Dangerous
Capítulo 28
Eu não sabia bem como me sentir quando desliguei o telefone. Era uma mistura de choque, incredulidade e desconfiança, que me deixou sem ação por uns bons minutos. Até que a curiosidade emergiu, querendo sair por minha pele. Recompus-me, e então, transladei até o escritório.
Hesitei por um breve momento.
Por que merda eu devo acreditar nisso?
Exalei forte e entrei.
Eu não iria conseguir dormir se não tirasse a dúvida em minha mente, afinal.
Conforme o que me foi dito, eu revirei cada canto daquele espaço, mas era difícil procurar algo do qual nem mesmo eu sabia o que era. Momentos depois eu deixei minha bunda escorregar para o chão, apoiando as costas no armário baixo detrás da mesa de Thor, e bufei irritada comigo mesma ao inspecionar a bagunça que eu tinha feito a troco de nada.
Sacudi a cabeça com um movimento seco e foi quando me deparei com a única gaveta que eu ainda não tinha checado — a última debaixo. Arrastei-me até ela e a abri sem pensar duas vezes.
Pastas. Papeis. Alguns envelopes... Uma pasta.
Isso me chamou a audiência. Ela estava no fundo, escondida ou abandonada, sob os papeis. Minha curiosidade foi a mil quando arrematei a pasta grossa e, um segundo depois, meus olhos arregalaram logo se estreitaram quando li a etiqueta na parte inferior da capa.
OS VICENTI
Por que diabo Thor tem uma pasta com o nome da minha família?
Fiz menção de abri-la, mas parei ao checar as horas e me assustei. Onze e meia. Thor chegaria a qualquer momento. Meu coração disparou, e eu mais que depressa fechei a gaveta e arrumei a bagunça que tinha feito, em seguida, corri em disparada para a suíte, levando a pasta comigo. Minha curiosidade era gritante para deixá-la para trás. Estava louca para checar o conteúdo, todavia, o que me pareceu ser o barulho da porta do elevador se abrindo, me travou.
— Antonella?
Às pressas eu peguei a mochila, que Pietra havia me mandado com algumas peças de roupas, e coloquei a pasta dentro, em seguida, a joguei para o canto que estivera.
— Estou aqui no quarto — eu gritei de volta.
Thor passou pela porta, sorrindo. Sorri de volta, esforçando-me para parecer o mais natural quanto possível quando ele veio até mim e me deu um beijo na boca.
— Não me diga que acordou agora?
— Estava vendo se Pietra me mandou um creme de rosto que uso pela manhã.
— E mandou?
— Che?
— O creme.
Sorri embaraçada.
— Ah... Sim, ela mandou.
Seus olhos e lábios contraíram com estranhamento divertido.
— Desculpa pela demora, mas eu tive alguns imprevistos.
— Senza problemi.
Ele me beijou de novo então me soltou.
— Eu vou tomar um banho e depois podemos sair para almoçar. — Eu me limitei a curvar os lábios enquanto ele se desfazia da camisa. — Quer me acompanhar no chuveiro?
— Grazie, mas prefiro esperar aqui.
Por um momento ele apenas me fitou, com um semblante sério então suspirou, anuindo com a cabeça. Parecia chateado, porém eu não tinha cabeça para sacanagem agora.
— Tudo bem.
Thor me deu as costas, indo para o banheiro e me privilegiando com a visão dos músculos bem trabalhados de suas costas largas. As marcas do final de semana que passamos juntos estavam lá, desenhados por minhas unhas e boca em sua pele cor de mel, como uma tatuagem.
Senti vaidosa, mas a sensação foi cortada com o barulho do chuveiro. Corri de volta para a minha mochila e, descolei um jeans e um top preto. Agarrei a mochila e fui para a sala esperar por Thor. Logo ele apareceu, vestindo uma pólo azul e jeans. O cabelo ainda úmido escovado para trás.
Chupei um longo fôlego e me levantei, jogando a mochila nas costas enquanto ele pegava a chave do carro e a carteira sobre o aparador.
— O que acha de irmos ao Hostaria del Piccolo?
Ele não podia aprontar para cima de mim. Va bene, ele já tinha agido como um bom filho da puta, porém não podia acreditar que ele pudesse ir tão baixo. Thor supostamente me amava.
Maledizione. Eu não iria conseguir esquecer a maldita pasta. Precisava lê-la.
— Ella?
Meus cílios revoaram quando voltei ao apartamento e dei-me conta de Thor na minha frente, olhando de perto. Analisando minha expressão. Tentei relaxar e sorri.
— Desculpe. O que disse?
— Aconteceu algo? — Eu neguei. — Tem certeza?
— Absoluta.
— Por que está assim?
— Assim como?
— Está em qualquer lugar, Antonella, exceto aqui desde que cheguei. Está inquieta e ansiosa, e tenho a impressão que está escondendo algo que não quer que eu saiba.
