Dangerous

Daya Engler · Capítulo 26 de 45

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Dangerous

Capítulo 26

 

Flashes repentinos dispararam quando aceitei a mão de Thor para sair do carro, ofuscando meus olhos, mas não o sentimento de poder e alterego, que se acendeu dentro de mim enquanto caminhava pelo tapete de braço dado com Thor. Sob as lentes venenosas dos fotógrafos posicionados estrategicamente de ambos os lados dos cordões de isolamento.

Dois grandes seguranças, vestindo ternos pretos guardavam a porta dupla. Uma hostess também a caráter estava ao lado, com uma prancheta nas mãos. Até mesmo os fotógrafos, uma contagem de dois, — um de cada lado —, estavam trajando suas roupas de gala. Havia três painéis desenhados de cada lado, dois maiores, arremetendo-me a fãs alucinados. E os menores simulando paparazzis, disparavam mais flashes alegres. Cada detalhe pensado. E eu me senti poderosa, idolatrada.

Thor se inclinou para baixo.

— Adivinhou? — murmurou ele no meu ouvido.

— É... acho que sim.

— Não deixe Pietra e Baby saberem — piscou.

Soltei uma risada a vontade.

— Pode apostar.

— Será que posso posar com a estrela da noite, antes que entremos e ela me seja roubada?

— Sicuramente que sim.

Eu estava uma pilha de nervos quando deixamos os fotógrafos para trás e seguimos para a porta, que foi aberta pelos dois seguranças. Uma vez dentro, rostos conhecidos nos cumprimentaram com um coro de “feliz aniversário” e uma chuva de assovios, mais flashes ovacionaram nossa entrada.

Thor tinha a mão em minhas costas e um largo sorriso no rosto, como o meu. Um garçom se aproximou e ele pegou duas taças de champanhe, entregando-me uma.

Pietra e Josie abriram caminho vindo até nós, com seus respectivos namorados a tiracolo.

— Tanti auguri 63, amada! — Pietra me abraçou.

— Grazie. A festa está incrível!

— Você ainda não viu nada, espere só até ver tudo. Eles foram geniais — Josie disse, aparecendo do meu lado. — Feliz aniversário!

Envolvi meus braços nela.

— Obrigada Josie.

— Parabéns — disse Nathan.

— Parabéns — disse Eric.

Eu agradeci, sorrindo.

— Mas olhe só você. Está maravilhosa. Minha escolha foi perfeita, não?

— Realmente — Josie concordou. — Parece até uma estrela do cinema.

Encarei Pietra.

— Obrigada por isso também. — Então mirei ambas de cima abaixo. Pietra vestia um longo vermelho tomara-que-caia. Josie estava num azul Royal de uma manga só. — E vocês duas também estão incríveis. As hollywoodianas que se cuidem ou vão perder os postos.

Adam se aproximou com uma morena muito bonita ao seu lado.

— Meus parabéns.

— Obrigada.

Olhei para a mulher agarrada em seu braço.

— Esta é Julie Foster — apresentou Adam.

— É um prazer. A festa está incrível. Meus parabéns pelo aniversário.

Sorri para ela.

— O prazer é meu. Antonella Vicenti. E obrigada.

— Aí está a racha mais esperada da noite!

Inclinei a cabeça para o lado me deparando com Baby, vestindo um smoking D&G todo estilizado. Ele sorria com todos os dentes a mostra quando se colocou na minha frente.

— Baby!

Soltei-me de Thor e o abracei.

— Obrigada, mona. Estou quase saindo da minha pele

— Não me agradeça ainda — ele disse quando nos soltamos então olhou para o lado, medindo Thor. — Mas se quiser me emprestar o bofe por uma semana eu aceito.

As garotas e eu rimos.

— Acho que não, mona.

— Ainda egoísta. Mas, okay. Posso ao menos admirar meu boy magia.

Desta vez todos rimos até mesmo Thor.

— Olá Baby. Fez um excelente trabalho aqui.

— Obrigada lindo. Faço um ótimo trabalho em outras áreas, também — piscou malicioso.

— Controle-se, mona — adverti com simulada seriedade.

Ele colheu os ombros.

— Apenas estou mostrando-lhe as opções caso você enlouqueça.

— Você sabe que não tem chances, certo?

— Assassina de ilusões.

Mostrei a língua para ele.

