Garota, 11
Capítulo 20
Elle
17 de janeiro de 2020
Na delegacia, o som do elevador fez com que Elle levantasse o
olhar de suas anotações na esperança de ver Ayaan. Mas era
apenas Sam Hyde.
Ela bocejou e voltou os olhos para os papéis. Ela chegara bem
cedo, saindo de casa antes mesmo de Martín acordar, e seus
olhos queimavam devido à noite insone. Ela passara a noite toda
narrando pensamentos desconexos no microfone, mas não
gravara absolutamente nada usável. Então finalmente tentara
organizar seus pensamentos e suspeitas de maneira
minimamente coerente e agora tinha duas páginas de tópicos
escritos à mão, prontas para serem mostradas à comandante.
Sam caminhou lentamente até ela. — Ouvi dizer que Bishar
colocou você em um dos casos dela. Como conseguiu desenrolar
isso?
Sem paciência, Elle virou a página do caderno. No entanto,
isso não pareceu suficiente para convencê-lo a deixá-la em paz.
— Está trabalhando nesse caso para seu podcast também? —
perguntou ele, puxando o caderno com o polegar.
Ela puxou o caderno com rispidez e olhou para ele. — Como
anda o caso do assassinato? Alguma pista sobre a pessoa que
atirou a sangue-frio em Leo Toca uma semana atrás?
Um sorriso lento surgiu nos cantos da boca de Sam. — Na
verdade, tivemos progresso. Ainda estamos investigando Duane
Grove, mas a ex-mulher de Leo aparentemente tem um novo
parceiro e seus colegas de trabalho relataram ter presenciado
uma crise de ciúmes. Não conseguimos entrar em contato com
ela, mas o último ponto de localização em seu celular foi próximo
a uma torre de telefonia em Stillwater. Achamos que ela está por
lá com o novo namorado, tentando ficar fora dos holofotes.
Isso confirmava que as suspeitas de Maria Alvarez sobre o
namorado da filha estavam erradas. Ela nem mesmo acertou a
cidade. Quanto mais Elle pensava nisso, mais acreditava que
Luisa era um beco sem saída. Se ela estava saindo com uma
pessoa que morava a trinta minutos de distância e trabalhando
em tempo integral, provavelmente não tinha tempo para se
manter atualizada sobre o ex-marido — se é que eles ainda
tinham contato. Era estranho que ela não atendesse o telefone,
mas se o namorado dela tivesse matado Leo numa crise boba de
ciúmes, isso explicaria seu desaparecimento.
Ocupada com o caso de Amanda e com o episódio a ser
gravado na semana seguinte, Elle não teve tempo para continuar
investigando a família de Leo. O que a fez lembrar: havia ao
menos um outro elemento desse caso sobre o qual ela tinha
conhecimento sem que Sam soubesse.
Tentando agir naturalmente, ela desviou o olhar ao perguntar:
— Você encontrou algo com Leo? Algo parecido com a pista que
ele estava prestes a compartilhar comigo? Estou supondo que
seria algo impresso, ou talvez algo no computador dele.
Uma faísca de desconfiança passou pelos olhos dele, mas o
sorriso afetado não deixou seu rosto. — Sinto muito, informação
confidencial. Não poderia te dizer nem se quisesse. — Ele se
virou e passou pelas portas de segurança, entrando no escritório
principal.
Elle o observou, sentindo seus ânimos se exaltarem. Se eles
tivessem conseguido acesso ao pen drive e se houvesse algo
importante nele, não haveria forma de ela saber. E se Sam
falasse com Luisa primeiro, ele certamente diria a ela para não
conversar com Elle caso ela aparecesse em busca de
informações. Ela resmungou, contrariada, voltando os olhos para
o caderno. Um longo bocejo fez com que seus olhos
lacrimejassem. O dia se arrastou, interminável e exaustivo. Se
ela conseguisse convencer Ayaan a dar uma olhada em sua
teoria, elas teriam várias horas para analisá-la antes do horário
em que ela teria que buscar Natalie na aula de piano. Mas,
primeiro, a comandante precisava chegar na delegacia.