Dei de ombros.
— Impressão sua.
Uma sobrancelha negra disparou.
— É?
— Sim... Escute, eu me lembrei que tenho um trabalho da universidade para fazer, assim vamos deixar o almoço para outro dia, sì? Eu tenho de ir para mansão agora.
— Trabalho, uh? Tente com a verdade agora.
— Nos vemos mais tarde — disse, passando por ele.
Sua mão segurou meu braço. Eu o olhei, aborrecida.
— Não vai sair daqui sem antes me dizer por que está tão estranha comigo.
— Não pode me obrigar a ficar aqui.
Arrogância desenhou sua expressão.
— Quer apostar?
Reduzi meus olhos para ele.
— Não quero apostar porra nenhuma. Apenas quero ir. Agora faça o favor de soltar o meu braço.
— Vai me dizer o que aconteceu? A verdade?
— Eu já disse. Você é quem não quer acreditar.
Ele xingou.
— Você vai me deixar louco!
— Então me solte que não haverá loucura.
— Qual é o seu problema?
— No momento são as suas perguntas idiotas.
Ele me soltou.
— Certo, certo. — E acrescentou, soando magoado. — Isso é por que eu disse que te amo? Porque se for, você sabe que não tem porque agir na defensiva comigo. Eu já disse que não vou te cobrar nada. Não tem que se sentir pressionada a me retribuir e nem eu quero que o faça porque se sente obrigada, embora fosse muito bom se sentisse o mesmo que eu.
— Não é nada disso — garanti eloquente. — Eu realmente tenho de ir.
Ele assentiu, ainda com o cenho franzido. Seus olhos espertos buscando, e então, ele se afastou.
— Tudo bem, Antonella. Vamos. Eu te levo.
— Não precisa — recusei com um meio sorriso. — Eu vou sozinha.
— Por que você não diz logo que não me quer por perto?
— Senti, não é nada com você. Eu só quero ficar sozinha — expliquei. Ele anuiu, desviando os olhos magoados. Eu acrescentei não tendo tempo para as crises dele. — Arrivederci.
Sentada no chão da privacidade do meu quarto, com as costas encostadas na lateral da cama, eu segurei a pasta sobre minhas pernas. Por longos minutos eu apenas a fitei. Não estava arrependida de tê-la pegado, mas havia algo bem lá no fundo, dizendo-me que eu não iria gostar do que veria. Enchendo-me de coragem a abri, me deparando com uma pequena foto do nonno Giuseppe. Com dados pessoais, rotinas e tudo mais. O seguinte era de mia nonna e assim seguiu até chegar a mim, com uma foto onde eu tinha 14 anos. Magrela, sem cor, toda pivete.
Folhas e mais folhas de relatórios sobre a minha família.
Perplexidade foi o primeiro sentimento que apareceu então veio à raiva quando me toquei que isso se tratava de um dossiê, ainda assim eu podia entender as razões de Thor para tal atitude. O trabalho dele exigia que ele fosse minuciosamente cuidadoso com a irmã e a tia. Bem, eu tinha mudado com elas, era comum que ele se precavesse de elas estarem seguras. Eu não gostava, porém entendia. E teria ficado nisso mesmo, se eu não deparasse com mais folhas sobre mim.
Não de quando estávamos na Itália, senão aqui nos Estados Unidos.
Muitas coisas que fiz pouco antes de ele chegar até dias atrás estava descrito e comprovado nas fotos tiradas depois que nos conhecemos. Algumas muito comprometedoras. Eu não conseguia nem piscar, a cada foto e relatório lido, eu sentia o ódio brotar dentro de mim escoando rapidamente pelas bordas do meu controle.Eu queria torcer um pescoço, matar alguém... Ele.
Maledetto! Disgraziato! Figlio di puttana!
Fechei a pasta com força e a joguei para o lado.
Isso... isso era traição!
O maldito estava me controlando o tempo todo. Sim, eu sabia que ele tinha um segurança na minha cola, e isso foi explicado. Claro. Ele tinha sido um filho da puta desde o início.
Mamma mia... Como eu sou estúpida!
Que ódio!
Respira. Respira. Respira.
Depois de muito trabalhar na minha fúria premente, consegui relaxar, ainda assim o ódio estava lá, plantando profundamente dentro de mim. E eu sabia como extravasá-lo.
Cretino! Filho da puta! Miserável! Desgraçado!
Aquele traste iria se arrepender de ter cruzado meu caminho.
Mirei o despertador em cima do criado mudo, já se passavam das nove da noite. Levantei e enviei uma mensagem ao Kevin, antes de ir ao banheiro. O banho não demorou. Logo que retornei ao quarto, K já tinha me respondido. Vesti uma calça de couro preta, com um top azul marinho e uma jaqueta de couro negra por cima. Coloquei uma bota de cano alto combinando.