— Vem amada — exaltou Pietra. — Temos muitas pessoas para cumprimentar.

— Isso mesmo. Vá e deixe o bofe comigo, que eu vou cuidar bem dele — glorificou Baby e acrescentou com um cochicho teatral. — Vou mantê-lo a salvo das inimigas até sua volta.

Fiz uma careta de tédio para ele, e então, olhei para Thor. Ele me abraçou e me beijou longamente, roubando-me o fôlego e deixando-me um pouco zonza.

— Vá e aproveite, mas volte para mim — ele sussurrou ainda sobre os meus lábios.

Sorri meio abobalhada e, em seguida, saí com as garotas me rodeando.

Eu amava festa, principalmente, quando era para mim. Apenas detestava fazer o papel de anfitrião quando eu poderia estar me esbaldando. Não me levem a mal, estava feliz por estar rodeada pelas pessoas que eu gostava, mas meu maxilar não estava muito animado depois de certo tempo. Minha vontade era de subir num banquinho e cumprimentar todos de uma vez. Va bene. Isso não seria legal, ainda mais numa festa linda e sofisticada, que meus amores tinham preparado para mim.

Encontramos zia Martha com o grupo de amigas dela e recebi suas felicitações.

Depois de muitos cumprimentos dentro da mansão e fora dela, as garotas e eu paramos próximas à varanda, e nos servimos de champanhe, com um garçom que passava ao lado.

Eu, enfim, pude contemplar embasbacada, o luxo da decoração enquanto bebericava alguns goles da minha taça. Um tapete de rosas e velas iluminava a piscina, além de tochas e as pequenas luzes nas plantas ornamentais. Também havia puffs na cor vermelha e branca espalhados pela grama e alpendre. As luzes difusas do próprio jardim mais a iluminação extra criavam um ambiente muito aconchegante para a noite. Numa ponta da piscina havia uma pista de dança sendo comandada por um DJ. Mas o que me chamou a atenção mesmo era para a quantidade de flores.

Nem mesmo em uma floricultura eu tinha visto tantas rosas vermelhas e tulipas. Tinha percebido alguns grandes arranjos dentro da mansão, porém na parte externa havia um montão deles.

Impecável não fazia jus a todo trabalho que Pietra e Baby tiveram.

— E aí, gostou da decoração?

— Estou em cólicas de tanta felicidade! — Abracei-a. — Está tudo muito lindo. Baby e você fizeram uma obra prima aqui. Eu não poderia ter feito melhor. Grazie mille.

— Mas você não deve agradecer só a Pietra não, amiga.

— Oh, Josie! Obrigada a você, também — galhofei, dando um beijo estralado na bochecha dela.

— Por nada. Porém, eu não estava falando de mim não. — Alternei olhares entre ela e Pietra esperando uma resposta. — Sabe todas essas rosas e tulipas? Pelo que um passarinho moreno me disse... Aqui ó... Thor exigiu que tivesse um montão delas na decoração.

Meu queixo despencou.

— Aliás, o que ele te deu de presente? — Pietra perguntou.

Passei uma mão pelo colar e com a outra afastei meus cabelos deixando os brincos expostos.

— Oh, meu Deus! — As duas escandalizaram em uníssono.

— Eu sei. Quase tive um treco quando vi.

— São lindos amada! Meu irmão tem muito bom gosto.

— Nisso eu concordo com você, Best!

— Depois desse presente não há mais como negar — Josie comentou.

Meu sorriso decaiu e eu a olhei franzindo o cenho.

— O quê?

Pietra a cutucou me deixando com os pelos da nuca em pé.

— Thor gosta de você e está indo a sério aqui, — ela disse com uma risadinha. — Agora, basta saber se você está nessa viagem também. Então, você está?

Eu a olhei por um longo momento tentando pegar a mensagem que ela estava deixando, todavia, não podia decifrar isso, porque a resposta que mais se aproximava não era viável.

— Não ligue para ela, Amada. Josie já tomou umas taças a mais.

Eu bebi da minha própria taça, e então, dei de ombros.

— Não é segredo para vocês que ele e eu estamos nos curtindo — concluí com indiferença.

Troquei minha taça vazia por uma nova e cumprimentei mais alguns convidados, dissipando de vez minha estranheza repentina. Dancei com as meninas e comi alguns canapés.

