor eu ir antes que minhas inspirações assassinas venham a borda — murmurei no ouvido de Thor.

08h30min p.m

O ar a minha volta estava espesso e quente, como se eu estivesse envolvida em uma manta sedosa de erotismo, enquanto sentia os lábios de Thor escovar a pele de meu pescoço e mais abaixo. Sua mão forte corria por minha coxa, apertando a carne numa pegada deliciosa.

Estávamos enroscados em cima da cama em nosso quarto. Eu disse isso mesmo. Nosso. Meu quarto deixou de ser “meu” e passou a ser “nosso” desde que ele dormia aqui todas as noites.

Soltei uma exalação pesada junto com um gemido baixo quando deslizei as mãos por suas costas sobre a camiseta branca que ele usava. Podia sentir os músculos daquela parte flexionar-se e soltar ao movimento de seu corpo, sua força nas pontas dos meus dedos.

Em poucos minutos estávamos apenas de roupas íntimas. Tocando. Beijando. Acariciando. O desejo crescia denso, lentamente, afetando nossas respirações e a atmosfera do quarto.

— Neném tem certeza que você não quer ir? — ele perguntou, com rouquidão, mordiscando a pele abaixo da minha orelha. — Podemos ter uma rapidinha e na volta eu te compenso.

— N-não.

Ele elevou o tronco para que eu pudesse ver seu rosto.

— Tem certeza?

— Sua única preocupação hoje, Castellammare, é me levar para outra galáxia — o informei, num sussurro malicioso. — Se não puder fazer isso, então iremos à festa.

Um sorriso perverso escureceu as feições dele.

— My little bicth está abusada — ele murmurou, arrastando as palavras. Muito sombrio, sua voz incrivelmente profunda, vibrando dentro de mim. Fazendo meu útero ter espasmos de necessidade quando minha buceta ficou mais quente e molhada. — Talvez, eu devesse te mostrar o que acontece com garotas atrevidas que desafiam seu homem de maneira tão insolente, uh?

Seu olhar brilhou, e então, escureceu numa fome crua e cruel.

Ele olhava fixamente de volta para mim, os olhos quase pretos agora, envolvendo-me em sua luxúria, as correntes invisíveis do desejo torcendo meu ventre.

Abaixando a cabeça, ele prendeu meu lábio inferior entre os dentes, estirando-o antes de aplacar sua boca na minha. Um beijo que insuflou minha excitação. Duro e áspero. Sua língua consumia-me, incendiando meu corpo, aquecendo até a alma. Os sons molhados eram sensuais, fazendo um calor febril estalar minhas terminações nervosas. Eu tive de fazer um esforço sobre humano para me recordar de que tinha de dar uma pausa na brincadeira quando seus lábios desceram para o meu colo. Plantei as mãos em seus ombros e empurrei. Ele se deixou ir com um xingamento.

— Eu quero tentar uma coisa antes.

Thor hesitou, suas sobrancelhas franzindo quando fiz menção de levantar, e então, ele se deixou cair ao meu lado. Desci da cama e balancei o quadril sensualmente em direção à cômoda.

Ele xingou baixinho novamente, e eu sorri insolente. Podia sentir seu olhar em minhas costas, causando um formigamento em minha pele e arrepios contínuos através da minha espinha.

Da primeira gaveta peguei o complemento que faltava para a festinha particular que eu tinha planejado para ele. Em seguida, dei a volta, escondendo o objeto em minhas costas.

Thor estava sentado na borda da cama, as mãos pousadas ao lado das pernas. Seu cenho enrugou desconfiado, e eu lhe lancei um sorriso inocente ao me aproximar.

— O quê está escondendo, neném?

Parei a alguns poucos passos dele, meus dentes cavando o lábio inferior, acrescentando hesitação a minha expressão ansiosa. O que não era de toda mentira, afinal de contas, eu não tinha certeza se ele iria topar ou não. Então fiz a vez de garota imaculada.

— Eu... eu quero tentar algo que eu sempre quis fazer, mas nunca encontrei ninguém em quem eu confiasse o suficiente. Ou que eu quisesse realmente...

Deixei as palavras no ar, dando tempo para ele absorvê-las.

Seu olhar deslizou do ponto onde minhas mãos estavam escondidas e pairou em meu rosto. Eu respirei devagar, controlando minhas reações ao mesmo tempo em que obrigava meus olhos deixarem a visão do monte tentador erguendo uma tenda orgulhosa em seu quadril. De repente, seu olhar passou de desconfiado para curioso.

— O quê? O que quer fazer, neném?

Respirei fundo, agradecida pela reação tosca de corar que somente servia para dar mais autenticidade a minha encenação quando levei as mãos a frente, revelando meu segredinho.