Maquiei-me, marcando bem os olhos em tons escuros e a boca de vermelho sangue. Soltei o cabelo, deixando-os selvagens de propósito. Peguei as luvas e chaves da minha moto então olhei em torno. Em seguida, fui até a pasta ainda abandonada no chão e a enfiei na mochila. Guardei isso.
Nem bem fechei a porta do quarto e me deparei com Pietra quando girei para explorar o corredor rumo à escada. Ela me encarou com os olhos arregalados então enrugou o cenho.
— Você não está pensando em ir aonde eu acho que está. Está? — Balancei a cabeça em concordância, ignorando a careta de desaprovação dela. — Thor sabe?
— Perché? Por acaso ele é meu dono, cazzo? — grunhi com frieza. — Eu não tenho de dar nenhuma satisfação a suo fratello só porque trepamos algumas vezes!
— O que aconteceu?
— Niente. Agora, se me dá licença.
Deixei-a pra trás sem esperar sua resposta e desci para a sala.
Quando comecei a percorrer o caminho em direção ao corredor que me levaria à garagem, a voz do traste naquele tom arrogante penetrou meus ouvidos. Estaquei no lugar, controlando-me. Eu não perderia meu controle na frente dele. Não podia dar esse gostinho ao filho da puta.
— Antonella, aonde você vai? E assim?
— Não é da sua conta.
— É da minha conta sim, Antonella! E fale direito comigo, porra. — Estreitei os olhos e dei a volta para encará-lo. Minha expressão era glacial. — Você saiu da cobertura correndo como se fosse uma fugitiva e agora aparece assim, — ele gesticulou para minha roupa. Continuei a mirá-lo como se ele estivesse falando em uma língua desconhecida. — Eu te liguei o dia inteiro e você sequer teve a cortesia de me mandar pelo menos uma mensagem de volta.
— E eu tinha a obrigação de te atender?
— Você tem a obrigação de me dar ao menos uma explicação.
— Por quê? — Pausei, fingindo pensar num motivo. — Ah, sim! Lembrei-me. Porque você morre de amores por mim — debochei, observando seus olhos ferverem de raiva. — Acha que pelo fato de ter dito que me ama, você tem algum direito sobre mim, querido?
— Você ficou louca? Por que está agindo assim?
Balancei a mão no ar com desdenho.
— Va bene, se você faz tanta questão de saber, eu vou te dizer. Mas não se acostume, pois não é sempre que eu sou boazinha — avisei cínica. Ele cruzou os braços sobre o peito. — Como você está vendo, eu vou sair e você está atrapalhando! Agora, aonde eu vou? Bem, isso não é dá sua conta.
Por um momento ele pareceu desconcertado então suas feições estavam cuidadosas.
— O que aconteceu com você? Não há motivo para você estar agindo assim comigo...
— Estou retomando a minha vida.
Ele bufou um riso e num instante esteve na minha cara.
— Vida? Que vida, cacete? Acha que viver se comportando como uma vadia sem medir as conseqüências dos seus atos é uma vida digna?
— Se é ou não, não me interessa! Essa é a vida que eu escolhi pra mim e estou muito bem com ela. Grazie — respondi com um sorriso arrogante no rosto. — Agora caia fora.
— Então é isso? Você gosta de ser tratada como vadia? — afirmou com os olhos tristes.
Meus olhos arderam, mas me mantive firme. Esse merda não merecia nenhuma compaixão.
— Você bem que gostou, não?
— O que está dizendo? Eu te tratei como vadia?
— Se você não sabe a resposta, é porque já a tem, não?
O olhar azeviche queimou com perigosa fúria.
— Deixe de gracinha comigo, porra! Tivemos nossos desentendimentos, mas nunca te tratei como uma qualquer. Tudo que fizemos no quarto e fora dele foi consensual. Ambos desfrutamos.
— Não nego. Mas agora me faça um favor? Deixe-me em paz. Acabou. Qualquer porra que tínhamos acabou. Não vai rolar mais. Eu não quero e é bom que entenda isso. Não interfira na minha vida novamente.
— Você não vê o que faz? Eu estou tentando fazer as coisas mais fáceis para você.
— E quem disse que eu quero alguma coisa fácil, Heithor? Já ouviu falar sobre o livre arbítrio, meu filho? Pois bem. Pare de se intrometer na minha vida, merda. Não te devo satisfação de nada.
— Você está certa, Antonella — ele murmurou baixinho em resignação, dando um passo para trás, como se eu tivesse queimado-o. Um bolo se formou em minha garganta ao vê-lo se afastar, com os olhos magoados. Eu quis bater nele. — Vá. Apenas não se esqueça que eu te amo.
Fechei a cara e adiantei alguns passos, mas me lembrei de algo então parei.
