O Exterminador do Futuro
Dia3
■ LEUCADIA
7:45 A.M.
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Sarah havia apagado àquela altura. Quando voltou a si, as máquinas da fábrica haviam sido desligadas,
mas o barulho ainda persistia. Sirenes. Pneus cantando. Murmúrios animados. Ela estava sendo levada
em uma maca e delicadamente amarrada. Sarah sentia dor, mas era de alguma maneira abafada e distante,
desconectada. Rostos entravam e saíam de foco. Assistentes. Policiais. Curiosos. Ao colocarem-na na
ambulância, ela viu uma van preta ao lado. A palavra LEGISTA estava impressa na lateral e um saco foi
posto em seu interior, como se fosse um saco de farinha. Ela sabia que era Reese. Antes que tivesse
tempo de se lamentar conscientemente, as portas da ambulância se fecharam e a mandaram de volta à
escuridão abençoada.
Conforme a ambulância se afastava, Greg Simmons levantou a gola de seu terno casual e se virou para
entrar em sua sala. Que jeito de começar o dia. Mas ele foi interrompido por seu assistente, Jack Kroll,
um garoto baixinho e hiperativo com Q.I. de gênio e a malandragem de um cocker spaniel.
“Olha isto aqui, Greg!”, gritou ele, entusiasmado, e pressionou um pequeno chip eletrônico em sua mão,
algo que Greg provavelmente nunca vira. Ele devia ter trinta e cinco milímetros de diâmetro e circuitos
impressos que não faziam o menor sentido, embora parecessem conectados de maneira muito eficiente.
Para qual finalidade?
“Onde você pegou isso?”
Jack apontou para a linha de montagem nos fundos do prédio. “Eu sei que não devia, mas atravessei a
faixa da polícia, porque esse negócio tava...”
Greg apertou o braço em volta do ombro de Jack e beliscou o braço dele, com força. Jack gemeu e
tentou se libertar até que Greg acenou na direção de um policial parado a uns dois metros de distância.
Eles andaram pelo estacionamento, afastando-se do bando de colegas e oficiais.
Jack disse a Greg que havia encontrado o chip no chão, no meio de um monte de destroços estranhos.
Greg girava o dispositivo repetidamente em suas mãos, confuso e cada vez mais animado. “O chefe viu
isto?”
Jack, sempre leal, pareceu magoado. “Não, Greg. Eu trouxe diretamente pra você. Ninguém sabe que eu
tô com isso.”
Greg assentiu, feliz. “Vamos deixar assim.”
“Hã? Você não quer levar para o P e D?”, disse Jack, confuso.
“Pra quê? Pro velho Kleinhaus levar o crédito? Nós somos assalariados aqui, meu chapa. Tecnólogos
contratados. Eles não ligam a mínima pra nós. Enriquecer essa gente pra quê?”
“O que vamos fazer?”
Greg olhou nos olhos de seu ingênuo amigo. Jack era seu tesouro, um artista ainda não descoberto da
engenharia eletrônica. Todo o mundo via a embalagem. Greg via o conteúdo. Essa era a sua vantagem.
Ele e Jack abririam seu próprio negócio. Um pequeno escritório com poucos móveis. Apenas uma
fachada para o laboratório nos fundos. Ele hipotecaria sua casa, seu carro, sua mulher e seus filhos e
colocaria todas as economias de Jack neste projeto. Quando eles entendessem exatamente como explorar
aquilo que devia ser um novo tipo de circuito microprocessador, saberiam para que usá-lo.
Eles levaram mais tempo do que Greg havia originalmente calculado. Dezesseis meses e quatro dias,
para ser exato. A aposta deles valeu a pena. Conseguiram um empréstimo, patentearam o circuito e
esperaram ser processados. Não foram. Ninguém sabia que diabos era aquilo. Como se houvesse caído
do céu, de outro planeta. Mas aquilo estava começando a torná-los mais ricos do que jamais imaginaram
em suas fantasias mais loucas. Em mais dois anos, eles tinham sua própria empresa, maior do que a que
deixaram após encontrarem o chip. Uma das tarefas mais difíceis que enfrentaram naqueles anos foi criar
um nome para sua empresa incipiente. Todas as outras empresas de tecnologia já haviam usado as
combinações possíveis das sílabas que soavam tecnológicas. Um dia, Jack entrou no escritório deles com
um sorriso idiota no rosto e anunciou que havia encontrado o nome certo. Greg concordou e em poucos
dias eles estavam sob o nome jurídico de Cyberdyne Systems.
Relembrando toda a série de acontecimentos acidentais e misteriosos que haviam levado à boa sorte
deles, Greg teve de admitir que... era o destino.