O Empreendedor Viável
Fora da caixa quer dizer sair dela!
de conhecimento entre mercado e conhecimento teórico faz a prática do surgimento de produtos e serviços inovadores aparecer com muito mais eficiência;
> APROVEITAMENTO DE MÃO DE OBRA DE NÍVEL SECUNDÁRIO E
TÉCNICO. Não apenas de idealizadores é feita uma startup – membros fundadores de nível técnico e médio podem operacionalizar muitos dos projetos que ainda se encontram em sua fase de conceito.
Fora da caixa quer dizer sair dela!
Virou moda “pensar fora da caixa”, mas o quanto as pessoas realmente estão saindo da caixa para pensar fora dela? A miopia de se buscar apenas produtos e serviços nunca antes inventados por vezes não permite enxergar melhorias simples que mudariam o comportamento de uso de diversos produtos já inventados. Basta ver o que Jobs fez com os smartphones. Generalismos e ideias preconcebidas a respeito do perfil empreendedor levam muitos potenciais projetos, fundadores e mesmo investidores ao fracasso. É claro que, estatisticamente, o MVE irá sempre emergir com maior facilidade de um grupo específico da sociedade, porém limitar seu espectro de visão pode deixar de lado propostas de valor, ao mesmo tempo em que pode trazer para a cena outras propostas que não oferecem nenhuma chance de sucesso. Com este livro, tentamos estabelecer um conjunto de atitudes e condutas que levam um empreendedor a se tornar viável aos olhos do mercado e dos investidores, e, nesse sentido, talvez o melhor dos conselhos seja o de não se levar pelas aparências.
Em 2011, uma pequena ideia concebida por alunos do segundo grau norte-americano foi levada a cabo: o Benelab. Liderados pelo estudante Jack Kim, então com 16 anos apenas, os colegas se empenharam na tarefa de criar um mecanismo de buscas on-line que pudesse gerar receita para doações a causas e órgãos não governamentais. De fato, essa startup saiu do papel e segue em
funcionamento até hoje25.
Embasados na filosofia “lean” (a startup teve investimento inicial de US$ 1.500, por parte dos próprios alunos envolvidos) e em um conceito de relevância (o mecanismo de buscas concentra todas as doações de um mês para uma causa apenas) os seguidores de Kim vêm elevando o total de recursos mês a mês. De US$ 80 em fevereiro de 2012, o site de buscas chegou a levantar mais de US$ 500 mensais para instituições não governamentais durante o segundo semestre de 2012. O Benelab já ganhou as páginas de toda a mídia especializada nos Estados Unidos e segue em frente, com a promessa de Kim de levantar “mais de US$ 100 mil” antes mesmo de se formar no ensino secundário.
PONTO DE VISTA:
MARLLON CALAES
Sócio-fundador da Experimental AD\Venture e Liga Experimental
Marllon é um dos fundadores da nova aceleradora carioca Experimental, que também
desenvolveu o espaço de coworking Liga Experimental. Com foco no
empreendedorismo e na economia criativa, a Experimental AD\Venture possui um
programa de aceleração com foco em empreendedores idealistas e dedicados a negócios
da área de artes e criatividade.
Cultura é tudo
“Sem cultura as pessoas se perdem na comunicação e na identificação de
oportunidades”, defende Calaes. O empresário acredita que a cultura startup é tudo
dentro da nova cadeia do empreendedorismo, ainda que no Brasil alguns pressupostos
do startup “way of life” possam não funcionar. “O que nós e outras aceleradoras e
instituições estamos fazendo nesse nosso ecossistema é justamente isso, adaptando os
aprendizados lá de fora para a cultura de negócios do Brasil, respeitando seus diferentes
potenciais e limitações”, explica.
Nesse sentido, a Experimental é uma das aceleradoras que optou por desenvolver
também espaços de coworking. O objetivo, segundo Marllon, é atrair e agregar novos
profissionais e talentos a uma cultura de desenvolvimento de negócios criativos.
Produtos podem fracassar ou decolar...
Marllon concorda sem reservas com o conceito-base deste livro — o Empreendedor
Mínimo Viável (MVE). “Acreditamos muito nesse conceito. No final das contas, o que
vai fazer o negócio dar certo é o empreendedor, e não o produto.”
O empresário acredita que, inclusive por conta do perfil de sua aceleradora, que visa
desenvolver e investir em empreendedores que possuam sonhos e ideais e alto nível de
motivação, o foco meramente em produtos não faria sentido.
“O empreendedor não pode perder a motivação, o sonho grande, sua capacidade de
vender e o foco na gestão”, completa Calaes.