Dangerous
Capítulo 04
Bem, merda. Estava feito. Eu dormi com ele de novo.
Então por que eu me sentia meio frustrada?
Exalei forte quando dediquei minha atenção para o meu reflexo no espelho do banheiro não sabendo se me alegrava ou lamentava ao constatar que ele havia cumprido a palavra dele.
Paredes colocavam distância entre ele e eu, mas o cretino estava ali comigo. Com mais um punhado de novas marcas em minha pele. O banho da última meia hora lavando seu sêmen do meu corpo e seu cheiro, que insistia em ficar sobre a minha pele, eram provas irrefutáveis disso.
Por um rápido instante minha mente me traiu, relampejando a última imagem que tive do rosto dele, antes de ter corrido para fora do quarto nas pontas dos pés, como uma criminosa.
Heithor era perigosamente bonito. O tipo de homem que qualquer mulher se sentiria lisonjeada por tê-lo, mesmo que por um breve momento. Tirando a arrogância infernal e aquela pose de sou-dono-de-tudo-e-posso-tudo, ele tinha tudo que uma mulher gostava em um homem. Uma boca deliciosamente pecaminosa e uma pica de mel, que ele sabia usar...
Que merda você está pensando garota? Pare agora mesmo!
Empertiguei os ombros.
Eu não era qualquer garota para me sentir lisonjeada por haver transado com ele. Muito pelo contrário, era ele quem tinha de se sentir abençoado por ter tido mais uma chance comigo.
Esquadrilhei meu corpo através do espelho mais uma vez então fechei o roupão com um nó brusco. Do armário, pesquei um Advil e tomei com a água da torneira mesmo.
Estava dolorida até a alma. Ele tinha me comido com autoridade, e eu tinha adorado. Droga. Se fosse um pouco honesta, eu diria que estava animada para repetir a dose.
Não mais. Não ouse cogitar isso!
Ele e eu nunca mais. Estava decidido. Fim de história.
No entanto, eu não podia afastar a imagem de seu olhar. Aqueles olhos... Dio santo... aqueles olhos me fascinavam, de uma maneira perturbadora. Isso só podia ser um pesadelo e dos brabos.
Pietra cruzou meus pensamentos e eu travei ao dar-me conta de que tinha de dizer a ela. Isso, para ser franca, meio que me aterrorizava, mas eu tinha de fazer. Não tínhamos segredos entre nós.
Agora você vê, eu realmente estava feliz por ela poder desfrutar da companhia do irmão, porque eu sabia que a mesma sofria mais do que demonstrava pela ausência dele.
Mas esse maledetto tinha de aparecer justo agora? E ser tão bom? Tão gostoso e sexy?
Merda dupla!
Eu tinha de parar com esses pensamentos e contar a verdade a Pietra. Sim, estava decidido. Eu faria isso assim que nos falássemos novamente, pensei, quando agarrei o frasco de creme corporal e, em seguida, retornei ao quarto. Mal passei pela soleira da porta e congelei.
Bem, foda, também não precisava conjurar ela agora.
Pietra estava sentada no récamier, o rosto oval com uma expressão estranha, que me fez tragar duro e meu coração dar um solavanco. Minha mente trabalhou rápido.
Oh, Jesus... Será que ela ouviu meus gritos?
É claro que fez, stronza18! Do contrário, ela não estaria aqui com essa cara.
Eu e meu talento para me foder. Era impressionante. Agora eu estava ferrada e sem amiga. Tudo por culpa daquele infeliz, que meio que me forçou.
Não apela. Você queria e muito.
No entanto, ela não precisava saber disso, rebati a voz irritante na minha cabeça.
Tomei um fôlego e desenhei um sorriso murcho nos lábios.
— Ei — murmurei, aproximando-me da cama e sentei na borda.
— Está melhor?
— O quê?
— A dor de cabeça. Está melhor?
— Ah, claro. Sim, estou melhor.
Coloquei um pouco de creme nas mãos e passei nos braços.
— Agora me explique. Por que você estava toda cheia de não-me-toques lá embaixo?
— Não estou entendendo.
— Estou falando de seu súbito espírito de menina tímida
Não foi correto enganá-la. Na verdade, eu não enganei, senão omiti um detalhezinho vagamente importante. Sem contar que eu não fazia ideia de quem ele era. Caralho! Eu deveria ter contado a ela assim que o vi aqui, mas porra, eu fiquei assustada.
Como diabos eu iria adivinhar que o bonitão ordinário era seu maninho querido?
Não tenho a merda da bola de cristal!
— I-io... io... io... non...
— Dio, ragazza, pare com isso. — Pietra deu-me tapinhas nas costas. — Melhor?
— Sim.
— Você está muito estranha desde que chegou. Não confia mais em mim?
— É claro que confio em você.
— Então por que não me contou sobre o cara?
— Talvez porque estávamos na frente do seu irmão, — e ele seja o cara, — e eu não o conheço? O que diabos ele iria pensar de mim? — Além de se achar o pica das galáxias?
— È vero. Eu não tinha pensado nisso. Thor é moderno, porém não chega a tanto. — Ela pausou então me fitou com os olhinhos brilhando. — Mas agora você pode falar!
— Ele era bom. Muito bom.
— Imagino! Sua voz no telefone era de uma mulher bem comida.
— E você? O que andou aprontando na minha ausência?
— Amada, a pergunta certa é o que você andou aprontando? Com quem você estava?
— Come?
— Seu pescoço está todo marcado.
Oddio.
— Ah, isso... Isso é herança de ontem — desconversei.
— Sei. E por que está com os lábios inchados?
Meu coração se agarrou a garganta.
— Estão? — perguntei, levando meus dedos para a boca num impulso involuntário. Em minha mente a lembrança dos beijos quentes que Heithor e eu trocamos reprisou. Eu a empurrei fora.
Pietra anuiu focada em mim.
— Eu devo ter mordido no sono.
Eu iria para o inferno, porém isso não era novidade.
— Ah, sì 19? Sonho erótico?
Mudei o foco.
— Você se divertiu?
— Sicuramente. Mas poderia ter me divertido mais — ela disse, com um muxoxo. — Eu já conhecia alguns amigos do meu irmão, mas aqueles três... Minha nossa! Nathan é quente. Juro a você, quando eles chegaram aqui de manhã e Thor nos apresentou, a minha calcinha deu perda total. E ele cheirava tão, mas tão bem, que tive vontade de me esfregar nele todo. Não fiz, é claro! Thor não soltaria fogos de artifícios com a cena.
— Nunca vamos saber — suspirei com falso pesar.
— Amém a isso! — Sua expressão se iluminou safada. — Ele vai ficar aqui. Isso quer dizer que ainda posso ter esperanças. Aliás, você não ficou interessada, não é?
— Não Pietra, não fiquei. Tranquila, va bene?
— Ottimo! Se quiser algum, mire em Adam.
— Está anotado.
— Não pude averiguar muita coisa, porque o maledetto não faz o tipo cooperativo, porém sei que a família dele é de Nova York, contudo, ele estará aqui enquanto Thor estiver. Ele e todos os outros caras, você sabe, por causa do trabalho deles. Pode imaginar isso?
— Será que ele pode?
Ela deu os ombros.
— Se não, eu o farei imaginar e concretizar.
— Eles não estão de férias ou algo assim?
— Algo assim.
— A mulher... Norah, não é? Ela também ficará aqui?
Dio queira que não.
Pietra fechou a cara, me olhando com um show de horror.
— Nem brinca com isso, Amada! Se aquela puttana ficar aqui, Thor vai conhecer o diabo em pessoa. — E acrescentou enquanto balançava a cabeça para os lados. — Mas não, ela não ficará.
Empurrei o creme e me deitei de lado apoiando a cabeça na mão.
— Por que não gosta dela?
— Não percebeu o quanto ela é esnobe? O olharzinho de cadela superior? Eu admito, ela nunca me fez nada pessoalmente, mas também jamais faria, uma vez que ela está na batalha para fisgar o meu irmão. — Não pude disfarçar a careta em meu rosto. — Quando ainda estávamos na Itália, Thor a levou com ele em algumas visitas que me fez. Ela é daquele tipo de mulher que quer agradar a todos, sabe, boazinha demais, tentando participar de tudo e sorrindo para todos. Porém, eu sempre soube que aquela bondade toda era para que Thor visse, entende o que eu quero dizer?
— A tia gosta dela?
Pietra deitou de bruços e puxou um travesseiro para debaixo de seu queixo.
— Mamma é uma santa. Você sabe. Não acho que goste ou desgoste, ela só quer a felicidade de Thor. Enfim, eu apenas sei que não quero aquela coisa mandada como cunhada e duvido muito que meu irmão a queira como mulher dele. Quero dizer, eu espero que não.
Só não entendi o porquê de me sentir alegre com isso.
— Mas eles têm algo. — Era uma especulação, porém saiu mais como uma afirmação.
Ela colocou os olhos em branco e fez uma expressão de nojo.
— Obviamente, ela deve ser a troia dele. Não que Thor precise de uma quando tem um montão de mulheres se arrastando aos pés dele. Mas, você sabe, ela não é exatamente uma bruxa no quesito beleza, apesar de eu não gostar dela, eu tenho de admitir isso. E ela está lá, dando bobeira, cheia de amor para dar, as pernas frouxas e ele é homem. E não é santo, se é que me entende. Mas chega disso! Não vamos falar dela. Não quero estragar o meu dia. — Pietra sentou na cama e me olhou ansiosa. — Então, vai me pedir desculpas agora?
Rapidamente, me endireite sentando na cama também. As palavras se acumularam na minha língua e o receio me tomou, fazendo-me hesitar. Eu me xinguei por isso.
— Não seja orgulhosa, Amada. Sabe que me deve isso depois de toda chacota que fez — ela me recriminou, e eu não tive vergonha de relaxar aliviada.