— Ah! Só mais uma coisa, Castellammare. — Ele me mirou e eu quase fraquejei pela dor contida em seu olhar. — Tire seu soldadinho de chumbo do meu pé!
— Sinto muito, mas isso eu não posso fazer.
— Não só pode como vai!
— Deixa de ser burra garota! Não vê que isso é para o seu próprio bem?
— Não seja ridículo! Isso não é para o meu bem coisa nenhuma! Isso é único e exclusivamente para o seu próprio bem, que pensa que só porque sente algo por mim tem o direito de controlar os meus passos. Eu não pedi por qualquer sentimento seu, e, certamente, eu não tenho culpa se você gostar de se enfiar em merda então deixe seu soldadinho fora do meu caminho.
— Antonella abaixe seu tom comigo — alertou-me num tom de voz letal. Arqueei a sobrancelha em desafio. — Eu não vou fazer isso. Assunto encerrado.
— É a última vez que eu te falo: tira aquele merda do meu pé.
Thor cruzou os braços sobre o peito.
— O que você vai fazer se eu não acatar o seu pedido?
Meu sorriso era lento e perverso.
— Eu? Nada. Mas depois não diga que eu não avisei.
E ele entendeu o recado, vi isso em sua expressão, antes de eu seguir para a garagem.
Estava morta de ódio por aquele bastardo de merda.
Se encontrasse Brian e ele viesse com a merda dele, eu iria mandá-lo ao inferno também, pensei enquanto me dirigia ao local da corrida. Uma vez que cheguei, desci e tirei o capacete, deixando-o em cima da moto. Alguns conhecidos me cumprimentaram. Peguei uma cerveja e comecei a beber encostada no capo de um Camaro prata de um colega. O lugar como sempre estava lotado.
— Morris?
Revirei os olhos para aquela voz conhecida.
— Brian — disse seca e voltei minha atenção para a multidão.
— É isso mesmo? Vai me ignorar? Tantos anos de amizade e é isso que eu recebo?
Olhei para ele com extremo tédio.
— Não fode, Brian! Não existem anos aí. E quem procurou isso foi você quando me jogou sua loucura. Na boa, hoje não é um bom dia. Então se você veio aqui com aquela historinha ridícula de amor, dá no pé, pois eu não estou com paciência para isso.
— Eu só quero te pedir desculpa por aquele dia. — Dei a volta para ficarmos de frente, não escondendo minha desconfiança. — Eu não quero perder sua amizade.
— Okay. Se for assim, não me fale bobagens mais. — Ele esboçou um sorriso sincero, mas seus olhos ficaram tristes. Eu bufei por dentro. — Escuta Brian, me desculpe por ser tão direta com você. Eu o considero pra cacete para te enganar. Agradeço o seu sentimento por mim. Mas não tem como rolar nada. A única coisa que posso te oferecer é a minha amizade.
— Tudo bem. Eu prefiro ter a sua amizade a nada.
— Boa escolha cowboy! — Bebi um gole da minha cerveja e inclinei a cabeça para o lado, segurando o riso. — Você sabe. Não é qualquer merdinha que tem minha amizade.
Seu olhar cresceu com simulado horror.
— Uh... Devo me considerar um merda de primeira então?
— Cocô de sangue azul.
Rimos às gargalhadas.
— Senti sua falta garota...
— Brian.
— O quê? Amigos sentem falta um do outro. Ou isso é proibido também?
— Não. Apenas se comporte e ficaremos bem.
— Sim senhora.
Brian se encostou ao meu lado e ficamos em silêncio, olhando aos arredores.
— Você vai correr? — ele indagou após um tempo.
— Só vim respirar.
Conversamos até altas horas. Era bom ter meu amigo de novo sem aquela historia de amor. No começo da noite fiquei receosa, mas no decorrer dela percebi que ele tinha falado sério sobre aceitar apenas a minha amizade. Isso era um alívio. Bebemos muitas cervejas e alguns copos de vodka pura. Estava tão bom que nem me dei conta da hora.
— Acho que está na hora de ir — disse Brian, olhando para rua agora quase vazia.
Só de pensar em voltar para a mansão, minha raiva retornava e meu estômago revirava. A última coisa que precisava no momento era dar de cara com aquele traste, que provavelmente estaria me esperando para me exigir uma explicação que não era da conta dele. E com isso ganharia uma discussão inútil da qual eu não estava a fim de colocar no meu histórico de fim de noite.
Eu iria dormir em algum hotel mais tarde, decidi.
— Pode ir Brian, — murmurei quando ele se levantou, — eu vou ficar mais um pouco.
Seu olhar analisou meu rosto.
— O que tá pegando?
— Nada. Eu só não quero ir para a mansão agora.
— Sendo assim, eu acho que tenho a solução. — Olhei para ele com o cenho franzido, e ele acrescentou. — Podemos ir lá para o meu apartamento...
— Brian!