Quinze minutos depois, Ayaan finalmente saiu do elevador e
entrou no lobby. Ela usava um hijab rosé e brincos de argola no
mesmo tom, e vestia um blazer azul-escuro e calças de
alfaiataria. Seu visual era sofisticado, mas seus olhos a
entregavam — ela estava tão exausta quanto Elle. Não se tinha
muitas horas de sono em meio a uma investigação de criança desaparecida. Elle fechou o caderno e se levantou, chamando o
nome da comandante um pouco alto demais.
Ayaan pareceu surpresa em vê-la. — Elle, há quanto tempo
está aqui?
— Não muito tempo — mentiu Elle. — Queria falar com você
antes que ficasse ocupada.
Ela analisou o rosto de Elle por um momento antes de assentir
com a cabeça. — Vamos entrar. Quero verificar se recebemos
alguma coisa relacionada ao retrato falado de ontem para hoje,
depois podemos conversar.
Enquanto Ayaan conversava com o tenente do turno da noite,
Elle pegou um café na cozinha da delegacia e se sentou no
escritório da comandante, agitada e inquieta devido à noite sem
dormir e à cafeína. Depois de alguns minutos, ela abriu a bolsa e
pegou todos os papéis que havia lá dentro. Além de suas
próprias anotações, ela tinha transcrições de seu podcast com
trechos destacados, fotos de cenas de crime, depoimentos de
testemunhas sobre a inclinação do a usar roupas de cores
vibrantes. Ela espalhou tudo pela mesa do escritório, como se
tentasse cobrir o móvel com evidências suficientes para que
Ayaan acreditasse nela.
— Bom, recebemos cerca de sessenta informações, mas nada
que pareça promissor — disse Ayaan ao entrar em sua sala. Ela
pausou ao se deparar com a mesa, analisando o que havia sobre
ela.
Prendendo a respiração, Elle observava a expressão de
Ayaan, aguardando pelo lampejo de compreensão em seus
olhos. Mas ele nunca veio. Alguns minutos se passaram até que Ayaan olhou para ela. Ela parecia preocupada. Elle detestava
isso.
— Estou bem — disse Elle, tomando um gole do café.
— Acha que Amanda Jordan foi sequestrada pelo Assassino
da Contagem Regressiva? — Ayaan soava desnorteada.
Elle se levantou e deu a volta na mesa, ficando ao lado de
Ayaan. Ela apontou para a foto de uma garota de treze anos. —
Katrina Connelly. Ela foi sequestrada em um ponto de ônibus por
um homem que dirigia uma van. As testemunhas relataram ter
visto um homem dizendo a Katrina que sua mãe estava doente e
que ele havia sido enviado para buscá-la. Ele usava um cachecol
chamativo de lã e um chapéu verde neon.
Ayaan não levantou o olhar dos papéis sobre a mesa. — Isso
foi há vinte e dois anos, Elle.
— Ele fez a mesma coisa com Jessica Elerson. — O nome fez
cócegas na garganta de Elle e seus olhos ficaram marejados. —
Depois Nora Watson disse que ele a convenceu a entrar em seu
carro dizendo que a mãe dela havia sofrido um acidente e estava
no hospital. É uma posição muito vulnerável para se colocar uma
garota jovem, a de preocupação com a mãe.
Diante do silêncio de Ayaan, Elle continuou. — Ele não morreu,
Ayaan. Eu nunca acreditei que tinha morrido, e descobri no
podcast que o corpo que todos acreditavam ser do
provavelmente pertencia a alguém pelo menos dez anos mais
velho. Talvez ele tenha estado preso por outra razão esse tempo
todo e tenha saído agora. Talvez ele tenha se casado, talvez o
que quer que fizesse dele um assassino tenha estado
adormecido por um tempo. Talvez ele esteja irritado com o avanço da minha investigação e tenha escolhido alguém em
Minneapolis propositalmente para me atingir.