— Tutto bene. Scusami 20, eu realmente fui muito má com você todo esse tempo. Seu irmão existe e eu não deveria ter duvidado de você, muito embora tivesse motivos de sobra para fazê-lo. Sinto muito se te chateei a sério com as minhas brincadeiras, não foi minha intenção e você sabe.
— Nada mais de apelidinhos estúpidos?
Levantei a mão.
— Prometo.
— Quindi sei scusata 21... Eu tinha de ter gravado isso.
Fiz uma careta de tédio.
— E os outros? J?
— Todos já foram. Josie foi logo que eu subi pra cá. Ela teria vindo comigo, mas os pais dela ligaram, enfim. Ela te mandou um beijo. Por falar nisso, você viu como ela estava toda animadinha?
— Difícil não ver quando ela tinha todos os tons de vermelho e os olhos brilhando enquanto o bonitão lhe dava atenção. Mas a gente não pode culpá-la, o tal Eric é uma coisinha deliciosa, não?
— Não estou dizendo? Quase tive um ataque quando os vi. E eu pensando que seria um saco ter Thor aqui — ela riu —, acho que nunca antes fiquei tão feliz por ter ele em casa.
Desci da cama e caminhei em direção ao closet para me trocar. Pietra me seguiu em silêncio. Minhas mãos agiam de maneira mecânica dentro da gaveta de calcinhas enquanto sentia uma onda de ansiedade se levantar dentro de mim. A tensão, de repente, era palpável.
Diga! Apenas solte a merda.
Respirei fundo.
Seja o que Dio quiser.
— Pietra, eu quero te dizer algo.
— Sei.
Minha garganta secou, e eu travei de súbito.
Ela sabia? Como?
Girei a cabeça e a mirei encostada ao umbral da porta corrediça.
— Sabe?
— Sim, mas agora quero que me diga, o que achou dele?
— Di lui?
— Thor!
Gostoso, lindo, petulante, safado, arrogante e sexy. E fode maravilhosamente bem. Grazie.
— Legal — me limitei, voltando à atenção para a gaveta.
— Sério Amada?
— O que quer que eu diga, Pietra?
Peguei uma calcinha e rapidamente a vesti sob o roupão. Em seguida, me desloquei até a outra parte, onde estavam as minhas blusas e saias.
— O que realmente achou dele? Tirando, claro, a chatice. Sabe que ele ficou impressionado com você? Não que ele tenha me dito algo, mas eu sei que ele ficou pela maneira que você o enfrentou.
— Ele é bonito — empurrei com indiferença.
— Josie acha que ele é quente.
Isso me chamou a atenção.
— Ela...?
— Ah, no! Ela estava muito encantada com o Eric para direcionar sua mira em Thor, pelo menos nesse sentido. Mas eu disse que não me importaria se ela quisesse fazer um passeio por lá...
Balancei a cabeça com a insinuação e me desfiz do roupão, vestindo um top preto, em seguida.
— Acho que ele gostou de você, quero dizer, eu reparei que ele te deu uns olhares, sei lá.
— Ele não faz meu tipo.
Eu somente tinha que dizer.
— Senti Pietra, eu...
Suas mãos bateram juntas, de repente, me assustando.
— Ottimo! Porque eu não os quero se envolvendo.
Inclinei a cabeça para o lado.
— Come?
— Senti, não me leve a mal, porém, você e Thor juntos não dá — ela disse, naturalmente. E fez um adendo. — Eu sei que não posso obrigá-la a se manter longe dele, nem mesmo ele. Thor nunca me ouviria, se realmente tivesse algum interesse, nem você o faria, tampouco. No entanto, não vou te enganar e dizer que para mim estaria tudo bem quando não é verdade.
Isso me desconcertou por um instante então me irritou.
— Deixa-me ver se entendi direito, Pietra, — pedi erguendo o dedo. — Você não acha que sou boa o suficiente para o seu irmão, mas Josie é? É isso que está me dizendo?
— O que eu disse é que vocês dois se envolverem seria o mesmo que dar murro em ponta de faca. Você ainda não sabe, mas são iguais, com a diferença de que você é avessa a qualquer tipo de relacionamento. Não que eu pense que Thor queira uma relação. Na verdade, não me lembro de ele me apresentar a qualquer mulher que quisesse levar a sério. E você é estoica, A.
Soltei um riso frouxo.
— Clarividência não é a sua área, absolutamente.
— Eu te conheço, Amada, se esqueceu? — Era o que eu costumava pensar, antes de ela começar a vomitar merdas. — E para a sua informação, eu não preciso ser vidente para enxergar o óbvio.
Mas. Que. Porra.
— Sei que vou me arrepender, mas qual é o óbvio?
— Que uma relação entre vocês não acabaria bem. E eu não quero ter que me desdobrar entre vocês dois, nem escolher entre um e outro. Amo você como uma irmã, todavia, amo Thor também e não o quero sofrendo. — Como? — Você não conhece Thor, ele não te conhece. No entanto, eu conheço os dois e sei que um envolvimento entre vocês não fará bem a nenhum dos dois.
