Dangerous
Capítulo 42
THOR
Esfreguei o rosto correndo as mãos ao longo do meu cabelo com um pouco mais de força que o necessário então as entrelacei detrás do pescoço quando percebi que não adiantava tentar me esforçar, eu não conseguia me concentrar nos documentos espalhados na minha frente.
Minha cabeça estava cheia dela.
Recostei-me na cadeira acolchoada, virei de lado e estiquei as pernas.
Meu maxilar marcado em indignação.
Eu estava uma merda. Fodido e mal pago.
Tudo por culpa da cadela louca carregando o meu filho. Não. Era por minha culpa mesmo, que tinha permitido aquela moleca me ferrar desde o primeiro momento. Nunca pensei que no auge dos meus 30 anos eu estaria numa situação dessas e, cacete, com certeza não cogitei que essa merda me fodendo fosse ser causada por uma garota inconsequente de 19 anos.
Fechei os olhos exalando irritado enquanto apertava a ponte do nariz.
Recordei de um velho amigo meu que costumava pregar piamente que, o pior inimigo de um homem é aquele que uma garota com cara de anjo e mente diabólica pode plantar dentro dele.
Bem, talvez, ele ficaria feliz em saber que estava certo todo esse tempo.
Antonella era o meu anjo diabólico.
Ela tinha chegado até mim, onde jamais permiti outra se aproximar. Infectando-me enquanto me distraía com seu sorriso doce de covinhas e os brilhantes olhos marrons, até que era tarde demais.
Ella estava cauterizada dentro de mim. Meu sonho e meu pesadelo. E ela não dava à mínima, porque era uma egoísta por excelência, centrada apenas em si mesma e seus próprios interesses.
Meu filho era a única coisa boa no meio dessa merda fodida.
Nunca tinha cogitado a hipótese de ser pai antes de conhecer Antonella. E, ainda assim, a ideia era apenas uma vaga possibilidade para um futuro muito distante.
Sempre me cuidei, mas com ela, eu me esquecia de tudo. A queria nua e crua, sem barreira entre nós dois. Marcá-la. Talvez isso se devesse também ao fato de já existir barreiras demais entre nós dois, as quais eram difíceis de romper, e esta fosse à única cuja eu tinha controle.
Não obstante, eu era um fodido fraco quando se tratava dela.
Estava tudo fodidamente errado e eu não tinha ideia de como concertar isso.
Antonella não só não falava mais comigo, como também sequer me olhava na cara.
Por mais que eu tentasse, por mais paciente e compreensível que eu me fizesse, embora por vezes desejasse mesmo colocá-la em meus joelhos e estapear sua bunda, nada a fazia relaxar.
Inflexível ao extremo. Princesa de gelo intocável. Dois estranhos cruzando a rua possivelmente poderiam estar mais próximos que nós dois neste momento. Seu silêncio me deixava puto. Enlouquecendo-me dia após dia. Torturando por não saber o que se passava na mente perturbada dela, e, boa coisa não devia ser. Não quando ela se recusava a falar com as minhas garotas, também.
Tinha resolvido passar alguns dias no meu apartamento, precisava de um momento de paz comigo mesmo, longe dela. Dois dias foi demais para mim. Eu podia aguentar sua indiferença encenada, não à distância. Era um fraco de merda quando se tratava dela.
— Entre — respondi as batidas na porta.
— Achei que gostaria de um pouco de café — Martha disse, colocando uma xícara cheia na minha frente. Ergui o olhar para ela. — Talvez um pouco de conversa, também?
Os cantos dos meus lábios contraíram de leve.
— Obrigado.
Tomei um sorvo longo da bebida quente sob seu olhar inteligente me observando quando ela deu a volta sentando-se na minha frente do outro lado da mesa.
— Come stai caro mio?
Baixei a xícara para o pires pensando em como responder tal pergunta. Algo tão simples, mas que me soava um tanto quanto complexo no momento.
— Tentando... — E completei com um exalar denso. — Estou bem, mãe. Logo que resolva este impasse tudo voltará ao normal. Ou bem perto disso.
Ela se dobrou sobre a mesa, sua mão buscando a minha enquanto seu olhar suavizava.
