Histórias de vida e formação de professores

Inês Ferreira de Souza Bragança · Capítulo 1 de 63

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Histórias de vida e formação de professores

Prefácio

 

Ser professor é uma circunstância vital que une milhões de seres

humanos em todo o planeta. Mais do que uma questão profissional, a condição de professor remete-nos para uma dimensão que contém valores, atitudes, comportamentos e decisões em que todos os professores encontram um eco unificador, apesar das peculiares manifestações próprias da personalidade e da coordenada geográfica, social, cultural e histórica de cada indivíduo.

A presente obra, que a doutora Inês Bragança nos apresenta,

traz-nos um pequeno conjunto de fragmentos desse universo existencial, concomitantemente singular e comum. Ser-se professor é uma circunstância que se constrói através de uma infinita variedade de percursos vitais, em que encontramos diferentes perplexidades: a vocação ou a sua, aparente, inexistência; a formação inicial e contínua e suas diferentes intensidades e modalidades; os episódios vitais edificantes de uma identidade profissional ou iniciadores de uma procura vocacional; o despertar de um ideal e o respectivo reforço; o quotidiano do exercício profissional e respectivas vitórias e derrotas; os dilemas e as suas resoluções.

É esta “trama” existencial que a autora procurou em professores

de Portugal e do Brasil e que aqui nos apresenta, de uma forma plena de detalhes e pormenores próprios de quem escutou com atenção e muita sensibilidade as “narrativas” de quem vive e respira a condição de professor.

Percorrer, com a necessária e imprescindível calma, as palavras

que descrevem o trabalho de Inês Bragança, saboreando, com tranquilidade, as histórias de vida que aqui estão disponíveis, permitirá a cada leitor conhecer percursos vitais de extraordinária riqueza humana e de enorme potencial de aprendizagem.

Mas, mais importante que essa viagem pelas vidas dos outros,

será, naturalmente, a viagem que cada um de nós voltará a realizar pela sua própria vida. E, se é certo que, nesta viagem, revisitaremos alguns dos argumentos que levaram muitos de nós a sermos professores/as, poderá acontecer que possamos encontrar muitos outros argumentos que nos sedimentam e consolidam essa mesma vontade de continuarmos a querer ser o que somos: professores/as.

José Bravo Nico

Évora, Portugal