O Empreendedor Viável

André Telles, Carlos Matos · Capítulo 13 de 60

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O Empreendedor Viável

O caso Joost

> O PÚBLICO AMERICANO NÃO ESTAVA PREPARADO PARA A

BIOMETRIA, E O USO DE IMPRESSÕES DIGITAIS CARREGAVA UMA CONOTAÇÃO NEGATIVA;

> A EMPRESA TENTOU CRESCER E ESCALAR OS NEGÓCIOS

MUITO RAPIDAMENTE, FAZENDO AQUISIÇÕES DESAJUIZADAS E MINANDO SUAS CHANCES DE SUCESSO;

> UMA FRACA CULTURA CORPORATIVA, COM PROLIFERAÇÃO DE

RUMORES E UMA IMAGEM PESSOAL NEGATIVA DO PRÓPRIO FUNDADOR ACELERARAM A DERROCADA DA PAY BY TOUCH.

Em outras palavras, o produto trazia avanços tecnológicos visíveis e possuía potencial de escala, porém o excesso de confiança na adoção por parte do público e comerciantes levou a Pay by Touch a argumentos fracos e pouco comprováveis.

Para comerciantes, a solução era apresentada como um redutor do volume de fraudes. Não que fraudes não sejam um motivo de preocupação, mas, no caso de comerciantes, elas estão muito abaixo da redução de custos ou aumento na circulação e receita na lista de prioridades.

Do ponto de vista do consumidor, não ficou claro até que ponto o uso da impressão digital de fato agilizava o pagamento, e clientes potenciais não apreciaram muito a ideia de ter de gravar suas impressões digitais junto a uma empresa que surgira no dia anterior. Além disso, a perspectiva de lojas que pudessem aceitar a novidade era muito baixa. Vendida também como solução conveniente, acabou por esbarrar no próprio produto que visava substituir – o cartão de crédito – por si só uma solução de pagamento já bastante conveniente.

A falência da empresa ainda foi alimentada por denúncias e rumores de assédio sexual e uso de drogas por parte de seu fundador, o que apenas contribuiu para borrar a imagem já bastante deteriorada da Pay by Touch.

 

O caso Joost11

 

Algumas startups que falharam possuíam absolutamente tudo para seguir em frente, e bem, porém, em razão de equívocos típicos da falta de aconselhamento, acabaram não vingando. Esse é o caso do Joost, que apareceu no mercado com uma plataforma de transmissão de TV on-line, de forma eficiente e respeitando direitos autorais.

Pesados nomes da indústria como fundadores – os responsáveis pelo empreendimento estavam também envolvidos em projetos como o do Kazaa e o Skype – não foram suficientes para fazer o projeto decolar. Os aportes de US$ 45 milhões levantados pelo Joost também não ajudaram a startup a seguir em frente. De igual forma, o sistema era tecnologicamente impecável, e o pré-lançamento do aplicativo gerou milhares e milhares de downloads entre usuários.

Com tudo isso, qualquer um perguntaria como essa startup está atualmente. Não está – acessando a página do Joost, é possível ver uma mensagem que informa sobre a descontinuidade do aplicativo por tempo indeterminado, o que leva à pergunta definitiva: o que deu errado?

Na verdade, mentores mais conservadores provavelmente teriam salvado a pele do Joost, que pecou em alguns pontos:

> A HORA CERTA DE DAR ESCALA: o Joost contratou muita gente e rápido

demais, nunca se comportando como uma startup, mas sim como uma grande empresa em franco crescimento. Além disso, foram fundados escritórios demais em um curto período de tempo (em Nova Iorque, Londres e também na Holanda);

> FOCO: o Joost era um programa ambicioso que, no entanto, não possuía um

foco específico, nem em termos de público nem em termos do conteúdo que pretendia transmitir;

> FASE BETA: o renome dos fundadores atraiu mais de 250 mil usuários nas

etapas de pré-lançamento. Quando problemas técnicos surgiram, a lentidão em sua resolução e o grande número de usuários fizeram com que a popularidade se transformasse em um aspecto negativo;

> TIMING: a empresa tardou a perceber que seu serviço iria perder espaço

para soluções de vídeo on-line e browser-based. Exemplo disso é o Hulu, que surgiu como uma plataforma on-line simples e fácil de usar e hoje representa quase 10% do volume de tráfego de vídeos na internet;

> CONTRATOS: o Joost identificou corretamente a necessidade de formalizar

contratos e parcerias com os grandes produtores de conteúdo televisivo, mas falhou em termos de priorizar e agir agressivamente para levar tais contratos a termo.

Surgido em 2007, em versão beta, o Joost perdeu compasso e hoje está fora do ar. No começo de 2011, quando ainda operava e tentava solucionar problemas, o site recebia um pouco mais de 500 mil visitantes únicos por mês enquanto o principal concorrente, o Hulu, já batia na casa de 12 ou 13 milhões.