Garota, 11
Capítulo 43
Elle
20 de janeiro de 2020
As cortinas estavam fechadas na casa de Douglas Stevens,
impedindo a entrada dos primeiros raios de sol da manhã. Era
impossível dizer se havia alguém lá dentro. Elle observou a casa
por um momento, aguardando algum sinal de movimento ou de
vida. Não houve nenhum.
Martín acordaria a qualquer momento, se perguntando onde
ela estaria. Ela desligara o telefone assim que enviara suas
últimas descobertas para Ayaan. Elle não conseguia se lembrar
de ter decidido vir até aqui, mas, em algum momento desde que
encontrou a relação entre Douglas e Kerry, ela entrara no carro e
estacionara em frente à casa dele.
A única coisa que importava era resgatar Natalie. Douglas
escapara da polícia por décadas; ele teria um plano pronto caso
eles aparecessem em sua porta. A garota era a próxima a ser
morta em sua lista. Elle não poderia se dar ao luxo de ser
paciente.
Quando mais um minuto se passou sem que ela identificasse
qualquer tipo de movimento no interior da casa, Elle se certificou
de que sua arma estava carregada, saiu do carro e andou
depressa pela calçada.
Ninguém abriu a porta quando ela bateu e a casa estava em
silêncio. A porta estava trancada com uma fechadura extra.
Douglas tinha o hábito de sair todos os dias bem cedo pela
manhã quando Elle estava sob seu cárcere. Talvez ele fizesse a
mesma coisa ainda hoje. Se ela conseguisse chegar até Natalie
enquanto ela estivesse sozinha em casa, ninguém teria que se
machucar.
Procurando pela porta dos fundos, Elle desceu os degraus da
entrada e deu a volta na casa. Ela olhou rapidamente ao redor e
não conseguiu enxergar possíveis vizinhos intrometidos, mas
sempre havia a chance de que algum enxerido pudesse chamar
a polícia. Aquele era o tipo de vizinhança repleta de aposentados
que estavam adiando a mudança inevitável para uma casa de
repouso — pessoas sem nada melhor para fazer além de assistir
a vida passar. Ela precisava ser rápida.
Ela atravessou o quintal cautelosamente até chegar ao local
onde vira o anjo na neve. Ele praticamente desaparecera depois
da neve que caíra na noite passada, mas Elle ainda conseguia
ver seus traços. Não era tão bem-feito quanto Elle se lembrava,
mas isso não necessariamente queria dizer alguma coisa. As
crianças se tornavam imprevisíveis no inverno. Quando Natalie
tinha cinco ou seis anos, ela costumavam brincar no quintal
depois de toda nevasca. Ela se lembrava da menina
bamboleando pela neve com calças de frio grossas e botas grandes demais que faziam com que ela tropeçasse a cada
passo — e de como ela se jogava nos montes de neve e ria com
o puf suave da aterrissagem.
Era possível que Douglas tivesse um filho, alguém que viera
até aqui para brincar e simplesmente caíra ou fora desleixado ao
tentar fazer um anjo na neve. Mas quanto mais olhava para ele,
menos ela acreditava que havia sido um design intencional.
Parecia ser o resultado de um confronto físico. Ela perdeu o
fôlego ao ser atingida por uma rajada de vento gelado.
Elle olhou de um lado para o outro. As pegadas que vira eram
grandes, eram pegadas de um homem adulto. Teria ele
carregado Natalie até lá, jogando-a na neve? Não fazia sentido.
Ela olhou para cima, se perguntando se a garota teria descido de
uma janela do andar de cima, assim como Elle fizera em uma
casa diferente mais de vinte anos atrás. Mas não havia nada em
que ela pudesse ter se segurado, nenhum cano ou árvore
próxima.