— Eu gostaria de poder dizer ou fazer algo para resolver essa situação, de maneira que vocês dois ficassem felizes, mas sei que isso está longe do meu alcance, embora meu anseio seja profundo. Essa impotência me dói no peito. Mãe nenhuma merece ver seus filhos sofrendo.
— Eu também gostaria disso, mãe. — Fechei os dedos em torno dos seus num aperto gentil e a soltei, voltando a recostar na poltrona. — Infelizmente, ninguém pode fazer nada exceto ela e eu. E não creio que Antonella esteja muito disposta a cooperar com algo que vá agradar a nós dois.
— Ela ainda é jovenzinha, figlio, e foi podada por muito tempo. Porém ela vai aprender, você vai ver. Ela apenas está assustada... Sei que o que vou lhe dizer pode soar uma piada, mas Heithor às vezes tudo que a menina precisa é que você aguente um pouco mais e seja paciente.
Paciência...
Bufei um breve riso, meu olhar fixo à frente por um minuto inteiro então a olhei.
— Acredita em carma?
— Acredito em destino, que já temos um plano de vida traçado desde o início. Agora, como será esse caminho? Isso vai depender das escolhas que fizer em sua vida. As barreiras lhe serão impostas para que você supere e prove ser merecedor daquilo que deseja ter. Nada tão bom pode vir tão fácil e, se vir, desconfie. Mesmo Cristo penou sendo um inocente, quem dirá nós?
— Devo entender então que Ella é meu Santo Graal? Estamos destinados a estar juntos no final de tudo? Porque vou dizer, eu tenho lutado desde que nos envolvemos e não tem sido fácil desde então. Acho isso um pouco difícil de acreditar quando tudo que ela faz é me ferir. No pé em que estamos à única coisa que nos será reservada no futuro será o ódio. Ou a total indiferença.
— Não sei as respostas para essas perguntas, figlio mio. Você terá de encontrá-las sozinho. Infelizmente, há coisas que nem mesmo as mães têm as respostas por mais que desejem isso.
Observei Ben me chamando na tela e voltei o olhar para Martha.
— Eu preciso...
— Sei, caro. Eu vou deixá-lo a sós com seus negócios — ela disse compreensiva, esboçando um pequeno sorriso. — Saiba que estou aqui para o que precisar.
— Obrigado, mãe.
Ela saiu. Eu atendi a chamada.
— Castellammare... — Tencionei com as palavras de Ben do outro lado da linha. — O que aconteceu? Certo... Não se preocupe, eu entendi. Mantenha-me informado.
Baixei o celular para mesa, ignorando a picada de desconfiança e tentei retornar ao trabalho. No entanto, uma segunda chamada tirou-me do eixo e colocou-me no modo automático ao mesmo tempo. Enquanto pegava a Glock da gaveta, checando rapidamente o pente e a trava, e então, a coloquei na parte detrás da minha cintura por debaixo da camisa e segui para a garagem.
Pisei fundo em direção a West Hollywood, meus dedos estavam moídos no volante, meu corpo rígido, vibrando com a tensão escura interiorizada em mim. Um carro com dois de meus homens vinham logo atrás. Quase meia hora depois, eu estacionei bruscamente junto ao meio fio no endereço passado por Ben. Desci do carro direcionando meu olhar frio para a clínica.
A construção era simples e discreta.
Cheio de uma fúria silenciosa e rezando para que ela não tivesse feito nada... para que Antonella não me obrigasse a fazer algo contra ela, desloquei-me com meus homens até a entrada.
— Faz cinco minutos que a chamaram — Benjamin disse.
Anuí passando por ele, que me seguiu também, e entrei indo diretamente até a recepção, onde havia uma mulher negra. Enquanto seguia para ela, seus olhos aumentaram. Vi seu braço se mover, a mão provavelmente indo acionar o botão do pânico. Um diabólico e lento sorriso curvou meus lábios enquanto eu sacudia a cabeça em negação para ela, meus olhos impiedosos fixos nela.
Ela reuniu a mão junto ao peito num instante, os olhos maiores, se possível.
— Antonella Vicenti. Qual sala?
— Eu... eu... eu...
Pela minha visão periférica, assisti meus homens neutralizarem com rápida eficiência um segurança aparecendo a minha esquerda através de um corredor.
Retornei minha audiência para a mulher pálida a minha frente.
— A sala — grunhi devagar.
Ela apontou com a mão tremente.