— Ei, calma aí! Eu disse como amigos. Prometo que não vou falar merda e, bem, lá podemos tomar mais algumas cervejas e conversar. — Estreitei os olhos com desconfiança, indecisa sobre o quê fazer. — Vamos lá garota! Você não que ir pra casa e eu não quero dormir ainda.
Ponderei minhas opções por alguns minutos. E devo dizer que não havia muitas. Não queria ficar sozinha. E, bem, o papo com Brian me fez bem, pelo menos não me permitiu lembrar daquele...
— Certo. Mas eu estou de moto.
— Que coincidência, gata! Eu também — piscou.
Dei um tapa fraco no braço dele. Brian pagou a conta então seguimos para nossas respectivas meninas. Estava indo colocar o capacete quando meu olhar foi atraído para um ponto do outro lado da rua. Alguns carros á frente estava o soldadinho de chumbo num BMW preto, que o bastardo tinha colocado atrás de mim. Sorri maldosa ao subir na moto, dei partida então saí.
— Fique à vontade — Brian disse ao chegar ao seu apartamento, rindo como dois loucos e acordando alguns vizinhos. — Eu vou pegar cervejas pra gente. Ou prefere água? Talvez, suco?
— Cerveja está bom pra mim.
Ele saiu. Eu retirei a jaqueta enquanto olhava ao redor. Não era muito espaçoso, mas era aconchegante e perfeito para um cara sozinho. Sem muitos adornos. Básico e funcional, porém de muito bom gosto. Tons claros predominavam das paredes aos móveis.
Tão diferente dele... Não! Recriminei agressiva, eu não iria pensar naquele babaca.
— Gostou?
Girei a cabeça e fitei Brian, que me empurrou uma Budweiser.
— É bonito e arrumado.
— A faxineira veio hoje — divertiu-se. — Vou pôr música pra gente. Alguma preferência?
— Surpreenda-me!
Sorvi um bom gole da minha cerveja enquanto o assistia se voltar para o som. Pela primeira vez o observei mais atentamente. Ele tinha costas amplas, uma sugestão de bunda marcando sob o jeans e pernas longas. Era alto e magro, porém atlético. Cabelos castanhos e lisos balançando sobre os ombros. Não podia negar, Brian era bonito aos olhos e atrativo ao corpo.
Como eu nunca tinha reparado nele antes?
Estava ocupada demais com o Castellammare.
Não, eu estava ocupada demais sendo a otária dele, me corrige.
Fechei os olhos com força, a ira subindo a pele.
Eu não tinha nada que pensar naquele bastardo. Na verdade, eu tinha que tirá-lo da cabeça, do meu corpo. Precisava de alguém para tirar as marcas que ele tinha deixado em minha pele, de um aroma novo, mesmo quando acreditava ser impossível conseguir. Precisava tentar, no entanto.
Brian ainda estava distraído com a escolha da música.
Não ponderei nada mais quando me desfiz de minhas roupas. Eu precisava fazer isso. Necessitava provar para mim mesma que aquele cretino não significava nada para mim.
— Brian? — chamei-o num sussurro sedutor.
Ele girou a cabeça, seu olhar crescendo ao se encher com minha pele nua. Algo caiu, mas eu não olhei para ver o que era. Mirando-o sem embaraço dei dois passos a frente. Seu olhar espantado se voltou luxurioso, o pomo de adão se movendo quando ele engoliu duro.
— Uau! Isso... Minha Nossa. Você é linda, Antonella.
— Me beija Brian.
Sentia-me desorientada quando despertei por causa das irritantes frestas de luz da manhã batendo na minha cara. A boca estava seca e amarga. Minha cabeça latejava, avisando-me da ressaca dos infernos que ganhei de brinde por ter enchido a cara. Prendi a respiração por um minuto ao me fazer consciente de um corpo ao meu lado. Olhei de esguelha para o lado e Brian encheu minha visão, ainda dormindo. Não sei bem o que senti ao levantar o lençol e comprovar minha completa nudez.
Tentei me lembrar do que tinha acontecido, puxei a memória de beber no local da corrida, depois conversar com Brian, tirando minha roupa e a boca dele na minha... Nada.
Levantei tentando fazer o mínimo de barulho quanto possível para não acordar Brian. Ele se mexeu e virou para o lado contrário, mas não acordou. Soltei o ar num sopro silencioso. Na sala, peguei minhas roupas e as vesti, e então, deixei o seu apartamento.
Era para eu me sentir bem e estar feliz da vida por ter transado com Brian, não era?
Mas eu não conseguia me sentir bem, muito menos feliz. Ao contrário, minha vontade era de chegar à mansão o mais rápido possível e tomar banho. Não que Brian fosse asqueroso ou algo do gênero, porém eu me sentia suja. Lágrimas toscas começaram a rolar pelo meu rosto. Que ódio!