Elle pausou para recuperar o fôlego e percebeu que suas
mãos tremiam em volta da caneca de café que segurava. Ela se
virou em direção à mesa, fitando o rosto de todas aquelas
garotas, agora reduzido a cinzas, destruídas.
Um momento mais tarde, Ayaan pousou as mãos sobre os
ombros de Elle, que teve um sobressalto com o toque
inesperado. Ayaan gentilmente virou Elle para si e ela levantou o
rosto, fitando os olhos castanhos da comandante.
— Elle, você precisa dormir.
— Já faz quase setenta e duas horas desde que Amanda foi
sequestrada.
— Eu consigo segurar as pontas por algumas horas. Vá para
casa e descanse um pouco. Não pode ajudar Amanda se estiver
exausta.
Elle piscou para afastar as lágrimas que invadiram seus olhos,
voltando o olhar para o chão. Ela não podia chorar ali. Não
precisava de mais uma razão para que todos pensassem que ela
não conseguia cuidar de si mesma. Mas um instante mais tarde
lágrimas jorraram por seus olhos, escorrendo por suas
bochechas. Depois de alguns minutos, Elle se recompôs e,
afastando-se do toque reconfortante de Ayaan, abriu sua bolsa e
apanhou um lenço de papel para secar os olhos. Ela endireitou a
postura e olhou para Ayaan.
— Não acredita em mim.
Ayaan inclinou a cabeça para o lado. Seu olhar estava
odiosamente tomado por pena. — Elle, por favor.
— Conheço o trabalho do , Ayaan. Conheço os métodos
dele. Esse caso tem tudo a ver com ele. Não sei de que outra
forma posso colocar isso. Sei que é uma detetive experiente, sei
que só estou nesse caso para fazer a vontade da família de
Amanda, mas imaginei que estivesse começando a confiar em
mim.
— Não é justo que diga isso, Elle. Em circunstâncias normais,
você é uma das melhores investigadoras que já vi. Mas isso é
diferente. Esse caso mexe com você, enevoa seus instintos.
Elle jogou as mãos para o alto. — Tudo bem, então, qual é a
sua grande teoria? Quem você acha que sequestrou Amanda?
Algum vizinho que, por alguma razão, nenhuma das crianças
reconheceu? Porque três dias já se passaram, o que significa
que, se eu estiver certa, ele vai começar a envenená-la, e, se eu
estiver errada, ela já está morta, segundo as estatísticas.
— Mesmo que ela ainda não tenha sido morta, isso não
significa que é o . — Ayaan não elevou sua voz ao volume
da de Elle, o que fez com que ela se sentisse ainda pior. —
Temos recebido pistas desde que divulgaram o retrato falado
ontem à noite. Ainda não demos um tiro certeiro, mas vamos
encontrá-la.
Elle balançou a cabeça olhando para os papéis sobre a mesa.
— Não consigo tirá-lo da cabeça.
— Talvez o problema seja esse.
— Não, você não entende. Nunca senti isso antes. É como
se… como se ele estivesse me provocando, mostrando que está
de volta, me lembrando do que ele é capaz.
— Isso não é inteiramente verdade.
— O quê?
Ayaan voltou a se sentar na cadeira ao lado da mesa,
cruzando os braços. — Já fez isso antes. Já sentiu isso antes.
A boca de Elle ficou seca. Ela desviou o olhar, mas Ayaan
continuou.
— Cerca de cinco anos atrás. O caso de Maddie Black, antes
de sair do . Você tinha certeza naquela época também.
Elle encarava as anotações e as fotos. Seus batimentos
cardíacos estavam acelerados. — Foi diferente. Foi há muito
tempo.
— Você tinha certeza de que era o . Eu até mesmo
acreditei em você por um momento e isso quase custou a vida
daquela menina.