— Mas a Josie sim?
— Sì.
Saqueei uma saia qualquer e vesti enquanto buscava me controlar. Na verdade, eu tinha a mente em branco. Precisava de tempo para digerir a informação. Voltei-me para ela, com uma pergunta estalando na minha cabeça.
— Perché?
— Porque eu sei que se eles chegassem a se envolver, coisa que duvido, e se pintasse algo mais sério, coisa que também duvido, ela não o faria sofrer.
— Grazie mille — resmunguei ao passar por ela, de volta ao quarto.
Ela veio sobre meus calcanhares.
— Qual é Antonella? Não é para se zangar.
Dei a volta, enfrentando-a.
— Você me pinta a imagem do diabo e quer que eu me sinta como, porra?
— Va bene... Você quer namorar? Se apaixonar?
Estreitei o olhar com horror.
— Que idiotice é essa? Não. É claro que não!
— Exatamente. A propósito, por que estamos discutindo sobre isso? Eu não disse nada que nós duas já não saibamos e isso nunca foi um problema entre nós. Eu respeito suas convicções e você as minhas. Além do mais, você mesma disse que ele não faz o seu tipo.
Cruzei os braços em cima do peito, com a cara amarrada.
— Errado. Estamos discutindo porque você me rebaixou a merda.
— Ragazza, mas hoje você está cheia de merda. Eu disse alguma mentira? Per Dio, eu nunca a julguei por não querer se envolver mais que uma foda permite, nem pelas merdas que tem arraigadas na sua cabeça, embora não concorde com todas elas e você sabe disso. Mas, Antonella, eu tenho todo o direito de opinar quando há a possibilidade de você e ele ficarem, e isso acabar afetando a nós duas. Conheço você, cacete. E, na boa, não sou cega. Thor é um homem muito bonito. Eu sei o que ele causa nas mulheres...
Dei minhas costas para ela, indo até a cômoda.
— Entenda, não estou afirmando que será assim e assado. Porém, não os quero juntos. Minha opinião e não vou mentir ou mudá-la somente para te agradar. Somos amigas. Falsidade e omissões nunca couberam entre nós. Ou será que devo pensar que isto mudou?
— Não mudou — lati.
Forcei-me a relaxar, apesar de estar raivosa por suas palavras.
Bem, isso coloca abaixo minha intenção de contar a verdade a ela, ponderei.
Sentei na cama sentindo-me frustrada. Eu não queria enganar a cadela insensível. Na realidade, eu não estava enganando, apenas omitindo de novo. Além do mais, ela não estava merecendo a verdade agora mesmo. E, bem, por que trazer sobre nós algo tão banal que não iria se repetir mais?
— Não me entenda mal, Ella. — Ela se aproximou, sentando ao meu lado. — Eu amo você, mas não quero estragar nossa amizade porque se envolveu com o mio fratello.
— Entendi.
— Estamos bem então?
— Sim.
Seu sorriso alargou.
— Ottimo! Então me diga, o que queria me contar?
— Niente. Realmente nada importante.
— Va bene... Então vamos ao que interessa. Desde quando você dorme fora de casa?
Desde que suo fratello ordinário bateu no meu caminho.
Encolhi os ombros.
— Eu conheci alguém, como bem sabe.
— Então?
— Então o quê? Não é nada demais. Conheci alguém e passamos a noite juntos.
— Davvero22? E quem é ele?
— Ninguém que valha a pena.
— Isso é você ficando toda coração? — debochou, batendo seu ombro no meu. — Antonella, andiamo, eu te conheço. Você jamais dormiria fora por causa de um cara que não valesse à pena. Cristo! Você dormiu com o cara. Ele, definitivamente, vale à pena!
— Não vale. Garotas fazem isso o tempo todo...
— Não você.
— Sempre há uma primeira vez.
— Não deboche. Eu estou num dilema aqui. Escolher entre sair e ficar em casa para tentar pescar algo, correndo o risco de não conseguir merda nenhuma é quase um apocalipse.
Pietra estava revelando seus planos para Nathan quando rumamos para o térreo. Estávamos apenas começando a descer a escada quando parei, agarrando o braço dela.
— Escutou isso? — perguntei num sussurro baixo.
Seus olhos estreitaram.
— O quê...? — Ela parou quando o som veio de novo.
Era algo parecido com... um gemido?
Ela e eu nos encaramos. Mais quatro degraus abaixo e miramos a sala.
Meu primeiro sentimento foi de choque, então veio à descrença e logo a bile subiu. Meu sangue ferveu. O aperto no corrimão se fez mais firme até que senti meus dedos gelados.
Aquele filho da puta estava no sofá, com a loura oxigenada a tira colo... aos BEIJOS.
A troia usava um pedaço de pano que jamais poderia ser chamado de saia enquanto as mãos daquele infeliz estavam espalmadas alegres sobre o traseiro dela, e ela lhe beijava o pescoço.
Na boa, eu queria vomitar em meus pés.
