Histórias de vida e formação de professores

Inês Ferreira de Souza Bragança · Capítulo 42 de 63

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Histórias de vida e formação de professores

Trajetórias de vida e formação das professoras: biografias educativas

Observamos que a partilha das histórias de vida nos aproxima

das pessoas, nos faz criar vínculos que também ultrapassam a dimensão da pesquisa, envolve emoção e afetividade. Como disse Josso (1988b), o pesquisador precisa ser um “amante”; é preciso amar as histórias de vida, mas essencialmente as pessoas, aprender a partilhar o riso e, muitas vezes, o choro, as dimensões presentes na experiência da entrevista biográfica.

 

Trajetórias de vida e formação das

 

professoras: biografias educativas

 

Desde o iniciar do trabalho com as professoras, nutri forte expectativa de

que pudesse encontrar nele, ou seja, nas próprias narrativas, o sentido da

investigação; tinha os objetivos, eixos e questões, contudo, queria estar

atenta ao movimento interno da própria pesquisa, às pistas que vêm do

desenvolvimento do trabalho, que vêm da voz das professoras. E uma das

pistas que vai-se tornando forte é a possibilidade de aprender com a

história de vida delas. Ter acesso às suas biografias educativas, às suas

histórias, aos caminhos percorridos tem-me ensinado e tem-me feito

refletir sobre minha própria trajetória (19 abr. 2006).

 

As biografias educativas das professoras são um convite à

aprendizagem; aprendemos de maneira especialmente significativa quando ouvimos suas vozes falando da vida em cidades, aldeias e vilas em Portugal e no Brasil, das genealogias e histórias de família que atravessam um tempo saturado pelos contextos sociais, históricos e políticos em que estão inseridos, como o “25 de Abril” e a “ditadura militar”, das memórias da escola primária e do desenrolar da escolarização, dos encontros e desencontros com a docência e a materialidade de seu trabalho, das pessoas, dos outros, muitos outros com quem, ao longo da vida, ensinam e aprendem. Em cada uma dessas histórias, uma possibilidade de narração e também de leitura se coloca, em um movimento sempre aberto que, agora, envolve também o leitor no compromisso de reflexão não só sobre a tessitura da intriga que se coloca nas tramas dessas duas professoras, mas também, e especialmente, na possibilidade de, ouvindo e refazendo essas histórias, refletir e refazer também, dialogicamente, lampejos de sua própria trajetória de vida e formação.