O Exterminador do Futuro

James Cameron · Capítulo 18 de 52

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O Exterminador do Futuro

Santa Mônica academia e Spa Good Life 6:18 p.m.

■ SANTA MÔNICA

ACADEMIA E SPA GOOD LIFE

6:18 P.M.

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Sarah entrou no estacionamento da Academia Good Life, desceu de sua Honda e caminhou até o grande

prédio de dois andares. Tinha poucas janelas, como a maioria das academias. Apesar das vigas de

madeira e do estuque amarelo-claro da entrada, aquele lugar ainda se parecia mais com uma prisão do

que com uma academia, na opinião dela.

Ela acenou para a garota da recepção e atravessou a porta na direção da sala de aeróbica. Ao passar no

meio de um grupo de homens jovens e suados, as batidas abafadas das músicas de rock favoritas de

Ginger começaram a martelar em seus ouvidos. Ela empurrou a porta para dentro e foi saudada com uma

explosão de ar-condicionado, porém parado e aquecido pelos corpos.

O som da porta batendo, devido à mola com defeito, se perdeu no emaranhado sonoro incessante de

Deniece Williams, que impulsionava um grupo desorganizado de fêmeas ofegantes fazendo uma calistenia

prussiana levemente disfarçada de “dança”. As celulites dentro dos colantes sacolejavam, se contraíam e

relaxavam enquanto Ginger gritava as contagens como se tivesse recentemente escapado de um

acampamento do Exército.

Algumas mulheres pareciam estar se divertindo, observando os movimentos incansáveis e precisos de

Ginger, e retirando deles sua energia. Mas a maior parte delas parecia ter acabado de comer um Jiffy

Burguer do Big Jeff e estava sofrendo os inevitáveis resultados gástricos. Trabalhar no restaurante trinta

e quatro horas por semana era o máximo de exercício que Sarah queria.

“Dois, três, quatro, estiiiiiquem!”, gritava Ginger, completamente à vontade. Mas após três minutos

daquilo até Deniece Williams ficou exausta e a fita acabou.

O silêncio repentino quando o sistema de som chiou baixinho foi logo preenchido com um coro de

gemidos. Ginger, que nem perdeu o fôlego, examinou sua tropa com a carranca de um general e

perguntou: “Nossa, vocês não estão se sentindo ótimas?”

Murmúrios extremamente entusiasmados de obscenidades quase verbalizadas flutuaram de volta para

ela.

“Vamos pensar positivo ou da próxima vez eu toco a versão da FM.”

Risos abafados rebateram sem energia nas paredes espelhadas.

No vestiário, Sarah se sentou ao lado de Ginger enquanto ela terminava de vestir sua calça justa e seu

suéter.

“Mesmo nome, é? Mondo bizarro”, disse Ginger, simpaticamente.

“É, exatamente o mesmo”, respondeu Sarah, com o olhar desfocado para os armários de cor cinza à sua

frente e as mãos distraidamente enrolando os fios que saíam do walkman de Ginger em direção aos fones

de ouvido.

Ginger encarou Sarah com uma expressão típica de A Noite dos Mortos-Vivos[2] e em seguida

começou a fazer uma imitação bastante razoável de um teremim, soltando notas fantasmagóricas glissando

do fundo de sua garganta. Dooooo-uiiiiiii-do-uaaaaa.

Ela sussurrou insistentemente ao ouvido da amiga com precisão: “Há um letreiro à frente...” Sarah se

segurou para não sorrir. Ginger era implacável, inclinando-se como um cadáver maluco a centímetros do

rosto de Sarah, dizendo: “Sarah Connor pensou que iria para casa após um longo e árduo dia, mas mal

sabia ela que estava cruzando a...”

“Tá bom, tá bom.”

“Eu sempre soube que você seria notícia, Connor.” Ginger pegou o toca-fitas e os fones antes que Sarah

desse um nó no fio.

Sarah olhou nos olhos de Ginger e disse: “Isso me deu uma sensação esquisita, quase como se, sei lá,

como se eu estivesse morta”.

“E qual é a sensação? Quer dizer, é quente o bastante para usar biquíni?”

“Isso me fez pensar...”

“Que perigo pra você.”

“Espera, Ginger.”

“Desculpa. Pode falar...”

“Bem, eu fiquei me perguntando, se fosse eu que tivesse morrido, será que alguma coisa que fiz até

agora foi realmente importante? Tipo, que diferença faria se eu estivesse viva ou morta?”

Ginger estreitou os olhos para Sarah. “Tá perguntando pra valer?”

Sarah assentiu. Ginger ponderou.

“Bem, você conseguiu pagar sua metade do aluguel regularmente. Isso é uma conquista.”

Sarah devolveu: “Você é sensível como um hidrante”.

