O Exterminador do Futuro
Restaurante familiar do Big Jeff 5:58 p.m.
■ RESTAURANTE FAMILIAR
DO BIG JEFF
5:58 P.M.
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Chuck parou Sarah no corredor de serviço com uma reprovação verbal assim que ela ia bater seu ponto.
“Aonde vai, Connor? Você já fez um intervalo uma hora atrás.”
Sarah estava ficando sem forças, com os ombros inconscientemente caídos, o uniforme amarrotado e
lambuzado de comida salpicada. Os músculos de sua nuca estavam duros feito pedra e ela não conseguia
mexer a cabeça sem produzir uma pontada de dor que ia até seus pés inchados e voltava para a base de
seu crânio.
Ela olhou furiosamente para a câmera de olho vermelho.
“Isso mesmo, Chuck. Muito observador.”
“Então o que você está fazendo?”
“Estou indo embora.”
“Você só sai às sete.”
“Isso mesmo, Chuck. Todos os dias menos sexta, que é quando Denise me substitui uma hora antes do
normal.”
A impaciência ríspida de Sarah ultrapassava os alto-falantes de Chuck, apesar da distorção de vinte por
cento do equipamento.
“Hum, certo, Connor. Onde está sua substituta? Você não pode deixar o salão até sua substituta...”
Denise, uma loira peituda entrando despreocupadamente na casa dos trinta, apareceu no corredor e
piscou para Sarah.
Ela se virou para a câmera e falou suavemente. “Qual o problema, Chuck? Está com dor de barriga de
novo?”
Sarah, prendendo o riso, bateu o ponto rapidamente. Ela sorriu para si mesma, feliz por ter uma amiga
como Denise. Aquilo dava às Sarinhas um momento de paz e segurança.
Em seguida, Nancy pegou seu braço com entusiasmo, como se Sarah estivesse saindo da órbita do
mundo e no último minuto fosse puxada de volta para a segurança.
“Ei, vem cá, isso aqui é sobre você. Bem, mais ou menos”, disse ela, com a voz meio rouca por causa
do cigarro pendurado no canto da boca. Ela mastigava seu chiclete como um cortador de grama ao
conduzir a confusa Sarah pela sala em direção a Cláudia, sentada com os pés doloridos apoiados em uma
mesa de madeira arranhada, em frente à tevê Motorola P&B de treze polegadas. Ela sorriu para Sarah
enquanto Nancy a empurrou em uma cadeira dobrável de metal para assistir. “Olha só, Sarah. Isso é bem estranho.” O espanto de Cláudia causou uma sensação de pavor e o sorriso hesitante de Sarah ficou
congelado.
Ela se esticou para ouvir a jornalista empertigada, de terninho de executiva e laquê no cabelo, porque
de repente parecia estar falando sobre Sarah. “...e um porta-voz da polícia que estava na cena se recusou
a especular o motivo do assassinato, semelhante à execução da dona de casa de Studio City. Ele disse, no
entanto, que uma descrição exata do suspeito foi compilada de várias testemunhas. Sarah Connor, 35
anos, mãe de dois filhos, foi brutalmente morta a tiros em sua casa nesta tarde”.
A âncora virou uma página e esperou o teleprompter mostrar a próxima matéria, alguma coisa sobre
caminhoneiros emitindo um comunicado sobre uma greve. Mas Sarah não estava prestando atenção. Meu
Deus, que coisa horrível. Aquela pobre mulher com o nome igual ao meu. Nossa, acho que meus
problemas são mesmo pequenos, mas por que será que as pessoas ficam malucas assim e destroem uma
vida, como se fosse um saco vazio de batatas fritas que você amassa e joga fora... O nome dela era
Sarah Connor.
“Você morreu, gata”, gargalhou Nancy, batendo no ombro dela e rindo como se fosse a melhor piada
que houvesse escutado o dia todo.