O Empreendedor Viável

André Telles, Carlos Matos · Capítulo 17 de 60

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O Empreendedor Viável

Tendências e o seu modelo

Contudo, seja ou não seu modelo de negócio agraciado com investimentos e aportes, uma vez refinado, ele precisa ser colocado em prática, e eis que ocorre o mais perigoso e complexo passo de uma startup: transformar um bom modelo em um plano de negócios eficiente e de resultados.

A despeito da simplicidade do modelo de Osterwalder, ele próprio e seus coautores não ignoram o ambiente no qual o modelo está ou estará inserido. O criador do Canvas nega que fatores como concorrência e tendências estejam inseridos em seu modelo, porém os coloca como drivers externos, uma vez submetido o modelo de negócios ao mercado em geral.

 

Osterwalder divide os drivers do ambiente ao qual os modelos das startups estarão sujeitos em quatro grupos principais: tendências-chave, forças de mercado, forças macroeconômicas e forças da indústria ou setor.

 

Tendências e o seu modelo

 

“Acertar” no modelo de negócio não resolve a vida de sua empresa. É claro que ajuda seus fundadores a construir planos e estratégias e também a estabelecer prioridades para geração de valor e sua distribuição. Entretanto, o modelo é apenas um ponto de partida sobre um plano no qual a empresa está inserida.

Tendências são uma das forças que influenciarão sua startup em todo seu ciclo de vida. E, como o próprio nome sugere, elas mudam o tempo todo. De modo geral, empreendedores são bastante alinhados com tendências tecnológicas e conhecem bem seu público-alvo, a ponto de poder antecipar tendências culturais e de comportamento.

Porém, as tendências não param por aí. O próprio criador do Canvas ressalta a importância de tendências regulatórias para a manutenção do modelo de negócio. Leis, regras e normas mudam e são em geral pautadas por tendências internacionais, afetando o mercado e a população como um todo – startups não seriam uma exceção a elas.

Um mentor interessante nesta área de tendências é um profissional de cool hunting, que significa “caçador de tendências”, tendo em vista que o “cool” (expressão muitas vezes usada como sinal de apreciação e vanguarda) é, ou será, diferenciador e consensualmente apreciado.

Em primeiro lugar, pesam as tendências de mercado. O ambiente laboratorial e fechado cultivado por muitas equipes de fundadores dá origem, sem dúvida, a produtos bem elaborados e com foco total no modelo e cliente propostos. Mas a falta de acompanhamento das tendências mostra posteriormente, por vezes, que algumas “inovações” e características “únicas” não eram tão exclusivas assim.

> O CASO GO CORPORATION. Em 1987 essa empresa surgiu com um

produto e um conceito que, de certo modo, antecipavam os famosos Palms e mesmo os tablets atuais em duas décadas. Especialistas apontam que o principal motivo do fechamento e insucesso da empresa foi a falta de apelo junto ao consumidor – era simplesmente cedo demais para trazer ao mercado um produto como esse. Não por acaso, contudo, a empresa também enfrentou sérios embates legais com a Microsoft, por violação e patentes, e também com a Apple, pelo mesmo motivo. Na época, a Apple trabalhava no projeto da plataforma Newton, uma espécie de PDA sensível ao toque (deu no que conhecemos hoje).

O timing é essencial para ganho de escala em startups e mesmo em companhias tradicionais – a grande diferença, no caso, é que empresas de grande porte possuem ferramentas para mitigar os riscos e perdas decorrentes de um lançamento mal-sucedido. Em startups, isso significa em geral o fim de um sonho.

A partir dessa análise, é possível dizer que as tendências geralmente implicam em decisões relacionadas ao timing para modelo de negócio. Quando bem interpretadas, tais tendências levam a táticas que são aplicadas na hora certa, não apenas preservando, mas também impulsionando ainda mais o modelo inicial.