O Empreendedor Viável

André Telles, Carlos Matos · Capítulo 9 de 60

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O Empreendedor Viável

São as perguntas que movem o mundo, não as respostas

mais técnico, com uma visão de processos e um diversificado repertório de mercados

em sua carreira como gestor e empreendedor, é essencial”, explica Tallis. Ele ressalta a

importância que esse tipo de mentor teve para tornar possível levar a empresa a dez

países ao longo de seus primeiros dois anos de vida. Para Tallis, compreender as

minúcias culturais, burocráticas e de mercado em todos esses países seria praticamente

impossível sem a presença desse tipo de mentor.

 

É preciso “se apaixonar”

Pode parecer um pouco piegas, mas Tallis defende que um empreendedor precisa “se

apaixonar” por seus mentores. “Uso essa analogia porque o encontro de um mentor se

assemelha muito à compatibilidade de duas pessoas, que costumamos chamar de amor.

Um mentor precisa complementar você, ter o conhecimento necessário para guiar você

e sua equipe ao próximo passo e, acima de tudo, é preciso haver uma sinergia com o

time”, diz ele.

 

São as perguntas que movem o mundo, não as respostas

 

Vamos discutir um pouco as razões que fazem com que uma boa “mentoria” auxilie e promova a formação de empreendedores viáveis.

“Um bom mentor não é aquele que lhe diz exatamente o que fazer”,

afirmou David Cohen, em artigo para o site Entrepreneur6. Cohen é fundador e CEO da TechStars, um dos programas de aceleração mais respeitados do mundo. Cohen já aconselhou e investiu em mais de 150 startups.

Para ele, os melhores mentores são aqueles que fazem as perguntas mais difíceis, colocando fundadores e empreendedores em situações onde tenham de se superar. “Aqueles mentores que dizem ao empreendedor o que fazer e se aborrecem quando suas determinações não são seguidas acabam causando mais danos que benefícios”, explica ele em seu artigo. Concordamos com o estilo Cohen de “mentoria”, lembrando que no meio da cultura startup encontramos diversos empreendedores da geração Y, com dificuldade para

aceitar feedbacks negativos e críticas mais diretas e incisivas.

Do ponto de vista do empreendedor, ainda pairam dúvidas a respeito do verdadeiro papel do mentor. Muitos tendem a compreender um mentor como um consultor grátis e de livre uso. Na verdade, não se trata disso. Guy

Kawasaki destaca o mentor7 como “alguém querendo lhe orientar de tempos em tempos, mas nunca de fato realizar qualquer trabalho”.

É bem verdade que a culpa não é apenas dos empreendedores. As organizações, de modo geral, tomam hoje a “mentoria” como a mera prática do aconselhamento. Scott Gerber, fundador do Young Entrepreneur Council, possui uma interessante visão sobre essa má interpretação:

 

Quando se trata de desempenhar o papel de mentor para a próxima geração de proprietários de negócios e fundadores de startups, líderes de organizações empreendedoras têm caído em uma enorme armadilha. Simplificamos um complexo termo – “mentoria” – em um genérico

sinônimo de oferecer aconselhamento à revelia.8

 

Gerber afirma que, se realmente queremos formar empreendedores e fornecer bases para o avanço de um forte empreendedorismo local e regional, devemos derrubar tal concepção, gerando mudanças em cinco frentes:

> CONECTANDO AQUELES QUE SABEM ÀQUELES QUE FAZEM.

Gerber lembra que, muito embora empreendedores sejam amplamente encorajados a buscar mentores, tal procura em geral se restringe a nomes do próprio segmento de startups e tecnologia, e de fato pouco se busca junto a cientistas, pesquisadores, profissionais de engenharia e desenvolvimento e até mesmo de áreas não imediatamente relacionadas, como a filosofia;

> PENSANDO GLOBALMENTE, MAS DESENVOLVENDO MENTORES

REGIONAIS. O alto custo de vida e fatores macroeconômicos, diz Gerber, levaram muitos empreendedores a focar em seu mercado local. Ainda assim, o poder das universidades e centros locais pode conectar mentores de fora à comunidade local, e também esforços e parcerias públicas e privadas podem trazer ao cluster regional uma visão mais abrangente e globalizada;

> RECONHECENDO O VALOR DAS RELAÇÕES PEER-TO-PEER. Um

excelente mentor não tem necessariamente de ser mais velho, ou mesmo único. Em vez disso, devemos valorizar as relações P2P, descentralizando o papel do servidor e beneficiando a troca de conhecimento de forma mais dinâmica e abrangente;

> PERSONALIZANDO PARES, MEDINDO RESULTADOS E

ELEVANDO O ACESSO. Gerber lembra que as ferramentas de catalisação de relacionamentos e contatos podem e devem ser usadas para aproximar empreendedores de mentores que se adaptem às suas necessidades e perfis. Do mesmo modo, essa “camada” social da “mentoria” pode gerar análises mais precisas de resultados e facilitar o acesso a novos mentores por parte de startups;

> COMEÇANDO DESDE CEDO. Para Gerber, a geração Y viu a receita de

sucesso de seus pais cair por terra com a sucessão de crises econômicas e sistêmicas. Ele cita dados que mostram que mais da metade dos recém-formados nos EUA que buscam o mercado de trabalho acabam em empregos nos quais