Sentia-me sufocada pela raiva chamejando em meu peito.
Como ele podia fazer isso comigo? E aquele papo idiota de “você me pertence”?
Per amore di Dio, nós praticamente tínhamos acabado de trepar loucamente e ele já estava atracado com aquela mulherzinha. E bem debaixo do meu nariz! O que é pior.
Eu realmente não me importava com quem ele fodia, mas fazer isso logo após termos passado um tempo entre os lençóis, vou dizer, era uma tremenda surra em minha autoestima.
A vontade que eu tinha era de matar a troia com minhas próprias mãos e depois estapear aquele maledetto. Eu nunca tinha sido tão humilhada em minha vida e, certo como o inferno, isso não ficaria assim.
Pietra não estava diferente de mim. Ela só faltava soltar fogo pelas ventas e eu não a recriminava. No entanto, percebi que ela focava outro ponto na sala, que eu ainda não tinha visto. Segui seu olhar, enfocando o objeto de sua fúria assassina, ou melhor, a pessoa. Va bene. A raiva da minha amiga era duplicada, pensei, ao pescar Nathan no outro sofá com outra porca troia a tira colo.
Eles estavam tão concentrados naquela nojeira que sequer perceberam nossa presença. O que de certa forma era bom. Não podia dar o gostinho de aquele cafajeste ver o quanto aquela cena deplorável me afetou. Respirei fundo e contei até dez enquanto estampava uma máscara impenetrável de frieza. Pietra e eu pigarreamos então sorrimos dissimuladas.
Eu não sabia que puttane voarem era fisicamente possível, até que os imbecis colocaram os olhos sobre nós, num minuto parecendo assustados e, no outro, tranquilos demais. Uma vez que tinham arremessado às cadelas para longe. Elas, ainda assim nos miraram com olhares superiores enquanto terminávamos de descer os últimos degraus.
Por fora, eu estava mais calma que uma manhã de domingo, mas por dentro a ira me consumia devagar. E eu juntei cada grama de força que tinha para minha máscara não cair.
Pietra não teve tanta sorte ou não fez questão de esconder sua raiva.
Heithor tinha os olhos cravados em mim, impassíveis. Eu segurei isso, lhe retribuindo com um gélido olhar de desprezo e nojo. Pelos cantos dos olhos pesquei a cadela oxigenada, que atende por nome Norah, se arrastar para o lado dele então jogar as pernas sobre o colo do mesmo.
Eu franzi os lábios e a testa, com uma expressão duvidosa enquanto movia a mão.
— Estão fazendo algum filminho pornô aqui?
As cadelas exclamaram escandalizadas.
— Perdoem-nos. Não sabíamos que estavam aqui — Nathan disse.
— E iríamos estar aonde, suo stronzo? Moramos aqui.
— Não tem de ser desrespeitosa Pietra, — ele, o ordinário, disse. Sua voz era incrivelmente calma, mas com um quê de autoridade. Se ele tivesse ideia de quão puta nós estávamos, ele começaria com as desculpas. — Erramos e peço desculpas. Garanto que isso não irá se repetir mais.
— Respeito? Você quer a merda do respeito? Pois então, fratellino, experimente a nos respeitar primeiro. Estamos na nossa casa e nós não somos obrigadas a ver cenas nojentas como essas que acabaram de protagonizar bem no meio da nossa sala!
Ele passou a mão no cabelo num gesto de nervosismo.
Eu completei:
— Exatamente. Além do mais, se querem fazer um filminho vulgar para o porntube escolham um lugar mais apropriado para fazerem isso. Alguma esquina talvez?
Norah me olhou com irritação.
— Você está sendo deselegante sem a necessidade de ser, Srta. Vicenti.
— Querida, deselegante é esta sua saia de porca troia comprada em liquidação.
Ela me matou com os olhos. Eu sorri.
— Okay. Basta. — Heithor assinalou num tom grave, ainda me olhando. — Não tem porque haver uma cena aqui, já pedimos desculpas e garanti que isso não irá acontecer mais.
— Ah, mas não vai mesmo!
Norah, cadela, bufou com desdém fixando-se em Pietra.
— Por favor! Não faça drama, como se fosse à pureza em pessoa, Pietra. Nós duas sabemos que você não é mais uma menininha, não?
— Stai zitto23, puttana di merda! Eu não falei com você.
— Pietra já chega, porra — ele grunhiu, seu tom frio me fez ter calafrios. — Eu já pedi as fodidas desculpas. O que mais você quer?
Minha amiga empertigou suas feições.
— Pietra, eu... — Nathan começou, recebendo tiros dela.
— E você, seu merda, cale a porra da boca, também. Não me interessa quem ou o quê vocês comem, ou se tratam seus pintos como lixo. Na minha casa, eu exijo respeito. Se isso ocorrer novamente enquanto estão debaixo de nosso teto, senti bene, eu juro per Dio, que nós traremos o primeiro que encontrarmos na rua e transamos com eles em suas camas. E eu quero dizer isso com todas as letras.
