Dangerous

Daya Engler · Capítulo 34 de 45

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Dangerous

Capítulo 34

 

 

Os dias no Havaí estavam sendo incríveis. Era chocante que eu pudesse ficar mais deslumbrada quando acreditava não ser capaz de me embasbacar mais pelas belezas naturais do lugar, no entanto, Thor me mostrou ser possível quando exploramos Oahu um pouco mais.

Visitamos o cemitério Punchbowl, onde estão enterrados os soldados de Pearl Harbor. Bati inúmeros registros dele e meu em Eternity Beach, o lugar onde foi filmado a famosa cena do beijo íntimo em From Here to Eternity. Thor me levou até a praia Pipeline em North Shore, com ondas assustadoras e belas, e também fomos a Eletric Beach, onde praticamos snorkel por algumas horas. Em uma dessas vezes na volta para casa pela Pali Highway paramos no Sea Life Park. Thor também organizou um passeio noturno privado ao mar em uma parte isolada da ilha, onde pudemos ficar mais a vontade e nos explorar em meio à natureza.

Em Maui, Thor me levou até a cratera do Haleakala, antes mesmo do galo cantar, para ver o nascer do sol. A visão era espetacular e valeu cada segundo do sono perdido. Um tour até Molokini, uma cratera submersa em formato de meia lua a quatro quilômetros da costa sul, tirou meu fôlego.

Então desembarcamos em Kauai e de cara eu me apaixonei pela ilha. Ela era magnífica e tinha um ar todo misterioso, idílico mesmo, cercada por um mar azul de emocionar os olhos e muito verde. Eu nem mesmo sabia que era possível haver tantos tons de uma mesma cor. Apreciamos a vista fascinante da Na Pali Coast em um passeio de helicóptero, muitas paisagens recordando-me filmes conhecidos e famosos. Então Thor me levou pela estrada 520 através do túnel de árvores e desembocamos na praia de Poipu. Dois dias depois retornamos a Oahu.

Eu tinha visto minha cota de fauna, vegetação, cânions, praias pitorescas, corais exuberantes, tartarugas marinhas, focas havaianas, golfinhos roteadores e até um grupo de baleias jubartes.

Thor e eu então deixamos o turismo de lado e nos concentramos em nós dois. A cada dia que se passava eu me sentia mais próxima e dependente dele. O que me preocupou de início, porém arquivei minhas neuras, até porque não era como se eu pudesse parar isso. E, para ser honesta, eu não estava preocupada no que isso iria acarretar quando voltássemos para a realidade em Malibu.

Estava de férias — antecipadas — e tinha de tirar o máximo de proveito disso.

Era simplesmente bom estar com Thor e tão mais fácil deixar as coisas correrem...

Depois da nossa última discussão não brigamos mais, aliás, vivíamos de beijos e carinhos, e nas vezes que saímos nossas mãos estavam sempre entrelaçadas. E, vou dizer, eu me sentia muito vaidosa, embora estranha, porque era novo agirmos como um casal, mas muito orgulhosa de exibi-lo. Nunca imaginei que pudesse querer estar desta forma com alguém, nem que iria gostar disso, porém eu estava amando.

Heithor deixava-me cada vez mais deslumbrada com suas atitudes e seus gestos. Eu estava conhecendo um Thor que não conhecia ou não queria conhecer quando estávamos em Malibu.

Eu gostava dele assim. Menos arrogante, apesar da pose de macho das cavernas perseverar, e em segredo eu admitia gostar dela, também. Irritava-me, mas tinha lá seu atrativo.

Ele tinha me levado para jantar fora algumas vezes, incluso fazer uma peregrinação na Avenida Kalakaua e no Ala Moana Center, onde comprei presentes para todos em Malibu. Nós também tínhamos ido jantar com Keahi e Alana na pousada deles, que era uma graça. Um pouco pitoresca, porém com um clima familiar muito aconchegante, sem falar na comida de Alana que era maravilhosa. Então Thor e eu estávamos na sua casa e desligados para o mundo. Não havia um só canto daquele espaço que nós não tínhamos batizado. Ele tinha me transformado em uma ninfomaníaca com o carimbo de autenticidade na bunda, todavia, eu não estava reclamando.

A verdade era que não conseguimos tirar as mãos um do outro, até que fomos obrigados por uma virose louca que me pegou no começo da segunda semana, deixando-me com 39 graus de febre. Thor chamou um médico local e ele me prescreveu antibiótico para tomar durante oito dias. O gosto era terrível, mas a eficácia do remédio estupenda. Em três dias comecei a me sentir melhor.

