O Empreendedor Viável

André Telles, Carlos Matos · Capítulo 25 de 60

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O Empreendedor Viável

Empreendedores viáveis

A importância do MVP para os empreendedores é alcançar melhorias constantes no

produto que será o definitivo, aprendendo a partir de falhas detectadas pelos próprios

usuários. “É fundamental a disciplina dos empreendedores”, lembra Waengertner. A

função da aceleradora, completa ele, é ensinar ao empreendedor esses conceitos e

produzir métricas claras sobre o MVP e também sobre o trabalho dos fundadores da

startup para os possíveis investidores do projeto.

 

Comprometimento

Pedro acredita que essa é a palavra-chave para a viabilidade de um empreendedor.

“Quanto mais o empreendedor investir em seu negócio, mais ele demonstra

comprometimento e dá segurança aos envolvidos.” Pedro comenta que não é raro ver

empreendedores vendendo seus próprios bens como meio de conduzir seus projetos e

mesmo abrindo mão de tempo e horas de lazer em prol dos ideais de sua nova empresa.

O aspecto emocional também é um fator relevante na busca do MVE. Para

Waengertner, o empreendedor precisa mostrar a atitude e a vontade de transformar sua

ideia em uma empresa de verdade.

 

Beleza não põe mesa

O empresário concorda que algumas startups que têm grandes nomes e líderes

carismáticos associados à sua marca atraem certos investidores, que ele prefere

classificar como “abaixo do radar”. Entretanto, Pedro não enxerga uma relação direta

entre o carisma dos líderes e o sucesso de uma startup. “Não vejo nenhuma correlação

entre líderes que aparecem ou associam sua imagem à empresa e o sucesso nos

negócios.”

“O mais importante é o CEO apresentar comportamentos de liderança e postura ética

e saber levar a empresa na direção correta. Carisma não tem relação com a qualidade do

produto ou da empresa”, conclui Waengertner.

 

Empreendedores viáveis

 

Como se tornar um empreendedor viável? Como constatar que você já é de fato um empreendedor viável? O que é por definição um empreendedor viável? Vejamos algumas análises.

Já sabemos que a maioria dos investidores demonstra interesse por modelos de negócio, e esse quesito parece estar sendo cumprido, ao menos na maioria dos casos. Entretanto, bons pitches e MVPs vêm sendo constantemente deixados de lado, às vezes em favor de modelos de negócio pouco inovadores ou mesmo já desgastados. Em vez de questionarmos a análise e a avaliação dos investidores, que tal começarmos pela parte que nos compete como empreendedores – nosso próprio perfil?

Deixemos de lado, já de início, choques de geração. Por razões óbvias, hoje encontramos uma incidência muito maior de representantes da geração Y entre fundadores de startups, mas eles não são os únicos. Muitos integrantes da geração anterior – apelidada de geração X –, e até alguns babyboomers, têm demonstrado bastante competência ao desenvolver negócios modernos e inovadores, criando startups de caráter disruptivo e alta escalabilidade. Somos absolutamente contra “geracentrismos” caricatos. O empreendedor viável pode ter qualquer idade, o importante é que detenha o conhecimento e as características descritas no MVE.

Em relação às gerações, o problema é simplesmente que o custo de oportunidade para empreender em gerações mais antigas é maior. É difícil correr o risco de ingressar em um negócio novo e arriscado para essas gerações, quando, em suas carreiras, tais empreendedores já atingiram um grau de sucesso considerável. Já para os integrantes da atual geração, o empreendedorismo se mostra apenas uma entre as muitas opções para o pontapé inicial de uma carreira.

O perfil de liderança e empreendedorismo é hoje muito benquisto por algumas empresas, em especial na hora de contratar trainees e recém-formados. É perfeitamente compreensível que se queira relacionar em seu currículo a participação em uma startup, mas, aos olhos do investidor, esse empreendedor dificilmente terá dedicação exclusiva ao negócio e decerto não trabalhará em prol da construção de um plano de negócios competente e sustentável – em outras palavras, não é um empreendedor viável. Sendo assim, a dedicação é uma das características importantes na análise do MVE. Uma startup não pode ser tratada como uma aposta na loteria; deve ser tratada, pelo contrário, como um novo negócio que carece de atenção e por vezes necessidade de “pivotar” de forma ágil.

Diversos outros fatores atentam contra a viabilidade de empreendedores. A visível falta de dedicação ao negócio, a carência de iniciativa, o domínio de apenas uma única disciplina, entre outros. Voltando ao conceito de MVE, chegamos a um consenso a respeito de sua definição:

 

MVE é o conjunto de características e perfis de um ou mais empreendedores que oferecem aos investidores ou aos próprios empreendedores a segurança mínima de que um modelo de negócio será desenvolvido, de modo a gerar um plano de negócios sustentável e que gere retorno financeiro. ANDRÉ TELLES E CARLOS MATOS