De imediato, dois tipos sólidos estavam em seus pés, exalando perigo por todos os poros. Suas expressões eram tão sombrias, que me arremetiam a assassinos frios. Confesso que fiquei com um pouquinho de medo, mas não o bastante para colocar o meu rabo entre as pernas.
— Não se atrevam...
— Tente-nos — desafiei, cortando Heithor.
Ele estava pronto para encenar o Hitler quando tia Martha entrou na sala.
— Santo Dio! Cosa sta succedendo qua24? Dá para ouvir os gritos lá de fora.
Pietra abriu a boca para falar, todavia, o bastardo foi mais rápido.
— Apenas um mal entendido, mãe, porém já foi resolvido.
Resolvido vai ser a minha mão nessa sua cara, cretino, pensei enquanto revirava os olhos.
Pietra deu com a língua nos dentes, fazendo um show de dramatização.
— Corta essa merda! Eles estavam aqui se pegando bem no meio da sala, mamma. E não duvido nada que iriam fazer da mansão um bordel, se Ella e eu não tivéssemos os flagrado.
— Come? Che cosa stai dicendo25? Thor?
— Eu estou dizendo que...
— Como eu disse, foi um mal entendido, que já está resolvido. Não irá se repetir — Thor grunhiu cada palavra, com uma expressão fria. Um aviso claro para ela parar ali.
Pietra tomou a dica com um bufo.
Uma vez que Martha saiu, eu peguei uma garrafa de champanhe no bar, a todo o momento sentindo os olhos daquele desgraçado me rastreando então fui até Pietra, chamando-a para sairmos de lá, contudo, a mulher com Nathan se pronunciou. Ela não devia ter cérebro e, se tinha, estava com sérios problemas.
— Nathan, você não vai me apresentar, querido?
— Pietra, irmã de Thor, — ele disse, gesticulando para ela e depois para mim. — A outra é Antonella Vicenti, uma amiga da família que vive com Pietra e Martha.
— Muito prazer Pietra. Espero que não se incomode que a chame pelo primeiro nome. — Não, ela somente quer a sua cabeça de merda numa bandeja de latão, piranha, pensei. — Eu sou Lauren Lewis. Mas me chame somente Lauren, por favor. Thor sempre fala muito de você quando, eventualmente, nos encontramos. O que é menos do que eu gostaria. — Ela deu uma risadinha. — É muito bonita. Deve ser a genética dos Castellammare. — Eu quis vomitar com sua patética tentativa de soar simpática. Ela gritava falso por todos os lados. — Prazer em conhecê-la também, Antonella.
— Para você, eu sou senhorita Vicenti — mordi fora com escárnio.
— OH! Tudo bem, querida... Eu não quis ser indelicada, me desculpe. Não precisa se estressar. Sabe que isso faz mal para pele? Dá rugas. E você parece ser tão novinha.
Fiz uma expressão de curiosidade.
— Por isso sua cara está toda fodida assim?
Pietra riu alto enquanto os dois paspalhos disfarçavam o riso.
— Não tem porque ser mal educada, menina. Lauren não quis ofendê-la.
— Norah só a presença dela e a sua, me ofende. E, me chame de menina mais uma vez que você verá aonde eu vou enfiar a porra da educação — prometi em tom ácido. — Andiamo Pietra!
— Aonde vocês vão?
Olhei sobre o ombro para o imbecil do Castellammare.
— Não é da sua conta — mordi.
Ele fechou os olhos apertando a ponte do nariz. Pietra exasperou.
— Nós só vamos lá fora respirar ar puro, porque aqui dentro fede puttana.
Aconteceu muito rápido. Num minuto Pietra zombava e, no outro, Heithor estava pairando sobre ela, segurando seu braço num agarre firme, que fez seu rosto se contrair de dor.
— Peça desculpas agora, Pietra — ele ordenou duramente.
— Não, — ela choramingou.
Eu vi vermelho.
— Tire as mãos dela, idiota! Não percebe que a está machucando? — eu gritei na frente dele, que me olhou surpreso. — Eu mandei você tirar as mãos dela agora!
Não saberia dizer se ele ficou com medo de mim ou mortalmente espantado por eu enfrentá-lo daquela maneira feroz. Algo, talvez, inédito para ele, por isso o desconcerto em sua face.
Ele a soltou ainda mantendo o olhar sobre mim.
— Amor, deixe isso pra lá. Tenho certeza que ela não fez por mal. Isso são só os hormônios da adolescência e ciúmes de irmã mais nova. Eu não estou ofendida.
Vaca. Cachorra. Piranha.
— Eu vou deixar passar apenas dessa vez.
Duas horas mais tarde naquela noite depois de eles terem saído para a noitada, Pietra e eu chegávamos ao ponto de encontro da nossa própria diversão, num lugar próximo a Santa Monica. Se havia algo que me ajudaria a organizar a merda na minha mente hoje seria isso.
Jay-Z saltando a toda potência através dos alto-falantes, o ronco dos motores de motos e carros potentes adicionados a uma chuva de assobios e cumprimentos nos receberam quando pilotamos nossas Ducati, passando pelo aglomerado de pessoas que já estavam aqui.