Quando Elle voltou os olhos para a casa, ela notou algo que
não percebera antes. Um pedaço de madeira estava mal
disfarçado nas laterais. Parecia recentemente coberto por uma
demão fresca de tinta. Ela esticou o braço e correu os dedos pela
placa de madeira. Ela se projetava cerca de meio centímetro da
lateral da casa, como se estivesse cobrindo algo. Ela aproximou
o rosto da parede o máximo que conseguiu, espiando a fresta
entre a madeira e a parede. Era difícil de enxergar, mas ela
conseguia ver uma grade preta por baixo.
Suas mãos tremiam. Ela recuou um passo, olhando ao redor
novamente para se certificar de que não estava sendo observada. Ela queria gritar, chamar por Natalie, mas se Douglas
estava lá dentro, ela não podia ser ouvida. Ela tirou do bolso um
canivete suíço que fora de seu pai. Ela o ganhara de presente
para que se protegesse depois que saiu do hospital em 1999. Foi
a única coisa dos pais que guardou depois de sair de casa aos
dezoito anos. Abrindo a chave phillips, ela começou a
desatarraxar a madeira. Foi um trabalho penoso. Os parafusos
haviam sido instalados com uma furadeira. Ela estava suando
quando retirou a madeira silenciosamente e a depositou sobre a
neve. Ansiosamente antecipando o barulho que viria a seguir, ela
segurou a grade com os dedos e a desencaixou do suporte. A
grade se soltou com um som metálico que pareceu reverberar
pela rua.
Com o coração acelerado, Elle rastejou para dentro do duto de
ventilação. Estava escuro como breu, mas ela conseguiu se
orientar facilmente no começo. Ela hesitou apenas quando não
sentiu a base do túnel sob suas mãos, visto que isso significava
que ela teria que descer de cabeça sem fazer ideia de quão
longe estava do chão. Ela respirou fundo, sussurrou o nome de
Natalie, e desceu. Ela bateu o pulso e os antebraços ao
aterrissar. Elle continuou rastejando adiante por mais alguns
metros até que suas mãos se chocaram contra outra grade. Ela
precisou golpeá-la algumas vezes, mas o metal finalmente
despencou para dentro da casa.
Se Douglas estivesse lá, ele com certeza sabia que ela
também estava. Ela se arrastou até a extremidade da tubulação
e olhou para dentro do cômodo.
Era um quarto pequeno, sujo, com um chão de terra batida. Lá
dentro havia uma cama de solteiro e um colchão sujo, e em cima
dele se estendia o corpo encolhido de uma pessoa. O corpo
inteiro de Elle se inflamou e um soluço escapou de seus lábios.
— Natalie!
Antes que pudesse racionar, Elle se lançou para a frente e
despencou pela altura de dois metros, caindo dentro da casa
com uma cambalhota quando chegou ao chão. Ela sentia uma
dor penetrante em seu ombro direito, mas a ignorou e correu até
a cama.
A namorada de Douglas encarava Elle com olhos vazios,
porém vivos.
As pernas de Elle cederam e ela desabou no chão. Ela
abraçou os joelhos e escondeu o rosto entre eles. Era tarde
demais.
Natalie não estava lá.
Os acontecimentos seguintes foram um borrão para Elle.
Ela ligara para a emergência assim que reconheceu a
namorada de Douglas e eles chegaram dentro de dez minutos.
A mulher foi colocada na maca e levada para a ambulância.
Técnicos de cenas de crime começaram a invadir o minúsculo
porão tentando expulsar os demais. Um dos socorristas ajudou
Elle a se levantar e, quando ela se deu conta, estava sentada no
sofá perfeitamente arrumado de Douglas Stevens, segurando
uma garrafa de água que ela não conseguia se obrigar a beber. A
ideia de qualquer coisa que fosse tocando sua boca fez com que
seu estômago se revirasse.
Um dos paramédicos tentou examinar Elle, mas ela o
dispensou com um aceno. Seu ombro direito latejava, mas a dor
a ajudava a manter o foco. Ela lidaria com isso mais tarde.
