Garota, 11

Amy Suiter Clarke · Capítulo 20 de 50

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Garota, 11

Capítulo 18

 

Elle

16 de janeiro de 2020

 

Na manhã seguinte, Elle chegou na delegacia pouco depois das

nove. Seus olhos ardiam de exaustão. Ayaan acenou para que

ela entrasse antes mesmo que ela tivesse a oportunidade de

bater na porta. Com a pasta contendo os tuítes de Graham em

mãos, Elle entrou na sala e se sentou em frente à comandante.

— A equipe forense já terminou na casa de Wallace —

informou Ayaan, parecendo estar decepcionada. — Além de um

pouco de maconha, a coisa mais suspeita era o registro das

coisas que ele assistiu. Há algumas noites ele assistiu um filme

erótico com duas garotas adolescentes mantendo relações

sexuais.

— Pornografia infantil? — Elle franziu os lábios.

Ayaan balançou a cabeça. — Duas mulheres adultas agindo

como se fossem adolescentes. Não encontramos evidências de

que o sr. Wallace tinha pornografia infantil em suas posses. —

Ela suspirou. — Vi sua mensagem. O que encontrou no Twitter

dele?

Elle dispôs os papéis sobre a mesa e os empurrou em direção

a Ayaan. — Não acho que ele esteja com Amanda. Graham

estava no auge de uma guerra no Twitter no exato intervalo em

que ela foi sequestrada. Eu chequei os horários duas vezes. Ele

postou oito tuítes nos cinco minutos em que a motorista de

ônibus disse ter estado no ponto onde Amanda deveria subir.

Ayaan examinou os papéis e em seguida abriu algo em seu

computador, provavelmente os depoimentos das testemunhas

sobre a hora do sequestro. Por fim, ela levantou os olhos para

Elle. — Há alguma chance de ele ter agendado a postagem

desses tuítes?

Elle antecipara essa pergunta. — Acho que não. É possível

agendar tuítes, mas não dá para agendar uma discussão inteira e

em tempo real com uma pessoa. Eu dei uma olhada na blogueira

com quem ele estava interagindo. A conta dela é verificada, ela

mora em Montreal. Ela tem blogs desde 2012 e mais de sete

anos de fotos nas redes sociais que claramente foram tiradas em

partes diferentes do Canadá. Parece um golpe a longo prazo

muito bem elaborado, sem falar em um salto enorme para uma

pessoa cujos crimes anteriores foram cometidos sob o pretexto

de uma relação romântica.

— Provavelmente tem razão. Com uma expressão neutra,

Ayaan pegou o celular e pressionou três teclas. — Cruise, pode

dar uma olhada na conta do Twitter de Wallace no horário do

sequestro? O nome de usuário é @wallyg420. Se o horário bater,

por favor telefone para a srta. Delaney e diga que o cliente dela

pode ir embora. Não, se ela quiser falar comigo diga a ela para

agendar uma reunião. Obrigada.

Depois de desligar, Ayaan olhou novamente para os papéis em

sua mesa. — Talvez estejamos de volta à estaca zero.

— Acho que sim. Desculpe.

— Não precisa se desculpar. Estou feliz por ter encontrado isso

agora, assim não vamos desperdiçar mais tempo com ele. Mas

estou preocupada. Se houvesse a intenção de pedir resgate, eles

já deveriam ter ligado a essa altura. Não que isso tenha parecido

possível em algum momento, mas eu tinha essa esperança.

— Então acha que ela foi morta. — As palavras tiveram sabor

metálico na boca de Elle. Tão derradeiras, tão prováveis.

Ayaan permaneceu em silêncio, levando o polegar até a boca

e correndo a unha pelo lábio inferior. Era um tique nervoso dela,

algo que fazia quando estava perdida em pensamentos

importantes. Elle se deu conta de como prestava atenção em

Ayaan, em como queria entendê-la. A comandante era muito boa

em manter as pessoas do lado de fora. Elle queria ser alguém

com quem Ayaan se abria, alguém para quem ela dava abertura.

Finalmente, Ayaan disse: — A essa altura, temo que sim.

Nunca trabalhei em um caso de sequestro em que a criança

apareceu viva depois de três dias de ter sido levada, a não ser

que o sequestrador a trocasse por dinheiro ou leniência.

O silêncio pairou sobre elas, sombrio como a noite.

