O Empreendedor Viável

André Telles, Carlos Matos · Capítulo 29 de 60

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O Empreendedor Viável

Modismos e tendências: significados diferentes

> CONTRATAR ALGUÉM apenas com base em relacionamento pessoal

anterior à constituição da empresa ou negócio;

> ADMITIR COLABORADORES em razão de suas necessidades pessoais ou

profissionais, vulgo “dar uma força”, sem saber ao certo como e onde exatamente essa pessoa irá contribuir;

> AMPLIAR O QUADRO DE SÓCIOS apenas como uma forma torpe de

“contratar” profissionais que você não poderia bancar de outro modo;

> ADMITIR COLABORADORES que possam “ajudar aqui e ali”. Uma

função definida e bem descrita, com tarefas e responsabilidades de cada um é essencial nos estágios iniciais de uma startup;

> CONTRATAR EXCESSIVA MÃO DE OBRA apenas para aliviar os

fundadores de tarefas que consomem tempo. Essa prática pode levar à admissão de vários funcionários com perfis e características similares, gerando excesso de recursos humanos para algumas tarefas e déficit para muitas outras;

> INICIAR CONTRATAÇÕES sem conhecer exatamente o escopo de cada

uma das funções e cargos envolvidos.

As consequências de um quadro de funcionários e colaboradores inflado vão muito além da “conta que não fecha”. Muitas empresas nascentes, vencedoras de rodadas de pitches e já financiadas por investidores e fundos em rodadas preliminares, quando carregando pesadas folhas de pagamento, acabam submetidas a uma pressão por resultados que leva inevitavelmente a uma migração prematura para o estágio de ganho de escala.

Com um contingente caro, pressionadas para produzir receita e encurraladas pelo seu próprio tamanho, as startups levam à fase de escala produtos e serviços ainda não preparados e validados para um confronto definitivo com o mercado, e acabam colocando todos os seus esforços em uma cruzada por lucros que não levará a lugar algum.

O MVE possui linhas claras em sua estratégia de contratações que permitem o avanço do modelo pelos estágios da descoberta da solução para o problema, sua validação, o ganho de eficiência e somente então a formulação de uma estratégia para o ganho de escala.

 

Modismos e tendências: significados diferentes

Não é fácil distinguir modismos de tendências, especialmente em uma era pautada por mídias sociais. No segmento de startups, grandes tendências acabam se revelando modismos passageiros, e alguns pequenos modismos se convertem em tendências duradouras. O empreendedor com as características do MVE tem o feeling para saber detectar e diferenciar tendências de modismos. Detectar uma tendência e ser pioneiro em um determinado segmento pode ser um grande diferencial competitivo. Após detectada a tendência e validada sua viabilidade econômica, a agilidade no desenvolvimento da ideia se faz fundamental.

Sem dúvida, a internet é um grande fator de facilitação de acesso ao empreendedorismo na atualidade, mas isso não significa que apenas modelos de negócio pautados em novas mídias e plataformas possam prosperar. O acesso à internet cresce rápido, principalmente em sistemas móveis, porém alguns dos problemas enfrentados pelo público ainda envolvem uma enorme parcela física, o que faz com que muitas vezes a plataforma mobile seja apenas mais um canal, e não o foco de uma estratégia de negócios. Muitos empreendedores levados por modismos, não tendências, focam seus produtos ou serviços em um aplicativo mobile ou para o Facebook. Há que se ter muito cuidado com essa opção, principalmente no que diz respeito a alcance e segmentação.

Um produto ou serviço rapidamente escalável certamente utilizará mídias sociais e sistemas mobile como canais, porém pode estar na verdade resolvendo um problema que está muito além da web, no cotidiano das pessoas e em sua vida fora do ambiente da rede. O iPod de Jobs foi um grande exemplo desse tipo de produto – embora na época a Apple não pudesse ser classificada como uma companhia startup, todo o modelo de negócio por detrás do gadget esteve pautado em uma filosofia muito semelhante e também incorria em um risco muito similar ao enfrentado por qualquer companhia nascente. O produto lançava mão da experiência de outras gerações de gadgets como benchmark, tal qual o Walkman ou o Discman, porém os riscos não eram menores por essa razão.

Na ocasião, players MP3 já eram populares no mercado – uma tendência –, e o iPod surgiu quase como um modismo, mas em poucos anos substituiu todos os demais players do mercado, passando a ser a tendência, inclusive em todas as suas gerações posteriores e evoluções, entre elas o iPhone e o iPad.