O Empreendedor Viável

André Telles, Carlos Matos · Capítulo 24 de 60

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O Empreendedor Viável

Investindo em pessoas

O resultado acabou vindo, e, após o ingresso de milhares de clientes pagos, a rede se tornou a mais popular do mundo entre programadores e desenvolvedores, e seus fundadores, alguns dos novos milionários da web 2.0.

Este caso demonstra claramente empreendedores com características dentro do MVE – eles perseveraram na dificuldade, pois acreditavam na sua ideia e já tinham a validação de early-adopters, e injetaram recursos próprios, além de tempo e capital intelectual, sabendo que o resultado viria. Por que, então, buscar recurso de investidores antes do tempo?

 

Investindo em pessoas

 

Modelos de negócios mudam com rapidez em startups e muitas vezes, ao final de betas e protótipos, se mostram diametralmente diferentes da proposta original. Segundo a visão de um dos maiores investidores desse mercado, Ron Conway, há uma única forma viável de mitigar os altos riscos de apostar nesses modelos: investir em pessoas, não em produtos. A visão de Conway é totalmente alinhada com nossa visão relacionada ao MVE.

O investidor Ron Conway (Google, Twitter, Square e PayPal) é um dos mais bem-sucedidos da atualidade. “Começamos com as pessoas em primeiro lugar. Achamos que as ideias com as quais empreendedores começam evoluem e se modificam drasticamente em relação a seu início e às vezes acabam irreconhecíveis. Por isso, nossa crença é investir em pessoas”, expõe

sua filosofia18. O pensamento de Ron valida nosso conceito de MVE, que coloca a capacidade das pessoas envolvidas em um primeiro plano para somente em um segundo plano avaliar a ideia em si.

O igualmente bem-sucedido Reid Hoffman (LinkedIn, Facebook, Zynga e Flickr) dá bastante importância ao grau de alcance de produtos e serviços, mas afirma que não gosta de investir em startups que não saibam diferenciar seu produto da concorrência. Ou seja, a despeito de priorizar modelos de negócio em suas análises iniciais, considera indispensável o conhecimento de mercado por parte de fundadores.

Outro ponto levantado por Hoffman é o da geração de receita. O investidor parece dispensar quaisquer startups que planejem fomentar seu crescimento apenas em novas e maiores rodadas de captação de investimento. A escala tem de ocorrer em decorrência do produto ou serviço oferecido, não de infinitos e gradualmente mais volumosos recursos injetados na empresa.

Outros famosos investidores costumam destrinchar o “perfil social” dos fundadores das startups nas quais planejam investir. É esse o caso de Chris Dixon, cofundador da startup Hunch e investidor de empresas como Skype e Milo. Dixon costuma buscar informações a respeito dos fundadores nas redes, construindo seu perfil social a partir de informações de amigos, conhecidos, colegas e antigos empregadores. “O ambiente muda, você descobre falhas em seu conceito original, e bons empreendedores sabem se adaptar às mudanças. A única maneira de você saber isso é entendendo a paixão e coragem das pessoas envolvidas.”

O pensamento de Chris Dixon também é coerente com o conceito do MVE. Dixon investe quase exclusivamente em seeds e busca alta tecnologia, embora invista também em setores tradicionais da economia como forma de mitigar riscos.

 

PONTO DE VISTA:

 

PEDRO WAENGERTNER

Sócio-fundador da Aceleratech

Coordenador do Núcleo de Estudos e Negócios da Escola Superior de Propaganda e

Marketing (ESPM)

Um dos responsáveis pela fundação da Aceleratech, a primeira aceleradora brasileira

a operar dentro de uma universidade (a ESPM), Pedro Waengertner e seu sócio Mike

Ajnsztajn trouxeram muito da experiência americana em aceleração de startups para o

Brasil, com metodologia bastante centrada no processo da lean startup e na validação e

esgotamento do MVP como forma de comprovar a eficiência não apenas de um modelo

de negócio, mas de seus idealizadores.

 

MVP para quem?

Pedro reforça o caráter de ferramenta do MVP como meio de aprender rapidamente

na interação de uma startup com seus potenciais e prováveis clientes. “Nesse contexto,

o MVP serve muito mais para a startup do que para o investidor”, explica o professor.