Histórias de vida e formação de professores

Inês Ferreira de Souza Bragança · Capítulo 17 de 63

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Histórias de vida e formação de professores

Contribuições das histórias de vida em contextos de formação de professores

Vemos, assim, o aporte (auto)biográfico mobilizando diferentes investigações e práticas sobre

os/as professores/as, especialmente no campo da formação docente. É preciso reafirmar que os trabalhos lidos constituem apenas um fragmento muito reduzido de um amplo universo de produções. Foram os estudos possíveis nesse momento e, se não nos podem oferecer um quadro, trazem indícios e pistas das cores e matizes que se destacam nos estudos dessa área. Contribuem ainda para futuras leituras e estudos da literatura; porém, principalmente, no contexto deste livro, ajudam-nos a visualizar o campo em que procuramos trabalhar.

 

Contribuições das histórias de vida em contextos de

formação de professores

 

As histórias de vida se inserem, como vimos, num contexto epistemológico referido à busca

de uma análise complexa dos fenômenos sociais e humanos, uma análise que incorpora a subjetividade individual e coletiva. O trabalho com essa abordagem, no campo da investigação e da prática de formação de professores, focaliza a narrativa do sujeito, possibilitando aflorar a voz dos/as professores/as, sua linguagem e suas práticas socialmente construídas na docência. O/A professor/a deixa de ser objeto para ser sujeito da pesquisa e coloca-se como autor que ressignifica sua trajetória ao longo do processo de investigação.

Olhando a literatura, encontramos a enunciação de um conjunto de potencialidades do ponto

de vista epistemológico e pedagógico, nomeadamente centradas na formação de adultos e de professores. Situaremos, de forma inicial, as contribuições referidas de forma geral e, a seguir, as referências específicas na investigação e na prática da formação de professores.

 

Contribuições no campo educativo e na formação de adultos

 

Do ponto de vista epistemológico, as histórias de vida colocam-se, como já nos ensinou

Ferrarotti (1990), como possibilidade de mudança e ruptura em relação à ciência clássica, movimento que lança outro olhar à vida e à sua dinâmica e, consequentemente, institui outra forma de entender e trabalhar com as ciências humanas. E é assim que esse aporte nos confronta com novas perspectivas metodológicas e teóricas. Nessa dimensão, sintetizamos, no esquema a seguir, as principais ênfases da literatura estudada.