Eu não estou arrependida. Eu não estou arrependida. O Brian é lindo e carinhoso, e aquele bastardo do Castellammare é um cretino, traidor e manipulador. Eu fiz a coisa certa.
Uma vez na mansão, eu corri para as escadas, rezando para não encontrar ninguém no caminho. Abri a porta do meu quarto e a fechei rapidamente, encostando minhas costas nela. Fechei os olhos e exalei com alívio, meu corpo relaxando.
Quem eu estava enganando?
Eu não estava fugindo de qualquer pessoa, senão de apenas uma, que eu não queria que me visse nesse estado. Toda descabelada, com os lábios inchados e com o cheiro de outro impregnado em mim. Isso me fez lembrar porque eu vim correndo para a mansão.
Banho. Era disso que eu precisava!
Abri os olhos e congelei no instante seguinte, engolindo seco.
O grito assustado ficou preso em minha garganta.
Heithor estava sentado na minha cama, com os olhos frios e furiosos cravados em mim. Suas mãos fechadas em punhos. A postura muito rígida salientando a força dele. Em seu rosto havia uma máscara pétrea de frieza capaz de congelar um país inteirinho. Ele parecia muito perigoso.
— Onde você estava? — ele indagou num tom cortante, assombroso.
Tremi da cabeça aos pés. Ele tinha sido um pouco assustador em seu apartamento, mas agora, ele me gelava por dentro, denso, forte. Uma massa de virilidade primitiva. Ele parecia um animal selvagem, esperando o momento certo de atacar sua presa, que no caso e, infelizmente, era eu.
Apertei os dentes quando outro estremecimento ameaçou me balançar.
Respirei fundo e soltei o ar devagar, reagrupando minhas forças e minha própria raiva dele, e adotei uma dissimulada indiferença. Não podia demonstrar fraqueza perante ele.
— Por que a pergunta? O seu soldadinho de chumbo já não te disse?
— Eu quero ouvir da sua boca... Eu quero ouvir a sua voz. Quero ouvir da sua própria boca o quão vadia você é. Quero ouvir a voz da vadia que eu amo me jogar na cara o quão estúpido eu sou por amar uma pessoa tão mesquinha e vagabunda.
Sinos de perigo soaram na minha cabeça, fazendo uma onda de pavor se quebrar sobre mim. Mas, então, a raiva flamejante também veio, fechando meus punhos ao lado do corpo.
— Entrou no quarto errado. Não te devo satisfações, Castellammare.
Heithor bufou, esfregando as mãos no rosto com impaciência.
— Responde.
Eu sacudi a cabeça em negação. Sua expressão se apertou em feições escuras.
Thor ergueu-se da cama, um pouco mais de um metro e noventa de pura e sólida massa muscular, um felino bonito e letal, que começou a caminhar para mim com graça predatória, sua frieza me atingindo. Ninguém podia se mover como ele, com uma elegância bestial que era tanto atraente quanto perigosa demais. Eu levei cada fibra de boa fé existente em mim para manter-me intacta na indiferença dissimulada. A cada passo parecendo que ele absorvia tudo para si, crescendo enquanto o quarto diminuía de tamanho.
Senti-me minúscula e insignificante ante ele.
Era tudo. Sua altura, seus músculos, sua força. Diminuía e roubava-me. Até mesmo o ar ele parecia estar saqueando de mim. Minhas batidas cardíacas dispararam.
Minha boca secou e eu segurei um fôlego quando ele esteve diante de mim. Fúria ascendente lampejava em seu olhar, fazendo-os impossivelmente mais profundos e frios.
Não havia nenhum lugar para correr. Nenhuma evasão. Super cola mantinha meus pés presos.
— Responda-me, — ele ordenou a centímetros do meu rosto, sua voz tão afiada quanto uma navalha, ainda assim muito baixa, enquanto seu olhar me acusava. — Trepou ou não com ele?
Sustentei seu olhar sem saber o que fazer.
Como se supõe que eu lhe daria uma resposta quando nem mesmo eu tinha certeza?
Heithor grunhiu impaciente. Na dúvida, assenti devagar. Suas feições aprofundaram numa carranca sombria de pedra, os olhos muito selvagens, que desejei atravessar a porta.
— Não me olhe assim — orquestrou, sua voz era enojada. — Nunca te machucaria e não vou tocá-la. Não quando seu corpo está marcado e fedendo a outro homem. Eu estou fodidamente cansado de te dizer, Antonella, que não serei mais um e, por Deus, que não serei.
A acusação dele doeu mais que deveria e criou um bolo na minha garganta.
Heithor se afastou, com os olhos marejados e ficou de costas, com as mãos caídas ao lado do corpo. Exalei com dificuldade e trabalhei minhas respirações para acalmar meu tolo coração.