— N-Neste corredor, três portas a sua direita.
Acenei para Benjamin para que ele ficasse de olho nela, e então, segui na direção que ela me orientou. O lugar era todo esterilizado, um verdadeiro matadouro.
Cada passo largo meu, embora rápido, era como chumbo no chão. Estava tenso, o corpo mais rígido e gélido, meus músculos esticados e estalando sob a pele.
Puto não fazia jus ao que sentia.
Eu não pensei, porque o ato apenas me faria enlouquecer e, consequentemente, explodir com a cadela louca. Então, simplesmente empurrei os pensamentos para baixo.
Duas portas a frente, movi-me para a terceira.
Ao abrir a porta deparei com uma cena que aqueceu meu ódio a um nível indescritível. Antonella em uma camisola de hospital deitada na mesa ginecológica e uma enfermeira ao seu lado.
— Levanta. Daí. Agora — pausadamente, sibilei entre os dentes.
Seu olhar crescido caiu em mim, assustado.
— H-H-Heithor.
Foi tudo muito rápido. Em um momento, eu mesmo estava agarrando aquela cadela para fora da mesa e mantendo-a em pé ao meu lado, com minha mão fortemente fechada em se braço. E no outro, eu estava puxando a Glock da parte detrás da minha cintura e a destravei. O que fez o médico-assassino abaixar o telefone que tinha em mãos, provavelmente, indo chamar a segurança.
Os filhos da puta exclamaram baixo e empalideceram.
— Eu vou fazer uma pergunta. E que fique claro, as suas vidas de fodidos assassinos dependem unicamente da resposta que vocês me darão. Entenderam-me? — Eles assentiram. — Eu não ouvi nenhuma fodida coisa. Digam. Entenderam ou não?
— Sim senhor — ambos balbuciaram.
— Mataram meu filho?
— Não senhor.
— Não tocamos nela. Juro pela minha vida — a mulher murmurou suplicante, sacudindo a cabeça para os lados freneticamente, com os olhos grandes e vermelhos.
Encarei-a friamente, tendo o prazer de vê-la engolir duro.
— Sua vida não vale nada para mim, puta. Sabem que ela é menor de idade? — Nenhuma resposta. — Respondam-me. Ou alguém vai seriamente precisar de um médico aqui.
— E-E-Eu...
— N-N-Nós...
Bufei um riso nervoso. Mesmo se os olhares aflitos deles e a hesitação não os delatassem, a prancheta com os dados de Antonella sobre a mesa não os permitia mentir.
— Claro que sabiam. Mas não se importaram desde que fossem pagos, certo? — Pausei, exalando forte e acrescentei, sombrio e baixo. — Meu filho está vivo, e eu mantenho a minha palavra, mas sugiro que arrumem outro emprego o mais rápido possível, pois esse matadouro sumirá do mapa ainda esta semana. Agora caiam fora.
Eles sumiram num piscar.
Travei a Glock, voltando-a para a parte detrás da minha cintura e sem olhar na cara daquela cadela, eu a puxei para fora comigo sem me preocupar com seus resmungos baixos.
— Está me machucando — ela murmurou tentando se soltar enquanto passávamos pelo corredor.
Parei de súbito e a fixei com raiva. Ela se encolheu sob meu olhar.
— Machucando? Eu ainda não fiz nada, Antonella. Você tem alguma ideia do que estava indo fazer para o nosso filho? Tem, cadela? Foda-se! Minha vontade é de te esfolar viva no asfalto por horas a fio até que morra — grunhi. Seus olhos esbugalharam, a face ficando lívida. — Agradeça ao nosso filho por ainda estar respirando, porque minha vontade é de te matar e é ele quem me segura nesse exato momento, entende isso? — Ela baixou os olhos e eu respirei fundo. — O que você pensou? Que poderia matar meu filho e tudo ficaria bem? Que eu não iria descobrir seu plano estúpido? O quê? Você me dá nojo, Antonella. Uma vez puta, sempre puta, e da pior espécie.
Recomecei a caminhar, arrastando-a comigo. Benjamin e os outros dois seguranças estavam bem atrás de mim. Nunca pensei que pudesse algum dia chegar a sentir ódio por Antonella, quem dirá um terço do que eu estava sentindo naquele momento. Era um sentimento tão profuso.
