O Empreendedor Viável

André Telles, Carlos Matos · Capítulo 36 de 60

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O Empreendedor Viável

Teses e hipóteses

O passo seguinte é delimitar a visão de sua startup. De fato, o conceito de visão está bastante relacionado aos objetivos traçados pela startup – em geral empresas com modelos ambiciosos que visam a uma escala rápida e dinâmica. De qualquer modo, a visão não precisa ser uma meta tangível e previsível. Pelo contrário, deve apontar para um objetivo ambicioso que possa sempre ser perseguido pela empresa.

Em uma abordagem simples, supondo que todas as propostas, planos, metas e objetivos da empresa serão cumpridos no futuro, qual seria o perfil dessa organização ideal – ou sua “visão” do negócio?

O tópico seguinte – os valores – está, nas startups, muito relacionado à cultura de colaboração e inovação. Os valores da empresa são pressupostos inegociáveis, relacionados à sua conduta, postura perante o mercado, clientes, fornecedores e colaboradores e ética. Em startups, bons valores são essenciais como um fator de geração de motivação entre fundadores e funcionários, para o cumprimento da missão e estabelecimento do caminho certo rumo à visão da empresa.

Valores comuns em startups, por exemplo, incluem inovação, valorização de ideias, cultura de colaboração e compartilhamento, entre outros. O mais importante é alinhar tais valores com a imagem que você está vendendo do seu negócio com a real cultura e o ambiente da empresa.

 

Teses e hipóteses

 

No conceito clássico, falamos de hipóteses e teses. Em startups, nos referimos ao problema, sua solução e, posteriormente, à validação da solução proposta. Felizmente, somos incansavelmente preparados durante a graduação para a construção desses modelos, em monografias e trabalhos de conclusão de curso. Porém, na hora de propor um novo modelo de negócios, por vezes nos esquecemos do elementar.

Sem penetrar de modo profundo no modelo, o problema e a solução proposta são itens sempre cobrados por investidores e interessados no ramo de startups. Sem uma boa hipótese, ou seja, uma solução proposta para um problema detectado, uma startup nem sequer existe. Dentro do universo empresarial, uma startup em seedstage é quase um teorema, mas nunca deve ser tratada como um postulado ou axioma.

Nós, os autores deste livro, temos forte formação em comunicação e marketing, além de sermos empreendedores natos, mas, se há algo que ambos aprendemos, é o respeito aos números. O teorema é uma afirmação ou proposição que pode ser comprovada por meio do uso de outras afirmações ou mesmo “cases” já estabelecidos. No caso de startups, a solução proposta para o problema identificado deve ser plausível o suficiente para que, mesmo antes de uma validação formal ou realização de testes do modelo, possa ser teoricamente comprovada por experiências ou casos já existentes. Axiomas são verdades lógicas e consensuais que dispensam ou não possibilitam uma comprovação formal – se o seu modelo de solução lembra esse tipo de coisa, melhor repensar sua estrutura enquanto é tempo, ou você verá sua proposta cair por terra quando passar ao estágio de validação da ideia.

A meta de uma startup não é apenas convencer investidores, mas principalmente convencer clientes. De nada adianta conseguir o aval de um fundo ou investidor-anjo quando sua ideia não se comprova perante o consumidor ou usuário. Voltando ao conceito do MVE, esse profissional sabe que a palavra final a respeito da viabilidade da solução por ele proposta caberá ao usuário, e não a seus acionistas ou apoiadores.

Paul Graham, um dos fundadores da aceleradora norte-americana Y Combinator, enquadra a maioria das soluções, ou hipóteses, propostas por startups em cinco grupos:

> AUTOMATIZAÇÃO DE UM PROCESSO INTENSIVO: envolve a criação

de uma solução que automatize todo um processo, do mesmo modo que Henry Ford fez com a produção de automóveis ou da forma com que computadores substituíram cálculos matemáticos;

> SUBSTITUIÇÃO DE ALGO OBSOLETO OU DEFEITUOSO: não se trata

apenas de “consertar”, mas sim de trocar um modelo ou solução que não atende mais às necessidades do consumidor;

> TRANSFORMAR UM LUXO EM UMA COMMODITY: tal solução

basicamente resolve um problema de acesso de determinadas classes a um produto ou serviço antes tido como elitista ou de luxo;

> BARATEAMENTO E FACILITAÇÃO DE USO: transformar algo

dispendioso e complexo em algo simples e barato por meio da inclusão de tecnologia, no caso de startups. Isso vem acontecendo, por exemplo, no segmento de softwares e sistemas de CRM e ERP;

> CONDUÇÃO DE UMA SOLUÇÃO JÁ EXISTENTE A UM NOVO

PATAMAR: a solução já existe, mas uma nova hipótese a torna melhor e mais avançada.