O Empreendedor Viável
A baixa diversidade e suas consequências
Em pesquisa realizada pela Startup Genome com mais de nove mil startups de todo o mundo, nota-se o índice ainda baixo da presença feminina entre fundadores, geralmente abaixo dos 10%, porém temos observado uma crescente aderência de mulheres no cenário empreendedor. Na mesma pesquisa, constatou-se que grande parte desses empreendedores possui formação em pós-graduação, MBA ou equivalente.
A idade tem sido ainda outro fator de restrição entre fundadores de startups – os dados do concurso “Sua ideia vale um milhão”, promovido pela brasileira Buscapé, mostrou que entre cerca de 900 projetos recebidos, mais de 90% foram enviados por empreendedores de faixa etária entre 20 e 35 anos, embora tenha havido presença de projetos até mesmo de empreendedores da melhor idade.
Enfim, de certo modo, o perfil do empreendedor em startups é bastante limitado e, em geral, concentra jovens empresários do sexo masculino e de classe social média para alta. A baixa diversidade afeta de modo direto o intercâmbio de conhecimento e experiências, muitas vezes o fator que leva ao sucesso de uma empresa.
Certamente, temos que ficar atentos para que a cultura “cool” startup, por vezes atraente para o perfil de público jovem de classes sociais mais elevadas, não se torne a nova “bandinha de garagem”. É por esse motivo que a análise do MVE se faz tão importante.
A baixa diversidade e suas consequências
A escassez de profissionais de idade mais avançada entre empreendedores de startups possui uma consequência negativa: pessoas com vasta experiência empresarial e profissional acabam não interagindo de modo mais frequente na cultura startup, criando lacunas e fazendo com que erros cometidos no passado tornem a ocorrer. Por vezes vimos metodologias mudarem de nome ou termos ligados ao empreendedorismo se reciclarem – termos e metodologias que seriam facilmente identificadas por um empreendedor mais experiente.
É fato que profissionais mais experientes enfrentaram um número maior e mais variado de crises econômicas, sociais e empresariais do que jovens formados nas últimas duas décadas. Embora o contato com essas pessoas possa se dar na forma de “mentoria”, a inserção desses decanos no ecossistema das startups ainda é pontual e bastante rara. Unir as pontas entre as gerações é uma missão para quem tem uma visão holística do setor tecnológico e empreendedor.
O mesmo se dá em relação à presença feminina. Conclusões mercadológicas importantes às vezes são deixadas de lado pela falta de um membro do sexo feminino na equipe inicial de uma startup. É desnecessário reiterar que startups que se propõem a solucionar problemas enfrentados por seus próprios fundadores têm mais chance de ser bem-sucedidas, e, desse modo, a ausência de uma mulher entre o círculo de empreendedores de um novo negócio muitas vezes faz com que hipóteses errôneas sejam consideradas, principalmente se o produto for voltado para o público feminino.
Diversidade significa mais experiências, e experiências levam a soluções. Para desenvolvermos uma cultura startup eficiente e que possa colher mais frutos, é imprescindível agregar novas classes, faixas etárias e diferentes sexos no contexto do novo empreendedorismo.
Algumas atitudes podem ser tomadas para aumentar a diversidade e mitigar as consequências do limitado perfil empreendedor:
> INCENTIVO E ENGAJAMENTO DE MULHERES NO CENÁRIO DO
EMPREENDEDORISMO. Bons exemplos têm surgido em startups de vários países, na direção de grandes empresas de tecnologia e mesmo em áreas antes predominantemente masculinas, como programação e desenvolvimento web, além de eventos e grupos empresariais voltados exclusivamente para mulheres;
> ENVOLVIMENTO DE CONSULTORES e profissionais experientes na
capacitação, formação e troca de conhecimentos entre empreendedores. Mesmo no segmento de alta tecnologia, há muitos profissionais experientes no mercado – envolvê-los em novos projetos pode se mostrar positivo para ambas as partes;
> APROXIMAÇÃO DOS CLUSTERS, polos de tecnologia, associações,
escritórios de coworkings, governo, entidades de classe, academia e corpos docentes das universidades. Mais do que conquistar apenas os alunos, precisamos conquistar seus mestres e professores. A cultura startup é uma nova cultura voltada ao aprendizado colaborativo, onde o professor não é o dono do conhecimento, e sim um maestro na era da colaboração. Aliar incentivos governamentais, academia, associações e polos de inovação visando uma troca