A vontade de surrá-la até me exaurirem as forças consumia-me, e vê-la lá com a cara mais inocente do mundo, como se eu fosse o monstro ali e não ela, me deixava mais puto ainda.
— Eu não posso sair assim.
Sem frear meus passos, sujeitando-a mais apertado, eu mordi:
— Cala a sua fodida boca, Antonella. Eu não quero ouvir um murmúrio seu. Estou no meu limite aqui. Não me tenta, puta. Ou vai ter exatamente o que não quer.
Na calçada, de frente para a SUV preta, voltei-me para Benjamin.
— Leve-a diretamente para casa. Nenhuma parada sequer, a não ser que Antonella esteja morrendo — resmunguei, e então, me virei para a puta, soltando-a. — E você, Antonella, se não quiser conhecer o verdadeiro Diabo, eu sugiro que entre neste fodido carro agora e não tente nenhuma gracinha mais. Quando chegar a mansão, vá para seu fodido quarto e não saia de lá até eu ordenar o contrário. Fui claro? — Ela acenou, com o lábio tremendo. — Diga! Fui claro?
— S-sì.
— E está esperando o que para entrar na porra do carro?
A assisti engolir duro e bater os cílios, atordoada. Sim, eu estava sendo demasiadamente frio e severo, mas era isso ou descer a mão nela. Benjamin abriu a porta traseira para ela e a chamou, contudo, ela ficou imóvel, com os olhos grandes marejados me encarando cheia de medo.
Cerrei os punhos mais apertados.
— Vamos, Antonella! Entre logo neste carro antes que eu te jogue lá dentro.
Ela se moveu, girando de forma desastrosa, tropeçando nos próprios pés. Eu resisti bravamente ao impulso de acudi-la enquanto Benjamin fazia as vezes para ajudá-la a se manter firme.
Depois do que me pareceu ser tempo demais, eles saíram e eu entrei em meu carro, chamando Miller no celular logo após enviar uma mensagem de texto para ele.
— Recebeu o endereço? Quero-a fechada até o final de semana... Não me venha com essa conversinha. Você tem seus meios legais para fazer isso. Estou sendo fodidamente paciente chamando você ao invés de resolver isso eu mesmo... Um motivo? Que tal esse? Eles matariam o meu filho? A louca da mãe é menor de idade e não tinha nenhum acompanhante legal com ela, ainda assim eles iriam ajudá-la a matar meu filho... Castellammare é o caralho, Miller. Faça isso como pagamento dos muitos favores que me deve, ou eu farei... do meu jeito.
* * *
— Sente-se. — Esperei Antonella se acomodar na cadeira a minha frente, e então, prossegui, mantendo minha expressão impassível e meu tom baixo. — Tenho uma proposta para lhe fazer.
Seus olhos cresceram então ficaram desconfiados quando ela me encarou por um minuto inteiro.
— Proposta? Que tipo de proposta?
— Tenha o bebê...
— Eu já te...
— Não me interrompa, por favor. Escute o que tenho a lhe dizer primeiro, okay?
Ela deu de ombros.
— Va bene. Sou toda ouvidos — ela disse ironicamente.
Meu olhar se demorou sobre ela.
Eu ainda não estava acreditando que iria fazer aquilo, porém esta era a única solução plausível que eu podia enxergar sem que precisasse usar de extremos com ela, e que Deus me ajudasse.
— Tenha o no... o meu filho... Cuide-se e cuide dele enquanto ele estiver em seu ventre. Não faça mais nenhuma loucura que possa colocar a sua vida e, consequentemente, a dele em perigo. Faça os exames e o pré-natal que a médica pediu sem fazer uma guerra por isso.
— E o que eu ganho com isso? Só para que eu saiba.
Essa, absolutamente, era a coisa mais difícil e dolorosa que eu já fiz em toda a minha vida.
— Quando você o tiver... — pausei, tragando uma baforada profunda de ar então acrescentei, forçando as palavras abandonar meus lábios ao mesmo tempo em que me esforçava para controlar o nó em minha garganta, crescendo e queimando meus olhos. — Quando ele nascer, você não precisa ficar com ele ou se envolver com o crescimento dele, se não quiser. Prometo-lhe, eu não vou forçá-la a cuidá-lo. Nenhuma responsabilidade sobre ele recairá em você. Apenas o tenha.