Depois que a ambulância foi embora, ela olhou em volta,
aturdida. O piso de madeira da sala era polido e encerado e
estava coberto por um tapete oriental limpo e colorido. Todas as
almofadas do sofá eram elegantes e de costura firme. As
lâmpadas, prateleiras, mesas e livros não tinham um grão de
poeira sequer. Era como se aquele fosse um quarto de hotel —
frio e sem alma. Natalie e Amanda haviam limpado esse cômodo,
trabalhado até a exaustão ao redor desse mesmo sofá. Isso fazia
com que Elle tivesse vontade de vomitar.
O tempo se esgotara. Ela deveria ter chegado mais cedo. Não
havia vestígios de Douglas ou Natalie, e a única pessoa que
poderia ajudá-los com alguma informação estava dopada, quase
catatônica, e fora levada às pressas para o hospital. Trabalhando
nesse caso, Elle já perdera as esperanças antes. Mas não nesse
nível, não com esse peso esmagador.
Sua mente girava enquanto ela encarava a garrafa em suas
mãos, tentando descolar o rótulo com a unha do polegar. No
rótulo havia a imagem de uma nascente que fluía do topo de uma
montanha cheia de árvores. Escondida entre as árvores verdes,
havia a figura de um pequeno chalé do tamanho de uma uva-
passa. Era um lugar sereno, um refúgio remoto. Talvez não
houvesse montanhas e nascentes, mas Minnesota tinha dezenas
de chalés como esse. Talvez, quando tudo isso terminasse, ela e
Martín pudessem passar uns dias juntos em um deles.
Martín. Ela pegou o celular e, como esperava, havia meia
dúzia de ligações perdidas dele. Ela enviou uma mensagem
prometendo explicar tudo mais tarde. Até mesmo a ideia de
tentar falar sobre isso causou nela um sentimento doentio de
exaustão.
Elle ouviu a voz de Ayaan antes mesmo que ela irrompesse
sala adentro, usando um hijab laranja-vivo que emoldurava seus
olhos determinados. Ayaan abandonou sua bolsa e correu em
direção a Elle, abraçando-a. Elle congelou, confusa, antes de se
render ao abraço da comandante, ignorando a dor no ombro. Ela
esperava ser furiosamente repreendida, talvez até mesmo
receber uma intimação legal por ter invadido a casa, não o
primeiro abraço de Ayaan desde que elas se tornaram amigas.
Depois de um momento, ela se afastou e encontrou o olhar de
Ayaan.
— O que está fazendo aqui?
Com uma risada incrédula, Ayaan conteve uma única lágrima
que estava prestes a cair. — Eu poderia perguntar a mesma
coisa para você, mas não deveria estar surpresa por você ter
vindo até aqui sem esperar por mim. Mais uma para a lista.
— Que lista?
— Das formas como você poderia ter sido morta nos últimos
dez dias.
O rosto de Elle ficou quente. — Não acreditou em mim
nenhuma das vezes em que contei minhas teorias para você. Eu
não queria que você tentasse me convencer a não vir. Quando
percebi que era ele, apenas vim. Não consegui suportar a ideia de deixar que Natalie continuasse aqui nem por mais um
segundo.
Ayaan cobriu a mão de Elle com a sua. — Eu sei. Sei que nem
sempre acreditei em você, mas você já errou antes. Você age de
acordo com seu instinto, o que é excelente, mas isso não
significa que você não deva pensar sobre as consequências. Em
relação a você e às pessoas que ama.
Elle olhou de volta para a garrafa e continuou a descolar o
rótulo.
— Mas acho que agora entendo a razão pela qual você faz
isso. Agora que sei quem você é.
— Por quê? — A figura do chalé se rasgou nos dedos de Elle.
— Passou os últimos vinte anos acreditando ter enganado a
morte. Isso deixaria qualquer um mais destemido. Mas, ao
mesmo tempo, acho que se sente culpada por ter sobrevivido,
como se fosse sua culpa ter sido a garota que escapou do .