Thor não havia saído um segundo sequer do meu lado e até tinha feito canja para mim, uma vez que quase nada parava no meu estômago. E, embora fosse ruim ficar doente, eu tinha de admitir que não foi tão mal ficar mofando na cama enquanto era paparicada por ele.

Tínhamos visto muitos filmes. Ele contou mais sobre si mesmo e seu trabalho, e eu falei mais sobre a minha vida, apesar de achar isso desnecessário quando ele já sabia praticamente tudo sobre mim, todavia, Thor fez questão de ouvir-me. Até fizemos um jogo de perguntas e respostas que no começo achei meio besta, porém conforme o jogo prosseguiu, eu me interessei. Mesmo o tempo estava á meu favor, chovendo praticamente todos os dias em que estive debilitada.

Hoje, fazia exatos três dias que despreguei a bunda da cama, apesar de ainda faltarem dois dias para eu acabar de tomar o remédio, contudo, me sentia melhor do que nunca. Até mesmo o sol estava brilhando no céu. Eu tinha acordado com uma ideia fixa em mente e assim que Thor deixou seu ataque de galhinha-e-seus-pintinhos após o almoço, eu comecei a colocá-la em prática.

Ele tinha ido com Keahi do outro lado da ilha ver dois imóveis.

— Antonella?

— Estou na cozinha, Alana — gritei de volta.

— Eu vim ver como você está — ela disse solicita quando entrou na cozinha.

Olhei sobre meu ombro para ela, sorrindo.

— Thor pediu para me verificar?

Sua expressão se voltou culpada.

— Bem, isso também.

Eu ri e voltei a guardar no armário as compras que tinha feito para o jantar.

— Ele é muito exagerado. Até parece que estou com uma doença terminal.

— Um homem apaixonado pode se preocupar com a sua garota.

— No entanto, ele está exagerando, Alana. Não sou feita de cristal, nem de porcelana. Além do que, não foi nada tão grave assim. E respondendo a sua pergunta, eu estou bem. Realmente. Já disse isso a ele nas sete vezes que me ligou. Isso só na primeira hora que saiu.

Ela deu uma risadinha e se debruçou em cima da ilha.

— Vejo isso. Você parece ótima, até sua pele está mais corada.

— Grazie. Eu realmente me sinto ótima.

— Alguma ocasião especial? Há flores na mesa de jantar e você saiu às compras pelo que vejo.

— Quero fazer um jantar para ele — comentei distraída, guardando o pote de sorvete no freezer.

— Cozinhar, uh? Não me entenda mal, mas eu nunca imaginaria que você soubesse cozinhar.

Peguei a garrafa de suco de laranja na geladeira e dois copos, colocando um na frente dela e, em seguida, despejei um pouco da bebida em seu copo e no meu.

— Donna, minha avó paterna, me ensinou algumas coisas enquanto eu vivia na Itália. Não sou uma chef, até porque não costumo cozinhar em Malibu, a não ser que ache necessário.

— E agora é, eu suponho?

Bebi um gole do suco.

— Thor esteve comigo o tempo todo, você sabe, e mesmo sendo um tanto exagerado agora, ele foi bom comigo enquanto estivesse mal. Quero agradecê-lo.

Na verdade, eu queria fazer esse jantar pela simples vontade que sentia em agradá-lo. Essa era a verdade. O agradecimento era apenas uma boa desculpa para a loucura que pretendia fazer.

— Ele irá gostar. Você sabe. Homens adoram ser mimados, ainda mais por suas garotas.

— Você poderia me ajudar com os arranjos? Não sou boa com isso.

— Claro que sim.

Eu tinha exatas três horas para ter tudo pronto, antes que Thor disparasse pela porta.

Gardênias, jasmins, hibiscos e plumérias compuseram três lindos arranjos pomposos quando Alana terminou. Os dois maiores eu deixei na sala e um menor eu reservei para a mesa. Eles não só embelezavam como também exalavam um perfume gostoso pelo ambiente.

— Obrigada, Alana. Eu não poderia ter feito melhor.

— Acho que vou copiá-la e preparar um jantar para Keahi também.

— Faça isso.

Levei-a até a porta e já estava indo fechá-la quando me lembrei de algo.

— Alana?

— Sim?

— Por que sempre usa uma flor na orelha esquerda? Quero dizer, nas vezes que nos vimos sempre havia uma na esquerda, nunca na direita.

— As mulheres compromissadas sempre as usam na orelha esquerda e as solteiras na direita. Assim os homens havaianos sabem com quem podem mexer e evitamos maiores problemas.

Eu não pude deixar de sorrir, descrente que Thor tivesse escondido a informação de mim.