Cerrando os punhos, Elle sussurrou: — Não foi assim.
Ayaan balançou a cabeça de um lado para o outro. — Por que
acha que demorei tanto para te dar um retorno sobre Jair Brown
dois anos atrás, Elle? Precisei solicitar a aprovação do delegado
geral para ser autorizada a trabalhar com você. Mesmo depois de
sua ajuda, ele ainda tinha receio de chamá-la para outro caso.
Talvez ele tivesse razão.
— Eu cometi um erro.
— Você tentou nos convencer a ignorar as testemunhas que
denunciaram o pai dela.
— Pare.
— Nós chegamos em cima da hora. Ela poderia ter morrido.
— Eu não tinha certeza como tenho agora. — Mesmo
enquanto as palavras saíam de sua boca, Elle não estava certa
do que dizia.
— Vou telefonar para Martín para que ele venha buscá-la —
disse Ayaan. — Não pode dirigir nesse estado. — Ela se
levantou e se pôs entre Elle e o material sobre a mesa. Quando
Elle retribuiu o olhar de Ayaan, seus olhos eram gentis, mas
firmes. — Talvez isso não seja mais uma boa ideia.
Quando Elle entrou no carro, Martín fez a ela apenas uma
pergunta: — Quer conversar sobre isso?
— Não.
Eles voltaram para casa em silêncio.
Ela nunca fora muito boa em falar sobre o que a incomodava.
Isso deveria ter mudado depois de anos de terapia, mas, levando
em consideração acontecimentos passados, as coisas não
acabavam bem quando ela falava sobre o que sentia. Seus pais
nunca conseguiram aceitar o que acontecera com Elle na
infância. Depois de um tempo, ela começou a acreditar na versão
deles — que não havia sido tão ruim quanto ela fizera ser em sua
cabeça, que as coisas das quais ela se lembrava não eram reais.
Já na adolescência, Elle havia reprimido tão bem as memórias
daquele incidente que elas levariam mais de uma década para
voltar à tona.
Então ela conheceu Martín.
Elle olhou para ele. Seus olhos estavam concentrados na rua
adiante e ele estava levemente inclinado em direção ao volante,
como se estivesse esperando que algo saltasse na frente do
carro. Embora tivesse tido tempo suficiente para se acostumar
com isso, Martín detestava dirigir em Minnesota durante o
inverno. Ele nasceu no México, mas morava na terra dos dez mil lagos há dezessete anos, quando se mudou por causa da
faculdade. Ainda assim, ele jamais se acostumara com toda a
neve e gelo.
A família Castillo era o oposto da família de Elle em todos os
sentidos possíveis. Ele tinha quatro irmãos, todos casados, e
onze sobrinhas e sobrinhos. De ano em ano, Elle e Martín
alugavam uma van espaçosa, buscavam Angelica e a família em
Wisconsin e viajavam para se reunir com o restante dos irmãos
na casa dos pais deles no México. Não havia um momento
sequer de silêncio pelas duas semanas seguintes. Bebês
chorando e risos escandalosos e comida sendo passada de mão
em mão ao redor da mesa até que você tivesse que abrir o botão
da calça. Elle absorvia a energia potente e o amor espontâneo da
família como se fosse um solo ressecado sob a chuva. A mãe de
Martín a ensinara a cozinhar — algo que ela nunca aprendera
com a própria mãe, que trabalhou todos os dias de sua vida e
contava com as comidas congeladas. De certa forma, essa era
uma das coisas que Elle mais respeitava sobre a mãe: ela se
recusava a investir várias horas de seu dia para colocar comida
na mesa só porque seu marido não faria isso.
Havia mais de uma década desde que Elle cortara os pais de
sua vida, mas algumas vezes ela imaginava como sua mãe
estaria agora: um pouco mais grisalha, as cavidades de suas
bochechas mais acentuadas, ainda no fogão com uma caixa de
hambúrgueres industrializados em uma mão e uma taça de
Cabernet na outra. Talvez, agora que havia se aposentado, ela
tenha aprendido a cozinhar de verdade. Mas Elle duvidava.
