O Exterminador do Futuro

James Cameron · Capítulo 14 de 52

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O Exterminador do Futuro

Restaurante familiar do Big Jeff 4:34 p.m.

■ RESTAURANTE FAMILIAR DO BIG JEFF

 

4:34 P.M.

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Sarah heroicamente estava cumprindo seu desafio de atender os clientes raivosos, ziguezagueando entre

as mesas como uma bailarina de beira de estrada, balançando com destreza três jantares completos nos

braços estendidos e segurando uma Salada do Jeff em uma das mãos. Um homem corpulento de meia-

idade com cara de urso e uma expressão indignada esticou a mão e puxou o avental dela. Com a

desenvoltura da prática, Sarah transferiu o peso para evitar um desastre repentino e encarou o homem,

que apontou irritado para sua porção de batatas fritas.

“Que tal um vidro de ketchup, hein?”

Sarah colocou seu sorriso vazio no rosto e balbuciou ingenuamente: “Você quer outro, além do que já

está na sua mesa?”

O homem acompanhou os olhos dela até o vidro de ketchup enfiado atrás do suporte do cardápio.

Continuando, ela descarregou sua carga culinária em uma mesa cheia de homens impacientes. Quando

começou a separar quem havia pedido o quê, um velho, a algumas mesas dali, gritou que queria o café

dele agora. Ela lançou um “já estou indo” por sobre o ombro e depois virou-se para seu problema

imediato.

“Ok, de quem é a Carne Corpulenta?”

Um deles respondeu: “Eu pedi a carne de churrasco”.

Outro interveio: “Acho que esse é o meu, mas eu não pedi fritas”.

Outro se sobrepôs: “O meu é o Queijo Chili Deluxe”.

Sarah estava ficando para trás com a coisa toda. Seus pés já estavam ultrapassando a dor e a agonia,

indo rapidamente na direção dos pés chatos. Em geral, ela dava conta do trabalho facilmente, mas aquele

não era um de seus melhores dias.

Mais do que o normal, as chateações e os pequenos conflitos irritantes estavam se acumulando,

amontoando-se uns sobre os outros, até ela começar a perder a concentração. E, naquele instante, o

mundo inteiro estava se tornando uma pergunta agoniante de tão simples e direta: “Tá, então de quem é a

Carne Corpulenta?”

Uma loira gorda empurrando duas meninas hiperativas na mesa ao lado cutucava o braço de Sarah

insistentemente. “Moça”, disse ela, como se Sarah não tivesse mais nada a fazer a não ser prestar atenção

a cada palavra dela, “já queremos pedir.”

“Sim, senhora, já estou indo, se puder só...” Ela estava entrando no piloto automático e pôs o último

prato sobre a mesa. Ao se levantar, seu braço esbarrou em um copo de água e ele caiu em cima de um homem na ponta da mesa, encharcando sua jaqueta. Ele levantou os braços, consternado.

Sarah rapidamente esfregou a jaqueta dele e enxugou seu colo com um guardanapo, sem pensar, e

balbuciou: “Sinto muito, senhor. Isso não é couro de verdade não, é?” Claro que era; a expressão do cara

não deixou dúvidas.

Enquanto isso, uma das meninas da mesa ao lado pegou um pouco de sorvete e maliciosamente colocou

no bolso de gorjetas de Sarah, que reprimiu um choro de espanto. A garota gargalhou, triunfante. Sarah

olhou a criança com uma expressão de desamparo e as Sarinhas puxaram suas rédeas, mal controlando

seu desespero.

O homem cuja jaqueta Sarah havia ensopado murmurou: “Boa, garota. Eu devia dar uma gorjeta pra

você”.

Sarah ficou ali parada, com a sensação crescente de que forças malignas a rondavam. Nancy, passando

atrás dela no corredor, deu um tapinha em seu ombro, virando a cabeça de lado com um sorrisinho

travesso.

“Pensa por esse lado, Connor: em cem anos, quem vai se importar?”