Logo os caras apareceram. Thor veio para o meu lado, enlaçando a minha cintura. Nathan e Eric fizeram o mesmo com as garotas. Adam estava mais a frente com sua companhia.

Mexi-me até que estive com os braços em volta do pescoço de Thor e me estiquei nos saltos.

— Não precisava ter mandado comprar todas as rosas e tulipas do planeta — sussurrei no seu ouvido e mordi o lóbulo, adorando o grunhido dele. — Mas eu adorei — acrescentei sorrindo.

— Eu não comprei todas só um terço.

Um pensamento me ocorreu.

— Você sabia o que eles estavam aprontando e não me disse nada, mesmo sabendo que eu estava morrendo de curiosidade.

— Era surpresa.

Dei de ombros, fazendo biquinho.

— Eu poderia fingir que não sabia de nada.

— Que graça teria então? De qualquer forma estamos aqui, sua curiosidade foi saciada e a surpresa foi espontânea. Você está feliz, não?

— Sim.

— Isso é o que importa, além do quê, este é o primeiro aniversário seu que passamos juntos. E quero que seja inesquecível para você. Que apenas tenha boas recordações. Quis te surpreender e que ficasse feliz com a surpresa então não se zangue por eu não ter contado.

— Dessa maneira tem-me surpreendida, Castellammare — flertei.

O sorriso indolente dele era sedutor.

— Então, talvez, eu mereça um beijo senhorita Vicenti?

— É, talvez você mereça mais que um — dissimulei antes de ele baixar a cabeça e me beijar.

Juntamo-nos às garotas empoleiradas em seus namorados e ficamos com eles enquanto eu me dividia entre minhas amigas, os convidados, que hora e outra vinham falar comigo, e Thor.

Tirei mais um punhado de fotos, mesmo com Thor.

Bebi e dancei com as meninas na pista, e quando retornamos com os caras, Baby se juntou a nós com o seu namorado a tiracolo, arrancando boas risadas de todos. Uma coisa era certa, ele e Pietra juntos eram o apocalipse. Ninguém saia ileso e, embora eles dessem nos nervos de vez em quando, a diversão ao lado deles era garantia certa. Mesmo seu namorado era uma figura.

Um momento mais tarde quando a batida sensual e provocativa de Muse começou a tocar, Thor e eu nos movemos no embalo da música, com divertidas e inocentes provocações.

Dei a volta plantando as costas em seu peito e ergui os braços para o seu pescoço enquanto ele colocava as mãos em meu quadril. Seu fôlego ricocheteou em meu pescoço e um estremecimento me atravessou quando ele mordeu a ponta da minha orelha.

Eu dancei com ele e para ele.

Girei de volta para o seu cerco pouco antes da música acabar e meus lábios brincaram com os dele, roçando pequenos beijos. Percebi uma movimentação em volta, mas não dei à mínima envolvida em nossa bolha particular de sedução. Ele manteve minha boca quando tentei puxar para trás. Ri baixinho permitindo sua posse. Uma de suas mãos subiu pelas minhas costas e se embrenhou em meus cabelos, puxando-os levemente enquanto ele me beijava mais forte...

— Ah, não, não, não! Podem parar agora mesmo!

Thor praguejou baixo e eu dei uma risadinha, e, em seguida, girei para enfrentá-la.

— Pietra dá um tempo! Hoje é meu aniversário.

— Na verdade, não é não. Mas, mesmo assim, desgrudem já!

— Seu cartão de crédito mandou lembranças pirralha — Thor advertiu.

— Não me ameace ogro. Vocês vão ter a noite inteira para se comerem — Pietra disse se fazendo de indignada. — Tem mais gente pra cumprimentar!

Thor me deu mais um beijo, e então, eu me afastei com as garotas em direção ao interior da mansão. Conversei breve com alguns convidados na sala e depois pensei em ir atrás de Thor.

— Grande noite garota! — Alguém murmurou ao pé da minha orelha.

Dei à volta me deparando com Brian trajando um terno elegante.

— Ei, garoto!

O abracei.

— Feliz aniversário!

— Obrigada — murmurei quando nos soltamos.

— Desculpa a demora, mas eu tive de resolver uns probleminhas.

— Dá nada não Brian. A festa quase acabou de começar.

