O Empreendedor Viável
Formação + Personalidade
Colecionar formações, defende Wagner, não produz necessariamente bons empreendedores. “É a diferença entre ganhar dinheiro e fazer dinheiro.” Para ganhar dinheiro, segundo ele, uma boa formação, com acúmulo de títulos e experiências diversas, acaba levando a uma boa posição no mercado. “Você estuda, memoriza técnicas, envia currículos e faz entrevistas e com um pouco de persistência arruma um bom emprego”, diz.
Para “fazer dinheiro”, é necessário desconstruir tudo aquilo que se viveu e se aprendeu, desenvolvendo técnicas próprias e criando algo “fora da caixa” (ainda que o termo esteja batido).
Em diversas conversas com Wagner, em circunstâncias anteriores, pudemos sentir que ele, como outros que vivem o cotidiano do mercado de startups, vê uma carência de “propósito” em muitos dos empreendedores que se aventuram no segmento – além de uma falta de ciência do que de fato significa empreender e, principalmente, ser dono do próprio negócio. A vontade de “andar com as próprias pernas” sempre está lá, mas, por vezes, sem querer se desprender das amarras de segurança de um emprego e de uma vida profissional mais tradicional.
Boas startups não “precisam” de investidores
Convenhamos, não é à toa que o modelo de bootstrapping não é tão popular quanto outras formas de alavancagem e ganho de escala em startups. A simples ideia de comprometer todas as economias em busca de resultados apavora a maioria dos empreendedores. O termo bootstrapping remonta a um acessório criado no século XIX, e conhecido até hoje, para auxiliar pessoas a vestir botas e sapatos sem auxílio externo. No campo do empreendedorismo, a metáfora sugere uma empresa montada a partir de recursos e finanças dos próprios fundadores.
Trabalhar com recursos escassos não é agradável, porém não é essa a premissa da própria economia? Sejam suas reservas de capital da ordem de milhares ou milhões, seu projeto sempre possui um orçamento, em si uma limitação de recursos e, embora tal restrição seja relativa, ela sempre existirá como uma barreira além da qual nossa disciplina não deve nos permitir caminhar.
Se você tem uma boa ideia e agora “só precisa de investimento”, comece pensando que sua ideia pode não ser tão boa quanto parece. Se uma startup só gera resultados mediante o investimento de milhões, ela passa a ferir o seu próprio conceito. Os pesados investimentos são, em geral, de capital humano e intelectual, promovendo inovações e modelos escaláveis de investimento relativamente baixo e fácil reprodução. Em outras palavras, se o seu modelo pode produzir bilhões se milhões forem injetados, deve produzir um milhão a cada mil reais investidos.
Aí reside talvez a característica primordial do MVE, segundo os olhos do investidor: não é essencial injetar capital para que o modelo funcione, mas sim para que o mesmo seja reproduzido e multiplicado. De qualquer modo, uma startup conduzida por MVEs ampliará seu potencial de escalabilidade proporcionalmente a cada centavo investido, de forma similar à mostrada no gráfico acima.