O Empreendedor Viável

André Telles, Carlos Matos · Capítulo 54 de 60

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O Empreendedor Viável

A boa e velha cadeia de desenvolvimento

Temos visto índices de inovação que trazem métricas importantes para a evolução de cidades mais inteligentes, integradas e inovadoras. Uma cidade com os estudos e pesquisas proporcionados por índices pode aprimorar seus planos de governo. Os índices servem como uma bússola e guia para líderes governamentais, academia e setor privado aprimorarem suas estratégias até chegarem aos seus objetivos primários.

 

A boa e velha cadeia de desenvolvimento

 

A criação de cadeias produtivas locais, também conhecidas como Arranjos Produtivos Locais (APLs), não é uma novidade, e os conceitos de clusters tecnológicos e smartcities se assemelham muito a elas em termos de desenvolvimento. Cadeias produtivas diversas foram criadas, ao longo do século passado, no entorno de regiões nas quais os recursos naturais e matérias-primas dessas indústrias podiam ser encontrados em abundância.

Nos Estados Unidos, Pittsburgh se tornou famosa como um centro da indústria carbonífera e siderúrgica, em razão da abundância de minas de carvão na região, além da proximidade de minas de ferro e facilidade logística, com acesso aos Grandes Lagos. No Brasil, a riqueza de recursos como a bauxita e o ferro levou desenvolvimento ao estado do Pará e ao crescimento de enormes empresas, como a Vale. Grandes metrópoles mundiais também foram erguidas ao lado de importantes e estratégicas regiões portuárias, como Antuérpia, Liverpool, Saint Louis e outras.

Do mesmo modo, clusters tecnológicos e empreendedores florescem em regiões onde sua principal matéria-prima se mostra abundante: empreendedores viáveis. Assim como o Vale do Silício, que, mais do que em torno da produção de microprocessadores, iniciou sua história ao redor de universidades de cunho tecnológico e técnico, como Stanford, outras “usinas de startups” começam a ganhar notoriedade mundial, lançando mão dos recursos humanos provenientes de universidades e centros tecnológicos dotados de pesadas fontes de investimento e também da vontade de suas comunidades de resolver os problemas da sociedade moderna e do cotidiano da vida na cidade.

Como arranjo produtivo, qualquer novo cluster irá basear suas diretrizes nos polos de formação de profissionais que possui – a proliferação e profusão de conhecimento deve garantir o acesso de membros novos, locais ou externos à comunidade, já que o objetivo é sempre o mesmo: criar novas oportunidades e soluções para os problemas enfrentados pela comunidade e, posteriormente, levá-los ao restante do mundo.

Contudo, a velha filosofia das cadeias produtivas deve ser de certo modo repensada, para evitar um excessivo grau de especialização e foco em alguns poucos objetivos. A principal característica dos bem-sucedidos clusters e polos mundiais de startups está longe de ser apenas a tecnologia, a internet, ou o “on-line”. Em relação ao modelo tradicional de APLs, os clusters tecnológicos crescem em razão da diversidade, não da especialização. Companhias nascentes estão em busca de um mercado novo (por vezes inexistente) e de mão de obra e conhecimento que muitas vezes não podem ser pautados por titulações e formalismos. É difícil conceder diplomas à inovação – mas é sempre possível identificá-la e reconhecer seu espírito.

 

PONTO DE VISTA:

 

ANDRÉ BRAGA

Sócio-fundador da Eventick

Um dos fundadores da startup recifense Eventick, Braga é quem encabeça as funções

de marketing da empresa, que passou por processo de aceleração em Sunnyvale,

Califórnia, nos Estados Unidos. Entre idas e vindas nos meses de programa, André

conta que a vivência no cenário do maior polo de geração de startups do mundo foi

fundamental para modificar por completo o modo com que a Eventick é administrada e

talvez tenha garantido a sobrevivência da empresa durante os anos seguintes ao

programa.

 

Acesso às empresas

“Aqui é muito difícil, lá você tem acesso a diretores e vice-presidentes de marketing

e comunicação”, começa Braga, sobre a postura aberta de grandes companhias em

receber empreendedores de startups e companhias em desenvolvimento no Vale do

Silício e região. “É visível que estamos muito atrás (no Brasil).”

A troca de informações e de feedbacks é constante nos Estados Unidos, como pôde

constatar o empresário em sua breve estada na região. André fala a respeito de uma

cultura impregnada, na qual o relacionamento entre elos distintos da cadeia é diário e