Histórias de vida e formação de professores

Inês Ferreira de Souza Bragança · Capítulo 30 de 63

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Histórias de vida e formação de professores

Abordagem metodológica

O tempo vai passando e o ritmo parece-me a cada dia mais cronológico e

menos kairótico. Por natureza, gosto dos cronogramas, da organização

minuciosa do tempo e do espaço, metas, objetivos a cumprir, prazos –

fazem parte de uma organização pessoal que toma espaço em diferentes

dimensões da minha vida, passando pela rotina diária dos cuidados com

Caio aos afazeres domésticos, marcando os movimentos da vida e da

pesquisa. Por outro lado, estou sempre desejando apreender e deixar-me

tocar pelo ritmo kairótico, o tempo da oportunidade, o tempo propício da

ação é o tempo que conjuga possibilidade e desejo, é um tempo que

consegue se impor rompendo toda expectativa de um cronograma

organizado. É nesse tempo kairótico que muitas experiências instituintes

se fundam, o tempo de uma construção não previsível e imponderável (1º

nov. 2005).

Preciso desenvolver o trabalho de campo em Portugal e tenho nove

meses, talvez seja o tempo mesmo necessário de uma gestação,

necessário para trazer à luz, na perspectiva da maiêutica socrática, um

conjunto de indícios fundados em uma relação mais direta com a docência

e a formação de professores do 1º ciclo do ensino básico. Diante dessas

reflexões, busco articular as potencialidades da dimensão cronológica e

kairótica da pesquisa. Preciso aprender e incorporar o imprevisível,

desenvolver uma ‘escuta sensível’ ao movimento inerente de cada etapa,

entendendo que a construção do caminho confunde-se com o próprio

caminhar, com a própria pesquisa. Por outro lado, é preciso abrir o leque

de possibilidades que, garantindo os objetivos da pesquisa, possa

desdobrar-se de diferentes formas. As reflexões que me tomam indicam

provisoriamente alguns caminhos… (1º nov. 2005).

 

Ao falar assim dos “caminhos trilhados”, encontramo-nos com um

movimento que não estava previamente dado, mas foi sendo construído ao caminhar. E, assim, fomos buscando, ao longo da pesquisa, sensibilidade para com o processo que foi se desdobrando, com o desenvolvimento concreto da pesquisa e do caminhar; eram várias as possibilidades que foram sendo materializadas, efetivamente, ao longo da pesquisa. No próximo item, passaremos à narrativa das trilhas construídas ao longo do processo.

 

Abordagem metodológica Os contornos