O Empreendedor Viável
Contratações: o divisor de águas
A cultura de startups e o ambiente colaborativo e de parceria criado pelo empreendedorismo moderno trouxeram um novo desafio às empresas nascentes. É difícil resistir ao impulso de envolver amigos e conhecidos em um novo negócio que desponta e consegue fundos e investimento, mas acertar nas contratações iniciais é o grande divisor de águas na história de uma startup: seja rumo ao sucesso ou ao fracasso total.
Começando já pela equipe de fundadores, em geral colegas, amigos ou conhecidos entre si, embora não obrigatoriamente, os constituintes iniciais de uma startup tendem a possuir laços que transcendem os interesses relacionados ao negócio em si. É importante, após a validação do modelo de negócio, afastar os laços não empresariais das novas e, por vezes, necessárias contratações. É claro que alguns de seus amigos podem ser a resposta certa em termos de mão de obra, mas certamente o motivo disso não é a amizade ou relacionamento que os mesmos possuem com você.
A consultora de RH para pequenas empresas Marla Tabaka, articulista da publicação INC, sugere alguns passos para evitar riscos e manter o foco das
contratações em linha com a estratégia traçada para sua startup19.
Voltando ao quesito custos, o primeiro passo sugerido por Marla é manter as contratações em linha com as projeções financeiras vigentes em sua empresa. “Calcule os custos associados a cada nova contratação e até que ponto sua receita e lucros projetados podem suportar esse novo custo”, argumenta ela.
Marla ainda sugere que a startup mapeie exatamente quais serão as novas incumbências e responsabilidades do novo posto, preenchendo lacunas dentro da estratégia de negócios da empresa, e não apenas ampliando o número de braços envolvidos no processo.
A consultora ainda deixa duas orientações importantes: manter a hierarquia horizontalizada e considerar os tenebrosos “custos acessórios”. Muitas startups de hoje “douram a pílula” ao anunciar vagas com títulos e cargos de destaque, quando na verdade são empresas com alguns poucos funcionários. CEOs, CIOs, CTOs, diretores e outros cargos de renome e status trazem consigo custos referentes à posição, principalmente em relação à psicologia dos candidatos. A sobrevalorização desses primeiros profissionais pode comprometer o orçamento de sua empresa, ao mesmo tempo em que a contratação de diretores por salários baixos em um primeiro momento pode criar discórdia dentro do quadro de colaboradores no futuro, quando for necessário efetuar contratações com salários em linha com os padrões de mercado. Por exemplo, como suportar um quadro no qual seu diretor de marketing recebe menos que um programador?