O Empreendedor Viável
O Caso Spotify
Um dos grandes diferenciais da Rovio e de seus empreendedores foi a hospedagem de internet. Já que e a escala de downloads vinha crescendo em progressão geométrica, seus custos não poderiam crescer na mesma proporção. A Rovio, então, mudou a hospedagem para a nuvem da Amazon. A vantagem é que ela faz a escala totalmente automática – se aumenta o uso, uma nova instância do servidor é iniciada em segundos e está pronta para aceitar ordens dentro de apenas alguns minutos. Um erro muito comum entre empreendedores é que com o aumento da escala de clientes, os custos com colaboradores, impostos, fornecedores, entre outros, aumentem na mesma proporção. O momento de aumento de escala deve ser planejado com muita cautela, e a Rovio soube fazer essa virada na curva com maestria. Devido à notoriedade da marca, a empresa licenciou os produtos Angry Birds para diversas outras categorias de produtos, ganhando royalties sobre as vendas.
Em termos estratégicos e de planejamento, a empresa concentrou todos os seus esforços em relacionar o desenvolvimento do jogo e novos features à janela de oportunidade criada pela appstore inglesa, envolvendo pessoal de design, criação, marketing, desenvolvimento, vendas e outros departamentos.
O Caso Spotify24
A Spotify é uma das muitas startups de serviços de streaming e download de músicas e fonogramas. Sua base de usuários é uma das maiores do segmento, com concorrentes como Rdio, SoundCloud, GrooveShark e outros, mas o que realmente chama a atenção em relação ao Spotify é sua estrutura interna de trabalho e organização, além do planejamento dos trabalhos desenvolvido em times distintos dentro do grupo. A empresa trabalha com “esquadrões” dentro de sua equipe, cada um deles funcionando praticamente como uma startup independente.
Em seis anos de existência, o Spotify já conta com 15 milhões de usuários, dos quais quatro milhões realizam algum tipo de pagamento ou assinatura. A integração inteligente com o Facebook também chama a atenção.
O Spotify foi fundado em 2006 por Daniel Ek e Martin Lorentzon em Estocolmo, na Suécia. Daniel Ek antigamente era o CTO da Stardoll e Lorentzon Martin foi cofundador da TradeDoubler. Com o crescimento da empresa, a sede foi, posteriormente, transferida para Londres enquanto os escritórios na Suécia tornaram-se responsáveis pela pesquisa e desenvolvimento.
O Spotify é organizado em 30 “esquadrões” diferentes, distribuídos nas três cidades nas quais a empresa possui escritórios. Cada esquadrão funciona como uma célula independente, com missão própria e objetivos de longo prazo, dentro do escopo do produto que deve entregar para a corporação: seja o desenvolvimento de um novo cliente em Android, por exemplo, ou novos features na área de pagamentos do site.
Todos esses esquadrões utilizam a filosofia e o método de uma startup, produzindo MVPs e realizando testes e validações, como se estivessem criando um novo produto ou serviço à margem do grupo como um todo. Cada esquadrão possui um líder de produto, que zela pela entrega, embora não interfira no modo com o qual o produto ou feature é desenvolvido.
Mais acima na estrutura, o Spotify criou “tribos”, que congregam um ou mais esquadrões de áreas correlatas e mais generalistas, como design, plataforma ou streaming.
Do ponto de vista da comunicação interna interdepartamental, o Spotify ainda desenvolveu “charpters” em seu plano de negócios. Cada “charpter” é um grupo horizontal que congrega integrantes de diversos esquadrões, que se reúnem periodicamente trocando informações a respeito do desenvolvimento e evolução em suas respectivas áreas.
Em outras palavras, o Spotify possui um plano de negócios comum entre os diversos esquadrões e tribos, embora cada um desses pequenos departamentos possua um miniplano de negócios próprio, com metas de desenvolvimento, orçamento, cronogramas e mesmo políticas de RH.
O Spotify é um exemplo claro do que iremos tratar no capítulo a seguir: uma empresa onde a cultura startup foi absorvida, de modo que o grupo trabalha como se fosse uma versão reduzida do que vemos em famosos clusters e regiões de proliferação de empresas nascentes.
17 Startup Smart, 10 de julho de 2012. “GitHub raises $100 millions after years of declining funding offers”.
18 Mashable, 26 de outubro de 2011. “Startup Success: How 7 top angel investors do business”.
19 INC.com, 25 de setembro de 2012. “10-step Roadmap for Simple Hiring”.
20 BURKE, Andrew; MILLÁN, Jose María; ROMÁN, Concepción e VAN STEL, André.“Start-up Size Strategy: Risk management and performance”, agosto de 2012.
21 INC., 6 de Agosto de 2010.“How to attract talent to your startup”.
22 Fast Company, 28 de novembro de 2012. “Low Paycheck, Big Upside: creative HR strategies for attracting top players to your startup”.
23 Startup Quotes, diversas datas.
24 KNIBERG, Henrik e IVARSSON, Anders. “Scaling Agile Spotify”, outubro de 2012.