Garota, 11

Amy Suiter Clarke · Capítulo 21 de 50

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Garota, 11

Capítulo 19

 

Podcast Justiça Tardia

Gravado em 16 de janeiro de 2020

Gravação não publicada: Elle Castillo, monólogo

ELLE

O estúdio é o lugar aonde venho para pensar, e hoje à noite não

estou conseguindo parar de fazer isso. Quando se investigam

casos como o que estou cobrindo nesse podcast, você se

acostuma com o fato de que eles não vão embora. Quando estou

fazendo compras, cozinhando, fazendo sexo, tentando dormir…

Eu vejo o rosto das vítimas do quando pisco os olhos.

Estou vendo-as agora, e há um novo rosto.

Apagar essa última frase.

Estou em meu estúdio agora, por volta da uma da manhã,

porque outra garota desapareceu. Talvez seja esse caso, esse

podcast, o que me faz suspeitar que o está envolvido.

Então aqui estou eu, com uma caneca de café no meio da noite,

gravando. Porque é assim que penso.

Estou começando a acreditar que algo dito impossível por

muitas pessoas está acontecendo. Sei quão improvável isso soa.

Sei de todas as razões pelas quais não deve ser real. Mas

acredito que o Assassino da Contagem Regressiva pode ter

retornado a Minnesota — hoje, em 2020.

Há três dias uma garota de onze anos desapareceu. Ela

aparentemente foi sequestrada a caminho do ponto de ônibus

por um homem careca que usava um cachecol laranja vibrante e

que, apesar da temperatura congelante, não usava um gorro ou

chapéu. A cabeça descoberta pode significar algumas coisas. Ele

pode ser idiota ou esquecido — talvez ele tenha pensado em

colocar um gorro e no fim não o fez, resultado da onda de adrenalina causada pelo que estava prestes a fazer. Ou ele pode

ter feito isso de propósito. Um homem careca com a cabeça

exposta em pleno inverno é algo memorável, assim como um

cachecol de cor laranja vibrante. Ele estava sequestrando uma

garota sob os olhos de testemunhas — talvez ele quisesse que

elas notassem essas partes de sua aparência para que não

notassem nada mais. O fez a mesma coisa nas raras vezes

em que foi visto perto de suas vítimas.

O homem disse a Amanda que ela precisava ir com ele porque

seu pai havia sofrido um acidente. Isso soa como a desculpa que

sabemos que ele usou para convencer Nora Watson a

acompanhá-lo, e, com base na vitimologia de seus outros alvos,

é uma estratégia que ele provavelmente já usou antes.

Amanda está na idade certa para que ele continue a sequência

de sua contagem regressiva caso ele queira substituir a vítima

que escapou. E não encontramos nenhuma outra pista de que

ela fora sequestrada por outra pessoa. O único suspeito que

tínhamos já foi liberado. Uma van desconhecida na área e sem

identificação foi vista nas proximidades. Não houve ligação de

resgate.

Se ele realmente está de volta, se voltou a matar, a próxima

garota será sequestrada amanhã — hoje, na verdade. Se

realmente for ele, ele não teria tomado a decisão de voltar a

matar de maneira leviana. Nada do que ele faz é por acaso. Para

descobrir onde ele vai atacar em seguida, primeiramente

precisamos saber a razão pela qual ele voltou.

Talvez ele tenha voltado por minha causa.

Apagar a última frase na edição.

Talvez isso esteja relacionado ao homem que me disse saber

quem era o . Ainda não sei o que ele pretendia me dizer.

Mas acho que poderia ter sido um começo. Se o sabia que

estava prestes a ser exposto, talvez isso tenha sido suficiente

para fazê-lo matar Leo. E talvez esse assassinato tenha sido um

aperitivo que fez com que ele se desse conta de como gosta do

controle, de como sentiu falta de sua missão.

Mas isso não combina com a maneira como ele observava de

perto suas vítimas anteriores, com a forma como ele as escolhia

cuidadosamente e descobria tudo sobre suas rotinas. Ele

precisaria ter começado meses atrás, antes mesmo de saber que

estava em risco. Poderia ter sido isso o que Leo viu? Um homem

perseguindo meninas? Talvez Leo tenha sido seu vizinho ou

colega de trabalho, talvez ele tenha visto um homem se

comportando de maneira estranha. Ele mencionou algo parecido

com “antes que seja tarde demais para ela”. Poderia ela ser

Amanda? Haveria evidência disso no pen drive que ele ia me

dar?

Apagar a última frase na edição.

Não pode ser coincidência uma vítima de assassinato que diz

saber quem é o seguida do sequestro de uma garota que

corresponde exatamente ao perfil de suas vítimas de preferência.

Ninguém vai acreditar em mim. Ou talvez todos me culpem.

Apagar a última frase na edição.

Não vou poder usar nada disso.