— Mas me deixe te ver garota... — Ele segurou minha mão e me fez girar. — Devo confessar, apesar de saber que seu ego vai me sufocar. É a aniversariante mais linda e sexy que vi alguma vez.

— Eu sei — pisquei um olho. — Mas obrigada mesmo assim.

— Sempre modesta, uh? — Ele pegou duas taças de champanhe quando o garçom passou ao nosso lado e me ofereceu uma. Brindamos e tomamos um gole, em seguida. — Você está muito sumida. Pensei que a veria no Ano Novo. Kevin deu uma festa do caralho no rancho.

— Eu tive de reduzir a marcha um pouco.

— Está tudo bem? Quero dizer, agora está tudo bem?

— Sim. Kevin não veio?

— Está caçando celebridades — brincou, sorrindo.

— Ele não sabe que estou aqui?

Ele riu breve.

— Eu comprei um presente para você.

— Ah, Brian, não precisava. — Ele sorriu docemente. — Cadê?

Caímos na risada. Brian passou as mãos nos bolsos e me olhou fazendo cara de inocente.

— Esqueci no carro. Vamos lá comigo pegar? — Eu hesitei, não achando uma boa ideia, afinal, a festa era minha e a anfitriã não podia sumir. — Vamos lá! Garanto que não vou te sequestrar.

Concordei então nos dirigimos para fora e, posteriormente, em direção ao seu Porsche vermelho. O veículo não estava estacionado longe da entrada principal da casa. Porém, Brian parou antes que chegássemos a ele e, em seguida, se virou para mim, com um sorriso cauteloso.

Eu o olhei, desconfiada.

— O que foi?

— Desculpe Antonella, eu menti. — E acrescentou rapidamente. — Essa era a única maneira de falar a sós com você, sem que alguém nos interrompesse.

— Eu não estou entendendo. Você está com algum problema?

— Não, eu... Espere — pediu com um sorriso encabulado, enfiando a mão no bolso e tirou de lá uma caixinha pequena da Cartier. — Feliz aniversário.

Aceitei a caixa e a abri, me deparando com um anel.

— É lindo, Brian. Obrigada — agradeci, não podendo disfarçar minha estranheza.

O anel era realmente lindo, uma peça delicada de ouro branco e um pequeno diamante, todavia, se parecia muito com um anel de compromisso.

— Antonella, eu sempre gostei muito de você — ele disse num tom baixo, nervoso até.

Levantei o olhar para ele, estranhando por um instante sua proximidade repentina, mas sorri.

— Oh, Brian! Eu também gosto muito de você. É um ótimo amigo!

O sorriso dele se apagou na penumbra enquanto ele balançava a cabeça.

— Não Antonella, você não entendeu. Eu não gosto de você como amigo. — Ele pausou, seus olhos correndo para os lados. Ele, então, fixou o olhar em mim, novamente, e deu um passo a frente, quase sobre mim. — Eu gosto de você como um homem gosta de uma mulher.

— Brian, eu...

— Não. Deixe-me falar, por favor — ele solicitou, segurando minhas mãos. — Eu... Droga! Ensaiei isso por horas, e agora, pareço um idiota. Não sei o que dizer.

— Apenas não faça.

— Antonella, eu não posso mais esconder e fingir que não tá aqui. — Ele apontou para o peito e eu continuei fitando-o em silêncio apenas por consideração. — Juro que tentei, eu..., somos amigos e, quero dizer, nós nos damos bem. Gostamos das mesmas coisas... Eu sou apaixonado por você. Acho que me apaixonei desde o primeiro minuto em que a vi, mas eu não tinha coragem de te dizer. Não sei se alguma vez olhou para mim desta forma, mas... Nós podemos fazer dar certo, do nosso jeito. — Fez uma nova pausa, e então, completou. — Antonella, eu quero que me dê uma chance, que... que nos dê uma chance de ser mais... que seja minha namorada.

Meus olhos só faltaram saltar da cara.

Namorar?

Que diabos...

Dio Santo.

Brian não estava bem, definitivamente, não estava. Minha vontade era de perguntar se ele havia enlouquecido ou se tinha se drogado antes de vir para cá, porém mordi a língua enquanto ele seguia discursando aquela tremenda baboseira.

Afinal de contas, o que eu tinha a ver com isso?

Problema dele se estava apaixonado.

