O Empreendedor Viável

André Telles, Carlos Matos · Capítulo 6 de 60

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O Empreendedor Viável

Risco, mudança e cultura

> O FABULIS ATRAIU 50 MIL MEMBROS em seus três primeiros meses de

vida, um excelente número. Contudo, nos cinco meses seguintes, o volume de membros apenas dobraria, chegando próximo dos 100 mil, o que demonstrava, sem dúvida, falhas no ganho d e escala da startup. Os fundadores da rede haviam levantado um capital total de US$ 3 milhões, projetando faturamento de US$ 50 a 100 milhões, mas viram que, com a evolução da rede, dificilmente passariam da marca de US$ 10 milhões em faturamento;

> UMA SÉRIE DE MUDANÇAS no tocante aos direitos da comunidade gay

norte-americana e ações visando à aproximação da sociedade e desse público trariam diversos avanços do ponto de vista social e humanitário, porém refletiam de forma negativa em produtos e serviços criados para a comunidade, que não mais queria usufruir algo específico, mas sim aquilo que o restante da sociedade usufruía. A partir daí, houve um questionamento a respeito da real necessidade de um Groupon Gay ou redes e mídias sociais focadas somente no público gay;

> EM MUITAS OFERTAS do site voltadas ao público gay, especialmente na

área de design, mais de metade dos consumidores, na verdade, consistiam em heterossexuais – com isso, o Fabulis viu que talvez estivesse erroneamente limitando seu público-alvo e que a ideia de uma rede concentrada em design tinha fundamento, aumentando assim sua escalabilidade.

As constatações acabaram levando a uma rápida mudança no modelo de negócios, que passou a focar na indústria do design, estimada em US$ 100 bilhões, sem maiores gastos e aproveitando o capital já levantado com a ideia do Fabulis. O site Fabulis foi fundado em fevereiro de 2010 e mudou sua estratégia de branding para o Fab.com em junho de 2011, o que levaria

inclusive à compra, em fevereiro deste ano, da alemã Casacanda, por cerca de US$ 11 milhões – o Fab.com é considerado um dos grandes inovadores do

social commerce e hoje é avaliado em mais de US$ 200 milhões.

 

Risco, mudança e cultura

 

Riscos acompanham o retorno dos investimentos, e nem sempre tal compensação é realizada conforme os planos. Sendo assim, por que razão investidores aplicam enormes somas em startups e por que muitas delas atingem monstruosos valores de venda, ainda que não possuam estrutura e receitas compatíveis com tais somas?

Para muitos, as startups representam a nova onda do empreendedorismo – nos EUA, até mesmo uma nova face do sonho americano. Para outros, fundadores de startups e também aqueles que nelas investem e acreditam são jogadores de pôquer. Arriscam, blefam, dobram apostas e substituem cartas, vislumbrando uma recompensa substancial.

Para o CEO e fundador da ZestFinance, Douglas Merrill, que já ocupou os cargos de CIO e VP de engenharia no Google, os fundadores de startups são mesmo os empreendedores da nova geração e também ávidos jogadores de

pôquer2. Para ele, criar um novo negócio exige duas habilidades: equilibrar riscos e criar uma cultura.

Se o empreendedor arrisca demais, pode afundar seu negócio antes mesmo da fase de escala. Se arrisca pouco, pode ser simplesmente copiado por um concorrente que seja “mais escalável”. O sucesso, para Merrill, está em arriscar apenas o suficiente – e em monitorar constantemente esse grau de risco. O empreendedor viável tem como uma de suas principais características o equilíbrio neste jogo de arriscar no momento certo.

Como autores, observamos que além da formação da cultura, o fator pioneirismo conta muito, portanto esteja sempre muito atento às tendências e saia na frente! Ser pioneiro é um talento que pode ser aprimorado, você não precisa ser um especialista em cool hunting para detectar tendências. Ferramentas como o Google Trends (http://www.google.com.br/trends/) podem auxiliá-lo a identificar tendências. Pode ter certeza de que um empreendedor viável é um ávido caçador de tendências.

A cultura acompanhará toda a evolução da empresa, e o empreendedor deve ter consciência de que estará sendo incessantemente observado como fundador e exemplo para a empresa. Cada nova contratação, feature, serviço, irá reforçar ou deteriorar o valor dessa cultura, o que não se aplica apenas a startups e pequenas empresas, mas a qualquer grupo econômico.

Companhias com forte cultura são mais hábeis em administrar e gerenciar as mudanças que inevitavelmente ocorrerão, ou que já estejam ocorrendo. Basta observar o legado que o empreendedor/fundador Steve Jobs deixou na Apple.

Voltando aos investidores, startups que oferecem um potencial de cultura marcante e que geram engajamento tendem a receber somas mais consideráveis em rodadas de captação de recursos e pitches. Uma grande cultura minimiza os riscos inerentes à própria construção da startup e tal cultura é reflexo direto de uma série de fatores: