Histórias de vida e formação de professores
Trajetórias de vida e formação das professoras: biografias educativas
Observamos que a partilha das histórias de vida nos aproxima
das pessoas, nos faz criar vínculos que também ultrapassam a dimensão da pesquisa, envolve emoção e afetividade. Como disse Josso (1988b), o pesquisador precisa ser um “amante”; é preciso amar as histórias de vida, mas essencialmente as pessoas, aprender a partilhar o riso e, muitas vezes, o choro, as dimensões presentes na experiência da entrevista biográfica.
Trajetórias de vida e formação das
professoras: biografias educativas
Desde o iniciar do trabalho com as professoras, nutri forte expectativa de
que pudesse encontrar nele, ou seja, nas próprias narrativas, o sentido da
investigação; tinha os objetivos, eixos e questões, contudo, queria estar
atenta ao movimento interno da própria pesquisa, às pistas que vêm do
desenvolvimento do trabalho, que vêm da voz das professoras. E uma das
pistas que vai-se tornando forte é a possibilidade de aprender com a
história de vida delas. Ter acesso às suas biografias educativas, às suas
histórias, aos caminhos percorridos tem-me ensinado e tem-me feito
refletir sobre minha própria trajetória (19 abr. 2006).
As biografias educativas das professoras são um convite à
aprendizagem; aprendemos de maneira especialmente significativa quando ouvimos suas vozes falando da vida em cidades, aldeias e vilas em Portugal e no Brasil, das genealogias e histórias de família que atravessam um tempo saturado pelos contextos sociais, históricos e políticos em que estão inseridos, como o “25 de Abril” e a “ditadura militar”, das memórias da escola primária e do desenrolar da escolarização, dos encontros e desencontros com a docência e a materialidade de seu trabalho, das pessoas, dos outros, muitos outros com quem, ao longo da vida, ensinam e aprendem. Em cada uma dessas histórias, uma possibilidade de narração e também de leitura se coloca, em um movimento sempre aberto que, agora, envolve também o leitor no compromisso de reflexão não só sobre a tessitura da intriga que se coloca nas tramas dessas duas professoras, mas também, e especialmente, na possibilidade de, ouvindo e refazendo essas histórias, refletir e refazer também, dialogicamente, lampejos de sua própria trajetória de vida e formação.