— Brian, nós somos amigos. Não há a mínima possibilidade de a gente ter alguma coisa. Qualquer coisa além da amizade que temos é terreno proibido. Um que jamais vou pisar.

— Eu sei que você não tem ninguém, Antonella. Eu também não. Qual o problema? O principal nós já temos, somos amigos e nos damos muito bem. Um casal precisa ser amigo, nós somos. Por que não nos darmos uma única chance? Eu sei que posso te fazer muito feliz. — Sacudi a cabeça em negação. — Eu vou fazer você se apaixonar por mim. Apenas me dê uma chance.

Seu rosto se aproximou do meu e eu soltei minhas mãos das dele, me afastando.

— Eu sinto muito, mas eu não posso. Não sinto o mesmo por você e não quero me envolver contigo neste sentido. Você é um cara legal e sei que há muitas garotas que se sentiriam honradas em tê-lo como namorado. Eu nunca quis isso, no entanto. Você sabe disso... Obrigada pelo presente, mas, agora, eu preciso realmente entrar.

Minha intenção era sair de lá o mais rápido possível. Eu gostava do Brian e não queria magoá-lo, por isso comecei a caminhar de volta para a festa, ainda com seu presente em mãos. Porém, antes que eu fosse muito longe, ele me pegou, segurando meu braço.

— Espere Antonella!

Ele me girou para ele e eu abri a boca para protestar ao mesmo tempo. Contudo, aconteceu muito rápido. Num instante ele estava me segurando firme e no outro sua boca estava contra a minha.

Que porra é essa?

Eu fiquei imóvel antes do choque inicial passar então eu tentei afastá-lo, porém sua mão segurou minha cabeça, mantendo-me cativa de sua aposta. Sua língua tentou invadir minha boca, mas eu não permiti e comecei a socar a peito dele. Sem efeito. Não pensei, segurando meu vestido e levantei o joelho contra seus países baixos, num impulso que o pegou desprevenido. No mesmo instante ele me soltou caindo ajoelhado sobre grama fresca. Entretanto, para mim não foi suficiente, eu estava com tanta raiva que minha mão voou para sua cara, com tal força que ficou latejando.

— Você é louco Brian? Cheirou pó, cazzo? Nunca mais ouse tocar num só fio de cabelo meu, seu idiota!

— Me perdoa Antonella — pediu, choramingando de dor. — Eu precisava fazer isso... Ter um gosto seu... Você não sabe quanto tempo eu esperei por isso...

— Chega Brian! Cala a merda dessa sua boca! Estar apaixonado por mim não te dá o direito de me tocar, caralho! Sequer de me beijar a força! STRONZO! — Respirei fundo tentando me controlar e continuei, com a voz mais baixa, porém não menos nociva. — Não fale comigo... pelo menos não por agora. Vá embora! — Me virei para sair e olhei minha mão, e então, voltei colocando a caixa ao lado dele, ainda ajoelhado no chão. — Fique com isso!

— Não Antonella. É teu. Aceite, por favor — ele murmurou, se levantando com dificuldade.

— Não. É seu.

— Antonella me perdoe. E-eu não sei o que me deu para agir assim. Droga! Sinto muito. Eu prometo que isso não vai mais acontecer. — Ele soou meio desesperado. — Tudo bem, tudo bem... Vamos ficar somente na amizade como antes e passar uma borracha nisso.

— Eu não sei se posso ser sua amiga mais — estalei, sem humor e voltei a andar em direção a mansão, mas no meio do caminho parei e o olhei sobre o ombro. — Ah! Só mais uma coisinha. Quando for beijar uma garota certifique-se de que ela também te quer, babaca.

Voltei para festa irritadíssima.

Onde Brian estava com a cabeça pra me agarrar e me beijar a força?

Ele gostar de mim não lhe dava o direito de fazer isso. Não mesmo. Stronzo. Que ódio! Eu estava puta da vida porque gostava dele. Tinha uma estima muito grande por ele, mas no momento minha vontade era de matá-lo. E, sinceramente, não sabia se voltaríamos a ser amigos.

Se ele estava tão apaixonado e escondeu essa merda até hoje, por que não continuou assim?

Mas não, o imbecil tinha de fazer aquela declaração ridícula.

Entrei no banheiro e me recompus antes de sair, novamente. Encontrei meu pessoal na área externa dos fundos, entre a piscina e a pequena pista de dança.