— Ayaan apertou a mão de Elle até que ela retribuísse seu olhar.
— Elle, você merece viver, entende? Você lutou por sua vida,
você mereceu. Não permita que façam com que você pense o
oposto, nem mesmo se essa pessoa for você.
Lágrimas invadiram os olhos de Elle. Por não conseguir
responder, ela apenas assentiu.
— Quero que sinta que pode confiar em mim. Pode sempre
contar comigo, e acho que você sabe disso, do contrário não
teria me mandado uma mensagem quando descobriu a relação
com Stevens. Apenas sinto muito por não ter recebido antes de
você ter entrado na casa reproduzindo uma cena de Missão
Impossível.
— Então acredita em mim?
Ficando de pé, Ayaan buscou sua bolsa e a trouxe até Elle. Ela
pegou o laptop e o posicionou aberto sobre o colo de Elle. —
Sam recebeu sua mensagem sobre o que Duane contou para
você. Que Luisa e Douglas estavam envolvidos e que Leo estava
atrás dele, tirando fotos. Quando recebeu essa informação, ele
conseguiu solicitar uma análise emergencial de uma evidência
que até então não estava no topo da lista de prioridades: um pen
drive encontrado no bolso de Leo quando ele foi morto. Ele não
sabia se tinha relação com o assassinato e o pen drive estava
protegido por senha, então Sam estava esperando pela
assistência dos técnicos. Isso aconteceu ontem.
Elle olhou para a tela torcendo para que seu rosto estivesse
neutro o suficiente para não denunciar que ela já sabia sobre o
pen drive.
Ayaan continuou: — O pen drive estava protegido por um tipo
sofisticado de criptografia, mas a equipe de tecnologia forense
finalmente descobriu a senha e conseguiu acesso hoje de
manhã.
Ayaan clicou duas vezes no primeiro arquivo e Elle derrubou a
garrafa, que aterrissou no chão com um baque.
— Meu deus.
Havia páginas escaneadas de um diário onde se liam
inscrições em espanhol com uma caligrafia perfeita.
— Suponho que consiga lê-los? — perguntou Ayaan.
Elle assentiu, olhando a tela. Parecia errado ler o diário de
alguém, mas ela puxou o laptop para mais perto fazendo uma
leitura dinâmica das páginas o mais rápido que conseguiu.
Luisa se apaixonara por Douglas assim que o vira, isso estava
claro. Eles se conheceram quando ela trabalhava por meio
período no salão da universidade, oferecendo cortes baratos a
estudantes universitários pobres e professores estressados. Ele
investira nela, ligara para ela com frequência. Fazia com que ela
se sentisse inteligente, perspicaz e diferente. Depois eles
passaram a sair juntos após o trabalho, a flertar e fazer piadas
sobre ir para a casa dele, o que a empolgava e assustava em
iguais medidas. Até que ela finalmente cedeu algumas semanas
mais tarde. Um tom sombrio passou a permear seu diário poucos
dias depois da primeira noite dos dois juntos. Ele começou a
diminuí-la, fazendo comentários ácidos sutis e brincadeiras que
eram como dedos em suas feridas. Mas ela acabava sentindo
falta disso quando tentava se afastar da situação, como um atleta
ansioso pela dor muscular depois de dias sem fazer exercícios.
Ela pensou em terminar, mas a ideia era insuportável. E então os
comentários negativos cessaram. Elle quase pôde apontar o
exato momento em que ela decidiu que ele estava certo a seu
respeito, que deveria ser grata por seus conselhos e orientações
sobre como viver a vida.
Quando chegou à última página, Elle levantou o olhar para
Ayaan. — Como… como Leo conseguiu isso?
Ayaan balançou a cabeça. — Não sei. Os arquivos foram
criados há três semanas. Ele deve ter encontrado o diário dela
em algum lugar, digitalizado as páginas e devolvido antes que ela
pudesse perceber.