As sobrancelhas dele elevaram e abaixaram, e, em seguida, um sorriso lento iluminou seu rosto bonito. Podia ver as emoções como choque, hesitação e logo entusiasmo cruzarem sua face.

— Aonde arrumou isso? — A desconfiança ainda circulava sua voz, mas o sorriso malicioso prevalecendo em seus lábios cheios dizia-me que eu não teria qualquer dificuldade.

— Eu já tinha, mas... Bem, nunca tive a oportunidade de usar. Isso sempre exigiu um tipo de confiança que eu nunca antes tive com ninguém, então...

— Você quer ser algemada?

O quê? Não mesmo!

— Não. Eu... — umedeci meus lábios, — eu quero algemar você.

Suas sobrancelhas quase chegaram à linha de seu cabelo quando ele arregalou os olhos então a negação caiu em sua face enquanto sua cabeça sacudia em negação.

— Não, — calmamente, ele disse.

Bufei, deixando meus ombros caírem, mas não desisti.

Encurtei a pequena distância que nos separava, parando em sua frente. Suas mãos seguraram meus quadris, sua respiração batendo no vale entre meus seios.

— Thor — chamei num tom arrastado, muito dengoso. Ele inclinou a cabeça para trás, seu olhar buscando meu rosto. — Não seja ruim. Será só por um momento... Por favor.

— Não neném. Peça-me qualquer outra coisa que eu farei com o maior prazer, exceto isso.

Suas mãos me puxaram enquanto ele falava, e eu deixei a algema de pelúcia vermelha cair sobre a cama quando me sentei escarranchada em seu colo. Eu tive de apelar. Desci minha boca para o seu pescoço e belisquei com os dentes logo abaixo da sua orelha, seu ponto fraco. A respiração dele ficou pesada. Minhas unhas arranhavam de leve sua nuca. Um gemido baixo premeditado escapou por meus lábios, e então, fechei os dentes sobre sua pele, numa mordida forte o suficiente para ficar a minha marca e lambi o local, em seguida. Ele amaldiçoou e xingou, antes de devotar a mim o mesmo tratamento. Suas mãos sobre minha pele eram como fogo, chamas crepitando com estalidos de prazer desde a base da minha coluna, enevoando meus sentidos.

Eu não podia perder o controle do meu corpo, porém seu pau pulsando através do tecido fino de nossas roupas íntimas, contra minha vagina dolorida, não ajudava em nada.

Com minha boca rente a sua orelha, eu sussurrei:

— Eu quero isso, Thor. Por favor. — Ele estremeceu, ainda assim irredutível. — Eu prometo que farei você se sentir mooolto bene. Se não, pode me dar quantas palmadas quiser.

Com um movimento rápido e fluido, ele mudou nossa posição ficando em cima de mim, suas coxas empurraram para cima, abrindo ainda mais as minhas pernas. Ele me beijou rápido e duro então recuou, mordiscando meu queixo enquanto me falava.

— Não precisa me algemar para isso, neném. Você me faz sentir bem, de qualquer forma.

— Eu quero me sentir bem, também.

— Eu cuidarei disso.

— Assim eu não quero — ralhei irritada.

— Eu não acho uma boa ideia, Ella — disse ele, num tom grave e rouco, abaixando a taça do meu soutien e tomou o mamilo entre os lábios, chupando-o, gentilmente.

Ofeguei no calor convidativo. Eu sabia o que ele estava fazendo. Distraindo-me. Mas isso não ia acontecer então respirei fundo, controlando-me, quando enfiei os dedos no cabelo do topo de sua cabeça e puxei para trás, obrigando-o a me olhar.

— Façamos um acordo, sim?

As sobrancelhas abaixaram reflexivas.

— Que tipo de acordo?

— Você realiza essa fantasia minha e depois eu realizo uma sua... Independente de qual seja. Quero dizer, exceto com outra mulher e coisas nojentas — falei, cuidando para o meu tom soar um tantinho embaraçoso e, em seguida, mordi o lábio em expectativa.

As feições dele ficaram sérias quando ele pareceu ponderar. Meus olhos brilharam angustiados por sua resposta que veio sem aviso um segundo depois. Thor inverteu nossa posição, deixando-me por cima dele e esticou os braços acima da cabeça, as mãos perto da cabeceira.

— Eu sou todo seu, neném.

Um sorriso curvou a comissura dos meus lábios, e eu me esforcei para engolir de volta o gritinho vitorioso preso em minha garganta. Calma. Natural. Peguei a algema sobre a cama e me inclinei para frente para prendê-lo na armação de ferro da cabeceira da minha cama.

— Esteja ciente, Ella, você irá cumprir a sua parte... por bem ou por mal.

A leve ameaça em seu tom cálido fez-me vacilar por um breve momento.

Então algemei seus pulsos e saí da cama.