— Você viu Thor? — perguntei a Pietra quando cheguei perto deles.

— Ele não está com você?

— Você está vendo ele aqui?

— Wow! O que deu em você?

Rolei os olhos impaciente.

— Brian me aprontou uma.

— O quê?

— Depois eu te falo. Agora, me responda. Viu ou não seu irmão?

— Ele estava te procurando faz uns minutinhos e desde então não o vi mais.

— Eu vou procurá-lo.

Muito depois eu estava plantada numa poltrona da varanda, com uma taça cheia na mão e mais irritada do que nunca. Thor não estava em qualquer lugar e eu tinha olhado em todos os cantos da mansão. Mesmo seus amigos não sabiam dele, até o chamei no celular e nada.

Minha cabeça fervilhava tentando encontrar uma resposta para o sumiço do imbecil.

Trabalho não era porque os caras estavam muito distraídos na festa. Ocorreu-me então que ele poderia ter ido atrás da oxigenada. Mas isso era impossível, não era?

Bem, a cadela não estava aqui e Thor também não.

Tomei um longo gole de champanhe, engolindo junto a minha raiva. Não podia acreditar que ele fosse arruinar meu aniversário depois de tudo. Não iria perdoá-lo por isso. Não mesmo!

Eu nem mesmo ouvi os parabéns quando Pietra me chamou para cortar o bolo. Estava no automático, a cabeça longe em possibilidades e vinganças. Logo depois, eu avistei Josie e Eric num canto, em seguida, fui até eles. Ele era o único para qual eu ainda não tinha perguntado sobre Thor.

— Eric, você sabe onde Thor está?

O que me deixou desconfiada foi o jeito que ele olhou pra mim. Não era um olhar amistoso.

— Ele saiu — disse seco.

— O quê? Como assim saiu? Aonde ele foi?

— Eu não sei. Não sou babá dele.

— Sabe, sim! Só não quer me dizer — acusei não entendendo sua hostilidade.

— Se ele saiu é porque quer ficar sozinho. Respeite-o ao menos uma vez na vida.

— Eric — Josie repreendeu.

Vontade de mandá-lo a merda não me faltava, mas se eu fizesse isso, ele não iria me contar onde aquele sem vergonha estava enfiado.

— Eric, por favor.

Quase uma hora depois as portas duplas do elevador se abriram e eu encontrei Heithor de costas para o bar. Seu corpo enrijeceu e ele se esticou quando me aproximei, deixando a bolsa de mão sobre uma cadeira da sala.

— Por que deixou a festa e veio pra cá?

— Vá embora — disse ele, num tom cortante e frio sem me olhar.

Esse cretino estava me expulsando?

Minha teoria de que ele estava com outra não me parecia tão absurda agora. Se ele estava me tocando era porque não queria que eu visse aquela puttana, além do mais, sua roupa desajeitada e cabelo desalinhado era muito suspeito. A camisa estava fora da calça e ele não usava o paletó. Isso era mais que suspeito, concluí, uma boa explicação para o seu sumiço.

A raiva, de repente, começava a fervilhar em meu sangue quando meu olhar fez uma rápida busca na sala. Nada. Tudo estava na mais perfeita ordem, da qual me lembrava.

Os quartos!

Fechei a cara e atravessei a sala sem pedir licença.

Se aquele projeto do cão estivesse na cama dele o tempo iria fechar e, que Dio os ajudasse, porque eu iria esfolá-los vivos!

Sentindo a raiva crescer dentro de mim, eu vasculhei em tudo quanto é cômodo daquele apartamento, cada cantinho e, como na sala, não encontrei nada, nem ninguém. O que me aliviou um pouco e me intrigou ao mesmo tempo.

Se não era por causa de outra mulher, por que diabo ele tinha deixado a mansão? Por que estava na defensiva comigo? Tão hostil?

Retornei a sala atrás de respostas. Ele permanecia em pé ao lado do bar, com um copo na mão, do que supus ser de uísque. Ele não estava se mexendo, nem me olhando.

— Acabou a inspeção? Seria bom que você fosse embora agora.

— Por quê? Por que você agindo assim, como se eu fosse uma estranha? Por que está tão hostil comigo, Thor? O que eu fiz? Eu não entendo.