Depois Ginger teve de ceder, colocando o braço em volta do ombro de Sarah, rendendo-se

completamente e dizendo: “Você conseguiu ser minha amiga”. Ginger sorriu para Sarah e brincou: “Ok,

vamos sair logo daqui. Você tá partindo meu coração”.

As garotas deram uma passada na sala de musculação para falar com Matt. Ginger andou até ele,

olhando abertamente para um homem mais jovem que Matt estava instruindo no supino.

“Você não tá respirando direito. Muda sua pegada, tipo... Ah, oi, Ginger... Deixa eu te mostrar.” Matt

substituiu o jovem de peito largo no banco e começou a erguer e suspender os pesos com facilidade –

para cima e para baixo, para cima e para baixo...

Irritada com a abundância de atenção que ele estava lhe dedicando, Ginger se posicionou atrás do

aparelho, esperou Matt abaixar os pesos e no meio do exercício rapidamente mudou o pino de seleção

para 30 quilos a mais.

Matt se preparou para a próxima série e deu o impulso. Seus olhos quase saltaram das órbitas, mas ele

conseguiu levantar os pesos. Em seguida, soltou a respiração e os abaixou novamente. “Valeu, Ginger.”

Mas Ginger ainda não havia terminado. Ela passou o braço em volta da cintura do jovem e deu-lhe uma

olhada franca de cima a baixo. “O que esse molenga tá te ensinando? Sonoterapia? Olha pra esse cara,

Matt. Você é que devia fazer aulas com ele.”

Ginger encarou Matt e bateu sem efeito em sua barriga dura feito pedra. “Foi o que pensei, mole como

espaguete.” Depois ela beliscou, ou tentou beliscar, o grupo de músculos no braço dele. “Bíceps

encolhidos. Abdome vergonhosamente mole. Um horror.” Ela se virou novamente para o jovem, que

começava a ficar constrangido e cujo corpo era menor e muito menos definido do que o de Matt. “Esse

cara aqui é que dá duro, tá me entendendo?”

Aquilo foi o fim da picada para Matt. Ele resmungou e partiu para cima de Ginger. Antes que ela

pudesse se virar, ele a levantou acima de sua cabeça como se ela fosse um haltere. “Olá, Ginger. Teve um

dia duro?”, perguntou ele alegremente.

“Me dá um beijo”, disse Ginger de maneira doce. Matt logo a abaixou e obedientemente atendeu seu

pedido.

Ginger apertou as bochechas coradas dele e disse em um falsete agudo: “Você é tão fofo, amorzinho”.

Alguns marombeiros próximos riram e repetiram: “Amorzinho?”

Sarah se aproximou. “Oi, Matt.”

Matt acenou com a cabeça. Ginger deu um beijo molhado e barulhento no pescoço dele, deixando uma

marca vermelha no local.

Como Ginger estava ocupada com Matt, Sarah foi até o bebedouro no canto da sala. Um homem alto

com cabelos castanhos enrolados e aquele olhar estava bebendo água e a cumprimentou: “Oi. Eu já vi

você por aqui. Você é uma gata. Disso eu me lembro. Eu sou Marco”.

Ginger rapidamente se afastou, balançando a cabeça, observando Sarah ficar rapidamente confusa,

envergonhada e de repente interessada.

“Ah, oi. Eu sou Sarah.”

Ela estendeu a mão e Marco a beijou, inclinando o corpo. Por essa ela não esperava.

Sarah rapidamente puxou a mão e a enxugou em seu short, constrangida. Marco não havia terminado.

Ele chegou mais perto e murmurou no ouvido dela: “Se você não estiver ocupada hoje à noite, gostaria de

levá-la pra se divertir”.

Antes que Sarah pudesse pensar em uma reposta inteligente, Ginger se aproximou de Marco,

casualmente enganchou o dedo no elástico do short dele e puxou-o para baixo. Ela olhou com desdém

para a escuridão ali embaixo. Balançando a cabeça de decepção, ela se virou para Sarah e disse: “Você

está perdendo seu tempo. Vamos embora”.

Ela pegou Sarah pelo braço antes que a amiga pudesse reagir e a puxou porta afora, deixando-a dar uma

última olhada, antes de a porta se fechar, em Marco, ali parado sem reação.

Ginger estava sorrindo, triunfante, contente consigo mesma por ter conseguido unir, ao mesmo tempo,

com sucesso, duas artes femininas mutuamente excludentes – a Demarcação de Território e o Escárnio Geral.

Sarah se virou para Ginger e disse: “Nossa, valeu. Se demorasse mais dez segundos eu teria de cuidar

dele sozinha”.

Sem perceber o tom quase sério na voz de Sarah, Ginger riu com vontade e respondeu: “Aposto que

sim. Guarde-se para o sr. Porsche hoje à noite”.