— Eu... eu só preciso entender que porra se passa nessa sua cabeça. Juro que tentei achar um motivo decente para sua atitude, um porquê de você ter mudado da água para o vinho no decorrer de horas. E sabe o que encontrei? Nenhuma fodida coisa! Pois não há um motivo justo para justificar suas merdas. Nada, Antonella. Eu apenas te amei a noite toda. Lhe fiz minha e achei que nós... — Ele se voltou para mim, os olhos magoados e vermelhos, mas não havia lágrimas. — Por quê? Por que faz isso comigo? Com você? Por que sempre que eu penso que as coisas entre nós vão se ajeitar você apronta uma das suas? Por que não pode simplesmente agir como uma garota normal? Que tem sentimentos? Um coração? Decência? Sente algum prazer em me ferir? É isso? Ou faz essas merdas para se reafirmar?
— Oh, por favor! Não venha se fizer de santo para cima de mim, Castellammare — ralhei, numa fúria mal contida por sua cara de pau. — Você sabe muito bem o porquê!
— Infelizmente, eu sei. Você gosta de viver uma vida indecente, gosta de agir como uma puta vadia. Gosta de ser uma vadia, e pior, gosta de ser tratada como uma. Por isso, não se apega a nada, nem a ninguém. — Eu tremi de raiva. As palavras me ferindo, a forma com que ele as proferiu tornou-as piores do que eram. Meu orgulho sangrou. Isso era inaceitável, ainda mais por ser ele o atroz. — Eu te amo Antonella, mas não sou otário. Nem pretendo fazer o papel de um, nem mesmo por você. Quer continuar agindo assim? Ou, como você disse, retornar a sua vida libertina? Pois bem. Vá em frente, porém não conte comigo. Como eu te disse antes, eu não vou te obrigar a nada. Por mais que me doa, eu não vou mendigar o seu carinho e o seu respeito.
Mas era o cúmulo do absurdo! Agora esse ordinário era a vítima indefesa?
— Por favor! Você é a última pessoa aqui que pode falar de respeito, Castellammare.
— Mais uma vez você está certa. Eu amo uma vadia que me machuca de todas as formas possíveis sem sequer sentir uma pontinha de remorso por me destroçar. Que respeito eu posso ter, não é mesmo? — Cerrei os olhos, querendo matá-lo. — Não vou perturbá-la mais. Você deve estar cansada da noitada — ele acrescentou enojado enquanto se dirigia a porta.
— Não mesmo! — esbravejei, impedindo sua passagem. — Você não vai sair daqui como inocente, enquanto eu fico como errada nessa merda toda! Você é o único culpado aqui!
— Mais tem de ser muito atriz mesmo, não? Quer dizer que você me trata feito um capacho, como se eu fosse um nada e, não obstante, sai e passa a noite com outro. E, mesmo assim é inocente? Você está certa? E eu não. Eu sou o errado da história por ter declarado meu amor por você? Sou culpado por te amar? Deixa de ser mau caráter garota! Você não tem motivo algum para me tratar da maneira fria com que me tratou e fazer o que você fez. Não tente arrumar desculpas para suas safadezas! É uma cadela, Antonella. Uma puta de uma cadela que adora me ferir.
Bati palmas ironicamente por sua atuação.
— Bravo! Bravo! Sua performance está no ponto. Como você pode ser tão fingido?
— Eu não estou te entendendo. Você pode ser mais clara?
Passei por ele, como um furacão, e fui ao meu closet, pegando a maldita pasta então retornei ao quarto e a taquei nele que a pegou no ar.
— É disso que eu estou falando, seu cretino! — Sua boca torceu e seus olhos se abriram em surpresa enquanto mirava a pasta em suas mãos. — Vai dizer que isso não é seu?
— Você mexeu nas minhas coisas?
Sério? Ele está me repreendendo?
Mas ele não precisava dizer com todas as letras, pois sua pergunta me deu a confirmação. Não o respondi, apenas o mirei com frieza e indiferença. Seus olhos se voltaram para mim, eles estavam inexpressivos e suas sobrancelhas juntas numa linha reta. A cautela pintando sua face.
— Isso não é o que você está pensado que é.
— Eu não estou pensando nada Castellammare, eu vi! — bradei. — Como você pode ser tão baixo? Tão nojento? Tão... Urgh!
— Antonella as coisas não são assim. Eu posso te explicar...
— Eu não sou burra, Heithor! Eu sei muito bem o que isso significa. — Meus olhos arderam. Ele deu um passo hesitante em minha direção, mas eu me afastei. — Você veio pra cima de mim com essa merda de historinha de “eu te amo” e já estava mais do que preparado se eu não te aceitasse, não é assim? Afinal, seu merda, você tem tudo o que quer, não é assim que funciona? Você é o poderoso Heithor Castellammare que faz e acontece. — Pisquei tentando segurar as lágrimas em meus olhos que vieram em torrentes grossas. — Você é um manipulador. Um chantagista de merda!
