O Empreendedor Viável
O caso Oi Brasil e a desburocratização do sistema
As teorias mais modernas na área de empreendedorismo e inovação sugerem a criação de mercados nos quais as startups não sejam ameaçadas por concorrentes, como a teoria do oceano azul. Ainda assim, para encontrar esse nicho, é necessário saber até onde outros participantes de mercado podem ir, para que você possa estabelecer os limites de seu raio de atuação e saber até onde pode caminhar sem obstáculos e a partir de quando terá de encarar seus rivais. Ainda que em um “oceano azul”, dificilmente você deixará de encontrar alguém capaz de rapidamente fazer um produto ou serviço similar ao seu para enfrentá-lo. Desta forma, independente do oceano, estar preparado para a concorrência e simular essas ameaças se faz extremamente importante em um plano de negócios.
O caso Oi Brasil e a desburocratização do sistema
A operadora Oi surgiu no Brasil como uma grande novidade. A empresa acabou unindo todas as operações da Telemar e da Brasil Telecom, operando na área de telefonia desde 2002 no mercado brasileiro, embora seu grande salto tenha ocorrido a partir de 2007, quando começou a expandir negócios para praticamente todo o território brasileiro.
Quando a operadora reformulou sua imagem e sua abordagem, “legalizando” o mercado de desbloqueio de celulares, que até então existia como um mercado paralelo, expandiu rapidamente suas vendas, principalmente de chips. A concepção clara de que seu negócio estava na entrega do serviço, e não na venda de aparelhos e equipamentos, levou a operadora a eximir clientes de multas contratuais e também a facilitar a aquisição de suas linhas, fosse com ou sem aparelhos.
A operadora cresceu depressa e certamente influenciou órgãos reguladores a, anos depois, estabelecer regras para a portabilidade e troca de operadoras. Ainda assim, na época da adoção de novos paradigmas por parte da Oi, o mercado ainda trazia complicações para troca e abandono de uma operadora para o usuário. A substituição ou migração para o concorrente em geral incorria em pesadas multas contratuais, além da perda do número de telefone e necessidade de compra de um novo aparelho.