Ele bebeu todo o líquido do copo e o bateu sobre o balcão, e então, girou e se fixou em mim. Os olhos furiosos semicerrados. As mãos fechadas em punho ao lado do corpo.

Quando não disse nada, eu me zanguei:

— Espero que você tenha uma boa explicação por ter arruinado meu aniversário.

Sua expressão se tornou enganosamente serena.

— Somente vá embora e me deixe em paz.

— Será que dá pra você mudar o disco? E me responder o que eu te perguntei?

— Eu vou dizer pela última vez, Antonella. Vá embora — pausadamente, disse ele, como se estivesse soletrando para um retardado. Isso me enfureceu.

— No! E acho bom você mudar o discurso, caro mio. Eu não vou sair daqui, até você me dizer o porquê desse showzinho todo! Não é você quem diz que odeia ceninhas? — Ele cruzou as mãos sobre o peito, seu olhar cortante me deixando perplexa e irritada ao mesmo tempo. — Qual é a sua? Por que está agindo feito um imbecil? Não que isso seja muita novidade, mas convenhamos. Aliás, por que foi embora sem me dizer nada? Sua intenção era acabar com minha festa? Se for, eu espero que você esteja muito feliz, porque você conseguiu, suo stronzo!

— Antonella...

— Se você me disser novamente para eu ir embora, eu vou te socar — informei, e ele deu um risinho bufado, sarcástico. Sua cabeça balançando. Eu entendi nada vezes nada. — Que bicho te mordeu? Não foi suficiente para você acabar com meu aniversário?

— Não foi o que me pareceu, a propósito, você pareceu estar se divertindo muito — ele disse num tom enganosamente calmo. — Então eu me pergunto, o que a patricinha Vicenti está fazendo no meu apartamento ao invés de estar aproveitando a super festa?

— Eu vim aqui exigir uma explicação! Isso é o mínimo que você deve fazer.

— Acabou?

— Você é um covarde Castellammare! Um puto de um covarde!

— E por que ainda está aqui?

— Porque eu não vou embora até ter o quê eu vim buscar... Eu não entendo porque você está me tratando assim. Eu não fiz nada!

— Você é uma dissimulada garota — ele esbravejou dando um passo em minha direção. — O que você estava pensando? — Comecei a andar para trás conforme ele vinha para mim. — Que iria me fazer de otário outra vez? Tudo tem limite, Antonella.

— Do que você está falando?

— Pelo amor de Deus! Corta essa merda. Essa sua encenação barata não convence ninguém, muito menos a mim. — Eu o olhei, espantada pela súbita explosão. — O que foi? O merdinha não te satisfez? Então você veio atrás do babaca aqui?

— Mas de que merda você está falando? Ficou louco?

— Eu estou falando do merda, com quem você estava agarrada aos beijos no estacionamento enquanto o idiota aqui estava na sua maldita festa te esperando, porra! — Não pude conter minha expressão surpresa. — Não se atreva a negar. Eu vi, Antonella. Não foi ninguém que me contou. Eu vi com os meus próprios olhos, você agarrada com outro, sua cadela filha da puta!

— Dio! Thor não é...

— O quê? Não é o que eu estou pensando? Sério? Você é muito vadia mesmo, não é? Como você pode ser tão cara de pau assim garota? Que parte da fodida frase você não entendeu? Eu vi, porra! Eu fiquei que nem um imbecil te esperando enquanto você com a desculpa de cumprimentar os convidados sumiu da festa para se encontrar com seu amante. E o babaca aqui estava preocupado te procurando, porque as amigas da vadia tinham voltado e ela não. E, o que eu encontro? A cadela aos beijos com outro bem debaixo do meu nariz!

— Você está me ofendendo! E as coisas não aconteceram assim.

— Então, me diz. Como aconteceram? Agora eu quero saber como você foi parar no estacionamento com outro. Vamos lá, Antonella. Diga-me!

— Brian me disse que, — pausei, limpando minha garganta —, ele me pediu para acompanhá-lo até carro, porque tinha esquecido o presente lá e...

— E você o beijou em agradecimento.

Eu balancei a cabeça frenética, negando, mas Thor não me deu atenção caminhando de um lado para o outro. Então ele parou na minha frente, seus olhos irados sobre mim.

