O Empreendedor Viável

André Telles, Carlos Matos · Capítulo 12 de 60

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O Empreendedor Viável

O caso Pay by Touch

Qualquer que seja sua estratégia para buscar mentores, ao consegui-los, um aspecto é primordial: a independência. Não são poucas as startups que fracassaram e que teriam sido salvas com uma segunda opinião. Além disso, uma visão de fora ou ao menos desconectada do modelo inicial de negócios pode criar uma cultura corporativa mais forte, uma vez que demonstra a abertura dessa nova empresa para ideias e propostas de mudança, reforçando sua imagem de flexibilidade.

Todo empreendedor é por natureza um entusiasta e, como todo entusiasta, dificilmente enxerga as falhas e problemas que surgem em seus planos iniciais e só os percebe quando é tarde demais. A seguir, detalharemos alguns casos nos quais uma visão externa crítica poderia ter rendido milhões ou ao menos ter evitado a perda de similar montante. Lembre-se de que para atingir a curva do MVE, aceitar e buscar vários feedbacks é fundamental para o seu negócio.

Separamos os cases de duas empresas americanas não tão conhecidas ou lembradas, inclusive em razão de haverem falhado. Em nossa opinião, as startups Pay by Touch e Joost falharam principalmente em razão da falta de uma “mentoria” adequada:

 

O caso Pay by Touch10

 

Fundada em 2005 pelo carismático John Rogers, a empresa ingressou no

mercado com uma proposta que causou enorme frisson: possibilitar ao consumidor um sistema de pagamentos baseado em biometria, começando por impressões digitais.

Até o final do primeiro trimestre de 2006, a empresa já havia levantado recursos da ordem de US$ 200 milhões e já se falava em um IPO próximo. Dois anos depois, a empresa faliu, com dívidas superiores a US$ 300 milhões e sem conseguir lidar com uma folha de pagamento de 750 funcionários, passando de menina dos olhos da indústria de soluções de pagamento ao Judas da vez.

O conceito do negócio era inspirador: substituir cartões por impressões digitais, mas a falta de uma segunda opinião de caráter crítico – um mentor questionador – deixou passar alguns fatores negativos, que mais tarde levariam à quebra da empresa: