O Exterminador do Futuro

James Cameron · Capítulo 21 de 52

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O Exterminador do Futuro

LAPD Divisão de Rampart 7:44 p.m.

■ LAPD

DIVISÃO DE RAMPART

7:44 P.M.

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Assim que Traxler abriu a porta da sala de conferências, o bando de repórteres no corredor caiu em cima

dele em uma torrente de luzes de câmeras e falatórios. Havia cerca de vinte deles, a maioria

correspondentes de jornais locais. Também havia uma equipe do Eyewitness News com uma minicâmera

agressivamente tentando conseguir a foto.

Traxler olhou para eles com desgosto e depois se preparou para enfrentar o desafio de chegar à

segurança de sua sala, a dois metros e meio de distância.

Atravessou a massa de repórteres gritando “Sem comentários” antes mesmo de ouvir a primeira

pergunta. Odiava essas situações. Não tinham nada a ver com o trabalho para o qual fora treinado, a não

ser pelo fato de que geralmente dificultavam sua vida. Ele olhou para os rostos que se balançavam e se

cruzavam à sua frente. Não havia dignidade alguma naqueles rostos. Nossa, como ele odiava repórteres.

O repórter do Eyewitness News, que nada mais era do que um modelo com um microfone, entrou na

frente de Traxler, bloqueando seu caminho. A minicâmera já estava gravando. Traxler parou e olhou

fixamente para o desgraçado. Ele o reconheceu da televisão. Um babaca. O repórter sorriu de volta por

um instante e depois entrou em seu personagem de jornalista sério e herói.

“Tenente, o senhor está ciente de que esses dois assassinatos aconteceram na mesma ordem em que são

listados no catálogo telefônico?”, perguntou ele, num tom que parecia sugerir que Traxler talvez fosse de

fato o último ser humano do planeta que ainda não soubesse. É claro que eu sei, seu idiota de merda.

“Sem comentários”, Traxler respondeu sem expressão, empurrando o repórter para o lado e seguindo

em frente.

O bombardeio de vozes começou novamente, uns ignorando os outros, cada um tentando falar mais alto.

Finalmente, como sempre, o murmúrio de muitos se calou diante da vitória momentânea de um.

“Sem essa! Jogo aberto, tenente. Nós também precisamos ganhar a vida”, gritou a voz, ecoando os

sentimentos das outras.

Era um momento que Traxler nunca ignorava. O tenente parou, com a mão na maçaneta, e se virou para

encarar a multidão. Observou os repórteres e respirou, como se atingido pela lógica inegável do que

acabara de ser dito. Um silêncio caiu sobre o grupo. Os olhos deles estavam vidrados em Traxler. Lá

vinha a história.

“Estão vendo isto?”, perguntou Traxler, apontando para a porta. “Esta é a minha sala. Eu moro aqui.

Apareçam qualquer hora.”

Ele já estava seguro lá dentro quando os repórteres fizeram uma última tentativa de chamar sua atenção,

em vão.

As vozes desapareceram quando Traxler bateu a porta, balançando a cabeça, aborrecido. Porta boa,

pensou ele. Quase à prova de som.

Vukovich olhou para as fichas espalhadas à sua frente, na mesa, e sorriu com simpatia. Eles estiveram

acampados ali a noite toda. Até sair para mijar era um drama.

Traxler cuspiu o chiclete gasto e desembrulhou outro. Ele olhou para seu parceiro, que parecia absorto

nos detalhes da sanguinolenta foto oito por dez que segurava entre seus dedos. Não se falaram. Como um

velho casal, eles se tornaram confortáveis na presença um do outro e não precisavam preencher o espaço

com palavras, a não ser que houvesse algo importante a ser discutido.

Ou se estivessem entediados.

Traxler acendeu um cigarro e abriu a gaveta de sua mesa. Ele procurou no meio da bagunça até

encontrar o vidro de aspirina e jogar um punhado delas na mão. Deu uma longa tragada em seu Pall Mall

e pegou o copo de café. Mexeu o que havia ali dentro. Uma película gordurosa formou-se na superfície.

Traxler a contemplou por um segundo. Havia café fresco no final do corredor. Isso significava sair

novamente. Dane-se, pensou ele, colocando as aspirinas na boca e levantando o copo.

Estava pensando na terceira Sarah Connor. Difícil de encontrar. Tentaram entrar em contato com ela a

noite toda. Nada. Tinha medo de que ela estivesse estirada no chão por aí, agora mesmo, com a perna

talhada no meio e os miolos estourados. Ele havia obtido uma cópia da foto de sua carteira de motorista e

a observou por algumas horas, tentando ler alguma coisa, tirar algo dali. Mas não havia nada em seu

rosto que sugerisse alguma coisa específica. Como que tipo de lugares frequentava ou o tipo de amigos

que tinha. Nada.

“Já conseguiu falar com ela?”

“Connor?”

“É.”

“Não. Cai na secretária eletrônica.”

Traxler pôs o café sobre a mesa e começou a andar para lá e para cá, repassando tudo em sua mente

outra vez. Ele odiava a sensação de impotência que estava tendo de aturar.

“Mande uma viatura”, disse ele.

Vukovich abaixou a pasta e se sentou. Conhecia Traxler o suficiente para saber o que estava por vir.

Eles haviam feito tudo que podiam até o momento. Desejou que Ed começasse a fumar maconha ou a

meditar, ou a se masturbar. Qualquer coisa que o acalmasse um pouco.

“Já mandei uma viatura”, respondeu ele. “Ninguém atendeu e o síndico saiu.”

Mas Traxler não estava ouvindo. “Liga pra ela”, ele disse.

“Eu acabei de ligar.”

“Liga de novo”, ordenou Traxler.

Cansado, Vukovich pegou o telefone e discou. Traxler desembrulhou outro chiclete Wrigley’s, botou

para dentro junto com o outro e pegou seu maço de cigarros. Vazio. Merda.

“Me dá um cigarro aí.”

“Tá fumando dois por vez agora?”, perguntou Vukovich, apontando para o Pall Mall aceso que Traxler

estava segurando na outra mão. Traxler olhou para baixo como se nunca o tivesse visto antes na vida.

Depois deu de ombros e tragou outra vez.

“Mesma merda”, disse Vukovich, desligando o telefone. O som animado da voz gravada de Ginger foi

cortado quando o telefone bateu no gancho. Vukovich olhou para seu chefe, sentado na quina da mesa do

outro lado da sala, esfregando as têmporas, contemplando. Ele murmurou alguma coisa.

“O que foi?”, perguntou Vukovich.

Traxler levantou os olhos cansados e vermelhos. “Eu sei como vão chamá-lo. Já consigo ouvir.” Em um

ato premonitório, ele viu a manchete da manhã. Com desgosto, Traxler apagou a bituca de seu cigarro no

chão. “Vai ser o filho da puta do ‘Assassino da Lista Telefônica’”, disse ele, com determinação, e se

perdeu novamente em pensamentos.

Vukovich também viu.

“Odeio os casos de imprensa”, disse ele, “especialmente os casos de imprensa esquisitos.” Ele olhou

novamente para o arquivo, analisando-o pela enésima vez. Esperando ter deixado passar alguma coisa,

mas sabendo que não tinha.

De repente, Traxler se levantou.

“Aonde você vai?”

“Fazer uma declaração. Talvez nós possamos fazer esses imbecis nos ajudarem, para variar.” Traxler

estava com a energia toda focada novamente, ajeitando a gravata e limpando as cinzas de seu paletó.

Estava até sorrindo. “Se eles puderem botar isso na televisão até as onze, talvez ela ligue.” Ele tirou os

bifocais e os pôs no bolso.

“Como é que eu estou?”, perguntou ele. Vukovich olhou para o tenente e deu de ombros. “Horrível,

chefe.”

“Sua mãe”, respondeu Traxler sorrindo. Em seguida, abriu a porta e saiu para o Inferno dos Policiais.