— Ou talvez ela tenha parado de escrever porque ele nunca o
devolveu. — Elle desceu a barra de rolagem, mas não havia mais nada no documento. — Mas esse diário não levaria Leo a crer
que o namorado dela é o . O que mais você encontrou?
— Plantas desta casa que mostram que não há acesso interior
ao porão. O que você claramente descobriu estar errado?
Elle acenou e ficou de pé, conduzindo Ayaan até a cozinha. A
porta da despensa já fora aberta pela equipe forense, revelando
as prateleiras que se abriam em uma porta estreita. — Entrei
pelo lado de fora, pelo duto de ventilação, mas os primeiros
socorristas seguiram o som da minha voz quando chegaram.
— Muito inteligente — observou Ayaan, a voz amarga. Ela se
virou e examinou a cozinha por um momento antes de caminhar
até a chaleira elétrica ao lado da pia. As bancadas eram como o
resto da casa: perfeitamente organizadas. O que também era
resultado do trabalho duro de Amanda e Natalie, sem dúvida.
Ayaan abriu o armário acima da chaleira e recuou. Elle foi até
Ayaan e sua respiração ficou presa na garganta. No armário
branco havia uma lata de chá Majestic Sterling.
— Ele tinha uma foto disso também — disse Ayaan. — Ele
deve ter entrado na casa. Foi assim que encontrou o chá e
percebeu que não havia acesso fácil ao porão.
Elle balançou a cabeça. — Ele descobriu tudo isso a partir de
um simples palpite.
— Não acabou. — Elas voltaram para a sala, para o laptop.
Os dedos de Ayaan se moveram pelo trackpad e ela digitou
algumas coisas antes de passar o laptop a Elle. — Ele também
tinha isso.
Era a foto do exterior de uma casa. Parecia antiga,
abandonada, mas deve ter sido esplêndida um dia. Ela não fazia ideia do que a casa significava. Por que Leo consideraria isso
importante? Não havia um endereço e o nome do arquivo não
ajudava. A única pista que poderia ajudar a localizá-la era o 213
branco e sujo na lateral.
— O que é isto?
Ayaan balançou a cabeça. — Não sei. Tentei fazer buscas
reversas de imagem, vasculhei o Google Earth, mas não
encontrei nada. Até onde sei, Douglas não é dono de nenhuma
outra casa e não tem nenhum familiar próximo. Sua mãe morreu
ao dar à luz a ele e ele teve dois irmãos que morreram quando
ele tinha sete anos de idade. Seu pai morreu há alguns anos.
Elle olhou fixamente para a foto da antiga casa. — Todos os
outros arquivos foram nomeados. Me pergunto por que esse é o
único arquivo cujo título foi gerado automaticamente pela galeria
do celular.
— A foto foi copiada para a pasta cinco minutos antes… bem,
antes do melhor palpite dos médicos-legistas sobre a hora em
que Leo morreu, considerando o intervalo entre a conversa com
você ao telefone e o momento em que você encontrou seu corpo.
Isso devia significar que era importante. Esta foi a última coisa
que Leo encontrou, algo que ele descobriu depois de ligar para
ela, quando já acreditava ter provas suficientes. As evidências
reunidas na pasta a fizeram sorrir. Ela viu a si mesma em Leo,
pensou nas muitas vezes em que correra atrás do próprio rabo,
certa de que encontrara a pessoa certa. Mas Leo de fato
encontrara, e isso apagou o sorriso de Elle, porque ele nunca
saberia que tinha resolvido um caso que havia desafiado tantas pessoas por tanto tempo. Mas ele perdera sua vida fazendo isso,
portanto ela se certificaria de que ele fosse lembrado.
Ela finalmente olhou para Ayaan. — O que vamos fazer agora?