— Neném, você não está pensando com clareza. Vamos conversar civilizadamente como dois adultos. — Balancei a cabeça freneticamente em negação. — Por favor, me deixe explicar.
— Eu não quero a porra das suas explicações, pois não acredito em você. Você nunca foi confiável. Maledetto! Você me fez de besta! E ainda tem a cara de pau de dizer que eu sou mau caráter? Não sou eu quem tem a sua vida inteira nas mãos, Castellammare!
— Isso foi por proteção...
— Sicuramente. Sua proteção! Porque se eu não te aceitasse ou se eu não te obedecesse, você teria como me obrigar, pois munição contra mim você tem aos montes! Dimmi Castellammare, que meios você usou para conseguir aquelas fotos? Os relatórios recheados eu posso entender, mas as fotos... Bem, estas eu realmente estou curiosa. Temos de convir, elas são um tanto íntimas... Quer saber? Não precisa dizer nada, afinal, você não é considerado um dos melhores detetives no seu ramo à toa. E eu não quero olhar na sua cara. Então caí fora!
— Deus, Antonella! Eu jamais usaria isto contra você. Eu te amo, porra! Nunca faria nada para te prejudicar. Não seja tola.
— Tola eu fui no momento em que me joguei nos seus braços, imbecil! Ti odio — grunhi com a voz embargada e usei as costas das mãos para limpar o rosto. — E se quiser enviar isto a minha família, fique a vontade! Porque você não vai voltar a tocar em mim nunca mais. Prefiro morrer a permitir que um sujeito nojento e asqueroso como você me toque novamente.
— Antonella, por favor, me ouça. Tente me entender, eu só tenho Pietra e Martha, eu preciso ser cuidadoso. Tenho muitos inimigos, Antonella, gente que mataria sem pensar duas vezes. Eu precisava investigar sua família e você, não podia deixar minha irmã e Martha correrem riscos!
— Você ter investigado minha família e eu enquanto ainda estávamos na Itália, eu posso até entender. Mas aqui? Você me investigou aqui, seu cretino, mesmo com a certeza de que eu não oferecia risco a Pietra e Martha. Seu vagabundo filho da puta! Ainda tem a coragem de me dizer que só fez isso por Pietra? Você fez a merda por você mesmo, para me controlar e prender.
— Baby não é assim. Eu não quero te prender, eu...
— O que estou dizendo? Não foi isso que você fez desde que chegou? Tem me chantageado desde que nos conhecemos, de uma maneira ou de outra, tem dado seu jeito para persuadir. Mas hoje, Castellammare, eu tenho muito prazer em te dizer que você não vai conseguir. Não desta vez!
Heithor avançou para mim e envolveu meu rosto nas mãos, forçando-me a encarar seu olhar
— Antonella, eu te amo de verdade — murmurou com os cheios d’água. — Nunca senti por ninguém o que eu sinto por você, amor. Tem tudo de mim, neném.
Tentei me livrar das suas mãos sem êxito.
— Me solte!
— Não faça isso, neném. Por favor, não faça... Não desmereça meu amor por você. Ele é a única coisa boa e bonita que eu tenho nessa merda que é minha vida.
— Vá à merda com esse seu amor fajuto! Eu não o quero. Eu não te quero!
Apesar das lágrimas estúpidas molharem meu rosto e minha garganta estar fechada pelo choro, minha voz saiu firme e fria, o desprezo nela não podia ser medido. A expressão dele foi de surpresa a dor e, em seguida, suas mãos deixaram meu rosto caindo ao lado do seu corpo e ele cambaleou para trás. Tudo parte da encenação dele, claro! Maldito. Eu o odiava.
— Saía do meu quarto e não ouse me procurar nunca mais. Ti odio!
— Eu vou, mas não pense que estou desistindo de você tão facilmente, neném. — Ele fez uma pausa e limpou a garganta, antes de prosseguir. — Eu vou provar para você que o quê eu sinto é amor de verdade, nem que seja a última coisa que eu faça nessa vida. Serei um miserável se entregar o jogo, antes de tentar ganhar honestamente. Escute bem Antonella. Isso é apenas uma pausa, uma trégua entre nós. Não estou desistindo de você. E Antonella? Eu nunca perco.
Dei as costas para ele. Não queria vê-lo se afastar e passar por aquela porta, me incomodava de uma forma que me fazia sentir raiva de mim mesma por me importar com aquele cretino.
Uma vez que ouvi a porta se fechar, algo dentro de mim se partiu e puxou o nó em minha garganta a ponto de doer, e eu levei a mão ali. Minhas pernas fraquejaram e eu me deixei cair na cama, agarrando o travesseiro com tamanha força, que meus dedos doeram.
Estava morta de raiva. Os olhos alagando, mas agarrei meu controle e empurrei isso para baixo.
Eu não iria mais chorar por ele. Não por ele.