Antonella sustentou meu olhar analisando-me por breves segundos, antes de desviar o olhar e morder o lábio. Ela não esperava que eu lhe propusesse algo assim. Isso a pegou de surpresa.
Por um sólido momento senti a esperança bater asas em minha direção, deixando-me ansioso por sua resposta ao mesmo tempo em que rezava para que ela me esbofeteasse e gritasse comigo por eu ter feito tal proposta. Se ela fizesse qualquer uma dessas coisas, eu seria o cara mais feliz da face da Terra e nem iria me dar o trabalho de me defender da sua fúria, pois ela teria aceitado o nosso bebê.
— Deixa ver se entendi — pausadamente, ela disse então se levantou da cadeira, seu rosto estava sério. Não havia sombras do sarcasmo e da ironia, que estampavam a sua face minutos atrás. Isso deveria ser um bom sinal. Observei-a de perto quando ela seguiu murmurando enquanto caminhava de um lado para o outro. — Você quer que eu me cuide e, consequentemente, cuide da gravidez. Que faça todos os exames sem reclamar. Ah, e que me comporte bem.
Ela então se freou e lançou seu olhar cerrado para mim sem dizer uma única palavra.
Meu coração galopeou com a esperança. Estava tenso da cabeça aos pés.
Ella prosseguiu:
— E então, quando nascer você ficará com ele e não exigirá que eu tenha qualquer envolvimento que eu não queira com ele. È vero?
— Sim. — Pigarreei, limpando a garganta enquanto mudava minha posição no assento. — Você não precisa responder agora se não quiser. Pode pensar sobre isso calma...
— Feito!
Eu travei na sua aceitação imediata. Ela sequer titubeou, deixando-me sem chão e completamente imerso na dor que se derramou sobre a minha cabeça, encharcando-me até os ossos. Meu peito se apertou dolorosamente enquanto o ar abandonava meus pulmões, lentamente.
— Mas eu tenho uma condição.
— C-condição?
— Eu farei o que me pede, porém quando ele nascer eu não quero nenhum tipo de contato com o mesmo, nem sequer na maternidade. Compreende o que eu digo? — A única coisa que conseguir fazer foi acenar. Estava extremamente chocado e furioso para dizer algo, que não fossem palavras duras, que nos traria uma briga na qual nós dois sairíamos machucados não só moralmente como fisicamente, também. — Não quero nada que tenha a ver com ele, nem mesmo uma foto. Se me prometer que irá levá-lo assim que ele sair de mim e nunca mais aparecer na minha frente, eu topo.
Deus, eu amava um monstro.
— Será como você quiser Antonella, — eu disse em um tom monótono. — Todos os gastos com a gravidez serão por minha conta. Eu também disponibilizarei uma quantia para seus gastos pessoais, e quando o bebê nascer, te darei uma quantia justa... pelo aluguel.
— Não preciso do seu dinheiro, Heithor. Guarde-o para você e a sua família. Quanto aos gastos da gravidez, bem, esses eu creio que tenham que ser por sua conta mesmo. Mas apenas estes.
— Eu darei o dinheiro Antonella. Se você não o quiser, dê para alguém, queime, rasgue, faça o que bem entender — respondi, desejando que ela sumisse da minha frente o mais rápido possível.
De esguelha percebi que ela permaneceu quieta em pé apenas me encarando.
— Va bene. Estamos acertados então?
— Sim. Eu entrarei em contato com o meu advogado ainda hoje para que ele faça o contrato, uma vez pronto, nos falamos novamente para que assine. Agora me deixe sozinho — pedi olhando os papeis a minha frente, fingindo analisá-los. Não queria olhá-la, não quando a dor dominava meus olhos deixando claro o quanto suas palavras tinham me destroçado.
Escutei seus passos se distanciarem, o som batendo dentro do meu peito com uma marreta.
— Thor?
O tom baixo quase sussurrante de sua voz fez-me levantar a cabeça, e quando dei por mim já a encarava, esperando-a continuar seja lá o que ela fosse dizer. Encaramo-nos por um longo minuto no mais completo silêncio. Vi a hesitação em seu olhar, mas procurei não me enganar novamente.
— E-eu... eu... Não é nada não.
Ela então saiu levando consigo o meu coração e minha razão de viver.