Pietra tinha sua menina apenas para passeio. Eu não. A minha era trabalhada para correr ocasionalmente. Eu tinha mandado customizá-la com detalhes em azul sobre o preto fosco.
Minha menina era todo um charme. Linda e perigosa.
Sim, baby, eu estava para as corridas clandestinas. E, deixe-me dizer isso, eu tinha feito um nome nessa merda, com uns e outros arranhões, ossos do ofício devo dizer. Isso porque eu tinha desbancado um dos reis do pedaço, o que me rendeu o título de princesinha das corridas. Eu admito, fora um golpe de sorte e de talento nato, praticado ainda quando estava na Itália, com o meu zio Romeo. Ele era um amante de velocidade e motos. E ele, foi quem me ensinou tudo que eu sei sobre andar em duas rodas nas horas que meu papà me dera folga. Tudo escondido do velho, é claro!
E, oh, cara, eu amava isso! Amava toda aquela potência motorizada em quatro ou duas rodas, sobretudo, a última. Amava o ronco selvagem dos motores acelerando. O couro sexy que eu vestia para esses encontros. A adrenalina crua fervendo dentro de mim, correndo por minhas veias, aquecendo meu coração enquanto o fazia bombear mais e mais rápido. O perigo. A ilegalidade.
Essa era a minha praia. Havia o dinheiro também, bom e fácil, mas eu não estava atrás disso. E, na boa, não havia dinheiro no mundo que pudesse comprar a sensação que eu somente podia experimentar aqui. Ver mulheres que se achavam as fodonas, principalmente, os homens crescidos xingarem até a mãe porque tinha perdido uma corrida para uma garota. Isso era impagável.
A maioria aqui me conhecia, porém somente dois realmente sabiam da minha verdadeira identidade. Brian e Kevin. Foram eles que me apresentaram a este mundo cinzento no meu primeiro mês nos Estados Unidos, bem como, ajudavam a minha menina a estar sempre pronta para ação.
Morris – meu nome do meio – era como o pessoal me conhecia. O que era muito conveniente dado à ilegalidade. E, bem, aqui não precisávamos de nomes reais, senão de dinheiro. Se você tinha uma boa grana ou quisesse apenas um pouco de diversão não oficial estava dentro. Os encontros nunca eram no mesmo local e estávamos sempre atentos a qualquer sinal de polícia.
Definitivamente, o padrão Kardashians não era o meu.
Brian descolou uma aposta rápida com um babaca qualquer, e eu claro ganhei. Prepotência e corrida não era uma boa combinação. O idiota tinha um montão da primeira.
Eu gostava desse lado obscuro. Era tudo tão perigoso e excitante que me hipnotizava. As pessoas aqui eram de classe social diferentes umas das outras, porém ninguém se importava com sua cor, seu credo ou status sociais. Todos que estavam aqui buscavam um só objetivo: diversão proibida.
Obviamente, havia alguns idiotas, que apareciam para arrumar confusão, bem como, algumas merdas realmente ruins. Mas em sua maioria era legal. Tudo era uma questão de saber se comportar e aonde pisar. Se você fosse cuidadoso o bastante, poderia ir e vir sem problemas.
Eu gostava de lugares sofisticados também. Luxo e conforto nunca eram demais. O problema era que nada saía de graça, ainda mais quando se é uma garota de 18 anos num país, onde as regras e leis idiotas determinam boa diversão somente aos 21 anos de idade. O lance é que na terra do Tio Sam, você respeita as leis dele. Uma grande merda. Mas para tudo se dava um jeito e para cada regra havia uma barreira a ser quebrada. E, eu sabia bem como e onde encontrar as minhas brechas.
— Eu tenho de admitir, você é boa. — Uma voz sensual soou próxima da minha orelha, assustando-me. Girei a cabeça para ver quem era o filho de uma vaca e bufei.
Ele não desistiu.
— Eu sou Matt.
Olhei para sua mão estendida e depois para ele.
— Morris. Mas você já sabe disso, certo?
Voltei o olhar para frente e terminei a minha cerveja.
O idiota insistiu, manobrando em torno da moto para me encarar.
— Okay. Acho que mereci essa. — Ele riu. — Só Morris?
— O que você quer?
— Eu só estou admirado — ele disse, com um encolher de ombros. — Não vi muitas garotas que sabem pilotar uma belezinha dessas. Até hoje. Aonde você aprendeu a pilotar daquele jeito?
— Não é da sua conta.
— Wow! Partiu meu coração.
Eu desviei meu olhar entediado para além de seus ombros.
Para um cara até que ele falava demais. Era bonito, mas insistente e chato de doer.
— Escuta gata, me desculpe. Eu realmente não deveria ter dito aquilo, mas convenhamos, você é uma garota toda delicada e tão linda, que fica difícil imaginar você a sério nessa merda. Você sabe. Em geral, garotas como você apenas olham os caras grandes...
Ele continuou a chiar na minha orelha enquanto eu fingia ouvi-lo. Minha cabeça estava longe para prestar atenção em qualquer coisa quando um par de olhos azeviches dominou minha mente.
Heithor.
Soava forte, intenso e implacável. Combinava com ele.
Eu gostava de como as letras juntas deslizavam por minha língua...
Pare agora mesmo Antonella!
Lancei a cabeça para os lados, enfezada pelos rumos dos meus pensamentos tortos, principalmente, por eles lembrarem o meu corpo ainda dolorido da nossa trepada e só isso me fazer reagir. Ele estava ali, sob a minha pele. Isso era vergonhoso. Sobretudo, porque neste momento ele, provavelmente, deveria estar comendo aquela loura oxigenada enquanto eu estava ali sozinha.
Merda de situação!
Quem aquele merda pensava que era para chegar colocando suas bolas? Com aquele corpo gostoso dos infernos me causando desconforto e atormentando meus pensamentos?
Um nada, era isso que ele era!
Mentiroso de uma figa! Rato trapaceiro do caralho!
Ele me humilhou e ninguém fazia isso comigo. Ninguém.
Baixei o olhar para o tagarela, examinando-o dos pés a cabeça. Era bonito, alto e louro, tinha uma boca bonita e um corpo musculoso, mas nada comparado aquele inferno de homem...
— Mas que merda!
— Eu disse alguma coisa errada?
Ignorei-o e aproveitando que um conhecido passava em frente descolei seu capacete extra.
— Coloque e suba na moto — demandei, entregando o capacete a ele.
— Como?
Dei-lhe um olhar firme.
— O lance é o seguinte, você sobe na porra da moto ou some da minha frente.
— Ei! Estamos um pouco afiados aqui, gatinha.
— Eu não sou sua gatinha e não gosto que me chamem assim. Então?
Um minuto mais tarde estávamos nos afastando. Fui para um lugar que eu gostava muito. Uma estrada que não tinha movimento a noite, de lá dava para ver uma parte da cidade.
Eu não queria papo, nem gastar meu tempo precioso conversando com um bobo. Se aquele traidor poderia se divertir, eu também poderia tanto ou mais que ele, pensei, quando caminhei de forma sensual para o cara que esqueci o nome então enlacei seu pescoço.
— Estamos apressados? — ele brincou, enlaçando a minha cintura.
— E você fala demais e faz de menos.
Seus olhos brilharam um momento antes de ele me beijar. O beijo era morno quase sem vida. Bom, admito. Nada comparado ao meu Heithor, no entanto.
Que puta merda é essa de meu, Antonella? Ele não é seu, cazzo.
Forcei meus pensamentos para longe e me entreguei à boca do desconhecido. Desci a mão por seu abdômen até chegar aonde eu queria. De lá foi uma trepada rápida e sem graça.
Quando retornamos ao ponto de encontro, ele desceu e me esperou descer. Tirei meu capacete e peguei o dele de volta, e então, comecei a caminhar a fim de encontrar meus amigos. Parei de súbito quando senti sua mão pegar a minha. Puxei-a com força para longe do contato e o olhei friamente.
— Que porra você pensa que está fazendo?
— Gata depois do que nós fizemos, eu achei...
— Achou errado e pare de me chamar de gata, cacete — cuspi e acrescentei no caso dele não ter entendido. — Foi só uma transa sem importância. Nada mais que isso. Passou. Agora dê o fora!
Ele me olhou boquiaberto e eu não fiquei parada esperando sua reação, recomeçando a caminhar para longe dele. Um sorriso zombeteiro curvava meus lábios pela cara de lesado dele.
Era isso que me incomodava nos caras depois que tínhamos transado. Eles se sentiam os meus donos. Isso irritava o inferno fora de mim. Heithor me veio à cabeça, mas antes que pudesse me indignar um solavanco me parou. Eu virei para quem tinha sido o idiota a puxar meu braço.
— Ninguém me trata assim, vadia — o idiota disse, nervoso.
— Eu fiz e nada do que diga mudará isto. Agora, me deixe em paz.
— Você é muito fria garota.
— Também sabemos que isso não é de toda verdade, uh?
— Algum problema aqui? — A voz cortante de Brian soou nas minhas costas.
O babaca soltou o meu braço. Eu relaxei. Ninguém se metia com Brian. O cara podia ser assustador quando queria e não era somente por seus 105 quilos de músculo ou sua altura de um poste. Ele era um cara duro e conhecido por chutar traseiros idiotas, como aquele na minha frente.
— Está tudo bem Brian. Ele já está indo.
O estúpido alternou seu olhar entre Brian e eu, e, em seguida, ele deu volta xingando.
— Tem certeza que está tudo bem? Ou será que preciso exercitar meus punhos? — Brian perguntou num tom sombrio, olhando fixo para o idiota se afastando.
Bati as pestanas para ele e sorri abertamente, entrelaçando meu braço no dele.
— Agora você só precisa lubrificar minhas engrenagens, cowboy.