Douglas está com Natalie e tenho certeza de que ele sabe que
estamos atrás dele. Ele vai matá-la assim que tiver uma
oportunidade. E nós não temos ideia do lugar para onde ele foi.
Antes que pudesse responder, o telefone de Ayaan tocou. Ela
o tirou do bolso do casaco e atendeu. O que quer que ela tenha
ouvido do outro lado da linha a deixou imediatamente em estado
de alerta. — O quê? Onde?
— O que está acontecendo? — Sussurrou Elle, inclinando-se
para a frente.
— Certo, um segundo, vou colocar você no viva-voz para que
Elle possa ouvir. — Ayaan pressionou um botão no celular. —
Sam encontrou o corpo de Luisa.
Elle encarava o celular enquanto ouvia Sam. — Depois de
receber sua mensagem, fui até a casa abandonada onde
encontramos o carro de Luisa. No começo pensamos que ela
tinha fugido com o namorado, mas sabendo que ela estava com
Stevens, a razão pela qual ela desaparecera mudou. Levamos
cães farejadores até a floresta perto da casa uma hora atrás e a
encontramos em uma cova rasa, enterrada debaixo de uma
árvore caída.
Os olhos de Elle ficaram marejados ao pensar em Maria
Alvarez recebendo a notícia de que sua filha fora assassinada. —
Há quanto tempo?
— Ainda é cedo e será difícil dizer devido à baixa temperatura.
O corpo está muito bem conservado. Mas com base na estimativa fornecida pelos vizinhos de quanto tempo o carro dela
ficou aqui, eu diria que ela está morta há mais de uma semana.
Pensando no fio de cabelo encontrado na casa de Leo, estou
supondo que ela estava com Douglas quando ele o matou e que
ele a matou em seguida para mantê-la de boca fechada.
Elle e Ayaan se entreolharam, compartilhando o mesmo olhar
devastado. — Encontraram algo com ela?
— Um diário foi enterrado debaixo dela, mas está inutilizável
agora. Porém o celular dela estava no carro. Estou carregando-o
para ver se encontro alguma coisa.
Depois de atualizar Sam sobre a situação na casa de Stevens,
Ayaan disse: — Sam, preciso que você verifique o celular dela e
que tente encontrar alguma coisa no . Qualquer coisa que
liste lugares que ela visitava com frequência, endereços usados
recentemente. É nossa melhor chance de descobrir para onde
Douglas pode ter levado Natalie.
Ele ficou em silêncio por um momento e elas conseguiram
ouvi-lo se mexer do outro lado da linha. Então ele leu uma lista
das viagens mais recentes e a maioria dos endereços era de
lojas de departamento e restaurantes. Mas um endereço
específico chamou a atenção de Elle.
— Pode repetir esse último?
— Forest Drive 213, Stillwater. Ela esteve lá um dia antes de
ter sido vista pela última vez no trabalho.
Ayaan observava Elle com atenção. — Você disse duzentos e
treze?
Elle se levantou, o corpo vibrando.
— Sim — confirmou Sam.
— Esse era o número da casa em uma das fotos que Leo tinha
em seu laptop, a última coisa que ele salvou. — Elle esfregou o
peito com os dedos trêmulos. — Sam, está com seu tablet?
Consegue descobrir quem é o dono dessa propriedade?
— Claro, deixe-me verificar. — Houve outro breve silêncio. —
Os proprietários são Mark e Betty Miller. Eles estão na casa dos
sessenta anos. Acho que é uma casa de verão. Parece que eles
a compraram do banco há cerca de seis meses. Ela se tornou
posse do estado após a morte do proprietário anterior, então saiu
por um preço barato.
— Quem era o proprietário antes de ela ter se tornado posse
do estado? — perguntou Ayaan. Pelo olhar dela, Elle percebeu
que a comandante suspeitava o mesmo que ela.
— Espere aí. Ah, achei. Merda. O dono anterior era Douglas
Josiah Stevens, o pai do nosso professor universitário.