— Como consegue? — perguntou Elle, um momento mais

tarde. — Ainda passo noites em claro pensando em alguns dos

casos em que trabalhamos juntas no , e olha que saí de lá

há quase seis anos. Agora posso escolher o que investigar e

manter distância dos casos mais perturbadores. Como você não enlouquece lidando diariamente com as coisas horríveis que

fazem a crianças?

Ayaan se recostou na cadeira e cruzou os braços sobre o

corpo. — Meus pais não queriam que eu fosse policial. Eles

esperavam que eu estudasse medicina, como meu irmão. Mas

eu via a forma como o mundo pressionava e até mesmo forçava

algumas mulheres a engravidar para depois maltratá-las quando

seus filhos nasciam. Eu queria protegê-las disso. Sei muito bem

quem são aqueles que o sistema negligencia. Nesse país, a

polícia raramente trabalha a favor de pessoas parecidas comigo.

Por isso estou aqui: eu trabalho por eles.

— O que seus pais pensam sobre você ser detetive hoje? —

perguntou Elle.

— Eles me apoiam, e hoje em dia mais ainda, já que sou

comandante e não estou tão em perigo quanto estava quando

estava nas ruas. — Ayaan exibia um sorriso afável. — Eles

vieram para cá quando minha mãe estava grávida, fugindo da

guerra civil na Somália. Tudo o que sempre quiseram foi me dar

uma vida melhor, mais oportunidades do que eu teria de onde

vieram. Muitos imigrantes da Somália vieram para Minnesota ao

longo dos anos, antes da interdição.

Havia tanta injustiça contida naquelas três palavras. Elle se

perguntou se Ayaan ainda teria familiares na Somália, pessoas

que gostariam de vir para os Estados Unidos, mas estavam

sendo barradas devido ao ódio e ao medo. Ela não tirou os olhos

da comandante, mas se manteve em silêncio. Não havia nada

que pudesse dizer.

Ayaan correspondeu o olhar. — E você? Sei que adora seu

trabalho, mas já pensou em se tornar detetive um dia?

— Não quero ser policial.

Suas palavras estavam carregadas de negatividade. Ela abriu

a boca para continuar, mas foi interrompida pelo telefone de

Ayaan. Ela o atendeu e, depois de palavras breves, pressionou

um botão no aparelho.

— Camilla, acabei de colocar a chamada no viva-voz para que

outra investigadora possa participar. Pode repetir o que disse?

Uma voz com sotaque francês ressoou pelo alto-falante. —

Sim, minha filha Danika disse ter conversado com você ontem na

escola, sobre a menina que desapareceu. Ela disse não ter

falado nada quando você perguntou se alguma das crianças

havia visto a pessoa que sequestrou Amanda, mas hoje de

manhã ela me contou que viu o homem. Posso colocá-la ao

telefone?

— Pode, claro. — Ayaan esfregou a testa, coçando a pele sob

seu hijab antes de ajeitá-lo novamente sobre o cabelo. Elle

percebeu que os dedos dela estavam trêmulos.

— Oi — disse uma voz de criança vinda do telefone. —

Desculpe por ter mentido.

— Não acho que tenha mentido, Danika — respondeu Ayaan.

— Eu me lembro de você. Estava tentando me dizer uma coisa,

mas foi interrompida por outra menina, não foi? Isso fez você

sentir que o que tinha para me dizer não era importante?

— Sim. — Sua voz deixava transparecer que estivera

chorando. — Eu disse à maman que não foi minha culpa. —

Camilla murmurou algo ao fundo e Danika continuou. — Eu deveria ter dito que Brooklyn estava errada. Mas fiquei com

medo. Às vezes ela é muito maldosa comigo.

— Sobre o que ela estava errada, Danika?

— O homem que falou com Amanda… Ele não era tão alto e

não tinha cabelo preto. Não sei se Brooklyn o viu. Ela só queria

atenção.

Elle pegou uma caneta na mesa de Ayaan e começou a

escrever no papel impresso. Ayaan assentiu e continuou a

conversa. — Entendi, querida. Que bom que ligou para me contar

isso. Se lembra da aparência do homem?

Danika e sua mãe sussurraram entre si do outro lado da linha,

então Danika voltou a falar. — Ele tinha a mesma altura que o

papai. Maman disse que ele tem um metro e setenta. — Mais

suspiros. — E cinco. E ele não tinha cabelo.

