O Exterminador do Futuro
Bairro Silver Lake Sunset, perto da Fountain Boulevard 11:42 a.m.
■ BAIRRO SILVER LAKE
SUNSET, PERTO DA FOUNTAIN BOULEVARD
11:42 A.M.
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O canadense nunca soube o que o atingiu. O cara era um touro, pesando 111 quilos antes do almoço, e seu
rosto largo, com feições grossas, era adornado com uma barba. Carlyle Leidle era fabricante de
ferramentas de aço tentando arranjar um green card e estudando para conseguir a cidadania. Vinte
minutos antes, ele havia subido em sua Harley 900 para fazer um serviço para seu chefe. Dois minutos
depois, o silencioso de uma van Dodge 1968 enferrujada caiu na estrada na frente dele. Ele estava
fazendo uma curva e derrapou de lado em cima do silencioso, rolando antes que pudesse abaixar as
pernas para se apoiar. Seus ferimentos foram leves – um pequeno talho no punho e um joelho levemente
ralado. A Harley ficou destruída. Ele então estacionou a moto na calçada e perambulou cabisbaixo por
meio quarteirão até um telefone público. Xingando entredentes, impaciente, Carlyle aguardou enquanto o
telefone do outro lado da linha tocou doze vezes. Sua mulher com certeza gostava daquela porra de sono
da beleza.
Ela finalmente atendeu e ainda estava se perguntando quem teria a cara de pau de acordá-la após uma
noite longa e árdua, quando alguém com uma força poderosa levantou Carlyle do chão e o atirou como
uma boneca de pano perto de um carro estacionado nos arredores. Ele caiu deslizando sobre sua enorme
bunda com uma pancada de quebrar os ossos. Estava prestes a berrar furiosamente e voar para cima do
intruso quando viu os olhos do homem. Não havia nada neles. Nada de raiva ou de maldade. Nada além
de uma energia desfocada. Ele pegou o catálogo telefônico e o folheou como se Carlyle tivesse deixado
de existir. Era um homem grande. Carlyle era maior. Ele se pôs de pé e disse para o homem de costas
para ele: “Você tem um problema sério de comportamento, cara!” Mas isso não surtiu o menor efeito no
cara da cabine telefônica. O telefone estava balançando para lá e para cá, pendurado pelo fio. Aquilo era
demais. Carlyle começou a avançar na direção do sujeito, mas foi aí que viu as costas se enrijecerem e
percebeu o dedo do homem, que estava passando pela coluna de nomes, travar em uma posição
congelada em cima de um deles, e depois pular para o próximo e para o seguinte. Abruptamente, o
homem se virou para sair. Carlyle cogitou entrar no caminho dele até ver os olhos novamente. Estavam
olhando diretamente para ele, mas enxergando uma coisa completamente diferente – algo no futuro
próximo que podia ser de interesse, mas certamente não era aqui e agora. Ele passou por Carlyle, pulou
para trás do volante de uma van e saiu acelerando. Carlyle engoliu em seco. Só então percebeu que o
homem havia lhe metido medo. Ninguém jamais o olhara daquele modo. E ele queria que jamais
olhassem novamente. Suspirando, ele entrou na cabine para ligar mais uma vez para casa. Seus olhos percorreram a página aberta do catálogo que o homem estivera lendo. Havia uma marca funda ao lado de
três nomes, uma depressão causada pelo dedo do homem no papel. Os três nomes eram: Sarah Anne
Connor, Sarah Helene Connor e Sarah Jeanette Connor. Carlyle olhou para eles enquanto o telefone
tocava em sua casa. Por um instante, uma mera fração de tempo, ele cogitou discar os números e alertar
as mulheres de que alguém muito amedrontador estava procurando por elas. Mas a ideia foi fraca e
facilmente esquecida quando sua esposa entrou na linha e ele começou a explicar seus próprios
problemas para ela.
Onze horas e meia depois ele estaria sentado em sua poltrona surrada em frente à tevê, assistindo às
notícias. Sua mulher ficaria assustada com a expressão de horror que então transformaria o rosto dele em
algo desconhecido. Por um rápido instante, isto seria tudo que ele conseguiria dizer: “Eu deveria ter
ligado... Eu deveria ter ligado...”