Momentos mais tarde, eu olhei com admiração para o meu trabalho quando terminei de arrumar a mesa. Estava linda. Com um castiçal pequeno e pétalas espalhadas sobre a toalha branca. O arranjo menor no centro. Espalhei as outras velas aromatizadas pela sala.

Tirei um cochilo rápido e quando acordei, chamei Thor no celular.

Uma hora era tudo que eu tinha.

Fiz o petit gateau primeiro e enquanto assava corri para a ducha e me arrumei, rapidamente. Fiz um make leve e coloquei um Versace rosa queimado, que chegava até a altura do meio das minhas coxas, o tecido leve beijava minhas curvas com suavidade. Alças finas de pedrarias delicadas. O decote caído na frente de forma drapeada era sutil e deixava meus seios atraentes. Jimmy Choo nos pés para combinar.

Borrifei um pouco de perfume nos pulsos e no colo.

Logo regressei a cozinha e desenformei o petit gateau, mantendo-o aquecido no forno para depois do jantar. Então cuidei das bruschettas de tomate para servir de antepasto.

Estava começando o preparo do risotto con carciofi, o preferido de Thor, quando escutei o carro estacionar na garagem e meu coração saltou a boca. Desliguei o fogo e joguei o avental para o lado.

Tentei sem êxito me acalmar enquanto soltava o cabelo, que tinha prendido antes para preparar a comida. Expectativa laçou a boca do meu estômago e apertou forte.

Uma vez na sala, uma careta torceu meu rosto enquanto a insegurança me abraçava. Uma rápida olhada no meu trabalho e eu me senti uma retardada de marca maior e quis desfazer tudo. Não saber o que Thor acharia daquilo tudo não ajudava em nada. Me senti mais idiota, se possível.

Merda. Por que eu tinha de montar esse circo todo?

Não precisava ter comprado velas e flores, nem estar toda enfeitada como um maldito bombom. Se Josie me visse, mesmo Pietra, elas iriam fazer chacota até depois da minha morte.

A porta se abriu e meus dilemas foram sepultados pela onda de ansiedade que me engolfou quando assisti Thor passar pela soleira. Ele estacou no lugar assim que seus olhos correram pelo ambiente e, enfim, pousaram em mim. Surpresa e descrença atravessaram suas feições.

Estúpida. Estúpida. Estúpida.

Meu coração pulsou mais forte e eu moí os dedos juntos enquanto o escrutino azeviche me estudava dos pés a cabeça. Era muito intenso. Aquecendo minha pele aos poucos.

Engoli as secas e lambi os lábios, sentindo-me meio atordoada.

Seu olhar subiu para o meu rosto detendo-se ostensivamente em meus olhos. Senti que vibrava por dentro quando nossos olhares se estabeleceram na mesma linha. Minha barriga esfriou e os joelhos ficaram fracos. Porém, inspirei fundo e tratei de tomar o controle da situação.

— Oi — quebrei o silêncio. Minha voz não era mais que um sussurro baixo e arrastado enquanto um sorriso tímido oscilava em meus lábios.

— Você está deslumbrante, neném. Tão linda que me dói o peito só de olhar para você.

Meu rosto queimou enquanto meu sorriso se abria um pouco mais.

— Grazie mille.

Mais segura, forcei os pés para frente e andei devagar, resistindo ao impulso de correr até Thor enquanto sentia meu estômago se agitar. O sorriso dele se abriu muito amplo chegando aos seus olhos e os meus próprios lábios rasgaram. Os braços que eu gostava me pegaram, fazendo um cerco a minha volta quando estive perto dele. Envolvi os braços ao redor do seu pescoço e agarrando o sedoso cabelo dele, eu o puxei para baixo. Beijei-o, breve e suavemente.

— Olá — Thor murmurou ainda sobre meus lábios.

— Olá.

— Se soubesse que te deixar sozinha em casa me renderia uma recepção dessas, eu teria feito isso mais vezes. — E acrescentou. — Vamos ter convidados hoje? Keahi e Alana?

Balancei a cabeça negando.

— Você gostou?

— Do quê? — Murchei sem poder conter minha frustração. — Estou brincando amor, a casa está linda. Eu adorei as flores — acrescentou, olhando em volta e tornou o olhar para mim —, você. Não posso tirar meus olhos de você. Está me tirando o fôlego.

Franzi os lábios mal contendo meu sorriso enquanto mirava-o com os olhos grandes.

— È vero?

Ele ficou sério, porém sua expressão era muito tenra.

— Eu nunca mentiria para você sobre isso, querida.

— Eu sei.

— Quem virá jantar?

— Isso é para nós, quero dizer, é... per te.