Histórias de vida e formação de professores
História de vida e formação de professores6
Tanto os recursos da biografia educativa, com os pesquisadores de Genebra, quanto o
conceito de autoformação, trabalhado em Quebec, contribuíram para o desenvolvimento da abordagem (auto)biográfica que se foi manifestando em uma multiplicidade teórico-metodológica de trabalhos no âmbito educativo. Josso (2002a, pp. 11, 13) sinaliza especialmente a ênfase na formação de adultos, nos currículos para a formação de professores, no impacto sobre a formação contínua e em projetos diferenciados ligados à formação profissional. Pineau (Pineau e Michèle, 1983, p. 182) também analisa as diferentes utilizações das histórias de vida em educação de adultos, destacando a conscientização popular na América Latina, o trabalho com as histórias dos analfabetos em Quebec, a formação profissional contínua e a formação de formadores.
O conjunto da produção que se desenvolveu manifestou grande influência sobre a
investigação, destacando-se as possibilidades de articulação entre esta abordagem teórico-metodológica e o campo da formação de adultos de uma forma geral. Neste trabalho, focalizamos, nomeadamente, as relações estabelecidas com a formação de professores/as pela fertilização de uma diversidade de pesquisas e práticas.
História de vida e formação de professores 6
No contexto da formação de professores, a abordagem das histórias de vida se coloca
também no movimento de mudança paradigmática; um novo olhar sobre o/a professor/a e sua prática vai sendo tecido, indicando mudanças no campo da formação, da investigação e das práticas. Buscamos, aqui, um olhar para a literatura e a tessitura de um diálogo que possibilite situar os marcos fundacionais da articulação entre histórias de vida e formação de professores, bem como referências sobre o aporte teórico-metodológico que vem sendo utilizado.
Um olhar dirigido à polifonia dos aportes teóricos
A leitura de diversos textos, livros e trabalhos nos leva ao encontro de uma polifonia de
aportes teóricos quanto aos campos disciplinares de referência, às linhas filosófico-pedagógicas e aos autores citados. É exatamente essa polifonia que constitui a marca teórico-metodológica das pesquisas e práticas que articulam história de vida e formação, tanto na abordagem geral da formação de adultos como especificamente na formação docente. Encontramos, nessa produção, a presença do diálogo interdisciplinar e uma abertura à literatura e à arte.
Os campos disciplinares mais citados como referências de filiação dos trabalhos
desenvolvidos são a sociologia, a história, a antropologia, a psicologia e a filosofia, ou seja, as ciências humanas; entretanto, em vários trabalhos, especialmente dos países francófonos, encontramos indicações de autores e conceitos ligados à biologia. Algumas pesquisas tomam um campo como referência, e o desenvolvimento da investigação direciona o olhar para
contribuições vindas de outras áreas7 e para trabalhos que, a princípio, buscam fundamentação
em vários campos das ciências humanas. 8 Autores como Catani et al. (1997), Pérez (2003b), Baudouin e Turkal (2000) e Dominicé et al. (2000b) reforçam a interdisciplinaridade como o caminho de trabalho com as histórias de vida, pois é no cruzamento de diferentes aportes que a metodologia e as possibilidades de análise e interpretação se colocam de forma mais rica. A natureza epistemológica das abordagens (auto)biográficas indica uma ruptura com as clássicas perspectivas disciplinares.