— Então ele não tinha cabelos pretos? — perguntou Ayaan.

— Não, e ele não estava usando chapéu, só um cachecol e

botas grandes. Eu não consegui ver o rosto dele. Ele tinha uma

cabeça branca brilhante e bochechas vermelhas, e estava

usando óculos de sol grandes como os que meu pai tem. Vi

Amanda perto da calçada da casa dela quando eu estava indo

para o ônibus. O homem foi correndo até ela e disse: “Você

precisa vir comigo. Trabalho com seu pai e ele sofreu um

acidente”. E ela simplesmente foi com ele.

Ayaan olhou para Elle ao perguntar ao telefone: — Viu de onde

o homem veio? Ele saiu de um carro?

— Não sei. Não tinha visto ele até ele chamar a Amanda.

— Ele viu você?

— Acho que não. Eu tentei me esconder atrás da árvore

quando o vi. Ele não parecia ser legal.

— E você viu Amanda ir para algum lugar com ele? Viu

Amanda entrar em um carro?

— Ele pegou na mão dela e foi correndo até uma van azul.

Mas não vi ela entrando. Assim que ele virou as costas,

atravessei a rua correndo. Não queria perder o ônibus.

— Eu entendo — disse Ayaan com um tom de voz doce. —

Não fez nada de errado, Danika. — Ela voltou o olhar para Elle,

erguendo as sobrancelhas como se para verificar se Elle tinha

alguma pergunta.

Para que a menina não ficasse surpresa ao ouvir uma voz

desconhecida, Elle escreveu “cor?” ao lado de “cachecol” em

suas anotações, grifando a palavra antes de virar o papel para

Ayaan.

— Você se lembra da cor do cachecol, Danika? — perguntou

Ayaan.

— Laranja. Bem laranja, como os cones que ficam na rua.

Os dedos trêmulos de Elle atrapalhavam sua caligrafia

enquanto ela tomava nota.

Ayaan a fitou por um instante, esperando mais perguntas. Elle

balançou a cabeça negativamente. — Está ótimo, Danika. Você

está nos ajudando muito. Acha que conseguiria descrevê-lo para

que possam desenhá-lo?

— Não sei. Estou com medo.

— Não vou deixar que nada aconteça com você, tudo bem? Eu

prometo.

Os olhos de Elle ardiam. Ela os pressionou com os dedos,

esfregando o peito com a palma da outra mão. Um par de olhos

surgiu em sua mente, avermelhados e de um azul tão escuro que

parecia ser preto. Quando ela abriu os olhos novamente, Ayaan

ainda a observava com atenção.

— Posso falar mais um pouquinho com sua mãe, querida? —

perguntou Ayaan.

A voz de Camilla respondeu. — Sim?

— Camilla, acredito que sua filha tenha informações cruciais

para nossa investigação. Imagino que já saiba que Amanda

Jordan desapareceu e que estamos considerando o

desaparecimento dela como um sequestro.

— Sim. Danika não vai à escola até que ela seja encontrada.

Não vou tirar os olhos de minha filha até ter certeza de que ela

estará segura.

Ela nunca estará segura, Elle sentiu vontade de dizer. Nenhum

de nós está.

Ayaan respondeu: — Tudo bem. Acha que pode trazê-la até a

delegacia ainda hoje, se possível? Eu quero que ela converse

com um retratista forense para descrever o homem que viu.

— Hoje?

— Sei que está em cima da hora, mas isso é de suma

importância. Enquanto Amanda estiver desaparecida, cada

segundo se torna mais perigoso para ela. Uma pequena

inconveniência não é nada se sua filha puder nos ajudar a

encontrá-la antes que ela seja ferida, não acha?

Depois de um momento, Camilla respondeu: — Certo. Oui.

Posso levá-la depois do almoço.

O resultado do retrato falado parecia estar impresso nas

pálpebras de Elle toda vez que ela fechava os olhos. O homem

aparentava ter por volta de cinquenta anos, tinha uma cabeça

calva e quadrada e usava óculos de sol grandes e um cachecol

laranja neon enrolado sobre a boca. Elle passara a tarde toda

comparando o retrato com criminosos sexuais da região, mas o

homem não era familiar. Definitivamente não era alguém que

trabalhava com Dave. Depois de suas atividades no Twitter terem

sido confirmadas pela polícia e de Danika não o ter reconhecido

em uma pilha de fotos, Graham Wallace foi liberado.

