O Exterminador do Futuro
LAPD Divisão de Rampart 2:10 a.m.
■ LAPD
DIVISÃO DE RAMPART
2:10 A.M.
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Sarah se inclinou para a frente, sentada na beirada de uma cadeira giratória, e olhou para a imagem no
monitor de vídeo diante dela.
Traxler estava de pé ao lado de Sarah. Ele estava constantemente medindo a reação da moça. Ele
queria que ela visse aquilo. Talvez ela se lembrasse de algo que houvesse se esquecido de lhe contar.
Silberman estendeu a mão e aumentou o volume do monitor preto e branco.
“Somos só eu e ele”, disse Reese pelo monitor de vídeo.
“Por que você não trouxe nenhuma arma”, perguntou a imagem gravada de Silberman, “ou alguma coisa
mais avançada? Vocês não têm armas de raios?”
“Armas de raios”, repetiu Vukovich, rindo. Na tela, Reese não estava se divertindo nem um pouco. Ele
olhou de volta, desafiador. Silberman fez uma pausa. “Vamos lá”, disse ele, “mostre-me uma única peça
de tecnologia do futuro e nós resolvemos essa coisa toda.”
“Você vai nu... algo ligado ao campo gerado por um organismo vivo. Nada morto atravessa.”
“Por quê?”
“Não fui eu que construí aquela porra”, retrucou Reese. Ele estava começando a perder a paciência.
“Tudo bem, tudo bem. Mas esse, hã...” – Silberman olhou para suas anotações – “esse ciborgue... Se ele
é de metal, como...”
“Coberto de tecido vivo.”
“Claro”, assentiu Silberman compreensivamente na tela de vídeo. O Silberman verdadeiro se levantou
da mesa de Traxler e apertou o botão de pausa no monitor. Quando ele se virou para Sarah e Traxler, sua
voz estava autocongratulatória.
“Isto é um ótimo material”, disse ele. “Eu poderia construir uma carreira inteira em cima desse cara.
Você vê como essa parte é inteligente? Ela não requer a mínima prova.”
Sarah olhou para ele, ainda sem certeza. Confusa.
“A maioria dos delírios paranoicos é complexa”, continuou ele, “mas isso é brilhante.” Assim como eu,
ele pensou para si mesmo enquanto reiniciou a fita.
“Por que as outras duas mulheres foram assassinadas?”, perguntou Silberman em preto e branco.
“A maioria dos registros foi danificada ou perdida com a guerra”, disse Reese. “A Skynet não sabia
quase nada sobre a mãe de Connor, porque o arquivo dela estava incompleto. Só se sabia o nome dela e
onde morava – apenas a cidade, não o endereço. O Exterminador estava sendo sistemático.”
“E as incisões nas pernas delas?”
“Era a única identificação física que restava nos registros dela. Sarah teve um pino de metal implantado
cirurgicamente na perna. O que a Skynet não sabia, o que o Exterminador não sabe, é que ela ainda não
tem o pino. Isso só vai acontecer mais tarde.”
“Como você sabe?”
“John me contou.”
“John Connor?”, perguntou Silberman.
“Sim.”
Silberman batucou com o lápis no bloco, pensando, com um pequeno sorriso inconscientemente nos
lábios. “Você sabe que também não há comprovação física disso.”
“Você já ouviu o suficiente”, disse Reese com raiva na voz. “Decida-se. Agora. Você vai me soltar?”
“Infelizmente, isso não depende de mim”, respondeu Silberman, mantendo a voz amigável e racional.
“Então por que eu estou falando com você?”, Reese começou a se levantar, ainda algemado à cadeira.
“Quem é a autoridade aqui?”
“Eu posso ajudá-lo.” Silberman tentava ficar no controle da situação, mas estava perdendo.
Reese ficou de pé, olhando diretamente para a câmera, diretamente para Sarah, gritando: “Vocês ainda
não entenderam, não é? Ele a encontrará. É isso que ele faz. E só o que ele faz...”
Os olhos de Sarah se arregalaram. Traxler fez sinal para Silberman, que estava mais próximo do
monitor, para desligá-lo. Mas Silberman estava olhando para a tela, fascinado com o espetáculo.
“Vocês não podem detê-lo. Ele vai passar através de vocês, enfiar a mão pela garganta dela e arrancar
a porra do coração dela!”
Reese estava tentando entrar pelo monitor quando Silberman saiu de seu transe e apertou o botão de
pausa.
Sarah ficou hipnotizada pela determinação desesperada gravada no rosto de Reese congelado
eletronicamente. Ela ficou pálida. Tantas perguntas estavam passando por sua cabeça que ela não
conseguia organizá-las.
“Eu não tenho um pino na perna”, disse ela.
“Claro que não”, respondeu Traxler. “Reese é um homem muito perturbado.”
Sarah queria acreditar naquilo. Ela se virou para o psicólogo para obter uma opinião mais profissional,
uma em que ela pudesse acreditar. “Reese é louco?”, perguntou ela.
“Na terminologia técnica”, respondeu Silberman, sorrindo, “ele é lelé.”
“Mas...”
Antes que Sarah começasse a protestar, Traxler a interrompeu. Ele lhe entregou algo que parecia as
proteções acolchoadas de um árbitro de beisebol.
“Sarah, isto é uma armadura corporal. Nossos caras da SWAT usam. Ela detém um tiro de calibre doze.