No semáforo, Martín procurou uma estação no aparelho de
som do carro até parar em seu talk show favorito. Ele não
gostava muito de música, ao menos não enquanto dirigia. Dirigir
ouvindo algo divertido o mantinha alerta. Ele olhou para ela por
um instante, oferecendo um pequeno sorriso. Exausta demais
para forçar um sorriso em resposta, ela se voltou para a janela do
passageiro. A luz do semáforo rapidamente ficou verde e eles
seguiram em frente.
O caso de Maddie Black ao qual Ayaan se referira funcionou
como um tipo esquisito de salvação. Por um lado, Elle não
estaria trabalhando no Justiça Tardia se não fosse por ele. Por
outro, ela quase havia sido responsável pela morte da menina e
havia demonstrado que tinha pontos cegos ao investigar certos
tipos de caso. Mas isso aconteceu há mais de cinco anos, e
mesmo que tivesse gravado um monólogo a respeito, Elle ainda
não encontrara o episódio certo do caso do para incluí-lo.
Se fosse honesta consigo mesma, provavelmente nunca o faria.
Não se encaixava com a narrativa.
Apoiando o cotovelo na porta do carro, ela encostou a testa na
mão, massageando as têmporas com o polegar e o dedo médio.
Ela sentia a própria pulsação na ponta dos dedos.
— Você está bem? — perguntou Martín enquanto estacionava.
Quando o carro estava parado, ele esticou o braço e cobriu a
mão dela com sua mão enluvada. — Ei, Elle. O que está
sentindo?
Ela balançou de um lado para o outro. — Nada. Vamos entrar,
preciso dormir.
— O que aconteceu na delegacia, cariño? Converse comigo.
— Nada. — Abrindo a porta, Elle saiu do carro e se dirigiu até
a porta da frente.
Uma vez lá dentro, Elle pendurou o casaco e o cachecol e
sacudiu as botas no tapete antes de descalçá-las.
Sem tirar as próprias botas, Martín entregou a ela as chaves
do carro. — Vou chamar um táxi para que o carro possa ficar
aqui para você. Mais tarde buscamos o seu.
— Obrigada. Desculpe por fazer você se atrasar — disse ela.
— Não tem problema, eu avisei que me atrasaria. Para Ayaan
ter me ligado, sei que deve ter sido sério. — Ele segurou o rosto
dela com as mãos aquecidas. — Seus olhos estão vermelhos.
— Eu não dormi.
Ele parecia prestes a dizer algo mais, mas, depois de alguns
segundos, assentiu. — Tudo bem. Vá para a cama, mi amor. O
caso ainda estará aqui depois de algumas horas de descanso, e
não pode ajudar aquela garotinha se não conseguir raciocinar.
Ela conteve uma nova remessa de lágrimas. — Está tudo bem
entre a gente?
Em vez de responder, ele inclinou a cabeça e pressionou os
lábios contra os dela.
— Tudo bem — murmurou ela em resposta, exausta demais
para dizer algo mais. Ela seguiu para a escada em direção ao
quarto.
— Elle — chamou ele.
— O quê? — Ela se voltou para olhá-lo.
Martín cruzou os braços sobre o peito, franzindo a testa como
fazia quando estava sob estresse. — Eu acredito em você.
— O quê? — repetiu ela, dessa vez em um sussurro.
— Estou percebendo que há algo que você não está me
contando, e não sei o porquê. Mas quero que saiba que tem meu
apoio, não importa o que aconteça. — Martín avançou dois
degraus, chegando mais perto dela. — Não importa quão
absurdo soe, lembre-se de que sempre vou acreditar em você
antes de mais nada. — Ele se aproximou, a beijou na bochecha e
depois desceu as escadas, indo embora.