De alguma maneira, mais um dia se passara e não havia sinal

algum de Amanda.

No entanto, também não havia um corpo. Ao menos isso dava

esperanças a Elle.

Naquela noite Sash fizera o jantar para eles e se mostrara

curiosa por mais detalhes sobre o podcast, mas Elle mal

conseguira se concentrar na conversa. Ela ficara aliviada quando

Martín mudou de assunto, perguntando a Natalie sobre as aulas

de ciências. Elle imaginara que uma noite com Sash e Natalie

fosse fazer com que parasse de pensar no caso por um

momento, mas se enganara. Ao olhar para Natalie, Elle só

conseguia pensar em Amanda, em seu paradeiro, em quem a

havia sequestrado.

Àquela altura, o retrato falado provavelmente estava sendo

exibido em todos os noticiários da região, sendo divulgado em

canais locais, em sites e nas redes sociais. Uma rede de policiais

estava buscando uma van azul sem placas pelas Cidades

Gêmeas. Tudo isso estava sendo feito sem sua ajuda. Em seus canais, Elle divulgara o retrato em seções normalmente

destinadas a anunciantes pagos. Não havia mais nada que ela

pudesse fazer. Não naquela noite.

Mas ela não conseguia dormir.

Na cama, ao lado de seu marido, que roncava levemente, Elle

estava deitada de olhos abertos. A descrição feita por Danika não

saía de sua mente. O cachecol de cores vibrantes só poderia ser

uma coincidência. Ela estava completamente imersa na

investigação do para o podcast, por isso não conseguia

parar de pensar a respeito. Ela esperara anos por uma nova

pista. Ela estava tão perto que isso quase lhe causava uma dor

física, uma ferroada no estômago. Essa era a única razão pela

qual ela estava estabelecendo conexões entre ele e o

desaparecimento de Amanda.

Precisa vir comigo. Seu pai sofreu um acidente.

Aquela desculpa provavelmente fora usada por milhares de

sequestradores ao longo dos anos para convencer garotinhas a

entrar em seus carros. Mas ela não conseguia parar de pensar

nisso. Ayaan e sua equipe não conseguiram encontrar nenhuma

razão pela qual a família de Amanda pudesse estar sendo alvo

de vingança. O sequestro cuidadosamente planejado, feito à luz

do dia por um homem que sabia o nome da menina sugeria que

o sequestrador era organizado e vinha observando a criança de

perto. Não houvera ligação de resgate, o que significava que as

opções restantes para Amanda eram sombrias. Para fazer um

bom trabalho nesse caso, era dever de Elle considerar todas as

possibilidades — até mesmo as mais absurdas. Mas nem mesmo as possibilidades mais absurdas pareciam improváveis naquele

momento.

Talvez fosse o podcast ou a possível pista de Leo seguida de

seu assassinato. Talvez fossem traumas antigos vindo à tona em

sua mente.

Ou talvez fosse a porcaria do cachecol laranja.

Ela olhou para Martín, que dormia um sono profundo. Nem

mesmo ele acreditaria nela em relação a isso.

Elle conhecia o trabalho do , conhecia suas assinaturas e

idiossincrasias como conhecia a voz de seu artista favorito. Era

absurdo que ele começasse a matar novamente depois de mais

de vinte anos. Era ridículo que ela sequer considerasse isso. Mas

ela não conseguia calar a voz em sua mente.

O visor do relógio ao lado da cama informava o horário: 0h05.

Aquela era, então, a terceira noite desde que Amanda fora

sequestrada. Se ela tiver sido sequestrada pelo , aquele

seria o dia em que ele serviria a ela comida com sementes de

mamona, que ela comeria depois de ter sido privada de

alimentos e trabalhado à exaustão. Ela começaria a apresentar

diarreia e vômito e a se sentir febril dentro de poucas horas. Elle

agarrou os lençóis com os dedos úmidos de suor, enterrando as

unhas com tanta intensidade no tecido que temeu rasgá-los.

Que bobagem. Ela não poderia perder uma noite de sono com

fantasias sobre o sequestro de Amanda Jordan. O tempo estava

se esgotando, se é que já não havia se esgotado.

Se fosse o , Amanda Jordan seria envenenada. Se fosse

o , outra garota seria sequestrada hoje.

Não pode ser o ACR. Ela fechou os olhos com força, tentando

desacelerar os pensamentos, sem sucesso. Ele não pode ter

retomado a contagem regressiva. É apenas uma coincidência.