— E pra mim, Antonella? O que você iria me dar em agradecimento? Porque se a ele você agradeceu com um beijo — disse devagar, sua voz muito afiada. As mãos correram pelo cabelo quando ele pareceu respirar fundo. Eu não estava gostando nenhum pouco do rumo dessa conversa, e quando ele acrescentou, eu tive certeza que era melhor ser surda. — Como você iria agradecer aos demais convidados? Beijando-os também? Ou talvez, abrindo as pernas...

O próximo som que se ouviu na sala foi da minha mão se chocando contra a face dele quando a raiva culminou. Sua cara de pau virou pela força da bofetada e ele se calou, esticando a própria mão sobre a face vermelha e me encarou furioso.

Minha voz saiu baixa e muito fria quando grunhi, cutucando meu dedo em seu peito:

— Você é um filho da puta, Castellammare! Um babaca de merda. Bastardo! Eu não sei por que perdi meu tempo vindo até aqui. E quer saber de uma coisa? Và all’inferno, suo disgraziato! E nunca, ouça bem, nunca mais nessa sua vidinha medíocre de merda dirija a palavra a mim.

Girei os calcanhares, pronta para sair, porém suas mãos agarraram meus pulsos, puxando-me de volta contra o seu corpo. Face contra face. Sua respiração pesada batendo sobre meu rosto.

— Não se atreva a bater em meu rosto novamente, Antonella. Nunca.

Sua face estava dura e impenetrável, mas meu rosto não estava diferente do seu.

— Eu prefiro cortar fora as minhas mãos a te tocar outra vez, seu puto desgraçado! — eu disse ríspida e acrescentei, pausadamente, entre os dentes. — Me solte agora mesmo.

Seu aperto afrouxou, porém não o suficiente para me livrar meus pulsos.

— Tire suas malditas patas imundas de cima de mim agora, caralho!

Seus dedos afrouxaram mais e eu puxei as mãos. O desgraçado continuou calado e imóvel, encarando-me. Isso somente serviu para me deixar mais furiosa. Meu coração pulsava irado. Sem quebrar o contato visual, tirei os brincos e o colar, e, em seguida, joguei-os na cara dele.

— Isso é seu — ele latiu.

— Eu não quero mais nada que venha de você. Nada! Filho da puta, miserável!

Senti meus olhos arderem quando mordi as palavras para ele, e então, procurei a saída e me movi em direção a ela. Eu preferia morrer a deixá-lo me ver chorando. Parei a alguns poucos passos da porta do elevador. Respirei profundo e pisquei, espantando as lágrimas e o olhei.

— Você não merece nem mesmo que eu dirija minha voz a você, Castellammare, sequer que eu te dê a porra de uma explicação. — Ele levantou o olhar lacrimejado para mim. — Estúpido, se você tivesse ficado um minuto a mais, teria visto a joelhada e a bofetada que dei nele por me beijar a força, seu imbecil... Calado! Eu só fui até a merda do estacionamento porque Brian me garantiu que seria rápido. Nunca imaginei que ele fosse se declarar e me agarrar, porque nós éramos amigos. Porém aconteceu e não tem como mudar isso. Eu briguei com ele e o expulsei da minha festa.

Nem sei por que eu estava dando uma explicação para esse idiota, contudo, não pude deter minha língua pinicando. Talvez, porque eu quisesse esfregar na cara dele o quão burro e injusto ele estava sendo comigo. E deixá-lo saber disso me deixava feliz.

— Você gostou? Gostou de beijá-lo?

O ouvi indagar quando lhe dei as costas e chamei o elevador. Mal contive meu risinho nervoso, minha língua estalando no céu da boca quando girei o corpo de lado e o enfrentei.

— Claro que gostei. Na verdade, amei tanto que bati nele e o escorracei da minha festa. Óbvio que não, babaca! Não me interessa se você acredita ou não. Essa é a verdade, você queira ou não.

Eu somente queria sumir daqui e não vê-lo nunca mais na vida. Entretanto, havia uma dúvida martelando o meu cérebro e eu não sairia de lá até tê-la tirado.

— Afinal, por que você se importa? Quero dizer, por que você se incomodou tanto em me ver com outro se nós não temos nenhum compromisso? — Sua mudez perseverou, seu olhar brilhando por lágrimas e aquele algo mais que me intrigava. — Me responda, Castellammare. Ou além de estúpido é um covarde também? Diga-me. Por que se importa?

— Porque eu te amo, sua estúpida!