Esse outro indivíduo devia estar usando a mesma coisa sob o casaco.”
Ela queria acreditar que a explicação fosse essa, mas de alguma maneira não era suficiente. “Mas e
quando ele perfurou o para-brisa?”
Vukovich deu de ombros. “Provavelmente estava chapado. Quebrou todos os ossos da mão e só vai
sentir daqui a algumas horas. Teve um cara, uma vez...”
Traxler o interrompeu jogando o colete à prova de balas nas mãos dele. Obedientemente, Vukovich se
calou e saiu.
Sarah lera a respeito de pessoas drogadas fazendo coisas inacreditáveis com uma fúria frenética.
Talvez, pensou ela. Deve ser isso. Não que tenha acreditado, mas é que ela precisava acreditar. E esses
caras pareciam tão seguros. De repente, ela se sentiu ingênua, ruborizando de vergonha por sua própria
estupidez – por ter sido levada a acreditar naquela história demente de Reese. Mas ele fora tão
convincente e sua descrição do futuro era tão detalhada. Até mesmo a tatuagem em seu braço. Feita por
ele mesmo, sem dúvida. Existem alguns malucos cinco estrelas por aí, pensou ela, e eu acabei de
encontrar dois deles. Ainda assim, embora ela se recusasse a admitir, havia um persistente ruído de
fundo com dúvidas não respondidas.
Traxler pôs a mão no ombro de Sarah. “Você vai ficar bem”, disse ele. Apesar de sua aspereza cansada
da vida, Sarah detectou uma preocupação genuína.
“Eu liguei pra sua mãe e contei a ela sobre a sua situação. Isso ainda não chegou aos noticiários, então
ela não ouviu nada a respeito.”
“Como ela reagiu?”
“Muito bem. Ela disse apenas ‘Estou a caminho’ e desligou.”
Essa é minha mãe, pensou Sarah. A especialista em gestão de crises. Dezessete anos como enfermeira
fazem isso com você. Sarah queria ter um pouco mais dessa dureza pragmática. Descobriu que sua filha
foi abduzida por um terrorista louco e se envolveu em uma perseguição com tiros, e que sua melhor
amiga foi assassinada por engano em seu lugar? Sem problema. Simplesmente pegue as chaves do carro.
“Ela vai demorar pelo menos uma hora e meia para chegar aqui de San Bernardino. Por que você não
se estica aqui nesta sala e dorme um pouco?”
Ele fez um sinal para a porta de uma pequena sala anexa e um sofá torto encostado à parede.
“Não consigo dormir”, disse ela.
Embora arrasada até o limite pela exaustão física e emocional, Sarah sabia que dormir estava fora de
cogitação. Seu cérebro girava com pedaços de imagens de destruição que levariam anos para
desaparecer e lembranças claras e amargas pela perda de Ginger e Matt.
Ela cambaleou como uma sonâmbula e depois se sentou no sofá, com Traxler se ajoelhando ao seu lado.
“Pode não parecer, mas esse sofá é muito confortável. Eu mesmo já passei algumas noites aqui. Agora
deite-se e não se preocupe.”
Sarah realmente se deitou, mas seus olhos permaneceram abertos, sem quererem se isolar da segurança
iluminada da sala.
“Você estará totalmente segura aqui”, disse Traxler suavemente. “Há trinta policiais neste prédio. Não
dá pra ficar mais segura que isso.”
Ele sorriu e afagou o braço dela, e depois se levantou. Ela ouviu o coldre de ombro ranger quando ele
se levantou e viu o aço azulado de seu revólver de serviço. As mãos dele eram delicadas, mas seus braços eram grossos e seus ombros largos. Ela se confortou com as imagens: a .357 debaixo do braço
dele, o distintivo pregado no cinto, os sapatos de sola grossa dos policiais que ela sempre achara fora de
moda. Eles não pareciam bregas agora.
Ela soltou a respiração lentamente e sua força pareceu sair junto. Seus olhos se fecharam.
Traxler saiu pela porta e a fechou sem fazer barulho, deixando a luz acesa.
Ele ficou do lado de fora da porta, com a mão no queixo. Seus olhos, focados no nada, pareciam
grandes e vazios atrás das lentes bifocais. Vukovich conhecia aquela cara.
“O que foi?”, perguntou ele.
“Tem alguma coisa acontecendo aí.”
“Besteira”, disse Vukovich. “Dois malucos, só isso.”
“Certo. Tendo o mesmo delírio. Com que frequência isso acontece?”
Vukovich suspirou de frustração. “Cara, você tá pirando. Toma outro café. Bota mais um Juicy Fruit pra
dentro. O garoto é pirado, Ed.”
“É melhor que seja”, disse Traxler, com o olhar ainda distante. O rapaz era inteligente e durão, como se
fosse feito de ferro, diferente de todos os vagabundos de rua que já vira. Alguns caras das forças
especiais do Vietnã tinham aquela expressão, mas Reese era novo demais para ter lutado no Vietnã.
Dezenove, vinte anos. Ele teria quatro anos na época da ofensiva do Tet. As contas não estavam batendo
e alguma coisa estava deixando seu radar ligado.
“Pirado”, disse Vukovich, entregando um cigarro para ele. Traxler olhou em seus olhos.
“Pense em uma coisa por um segundo. Apenas pense um pouco”, disse Traxler.
“Em quê?”
Traxler acendeu o cigarro.
“E se ele não for?”