Afinal de contas, por que agora? O que havia de especial em

Amanda para que ele se expusesse e arriscasse ser descoberto

depois de ter saído impune por tantos anos? Ele estaria melhor

continuando no lugar para onde foi em 1999, seguindo sua vida.

A menos que seu desejo tenha se tornado insustentável.

A menos que não fosse ele.

Frustrada, Elle pegou o celular e abriu o Twitter.

 

@fajusticatardia

@castillomn Ainda não superei o quinto episódio. O é

mais monstruoso do que imaginei. Que bom que está

mostrando quem ele é! #morteao

 

Elle estremeceu ao ler a hashtag, controlando-se para não

clicar nela. Nada de bom sairia dali. Ela rolou a tela. A maioria de

suas notificações celebrava a nova pista que ela havia

encontrado e revelado no episódio daquele dia. Elle curtiu alguns

tuítes e respondeu com “em breve…” algumas perguntas que

não podiam ser respondidas.

Como sempre, havia alguns haters para bloquear e reportar.

Mas hoje não havia nenhuma ameaçadora, o que já era um

progresso. Ela continuou a descer a tela.

 

@velasdafatimah

@castillomn É monstruoso o que fizeram com essas

meninas. Mas não tem medo de estar dando palco para o

assassino, descrevendo os crimes com tantos detalhes?

 

O tuíte tinha cerca de cem curtidas e vinte respostas, a maioria

de opiniões contrárias, mas Elle sentiu uma pontada de mal-

estar. Talvez Fatimah tivesse razão. O foco do podcast não

costumava ser no assassino e na vítima em iguais medidas, mas

agora era diferente. O era um tipo especial de assassino.

Seus crimes eram muito complexos. Analisar cada detalhe era a

única maneira para encontrar algo que outras pessoas haviam

deixado passar.

Uma notificação surgiu na tela: uma mensagem de Tina.

?

. ?

. -

,

.

— .

Mordendo o lábio inferior, Elle digitou:

. ,

.

.

 

“ ”

, . ;)

Elle sorriu e respondeu com um emoji de polegar para cima.

Ela ainda não contara para sua produtora sobre a investigação

de sequestro na qual estava trabalhando. Elas estavam no auge

da investigação do e a rede do podcast estava pulando de alegria. Eles não ficariam felizes em saber que ela estava

sacrificando tempo de trabalho no Justiça Tardia para auxiliar em

um caso externo. Mas Tina a conhecia melhor do que a maioria

das pessoas. Ter alguém ao seu lado seria de grande ajuda.

 

. .

.

, .

.

Elle respirou fundo e se acomodou nos travesseiros, pousando

o celular no edredom que a cobria.

.

.

,

. .

O símbolo de mensagem lida apareceu na tela, mas não houve

resposta por alguns momentos. Passando a língua pelos dentes,

Elle deitou a cabeça para trás e fechou os olhos. Havia uma nova

mensagem quando os abriu novamente.

.

.

- .

Completamente sem sono, Elle desligou o celular e saiu da

cama. Ela sentiu o chão de madeira gelado sob seus pés ao

caminhar até os chinelos. Ela os calçou, em seguida vestiu um

roupão e, tentando não fazer barulho, se dirigiu para a cozinha

para fazer café.

No pé da escada ela notou seu reflexo no espelho de entrada.

Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo desordenado e

sua franja era um emaranhado de cachos com frizz, emoldurando

seus olhos exaustos. Ela se parecia muito com sua mãe. Ela

sofrera de insônia crônica por boa parte da infância de Elle,

vagando pela casa tarde da noite enquanto todos estavam

dormindo. Para ela, contanto que estivesse acordada,

conseguiria manter os monstros longe. Essa era sua maneira

silenciosa de lidar com o que acontecera com a filha.

O olhar de Elle se endureceu no espelho ao pensar em sua

mãe andando na ponta dos pés, no escuro, como um espectro.

Tudo o que ela sempre quisera era que sua mãe fosse se deitar

na cama junto dela, abraçando-a até que ela caísse no sono. Em

vez disso, os passos suaves da mulher subiam e desciam as

escadas, patrulhando o perímetro em torno do quarto de Elle que

permanecia lá dentro, solitária e com frio.

Ela deu as costas para seu reflexo e se dirigiu ao estúdio.