O Empreendedor Viável

André Telles, Carlos Matos · Capítulo 50 de 60

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O Empreendedor Viável

Pequenas soluções para grandes problemas

 

As maiores startups do mundo parecem responder a um padrão. Nenhuma delas surgiu com a proposta de criar a mais criativa e inovadora solução já concebida pela humanidade. Muito pelo contrário, grandes produtos surgiram de pequenas soluções, simples, rápidas em sua implementação e eficazes em sua proposta, todas atacando de forma direta problemas percebidos por seus fundadores e, posteriormente, pela infinidade de usuários que vieram a conquistar.

Buscas na internet eram complicadas e, a depender do tipo de conteúdo que se procurava, era preciso acionar mais de um mecanismo de busca. Em meio a esse universo, o Google surgiu como uma resposta simples – posteriormente se desdobrando na infinidade de produtos e serviços que conhecemos hoje. O Facebook, por sua vez, visava encurtar a comunicação entre comunidades universitárias. Hoje reúne praticamente metade dos internautas no mundo.

Muitas outras gigantes que temos hoje surgiram com propostas simples e pequenas, as quais provaram, com o tempo, sua eficácia na resolução de enormes problemas. Assim, uma startup deve esperar que seu MVP resulte em uma pequena e simples solução a um problema que realmente aflige a população e os usuários. Do mesmo modo, o MVE deve representar, para investidores, uma pequena resposta a uma grande ambição: o lucro.

A receita é bastante simples no papel. Se o seu produto resolve um problema, seja ele grandioso ou apenas um artifício simples, ele será usado. Na ótica do investidor, se sua startup produz lucros que superam o valor que ele se propõe a investir, ela receberá um aporte.

Eric Ries, em seu livro A startup enxuta, tem dois mantras principais: o ciclo de feedbacks construir-medir-aprender e o dilema entre perseverar ou pivotar. Pivotar seria mudar de rumo de acordo com a ideia original não validada pelos usuários e encontrar uma nova solução a um problema mais relevante ao consumidor do produto ou serviço. Encontrar uma nova solução não significa ampliar o portfólio de produtos em busca de escala desmedida. Grandes problemas afligem grandes metrópoles e pequenas vilas de interior do mesmo modo – e nesse aspecto, talvez seja um erro de dimensionamento atacar o problema em escala macro antes mesmo de resolvê-lo no contexto da comunidade em que o empreendedor está inserido. Ainda em seu livro A startup enxuta, Ries ilustra muito bem a questão de resolver problemas em pequenos lotes.